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A bebezinha de dois amigos meus

Eu estava no trabalho e no meio da tarde recebi uma mensagem de um amigão, que também ficou na fila pouquíssimo tempo, para contar que eles receberam a ligação do fórum os chamando para conhecer uma criança. Pulei da cadeira, e saí correndo para uma salinha para poder falar por telefone com ele. As perguntas para papais adotantes são totalmente diferentes. “Qual o sexo?”, “qual a idade?” e “já sabe o nome ” foi o que eu perguntei. Uma menina de 1 ano e 6 meses. Quase chorei.

No dia seguinte, eles foram ao fórum e fizeram a primeira visita para a bebezinha no abrigo e eu fiquei grudada no celular, esperando as mensagens dos dois. Fiz uma lista imensa de coisas que eles precisavam providenciar para a bebê e fiquei pulando de alegria com cada fotinho que eles mandavam. Hoje foi o dia de compras e eu também fui atrás de vários presentinhos para a sobrinha. Vem logo, bebezinha!

Receber a ligação do fórum foi uma das coisas mais emocionantes da minha vida e eu sabia bem como os dois estavam se sentindo. No dia que me ligaram, eu também estava trabalhando e não consegui mais me concentrar. Receber a ligação é uma alegria tão grande, misturada com um pânico tão grande quanto, pelo susto e por não ter enxoval. É indescritível. E foi uma delícia acompanhar de perto tudo o que eles estão sentindo, e ficar lembrando que há exatamente um ano nós estávamos passando pela mesma emoção.

É claro que eu fico muito feliz quando alguém me conta que está grávido(a). Mas o amor que eu senti pelos dois e por essa mocinha quando recebi a notícia foi muito intenso. Adotar é bom demais. É a coisa mais linda que já fiz na minha vida. Hoje não tenho dúvida nenhuma que foi o melhor jeito do mundo para virar mamãe.

Bem vinda, bebezinha! Você já tem os melhores papais do mundo!

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Felizes para sempre

Depois que os bebês chegaram em casa, recebemos uma visita da assistente social logo nos primeiros dias e os levamos ao fórum para uma conversa com a psicóloga uns dois meses depois. Mais ou menos no meio do nosso estágio de convivência, em outubro de 2012, fomos ao fórum sem os dois para poder conversar com calma com a psicóloga sobre o processo de adaptação.

Só voltamos a ter contato com o fórum no final de janeiro de 2013, quando passamos pelas entrevistas finais do estágio de convivência com a assistente social e com a psicóloga. Na época, os bebês estavam passando por um novo período de adaptação (e muito cansaço), porque tinham começado a ir para escolinha há pouquíssimo tempo. Talvez por isso foi uma tarde estressante para os dois, que choraram e fizeram birra o tempo todo em que estivemos lá e mal conseguimos conversar.

Nos dias seguintes, o parecer da assistente social e da psicóloga recomendando a guarda definitiva foi encaminhado ao Ministério Público e depois à juíza. Entre as entrevistas finais e o recebimento da sentença de adoção, passaram-se cerca de dois meses, mas foram dois meses sem nenhuma ansiedade. No fundo, nós sabíamos que precisávamos apenas aguardar os trâmites legais, porque estávamos felizes, adaptados, resolvidos e não havia motivo nenhum para que o processo de adoção desse errado.

Hoje o papai foi buscar o mandado de inscrição de sentença de adoção e registro de nascimento, que levaremos ao cartório de registro civil para emissão das novas certidões de nascimento dos bebês, onde nossos nomes constarão como “pai” e “mãe”.

Quando nos casamos, nós não prometemos um para o outro que ficaríamos juntos para sempre porque é algo difícil de garantir para um marido ou uma esposa. Nós escolhemos viver algo na linha do “que seja eterno enquanto dure”, porque acreditamos que é assim que os casais devem viver. Com os filhos é diferente. Hoje nós assumimos com nossos filhos um compromisso irrevogável. Um compromisso que só terminará quando a morte nos separar. Um compromisso para sempre, para a vida toda!

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Doenças tratáveis e não tratáveis

Na época que estávamos conversando sobre o perfil do nosso filho, pesquisamos muito sobre o que seriam doenças não tratáveis, doenças tratáveis leves e doenças tratáveis graves. Queríamos uma lista de doenças e a sua classificação. Ou queríamos encontrar depoimentos de adotantes que têm filhos com doenças tratáveis graves, por exemplo, para entender o que era uma doença desse tipo. Nós passamos por uma fase que é comum durante o processo, que é querer saber se estávamos preparados e se tínhamos estrutura para cuidar de uma criança doente. Não achamos as respostas. Sem dados e fatos, nós simplesmente decidimos dizer “sim”. Decidimos que nosso filho não seria escolhido por seus possíveis problemas de saúde.

