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Nossa história

Minha irmã teve bebê. Os meus bebês acompanharam todo o processo de bebê na barriga, nascimento, a chegada da prima, a amamentação. Esses dias minha irmã questionou:

– Se um dia eles me perguntarem sobre gravidez ou amamentação, digo o quê?

– A verdade. Nossa história, como sempre conto para eles.

Eles conhecem nossa história, mas não sei ainda o quanto entenderam. Não sei se já perceberam que existem dois processos para “virar filhos”: a barriga e a adoção. Não insistem muito nesse assunto ainda, então também não forço. Não tem nada escondido, nenhuma mentira, mas também não sinto necessidade de falar sobre a chegada deles todos os dias. É natural, falamos quando o assunto surge, quando perguntam, quando olhamos fotos.

Eu adoro ter adotado. Hoje em dia, tenho curiosidade sobre engravidar apenas para confirmar que o amor é exatamente igual. Porque eu duvido que seja possível amar mais uma outra criança do que amo esses dois monstrinhos. Eu não consigo imaginar mais amor do que já tenho em casa.

Quando vocês nasceram, vocês vieram da barriga de uma moça, que não tinha uma casa e não podia cuidar de vocês. Ela queria, mas não podia. Vocês foram então morar em um abrigo junto com outras crianças e com tias que cuidavam das crianças. Um dia a mamãe foi visitar vocês lá e perguntou se vocês queriam ser meus filhos, e vocês olharam com olhinhos de “sim”. Nós adotamos vocês. E vocês viraram os bebês da mamãe e passamos a viver juntos e a ser uma família.

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Há dois anos

Há dois anos, Isaac e Ruth me escolheram para ser mãe e vieram morar junto comigo. Nesse dia eu deixei de ser uma pessoa sem filhos e virei mãe. Eu morri e renasci nesse dia. Morri, porque nunca mais vou ser quem eu era. Renasci, porque ganhei uma nova vida e tive que reaprender a viver.

Eu era egoísta, no sentido mais literal da palavra. Eu era a pessoa mais importante da minha vida. Tudo que eu fazia era para ME sentir bem: saía quando eu quisesse e para onde eu quisesse, trabalhava até a hora que achava conveniente, gastava dinheiro com as coisas que me deixavam (ou eu achava que) me faziam feliz. Tinha liberdade para ir e vir. Organizava minha rotina do jeito que achava mais bacana para mim mesma: a hora de ir na academia, a hora de sair para ir ao trabalho, a hora de voltar para casa, a hora de comer (ou não comer), a hora de acordar. Queria ser diretora, depois VP, depois CEO de empresa, porque estava na hora de investir na carreira.

Como mãe, eu me preciso me adaptar o tempo todo em minha própria vida. Eu quero que eles estejam felizes, que tenham todas as coisas que precisam, que tenham saúde, que sejam educados, que brinquem bastante. Eles têm seus horários para acordar, dormir, comer, ir para escola, voltar da escola e eu preciso respeitar. Monto meus horários só depois de organizar as coisas que eles vão fazer. Só tomo banho, janto, volto a trabalhar ou vou fazer qualquer coisa que gosto de fazer quando eles vão dormir. É difícil encontrar tempo para malhar. Se acontece qualquer coisa inesperada com eles (um dodói, uma ligação na escola, algum comportamento diferente) paro tudo o que estou fazendo para atendê-los. Saio do trabalho todos os dias apressada, porque quero chegar em casa o mais rápido possível para ficar com os dois. Depois fico em casa de vigia, zelando o sono deles. Acordo todo dia no mesmo horário porque eles têm hora certa para ir para a escola. Não posso aceitar convites para um HH depois do trabalho, porque meus filhos me esperam em casa. Por que você não os deixa dormir com a babá? Porque sou eu quem os coloca todos os dias na cama, não abro mão, faço questão.

Como mãe, mudei o jeito como encaro minha carreira. Hoje sou diretora, por acaso, mas o mais importante hoje é realmente me divertir no trabalho, senão não vale a pena passar o dia todo longe deles. Não faço coisa chata e sem sentido, não fico até tarde no escritório e não perco tempo com cafés demorados ou bobagens na internet porque preciso ser muito produtiva nas (só e somente só) 8 ou 9 horas que tenho por lá.

