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Para Ruth

Ruth,

No seu aniversário de seis anos, entrei em uma loja e comprei um monte de roupinhas fofas tamanho 10. Agora vou ter que trocar metade porque ficou pequeno.

Meu. Em respeito a sua mãe que tem 1,56 m, dá pra ir devagar neste crescimento desenfreado? Tá loco.

Mas também queria te dizer mais uma vez o quanto você foi fofa. No seu aniversário de seis anos, mamãe não fez festa como sempre fizemos, porque combinamos um passeio e uma viagem. Mas aí você acordou para fazer xixi dois dias depois do seu aniversário e encontrou uma festa no apartamento para a qual não tinha sido convidada (sou dessas mães que põem as crianças na cama, abrem um espumante e servem um jantar para 4 pessoas). E você só me chamou pra te ajudar com o xixi, confirmou quem estava na sala comigo porque tinha reconhecido as vozes (e risadas) e voltou para a cama para dormir lindamente até o dia seguinte. Sem nenhuma crise. Uma fofa.

Feliz aniversário, gatinha!

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Direito de ser avulsa

Recebi um e-mail super carinhoso de uma leitora que, entre outras coisas, disse que admirava a forma como eu mantenho meus interesses pessoais mesmo depois de virar mamãe. Obrigada, querida, de todo meu coração, por essas palavras. Fiquei feliz por saber que no mundo não existem somente as pessoas que criticam as mamães que não dedicam absolutamente todo o tempo delas para seus filhos, chamando-as de péssimas mamães.

Deixa explicar melhor: eu ouvi críticas porque fui a um casamento (em junho) e a um aniversário (em setembro) sem meus filhos. Absurdo, né? Que raio de mãe fica longe de seus bebês para estar ao lado do melhor amigo do dia do casamento dele? E ainda toma um copo de bebida alcoólica, vai dormir de madrugada e acorda tarde no dia seguinte? Que horror, gente! Se revolveu ter filhos, deveria saber que sua vida estaria dedicada a exercer o papel de mãe, exclusivamente mãe, e é obrigatório abrir mão de toda e qualquer coisa que não incluam bebês e crianças. Como assim uma mãe vai a uma festa de aniversário? Não pode, não. Tem que explicar ao aniversariante que ela é mãe, que tem filhos, e que sábado à noite é dia de ficar em casa com os filhos, até que eles entrem na adolescência e comecem a ir para as próprias baladas. Como assim os bebês foram dormir na casa do vovô? Que mãe desnaturada tem coragem de deixar os filhos dormirem na casa de seu próprio pai e de sua madrasta, ao lado de sua irmã mais nova? Bebês precisam dormir na casa da mamãe e do papai durante os primeiros 15 anos de vida, porque só assim serão felizes e realizados. É óbvio, pô. É só explicar para todos os amigos que mãe não é mais um ser avulso, individual. Mãe é um ser grudado em seus filhos. Ou a mãe leva os filhos para cima e para baixo ou fica em casa com eles. Juntos, bem perto, o tempo todo. Sim, ouvi esse tipo de coisa. Não importa se no mesmo período nós fomos ao zoológico, ao circo, ao parque, à praia, a um hotel fazenda, se fomos jantar ou almoçar na casa das minhas avós e de amigos, se fizemos pão juntos em casa, se trabalhei de casa quando minha filha ficou dodói, se estávamos juntos todos os dias no café da manhã, no caminho para a escola e antes de dormir, se levantei da minha cama todas as madrugadas para checar se as fraldas estavam muito molhadas, nada disso importa. Importa a minha falta de sensibilidade por ter ido a um casamento e a uma festa de aniversário sem meus filhos.

Gente, vamos lá. Manter os interesses pessoais não é fácil, não. O(s) bebê(s) chega(m) e a gente mergulha em uma infinidade de assuntos nunca-jamais-antes-vistos, dos mais complexos (como eu explico para meu filho que não vou fazer uma chuquinha nele sem ser sexista?) aos mais bobos (qual a melhor marca de lenços umedecidos?). Bebês e crianças ocupam facilmente todo o tempo que passam com os papais: querem brincar, precisam de atenção, querem falar, fazem bagunça, precisam se alimentar, se trocar, precisam de cuidados. Fazem coisas que nos deixam felizes, coisas que nos deixam bravos, fazem coisas fofas que nos fazem sair contando para todo mundo. Quando não estamos com nossos filhos, porque estão dormindo ou estão na escola, passamos boa parte do nosso tempo pensando neles: nas consultas médicas que precisamos agendar (lembrete: marcar dentista para os bebês), nos materiais que a escola nos pediu para enviar, no que vamos fazer no final de semana com eles, nas roupas que ficaram pequenas e que precisam ser substituídas. É um passo muito pequeno para nos tornamos mamãe 24 x 7 e esquecer de todo o resto.