Além de não haver clareza nesses critérios, também é bom saber que as crianças disponíveis para adoção não passam por um check-up médico completo para que toda e qualquer doença que tenham seja diagnosticada. Isso significa que um pretendente pode escolher não adotar uma criança com problema de saúde tratável grave e se deparar com uma doença grave logo depois. Claro que o fórum irá passar para os papais adotantes todas as informações disponíveis sobre a saúde da criança. Mas após a adoção, vale o sentimento incondicional: a saúde do filho não é condição para que ele seja mais ou menos querido pela família.

Nossos filhos são super saudáveis. São crianças lindas e curiosas, que comem bem, dormem bem, olham nos olhos, se comunicam, brincam muito, imitam, aprendem, dão risadas e gargalhadas, fazem birra, ficam bravos, ficam felizes e sabem amar. E cada um deles tem alguns probleminhas de saúde. Desde que chegaram, passamos por duas cirurgias no crânio, uma pneumonia grave (tratada com remédios, inalações e 20 sessões de fisioterapia respiratória), algumas febrinhas, resfriados, uma virose e sessões de fonoaudiologia para estimular a deglutição de saliva (e evitar que o bebê fique babando o dia todo).

Quando eles ficam doentes, ficamos preocupados e tentamos fazer o melhor, porque queremos que eles fiquem sempre bem. Dá trabalho levar ao médico, acompanhar sessões de terapia, medicar, fazer inalação, dormir no hospital, trocar curativo etc., mas são coisas que mamãe e papai fazem com muito carinho. Problemas de saúde são “detalhes”. Na maior parte do tempo, estamos mais preocupados em escolher as brincadeiras e passeios mais legais para fazer com eles, adaptar a casa para que eles possam circular em segurança, organizar os brinquedos e as coisinhas deles, preparar refeições gostosas e saudáveis, escolher a melhor escolinha. Se tivéssemos colocado restrições com relação à saúde da criança, hoje não seríamos papais super felizes pensando em como deixar nossos filhos mais felizes.

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Primeira entrevista com a psicóloga e bebês

No dia 17 de setembro fomos ao fórum para a primeira entrevista com a psicóloga depois da chegada dos nossos brigadeirinhos, a mesma que cuidou do nosso processo de habilitação. Nossos bebês nunca tinham ido ao fórum, então a equipe técnica e a equipe do cartório só os conheciam pelos nomes.

Fizemos a entrevista os quatros juntos em uma sala e foi bastante difícil concluir qualquer assunto com dois bagunceiros mexendo em tudo e andando de um lado para o outro. Falamos sobre diversas coisas – a chegada deles, a organização da casa e da rotina, as consultas médicas, a recepção da família – e todas foram interrompidas por um “não pode subir aí”, “cuidado com a cabeça” ou “vem brincar aqui”.

No dia seguinte, liguei para a psicóloga porque tínhamos nos esquecido de perguntar alguma coisa qualquer. Ao telefone, aproveitei para dizer para ela que meu marido tinha ficado chateado por não termos contado o quanto ele me ajuda com os bebês. Como estou de licença maternidade e ele não pôde tirar os cinco dias para ficar conosco, ficou com receio de parecer um papai ausente. O que não é verdade; além da dedicação aos finais de semana, o papai os acorda, dá o café da manhã e chega a tempo para dar banho e o leite da noite. Ela me respondeu que não ficou preocupada com isso, porque ela queria ver como os bebês estão, como nós quatro nos relacionamos, se eles parecem seguros e felizes. A maior parte da avaliação foi sobre o que ela observou e não sobre o que falamos. Achamos legal, porque seria fácil ir até lá com várias histórias bonitas sobre o que aconteceu nos 50 dias que eles estavam conosco. Mas não daria para combinar com os dois que eles tinham que nos pedir colo, sorrir para nós, nos obedecer e nos abraçar, para parecermos uma família feliz. Essa parte foi espontânea.

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Adoção consensual (intuitu personae)

Há uns dias um grande amigo, que entregou há pouco tempo a documentação para iniciar o processo de habilitação para adoção, nos contou que um conhecido sabia de uma moça que estava grávida e queria dar o bebê para adoção. Esse conhecido disse para nosso amigo que bastava pagar as despesas do parto e levar a criança do hospital e que em algumas semanas tudo seria resolvido no fórum.

Nossa conselho foi simples: “não faça isso”. E enumeramos alguns motivos para ele ficar de fora dessa história.