Passei a ter mais medo. Tenho medo de morrer e deixá-los sem mamãe. Tenho medo de que não sejam felizes, tenho medo de errar na educação, tenho medo de não ser boa mãe.

Quando virei mãe, ganhei muito mais amor. O meu e o deles. Aprendi a ter família, a pensar sempre em três, a chegar em casa e encontrar luzes acesas, bagunça e amor. Aprendi a ter pessoas dependendo de mim, precisando de mim, me querendo por perto e a achar isso muito legal. Aprendi a amar, a me dedicar, a cuidar de alguém.

Nunca mais serei só eu. Eu sou três. Ruri + Isaac + Ruth.

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Leitura para mamães

Eu não tive muito tempo para ler livros e mais livros sobre maternidade porque meus filhos chegaram em tempo recorde. Cheguei a comprar esse aqui, mas não passei da página 5. Esses livros me lembram auto-ajuda e me dão um certo pânico. Coisas do tipo “como ser uma boa mãe” ou “como educar bem seus filhos” me dão medo. E eu também tive sorte de nunca precisar ler livros como esse aqui, porque meus bebês sempre dormiram lindamente a noite toda.

Mas eu trombei com um livro na África do Sul sobre maternidade em um dia em que todos os livros que eu tinha levado para lá já tinham acabado, chamado “French children don’t throw food, e comprei. Escrito por uma norte-americana casada com um inglês que vive na França com seus filhos, ela começa o livro comparando as mães francesas – elegantes, bem-vestidas e calmas – com as mães norte-americanas – descabeladas, fora de forma, usando roupas de moletom e gritando e correndo atrás de crianças mal-educadas. E ser uma mamãe-descabelada-gritando é algo que ninguém se planeja para ser, né?

A autora descreve no livro as principais coisas que aprendeu com suas amigas e colegas francesas. Algumas dessas coisas, como não se permitir comer o que quiser e engordar horrores na gravidez (porque depois o trabalho de voltar ao manequim original é maior) e esperar um pequeno tempo antes de sair desesperada para acudir um bebê chorando, não serviram para meu caso porque eu não engravidei e não cuidei de um recém-nascido. Mas eu gostei de uma porção de coisas que ela escreveu e tento fazer parecido.

Uma das primeiras coisas que ela conta é que sempre se sentia envergonhada quando levava o filho em restaurantes na França, pois eles eram a única família que não conseguia jantar tranquilamente. Cena clássica que apavora muitos amigos: crianças correndo e gritando porque não querem ficar sentadas à mesa e mães correndo e gritando atrás das crianças tentando contê-las. Quando saímos para comer fora com os bebês, eles participam o tempo todo do programa. Ficam sentadinhos no cadeirão, interagindo conosco (conversando, cantando ou brincando – nunca coloco Galinha Pintadinha no Ipad só para poder comer em paz, gente). Comem ao mesmo tempo que comemos, o mesmo tipo de comida, comem sobremesa, esperam a conta chegar e só então se levantam conosco para ir embora.

A segunda coisa é saber preservar a vida e rotina de adulto. É claro que nossas vidas mudam muito quando os bebês chegam e eles se tornam prioridade. Mas não dá para deixá-los tomar conta de todo o tempo do mundo. Gosto que meus filhos durmam cedo porque gosto de jantar com calma, gosto de ler, gosto de escrever, gosto de ouvir música de adulto e assistir filmes de adulto, gosto de receber amigos para conversar, e não dá para fazer essas coisas com dois brigadeirinhos falantes e bagunceiros acordados. Depois das 20h é o tempo que mamãe e papai têm vida de adulto em casa. Não gosto de brinquedos espalhados pela casa toda pelo mesmo motivo. É claro que é uma casa onde moram crianças, e temos cadeirões na cozinha e uma mesinha onde ficam os brinquedos na sala de estar, mas os brinquedos e coisas de crianças não dominam a decoração fora do quartinho deles.

