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Haddadinha

Metrô, 7h da manhã, lotado, calor. Mãe indo trabalhar, levando a filha junto para uma consulta.

– Mamãe, eu não gosto de carro. Eu só gosto de metrô e ônibus!

– É mesmo, linda? – me mata de orgulho essa criança.

– É. Porque não tem cinto. Cinto dói.

Opinião linda, motivo errado. 🙂

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Desapega desses brinquedos

Foi num sábado, final do dia, depois de um dia de bagunça tirando absolutamente todos os brinquedos do armário e espalhando pela casa: eu quase fiquei louca quando percebi a quantidade de tralha em forma de brinquedos que dois seres humanos conseguem acumular. Eram peças de origem desconhecidas, jogos que já estavam ultrapassados para eles, coisas quebradas, coisas nunca utilizadas.

No domingo, logo após o café-da-manhã, coloquei uma caixa grande de papelão no quarto e expliquei:

– Acho que vocês têm brinquedos demais. Algumas crianças irão ficar felizes se ganharem estes brinquedos. Vamos separar algumas coisas e doar?

Foram SEIS caixas grandes. SEIS. Levamos juntos até a farmácia que estava fazendo campanha de dia das crianças e eles ficaram super felizes porque me ajudaram a entregar tudo para a atendente. Até hoje, meu filho fala às vezes:

– Mamãe, lembra do dia que a gente levou os brinquedos para as crianças que não têm brinquedos lá na farmácia, lembra?

O que achei mais legal foi o desapego deles. Doamos muita coisa mesmo e eles não reclamaram, não sentiram falta, não resmungaram. Simplesmente desapegaram e estão satisfeitos com os brinquedos que ainda têm.

– Tinha muito brinquedo em casa, né, mamãe?

É, filho, seu lindo.

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Solidão, palavra cavada no coração

Aí eu trombei com um texto que falava sobre uma mamãe recém-separada e sobre o quanto ela se sentia sozinha naquele momento, mesmo cercada de tantos amigos e familiares.

Pois é, é duro.

Mas a verdade verdadeira é que me sinto muito sozinha desde que virei mamãe, mesmo cercada de filhos, marido, amigos e familiares, e nunca teve nada a ver com estar ou não estar sozinha no sentido literal da palavra. Sim, encarar a maternidade-carreira-solo é uma pancada e tanto em nossas vidas. Mas o sentimento “solidão” veio bem antes.

Eu me sinto sozinha porque é muito difícil compartilhar todas as angústias da maternidade com qualquer outra pessoa nesse mundo. Difícil demais. Porque as pessoas querem te ouvir, querem te ajudar a pensar, querem te confortar, só que é muito difícil explicar o sentimento que está por trás de cada frustração, de cada dúvida ou de cada medo.

Me sinto sozinha porque passo horas e dias e meses quebrando a cabeça para fazer alguma coisa que acho o mais legal do mundo para meus filhos e sempre tem alguém por perto olhando com reprovação ou tentando me mostrar alguma outra coisa diferente. Me sinto sozinha porque tenho dúvidas sobre o que fazer e as pessoas – com a maior boa vontade do mundo – me dão soluções práticas, rápidas e infalíveis que não conseguem acalmar meu coração.

Me sinto sozinha porque a parte mais pesada do trabalho é sempre da mamãe: levar ao médico, acordar de madrugada para medir a temperatura e medicar, fazer reuniões na escola para acompanhar o desenvolvimento deles, ver se eles têm roupas de frio o suficiente para o próximo inverno, garantir que eles tenham comida e frutas e leite para toda a semana, cortar unhas. Eu – do fundo do meu coração – não queria terceirizar essas coisas para nenhuma outra pessoa no mundo. Faz parte do papel de mãe e gosto de fazer. Mas me sinto sozinha quando percebo que não tem um brinde de reconhecimento assim ó: “parabéns! você saiu correndo no meio da tarde, cruzou a cidade para pegar filho na escola e levar no médico e ainda entregou tudo o que tinha prometido no trabalho!”.

Aí eu tô sensível e chorei horrores quando vi esse vídeo O trabalho mais difícil do mundo.