  • Atualmente, nem todos os fóruns aceitam esse tipo de adoção (quando a genitora escolhe para quem quer dar o bebê). E, quando aceitam, o pretendente à adoção precisa estar previamente habilitado (o que não é o caso dele)
  • Quando os genitores não querem ou não têm condições para cuidar do bebê, o fórum procura outros familiares (avós, tios, primos etc.) para saber se há alguém com condições e interesse para cuidar da criança. Ou seja, nesse caso, além da moça grávida, outros familiares precisam estar de acordo com a entrega da criança
  • Pagar qualquer coisa para a genitora (no caso, as despesas de parto) pode posteriormente ser entendido como tentativa de compra do bebê. Não há dinheiro envolvido em adoção. Nós gastamos menos de R$ 100 em todo o nosso processo, com despesas pequenas como cópia e atualização de documentos
  • Levar o bebê do hospital para casa sem um termo de guarda significa não estar protegido pela lei. Ou seja, ele não poderia requerer inclusão no plano de saúde, licença paternidade ou mesmo provar que é o responsável pela criança, caso necessário
  • E o pior de todos os riscos: a genitora pode se arrepender de ter entregado a criança e ir buscá-la. Enquanto o processo de destituição do poder familiar não estiver completo (quando os genitores perdem os direitos sobre a criança) isso pode acontecer

Por estes motivos, sugerimos que ele aconselhe a moça a procurar a Vara da Infância para disponibilizar o bebê a adoção, mas que siga o processo dele pelo fórum e que não se envolva nessa história. Nós sabemos que é difícil esperar. Mas a dor da espera não é a maior que a dor da perda de uma criança.

Nossa opinião é baseada em coisas que estudamos e ouvimos nos grupos de apoio e certamente existem informações mais precisas sobre essa questão.

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Onde encontramos os nossos filhos

Nossos brigadeirinhos chegaram através do fórum onde fizemos nosso processo de habilitação para adoção. Nós nunca visitamos nenhum abrigo para procurar nossos filhos por um motivo bem sério: as crianças abrigadas não são produtos expostos em vitrines e ninguém deve ir aos abrigos para “escolher” a mais bonitinha, mais engraçadinha, mais educadinha ou sei-lá-o-que. Um segundo motivo seria que nem todas as crianças abrigadas estão disponíveis para adoção: muitas ainda têm algum vínculo com a família biológica ou ainda estão aguardando o processo de destituição de poder familiar se encerrar.

Nós acompanhamos alguns grupos de discussões virtuais, onde eventualmente as pessoas divulgam crianças disponíveis para adoção. O GAARJ (Grupo de Apoio à Adoção do Rio de Janeiro) tem um fórum aqui e acompanhamos como “ouvintes” uma comunidade no Orkut chamada GVAA – Adoção, um exemplo de amor (como “ouvintes”, porque um dos requisitos para ser membro é ter perfil no Orkut com muitos amigos e outras comunidades – muito difícil!). Conheci uma amiga que adotou através dessas divulgações. Geralmente são crianças que não encontraram pretendentes na própria comarca e isso provavelmente aconteceu porque estão fora dos perfis mais desejados, ou seja, não são bebês, têm irmãos ou problemas graves de saúde.

O processo de destituição de poder familiar de nossos bebês foi conduzido pelo mesmo fórum onde fomos habilitados. Quando estavam destituídos e o fórum começou a procurar uma família substituta para os dois, fomos chamados. Então achamos justo dizer que foram nossos filhos que nos encontraram!

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Nossos brigadeirinhos chegaram em casa!

No dia 3 de agosto, fomos ao fórum às 14h para o que eu tinha entendido que seria uma “audiência”. Nós tínhamos imaginado uma reunião, onde falaríamos sobre nossas intenções com as crianças e etc., e o fórum decidiria se estávamos mesmo preparados para sermos pais deles. Quando chegamos lá, recebemos o termo de guarda para assinarmos e a autorização de desabrigamento para entregar para o abrigo. Em 10 minutos, simples assim! O estágio que se inicia agora é chamado de “estágio de convivência”, uma guarda provisória. A previsão é recebermos a guarda definitiva em 6 meses.

E fomos buscá-los! Além de nossos filhos, voltamos para casa com todo o histórico médico deles e várias recomendações sobre a rotina deles, o que costumam comer etc. As coisas funcionaram super bem até o final do jantar: eles chegaram, se deram bem com nosso cachorro (que morreu de medo dos dois no início), brincaram, comeram um belo prato de jantar e todo o mamão de sobremesa. Depois disso, foi a hora do banho e a confusão começou: eles choraram, acho que meu filho engoliu água na banheira, não conseguimos escovar dentes, pentear cabelo e eles não quiseram tomar o leite da noite (não sabemos se ainda não estavam com fome ou se fizemos alguma coisa errada). Mas dormiram às 20h como dois anjinhos.