Outro ponto é sobre o relacionamento deles com outras pessoas. Além de já terem aprendido a falar “por favor”, “obrigado” e “desculpas”, faço questão que eles digam “oi” e “tchau” para todos as pessoas que encontram. Eles cumprimentam todas as visitas que vêm em casa, a moça que trabalha aqui, os vizinhos no elevador, as outras pessoas no supermercado. Estamos ensinando os dois a esperarem a vez para falar e a não interromperem uma conversa. E estou struggling para ensinar a pedir as coisas sem chorar, sem exigir ou sem espernear, mas não vou desistir. 🙂

Nós também estamos ensinando – ou tentando ensinar – o conceito de autonomia. Toda semana eles ganham alguma nova responsabilidade ou passam a fazer alguma coisa sozinhos. Comem sozinhos na maioria das vezes, estão aprendendo a pegar os sapatos no armário e calça-los sozinhos, guardam os brinquedos e recolhem coisas do chão sozinhos se fazem alguma bagunça. Mais que isso, ultimamente estou dando autonomia para resolverem sozinhos seus próprios problemas. Todo mundo que tem irmão sabe que é normal brigar, e eu passei um bom tempo fazendo o papel de conciliadora, o que, além de tudo, me estressava demais. Não é fácil ficar abaixada para olhar nos olhos de dois bebês de dois anos chorando, apontando pro irmão, e reclamando algo como “pegou meu brinquedo buááááááá´”. Agora deixo que eles resolvam sozinhos quem vai pegar tal brinquedo ou quem vai fazer alguma coisa primeiro, e só fico de olho para que não se machuquem – porque não pode resolver conflito com mordidas e arranhões, bebês!

E, por fim, eles estão aprendendo que quem decide as coisas em casa é a mamãe ou o papai. Eu não negocio coisas como hora de dormir, hora do banho ou hora de comer. Não tem chantagenzinha do tipo só-um-desenho-e-depois-vai-pra-cama. Hora de ir dormir é hora de deitar, ficar quietinho e apagar a luz. Não tenho medo de traumas por ouvir um “não pode” ou “precisa esperar um pouco”, porque acho que eles precisam aprender a lidar com frustrações. Claro que não vivemos em um quartel general: eles escolhem o que querem fazer nas horas de brincar e participam de um monte de tarefas em casa só se quiserem – como regar plantinhas, por exemplo.

O livro é genial, gente. E vocês, mamães, têm alguma outra leitura para indicar?

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Foto da gravidez e do nascimento

O e-mail que a escola mandou tinha como assunto a palavra “IMPORTANTE”, em letras maiúsculas. Abri imediatamente e li que eu precisava enviar três fotos para a comemoração do dia das mães: uma foto da mamãe grávida, uma foto com o filho logo após o nascimento e uma foto recente com o filho.

Fiquei muito brava, briguei com o computador e fiquei reclamando sobre esse e-mail para meu time durante uns 30 minutos (ou mais?). A minha frustração não foi não ter fotos grávida ou não ter fotos tiradas logo após o nascimento dos nossos filhos, mas foi ter recebido um pedido assim por e-mail, porque a escola sabe que nossos bebês foram adotados. Eu redigi várias versões de respostas raivosas, mas apaguei tudo e enviei somente “Qual a sugestão de vocês para as mamães adotantes?”, já que não sou a única mamãe adotante na escolinha.

A diretora me ligou em cinco minutos com um pedido de desculpas. E me explicou que a homenagem do dia das mães falará sobre a espera e a chegada do filho, por isso pediram fotos da gravidez e do nascimento, mas que eu poderia enviar fotos que representassem  a espera e a chegada dos bebês em nossa família. A explicação fez muito mais sentido, e foi uma pena que elas não tenham escrito o primeiro e-mail dessa forma.

Para representar a chegada, escolhi fotos do Chá com Bebês que fizemos para eles logo que chegaram. Para a espera, enviei uma foto do quartinho pronto, pois era a única foto que eu tinha. E depois fiquei pensando que talvez tivesse sido legal ter tirado mais fotos que “simbolizassem” a espera, como os dias que saímos para comemorar as etapas do processo de habilitação ou toda a bagunça que fizemos em casa para organizar dois enxovais em uma semana. Então esse é uma das dicas que eu daria para papais que estão esperando seus pequenos chegarem: tirem fotos da espera, gente!

