Chupeta

Nossos brigadeirinhos chupavam chupeta no abrigo, principalmente antes de dormir, quando estavam doentes ou manhosos. Nós dois não gostamos de chupeta, pois sempre concordamos que é um acessório que incentiva a preguiça que os adultos têm de fazer a criança parar de chorar. Também não entendíamos para que oferecer uma coisa que vicia e que depois é uma drama para tirar. Mas também concordamos que, como já estavam acostumados, não ficaríamos estressados com as chupetas e que eles poderiam trazê-las para casa.

Só que quando fomos buscá-los, saímos do abrigo com presentes, pasta de documentos, recomendações, dois bebês e muita alegria e euforia para chegar logo em casa e começar nossa vida como papais. Foram tantas coisas, que esquecemos completamente de pedir para levar as chupetas dos bebês e lembramos delas depois de uns três dias. Eles dormiram bem desde o primeiro dia e nunca pareceram precisar da chupeta para pegar no sono. Choravam bastante no começo por motivos diversos – fome, sono, birra etc. – mas nunca precisamos de chupeta para acalmá-los. Então decidimos não comprar chupetas novas.

No início evitávamos falar “chupeta” em voz alta, com medo que eles se lembrassem e começassem a chorar. Mas logo eles começaram a ver outras crianças com chupeta na boca quando iam brincar e nunca tentaram tirar delas. Simplesmente se esqueceram da chupeta. Achamos que papai e mamãe são suficientes quando estão com sono, doentes ou manhosos.

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