Nós estamos bastante cuidadosos com a chegada deles. Se para nós é um dos dias mais felizes de nossas vidas, para eles é um dia de ruptura e grande mudança. Eles estavam abrigados desde que nasceram e gostavam muito das cuidadoras, da comida, da caminha, da rotina e dos amiguinhos do abrigo. Nós sabemos que para eles tudo aqui em casa será diferente e, talvez, um pouco assustador. Então queremos deixá-los seguros e calmos nesses primeiros dias.

Não tem nada melhor do que saber que os filhos dormem no quarto do lado! Temos uma única preocupação nesse momento: meu marido não se lembra de ter colocado o pipi do meu filho para baixo na fralda, e talvez a gente acorde com uma grande meleca na caminha! ❤

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São eles!

No dia 19 de julho, nós fomos ao fórum no horário agendado para reunião com a psicóloga, a mesma que acompanhou nosso processo de habilitação. O objetivo dessa conversa era conhecer toda a história das crianças e da família biológica que constava nos autos, desde a gestação até agora. Os papais adotantes têm que saber de tudo porque serão os “guardiões” de tudo o que aconteceu com eles, até que eles tenham idade e maturidade para conhecer os detalhes de sua história.

Depois de conhecer o processo, tivemos que decidir se iríamos ou não fazer a primeira visita para eles no abrigo. Saímos do fórum direto para lá. É comum que a primeira visita seja coletiva, ou seja, nós sabíamos quem eles eram, mas interagimos com várias crianças ao mesmo tempo e não nos aproximamos tanto. Quando vão conhecer bebês mais novinhos, os pretendentes podem fazer visita individual no primeiro dia. Como nossos bebês já têm 1 ano e 3 meses, nós ficamos junto com o grupo de amiguinhos para eles não estranharem. Eles são muito lindos e muito fofos, os dois!

Após a primeira visita, ficamos de ligar para o fórum, para dar resposta se pretendíamos continuar a aproximação com os bebês. Como, ao mesmo tempo, o fórum ainda precisava anexar alguns outros documentos deles ao processo, combinamos com a psicóloga que esperaríamos o final de semana e a chegada dos documentos para responder.

E foi um final de semana bastante diferente. Decidimos não ver ninguém para poder conversar o quanto quiséssemos. E o tempo todo pensávamos “quando será que vamos fazer isso de novo?”, por exemplo, depois de ir ao cinema no sábado às 22h ou de acordar às 10h no domingo. Nós já sabíamos que não deveríamos esperar ouvir “sininhos” ou “fogos de artifício” ao ver as crianças pela primeira vez. Mas mesmo assim ficamos esperando um sinal ou uma intuição para sabermos se eram eles. E o que aconteceu é que na segunda-feira, quando voltamos para o trabalho, sentimos saudades. E então avisamos nossa psicóloga que iniciaríamos o processo de aproximação no final de semana seguinte.

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Ligação

Foi numa sexta-feira 13, depois das 15h, quando meu ramal do trabalho tocou. O telefone tem identificador de chamadas e eu reconheci os primeiros 4 números do telefone do fórum. Mas como sabíamos que seríamos chamados para um curso preparatório nos próximos dias, achei que fosse esse o motivo do contato.

– Vocês estão inscritos aqui na Vara da Infância para adoção, correto?

– Sim.

– E vocês ainda não adotaram?

– Não.

– Queria saber se vocês têm interesse em conhecer um casal de gêmeos.

Turbilhão. Tenho certeza que fiquei muito branca. Meu coração disparou, e eu repeti umas 3 vezes para mim mesma: “sim, isto está acontecendo!”.

Eu estava em uma sala com mais três consultores e não dava para falar. Pedi o número dela para ligar em 2 minutos de um outro lugar. Quando retornei, ela me perguntou novamente se estávamos interessados em conhecer o processo de um casal de gêmeos de 1 ano e 3 meses. Respondi que sim, lógico, e ela falou que me ligaria em alguns minutos para agendar dia e horário com a equipe técnica. É meio óbvio dizer isso, mas foi uma das maiores emoções da minha vida e eu comecei a chorar. Liguei para meu marido e ele demorou para atender. Quando atendeu, eu mal conseguia falar. Ficou todo emocionado do outro lado da linha.