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Chupeta

Nossos brigadeirinhos chupavam chupeta no abrigo, principalmente antes de dormir, quando estavam doentes ou manhosos. Nós dois não gostamos de chupeta, pois sempre concordamos que é um acessório que incentiva a preguiça que os adultos têm de fazer a criança parar de chorar. Também não entendíamos para que oferecer uma coisa que vicia e que depois é uma drama para tirar. Mas também concordamos que, como já estavam acostumados, não ficaríamos estressados com as chupetas e que eles poderiam trazê-las para casa.

Só que quando fomos buscá-los, saímos do abrigo com presentes, pasta de documentos, recomendações, dois bebês e muita alegria e euforia para chegar logo em casa e começar nossa vida como papais. Foram tantas coisas, que esquecemos completamente de pedir para levar as chupetas dos bebês e lembramos delas depois de uns três dias. Eles dormiram bem desde o primeiro dia e nunca pareceram precisar da chupeta para pegar no sono. Choravam bastante no começo por motivos diversos – fome, sono, birra etc. – mas nunca precisamos de chupeta para acalmá-los. Então decidimos não comprar chupetas novas.

No início evitávamos falar “chupeta” em voz alta, com medo que eles se lembrassem e começassem a chorar. Mas logo eles começaram a ver outras crianças com chupeta na boca quando iam brincar e nunca tentaram tirar delas. Simplesmente se esqueceram da chupeta. Achamos que papai e mamãe são suficientes quando estão com sono, doentes ou manhosos.

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Primeira entrevista com a psicóloga e bebês

No dia 17 de setembro fomos ao fórum para a primeira entrevista com a psicóloga depois da chegada dos nossos brigadeirinhos, a mesma que cuidou do nosso processo de habilitação. Nossos bebês nunca tinham ido ao fórum, então a equipe técnica e a equipe do cartório só os conheciam pelos nomes.

Fizemos a entrevista os quatros juntos em uma sala e foi bastante difícil concluir qualquer assunto com dois bagunceiros mexendo em tudo e andando de um lado para o outro. Falamos sobre diversas coisas – a chegada deles, a organização da casa e da rotina, as consultas médicas, a recepção da família – e todas foram interrompidas por um “não pode subir aí”, “cuidado com a cabeça” ou “vem brincar aqui”.

No dia seguinte, liguei para a psicóloga porque tínhamos nos esquecido de perguntar alguma coisa qualquer. Ao telefone, aproveitei para dizer para ela que meu marido tinha ficado chateado por não termos contado o quanto ele me ajuda com os bebês. Como estou de licença maternidade e ele não pôde tirar os cinco dias para ficar conosco, ficou com receio de parecer um papai ausente. O que não é verdade; além da dedicação aos finais de semana, o papai os acorda, dá o café da manhã e chega a tempo para dar banho e o leite da noite. Ela me respondeu que não ficou preocupada com isso, porque ela queria ver como os bebês estão, como nós quatro nos relacionamos, se eles parecem seguros e felizes. A maior parte da avaliação foi sobre o que ela observou e não sobre o que falamos. Achamos legal, porque seria fácil ir até lá com várias histórias bonitas sobre o que aconteceu nos 50 dias que eles estavam conosco. Mas não daria para combinar com os dois que eles tinham que nos pedir colo, sorrir para nós, nos obedecer e nos abraçar, para parecermos uma família feliz. Essa parte foi espontânea.

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Adaptação dos bebês

Essa semana vamos comemorar dois meses com nossos bebês e estamos pensando muito sobre a adaptação deles na nossa família. Nós não temos dúvidas que eles se adaptaram rapidamente a viver conosco. É fácil se sentir bem e gostar de quem cuida com carinho, brinca, dá comidinha e deixa quentinho.