Mas o fato é que eu gosto de muitas coisas de adulto. Cometo esse pecado e não tenho vergonha de assumir. Gosto de ler e conversar sobre assuntos que não vou conseguir dividir com meus filhos durante os próximos dez anos: a polêmica dos beagles, a espionagem do Obama, a Dilma cancelando viagem para os isteites, os drones, os desfiles do SPFW, os médicos cubanos, o despreparo da polícia, os animais em extinção, a capa da Economist, o dono da empresa de macarrão que disse que os homossexuais devem consumir outras marcas, os hormônios do frango. Com meus filhos, tudo o que eu conseguiria como resposta seria um “eu quero comer macarrão (não importa a marca)” e um “cachorrinhos e golfinhos são fofos”. Eu gosto de ir ao cinema para ver filme de adulto. Gosto de teatro, de museu, de exposições de arte, de música ao vivo, de comer em restaurante sem estar cercada por feijões jogados no chão e talheres batendo nos pratos espirrando molho de macarrão. Gosto de ir na academia (na verdade, nem tanto assim, mas me obrigo a ir). Gosto de correr no parque, de andar de bicicleta, de ler em silêncio e sem interrupções, de tomar cerveja, de fazer uma comida apimentada, de tomar banho com calma, de ficar sozinha.

É claro que tenho menos tempo para as coisas que eu gosto depois que virei mamãe, porque é claro que ficar com meus filhos é maior prazer que tenho na minha vida. É claro também que eu não sou uma pessoa amargurada porque só fui ao cinema três vezes esse ano. Mas, sim, eu faço algumas coisas sem os dois. Acho saudável. Tenho CERTEZAMAISQUEABSOLUTA que não falta muito amor, muito carinho, muita dedicação para eles e que posso me dar esse luxo absurdo, inimaginável, imperdoável e cruel de ter uma parte do tempo para mim. Acho também que cada mamãe cria seus filhos como quiser, como bem entender, que não tem certo, não tem errado, não tem julgamento, e a única exigência é que exista amor. De resto, gente linda, deixa conosco, que as mamães sabem o que fazem, eu juro.

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1 ano de bebês

3 de agosto é o aniversário da nossa família. Foi o dia em que levamos nossos brigadeirinhos para casa, e eu virei mamãe e eles viraram filhos. Há um ano, vivo para eles. Há um ano, mudei minha vida toda, adaptei a rotina, a casa, os horários, os passeios de finais de semana e as minhas prioridades para cuidar dos meus bebês. Há um ano, aprendi um jeito diferente de amar e um jeito diferente de ser feliz.

Para comemorar o primeiro ano juntos, recebemos a família e alguns amigos para uma pizza em casa, para que os bebês pudessem abraçar todas as pessoas especiais na vida deles. Mamãe gosta de festa! 🙂

Pequenos, eu prometo que vou estar por aqui para vocês para sempre. Amo vocês dois demais. Vamos viver juntos para sempre.

 

 

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Dois bebês com dois anos

Abril é o mês do aniversário dos nossos brigadeirinhos, que acabaram de completar dois anos, o primeiro aniversário desde que chegaram em nossa família. Eu adoro aniversários e gosto de fazer festas em casa, então passei mais de um mês me divertindo com a definição do cardápio, a escolha do tema e a decoração.

Definir o cardápio foi o primeiro passo e levei quase três semanas para fechar, porque sou chata com o que nossos filhos podem e não podem comer. Como o aniversário era deles, eu não queria ficar atrás dos dois dizendo não-pode-comer-coxinha ou vamos-trocar-a-bolinha-de-queijo-por-algo-assado e resolvi montar um cardápio sem nada que me estressasse. Encontrei uma banqueteria que conseguiu o desafio de montar um cardápio gostoso, com cara de festa de criança, sem fritura, sem embutidos, sem gordura, sem açúcar no suco, com opções para os amigos vegetarianos.

Depois começamos a discutir o tema da festa. Eu queria um tema do qual eles gostassem, mas não queria nada com personagens de televisão. Como eles gostam de bichos e como eu guardo super boas lembranças do período na África do Sul, escolhemos o tema safari. E também por guardar boas lembranças das festinhas que minha mãe fazia para mim e para minha irmã em casa, eu quis cuidar de toda a decoração. Fomos várias vezes até a rua 25 de março e investi algumas madrugadas recortando e colando as tags para os docinhos, montando as lembrancinhas e enchendo bexigas.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

Em vez de fazer uma retrospectiva com fotos e vídeo, escolhemos as fotos mais especiais e penduramos em varais no teto. Assim todos os convidados tiveram tempo para olhar todas elas.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

E eu deixei os dois comerem alguns docinhos. Só não fiquei olhando muito para não chorar de pânico. E morri de orgulho quando eles pediram água e foram brincar, e fiquei com mais orgulho ainda quando chegaram em casa e pediram fruta.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

A festa foi uma delícia, cheia de pessoas queridas da família e de amigos e, apesar de não entenderem ainda o conceito de “aniversário”, os bebês entenderam que a festa era para os dois.

No fim, fiquei com dó de jogar as coisas fora ou de deixar mofando no fundo do armário e anunciei que queria doá-las em um grupo que participo no Facebook. E encontrei duas mamães que também escolheram o tema safari e que vão aproveitar minhas coisas em outras festinhas!

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