Nós nos encontramos em casa só depois das 21h. E conversamos muito. Além de estarmos muito felizes, tínhamos o gostinho de estarmos nos preparando mesmo para ser mamãe e papai: ficamos pensando na decoração do quartinho, nos padrinhos e madrinhas, no chá de bebê, nas coisinhas de enxoval que teremos que comprar. Ficamos também pensando que tudo será em dobro, o trabalho e o amor.

Iremos no fórum na próxima quinta-feira, dia 19 de julho, pouco mais de um mês depois de recebermos nossa habilitação para adoção. Nesse dia, junto com a psicóloga – a mesma que cuidou do nosso processo – vamos conhecer todo o processo pelo qual as crianças passaram até a destituição do poder familiar. Não sei se vamos visitar os bebês no mesmo dia, esperamos que sim! ❤

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A fila

Quando recebemos a sentença de habilitação, entramos oficialmente na fila de espera para a chegada de nosso filho. Essa semana ligamos no fórum para saber sobre nosso processo e soubemos que nossa posição é 104, o que significa que há 103 pretendentes que foram cadastrados antes de nós e que ainda não adotaram.

Com a inscrição em nosso fórum, entramos automaticamente em duas filas: a do fórum e a fila do Estado de São Paulo. Além disso, desde a criação do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), a relação de pretendentes à adoção pode ser consultada por todos os fóruns do Brasil. No entanto, como os papais adotantes precisam ir pessoalmente até o fórum que os chamar e ficar na cidade durante o período de aproximação com a criança, arcando com os custos da viagem, é possível escolher em quais estados desejam adotar, além do estado onde moram. Nós escolhemos Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

Antes do CNA, os pretendentes precisavam dar entrada no processo de habilitação em diversos fóruns para tentar diminuir o tempo para a chegada do filho. Em alguns casos, podiam enviar a documentação pelos Correios. Em outros casos, precisavam comparecer pessoalmente a várias cidades.

O principal objetivo das equipes técnicas é encontrar famílias para as crianças e não crianças para os pretendentes. Quando uma criança é disponibilizada para adoção, o fórum procura em sua lista o primeiro pretendente que aceite as características da criança, de acordo com o perfil definido durante o processo de habilitação. Se não houver pretendentes para a criança no próprio fórum, a equipe técnica entrará em contato com outros fóruns do mesmo estado. Se ainda assim não encontrar pretendentes, consultará o CNA e, em último caso, encaminhará a criança para adoção internacional.

Ou seja, estar na posição 104 não significa que necessariamente vamos esperar que os 103 pretendentes que estão na nossa frente adotem seus filhos para recebermos o nosso. A fila andará de acordo com o perfil das crianças, para que elas encontrem suas famílias o mais rápido. Significa que, por exemplo, se os 103 pretendentes aceitarem crianças até 1 ano e uma criança de 2 anos estiver disponível para adoção, nós seremos chamados para conhecê-la. Somando-se o fato de que o perfil da criança é composto por uns 25 itens, é muito difícil saber quantas pessoas estão na nossa frente ou prever quanto tempo iremos esperar.

As filas sempre andam de acordo com o interesse das crianças. Estamos destacando “das crianças” porque às vezes ficamos um pouco incomodados com a quantidade de reclamações que ouvimos nos grupos de apoio de pessoas dizendo que a fila não anda e que estão esperando há muito tempo. Na grande maioria das vezes, são pessoas esperando um bebê com menos de 1 ano e branco, perfil que a maioria dos papais adotantes também deseja. Por outro lado, a maioria das crianças que estão disponíveis para adoção é parda ou negra, tem mais de 5 anos e tem irmãos que também precisam ser adotados. E aí, lógico, quem pretende adotar irmãos com mais de 7 anos, por exemplo, espera menos tempo.

Além do mais, há uma outra questão: grande parte das crianças abrigadas não está disponível para adoção. Elas vão para os abrigos quando estão em alguma situação de risco, que pode ser maus tratos, negligência ou extrema pobreza, entre outras. O abrigo é uma situação provisória, para que a família possa se reestruturar e receber as crianças de volta. Quando a equipe técnica entende que os pais biológicos não têm mesmo condições para criar a criança, ela procura a família estendida (outros parentes, como avós, tios etc.). Se nenhuma dessas pessoas puder cuidar da criança, é iniciado o processo de destituição do poder familiar e a criança fica oficialmente disponível para adoção. Todo esse processo leva tempo. Com o tempo, as crianças crescem nos abrigos e ficam mais longe dos perfis mais desejados.

De qualquer forma, o tempo de espera é o tempo de gestação, tempo para amadurecer. Nós também estamos ansiosos e gostaríamos que nosso filho chegasse amanhã. Mas estamos aproveitando essa espera para nos preparar; torcendo para a espera ser curta!

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