A parte mais difícil da adaptação foi uma coisa comum em qualquer outra família: sair da rotina. Institucionalizados desde o nascimento, eles saíam do abrigo apenas a cada um ou dois meses para ir ao pediatra. Os demais dias eram muito parecidos, sempre no abrigo, seguindo a rotina que contamos aqui. Quando viraram nossos filhos, nós começamos a fazer coisas que todos os papais fazem com seus bebês – andar de carro, passear, visitar pessoas, ir ao parque, ir ao shopping, comer em restaurantes – e eles ficavam bastante estressados cada vez que uma refeição ou horário de soninho atrasava ou acontecia fora de casa.

Eles não choraram no carro quando viemos do abrigo para casa, mas choraram muito no carro todas as vezes que saímos nas três primeiras semanas. Passamos a maior vergonha na primeira vez que os levamos ao supermercado, um dia que decidimos comprar meia dúzia de coisas pouco antes do horário de almoço deles. Logo que chegamos, nossa filha fez cocô e eu precisei trocá-la no banco do carro, o que a deixou super brava (não, não tem um lugar decente para trocar fralda no Pão de Açúcar). E, sim, o cocô sujou a calça dela e, não, eu não tinha levado outra calça, então ela teve que ficar só de fraldas no supermercado (e nesse dia aprendemos a sempre ter uma roupa limpa na bolsa para eles). Depois disso, como estava com fome, nosso filho abriu o maior berreiro do mundo. Não era simplesmente um choro alto. Dias antes eu tinha o levado para fazer exame de sangue e ele chorou bem alto enquanto as enfermeiras faziam a coleta. No supermercado, ele esgoelou como se não comesse há 60 dias e chegou a ficar roxo. Todo mundo ouviu, muitas pessoas vieram ver o que estava acontecendo e nós tivemos que sair correndo de lá, morrendo de vergonha, e ele só parou de berrar quando começou a comer em casa. Ficamos imaginando as pessoas pensando porque pais de crianças de mais de um ano ainda não tinham aprendido a levar troca de roupa ou a fazer o filho se acalmar.

Aos poucos eles foram ficando mais flexíveis e perceberam que, mesmo que demore, eles vão comer, dormir e voltar para casa. Parece que começaram a entender os dias de semana, quando papai vai trabalhar e eles seguem uma rotina com a mamãe, e os finais de semana, quando saímos todos juntos, fazemos coisas diferentes e os horários mudam um pouco. No último final de semana fizemos várias coisas com eles e ficamos super felizes que eles choramingaram pouco, não ficaram muito impacientes e se divertiram bastante: fomos comprar algumas roupinhas, passeamos no shopping, almoçamos e jantamos em restaurante no sábado, visitamos uma das vovós e jantamos na casa de uma das madrinhas no domingo. E há poucos dias conseguimos fazer uma outra coisa que qualquer outro papai faz facilmente: carregar nossos filhos dormindo do carro até em casa e colocá-los na cama. Agora eles já se acostumaram com o cheiro e com o toque e confiam em nós até dormindo!

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Chá com bebês

Três semanas depois que os brigadeirinhos chegaram em casa, nós fizemos um “chá com bebês” para eles. Como todos os amigos e familiares queriam conhecê-los o mais rápido possível, nós reservamos o salão de festas e oferecemos um lanche de domingo para todos no dia 26 de agosto. De quebra, os bebês ganharam roupas e fraldas que ajudaram bastante a completar o enxoval!

Mas o principal objetivo da festinha não foi ganhar presentes ou receber visitas; foi deixar para nossos filhos um registro da chegada deles em nossa família. Não temos fotos do primeiro dia das crianças, do primeiro Natal e do primeiro aniversário, mas queríamos que eles tivessem fotos e lembranças desse dia e de todo o carinho que receberam. E a verdade é que nós dois também nos sentimos muito queridos, muito mais do que pensávamos ser.

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Fidel

Nosso cachorro é o que menos entendeu toda a mudança pela qual passamos nas últimas duas semanas.

Quando os bebês chegam recém-nascidos, os pets têm um tempo para se acostumar com a presença e o cheiro deles sem uma interação física. No nosso caso, nossos bebês chegaram engatinhando pela casa toda, acompanhados de um monte de brinquedos que ficam espalhados pelo chão e com mãozinhas fortes que batem e puxam a barba e o rabo do Fidel.

Como a nossa, a rotina de nosso cachorro também mudou drasticamente. Ele estava acostumado a passar os dias de semana sozinho em casa ou na companhia de nossa faxineira, que vem duas vezes por semana. Hoje fico em casa quase o dia todo com os bebês e recebemos visitas e mais visitas, o que tem deixado Fidel bastante cansado – em qualquer momento que haja silêncio, ele vai para um cantinho tentar uma soneca. No entanto, antes ele era o centro das atenções: quando estávamos sozinhos ou quando recebíamos alguém, ele sempre era o primeiro a ser cumprimentado e todas as brincadeiras e gracinhas eram para ele. Com os bebês, por mais que continue recebendo atenção, ele precisa dividi-la com mais dois serzinhos e está bastante ciumento. Fidel também precisou mudar seus horários de alimentação (para não esquecermos da papinha dele, ele passou a comer nos horários de mamadeira) e com os horários de banheiro (a porta da varanda não fica mais aberta o dia todo e Fidel precisa pedir para fazer xixi ou cocô). O pior foi que enquanto escrevia, olhei para o Fidel e percebi que tinha dado mamadeira, mas esquecido da papinha.

O que está mais difícil de fazê-lo entender é por que ele não pode mais brincar com qualquer brinquedo que fica no chão de casa. Os bebês chegaram com uma infinidade de bolinhas, potinhos, bichinhos e peças coloridas e uns 70% deles já foram mastigados pelo Fidel. Nós damos bronca quando percebemos, mas os bebês jogam tudo para ele, e aí fica difícil. E além dos brinquedos, Fidel também comeu algumas outras coisas, como o negocinho para limpar o nariz dos bebês, um babador, algumas meias.

Depois de uma semana em casa, os bebês “descobriram” o cachorro e começaram a querer brincar com ele. Brincar para os bebês significa cutucar e bater e brincar para o Fidel significa morder as mãozinhas e puxar as meias e roupas deles, o que ainda não deu muito certo, claro. Mas eles se dão bem e se entendem. A frase que mais falamos é “Fidel! Tenha paciência com os bebês!” e os bebês já começaram a imitar o Fidel com “au-au”.

Fidelzucho, nós sabemos que eles serão seus melhores amigos, te amarão muito e durante toda sua vida eles terão mais tempo para você que nós dois. Então, faz uma força, tenha paciência com os bebês!

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Onde encontramos os nossos filhos

Nossos brigadeirinhos chegaram através do fórum onde fizemos nosso processo de habilitação para adoção. Nós nunca visitamos nenhum abrigo para procurar nossos filhos por um motivo bem sério: as crianças abrigadas não são produtos expostos em vitrines e ninguém deve ir aos abrigos para “escolher” a mais bonitinha, mais engraçadinha, mais educadinha ou sei-lá-o-que. Um segundo motivo seria que nem todas as crianças abrigadas estão disponíveis para adoção: muitas ainda têm algum vínculo com a família biológica ou ainda estão aguardando o processo de destituição de poder familiar se encerrar.

Nós acompanhamos alguns grupos de discussões virtuais, onde eventualmente as pessoas divulgam crianças disponíveis para adoção. O GAARJ (Grupo de Apoio à Adoção do Rio de Janeiro) tem um fórum aqui e acompanhamos como “ouvintes” uma comunidade no Orkut chamada GVAA – Adoção, um exemplo de amor (como “ouvintes”, porque um dos requisitos para ser membro é ter perfil no Orkut com muitos amigos e outras comunidades – muito difícil!). Conheci uma amiga que adotou através dessas divulgações. Geralmente são crianças que não encontraram pretendentes na própria comarca e isso provavelmente aconteceu porque estão fora dos perfis mais desejados, ou seja, não são bebês, têm irmãos ou problemas graves de saúde.

O processo de destituição de poder familiar de nossos bebês foi conduzido pelo mesmo fórum onde fomos habilitados. Quando estavam destituídos e o fórum começou a procurar uma família substituta para os dois, fomos chamados. Então achamos justo dizer que foram nossos filhos que nos encontraram!

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