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Todos os dias de mãe 

Isaac e Ruth,

Nesse dia das mães, quero dizer que ser mãe é – mesmo, mesmo, mesmo – a coisa que mais gosto na vida. É também uma das coisas mais difíceis, mais cansativas e mais irritantes, mas vou deixar as reclamações para outro dia. 🙂

Obrigada pelos sorrisos felizes que vocês me dão todos os dias, principalmente quando acordam e quando busco vocês na escola. Eu me sinto querida quando acordo vocês e me sinto perdoada por não ter passado o dia com vocês quando chego na escola. Adoro o sorriso de saudades que vocês abrem depois de algumas horas separados.

Obrigada por me pedirem desculpas quando erram. Eu sempre desculpo vocês mesmo antes de pedirem desculpas, mas gosto da preocupação que vocês têm em garantir que estamos bem. Obrigada também por sempre aceitarem meus pedidos de desculpas quando sou eu que erro. Eu me sinto muito amada quando vocês dizem “tudo bem, mamãe” com sorriso no rosto e realmente me perdoam, sem bicos, sem voltar na discussão depois.

Obrigada por sempre quererem minha companhia. É muito legal saber que sempre preferem ficar comigo e fazer as coisas comigo. Sei que não vai ser assim para sempre, mas quero que saibam o quanto me deixam felizes quando chega a sexta e seus olhinhos brilham porque vamos passar o dia juntos amanhã.

Obrigada por me respeitarem. Obrigada mesmo por todas as vezes que não estava me sentindo bem e vocês toparam ir pra cama cedo para eu cuidar de mim, porque eu sempre sinto que é uma forma que vocês têm de cuidar de mim.

Obrigada pela ajuda para cuidar da nossa casa. Obrigada por arrumarem a cama todos os dias e guardarem os brinquedos. Ruth, obrigada por ter limpado a bagunça que o Ernesto fez na cozinha hoje. Isaac, obrigada por ter limpado a mesa de jantar depois de você ter derrubado um monte de macarrão nela.

Vocês dois são o melhor relacionamento que tenho na vida. Vocês me dão dia das mães todos os dias, porque todos os dias me lembram que me amam, que sou importante e que vocês são minha família. Vocês são a melhor parte de mim.

PS: podem me acordar bem cedo neste domingo, que prometo não mandar ninguém de volta pra cama pra tentar dormir mais um pouco.

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Presente de dia das mães

– O que você quer ganhar de dia das mães?

Ah, não vou mentir: apesar dessa vida simples e desapegada que tô perseguindo, eu ainda quero um monte de coisas. Não eletrodomésticos, please. Quero roupas novas, lingerie, um tênis, acessórios. Te faço uma lista com umas dez coisas bacanas que vão me arrancar um sorriso.

Mas um presente bacana mesmo seria não ter mais que me desculpar por ser mãe. Porque tenho percebido que, ao longo desses anos, eu me desculpo muito por ser mãe.

“Desculpa, mas ele(a) está doente na escola e vou ter que ir buscar”. “Desculpa, mas o médico só tinha consulta nesse horário e preciso levar”. “Desculpa, mas ele(a) fez uma birra hoje cedo pra acordar e atrasei”. “Desculpa, mas a reunião de pais/ apresentação de dia das mães é nesse dia e horário e vou ter que ir”. “Desculpa, mas hoje ele(a) teve uma excursão, perdeu o horário da perua e ficou lá na escola, preciso ir buscar”. “Desculpa, mas a babá faltou/ pediu demissão e não tenho com quem deixar”. “Desculpa, mas estou indo pra casa ficar com meus filhos”.

Perceber que eu estava me desculpando simplesmente porque sou mãe foi frustrante. Porque não é que eu quero ficar fazendo essas coisas todas só para meu próprio prazer. É um direito das crianças ter alguém que cuide delas e que faça as coisas que precisam ser feitas para elas. É um direito das crianças que elas tenham pelo menos um adulto que as tenha como prioridade e que não as deixe na mão. E, por trás dessas minhas desculpas todas, existem duas crianças que precisam de médico, de cuidados, de tempo e de mãe.

Hoje passei por essa imagem do MILC e vi que é isso que eu quero. Não quero flores nem presentes, quero poder dar prioridade para meus filhos sem pedir desculpas. E como isto não vem em uma caixa de presente e só depende de mim, nesse dia das mães eu mesma vou me dar o meu presente.

Isaac e Ruth, a mamãe nunca mais vai pedir desculpas por ser mãe.

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De mãos dadas

Estamos sem carro e fui para a festinha de dia das mães na escola de metrô. Na volta, resolvi vir a pé com eles de volta para casa. A noite estava gostosa e é pertinho, pouco mais de 1 km. Sim, tem uma super subida no caminho e tínhamos três mochilas pesadas. Levamos uma meia hora no ritmo deles.

Viemos devagar, um de cada lado de mim, uma mãozinha na minha e a outra puxando a mochila da escola. Conversamos sobre a festa, sobre a lua, sobre os restaurantes e lojas do caminho e sobre os ônibus que passavam ao nosso lado. Fizemos planos para o final de semana. Andamos em silêncio quando eles se sentiram cansados e perceberam o peso das mochilas nos bracinhos, mas não me deixaram ajudar.

Aí eu tô sensível e cheguei em casa com lágrimas nos olhos. Porque é bom demais ter duas mãozinhas segurando minhas mãos e andando ao meu lado. Porque é bom demais ter dois companheirões, que toparam numa boa a caminhada, sem reclamar que não temos carro ou que a mochila estava pesada. Porque é bom demais ser especial na vida deles e ver que eles acham legal demais estar comigo e fazer qualquer coisa comigo.

Ser mãe é o papel mais importante que tenho na vida. Isaac e Ruth, vocês são a minha vida. Obrigada por todos os dias das mães que vocês me dão todos os dias.

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O casamento do meu melhor amigo

O meu melhor amigo vai se casar em um lindo sábado na véspera de dia das mães.

Casamentos não são eventos para crianças. Ou não são eventos especificamente para meus filhos. Ou eu não sei ser a mãe que leva os filhos em casamento sem enlouquecer. Em três bullets, vamos lá:

  • Cerimônia de casamento requer que você fique parado e em silêncio. Você não precisa necessariamente prestar atenção, mas precisa ficar em silêncio necessariamente. Meus filhos não têm essa capacidade. Eu até consigo entendê-los, porque sei que os padres só ficam pedindo para que as pessoas levantem e sentem a cada dois minutos para que ninguém durma, sejamos sinceros.
  • Drinks coloridos e caipirinhas de frutas deixados sobre as mesas da festa são um erro. Eu já os levei em uma festa de casamento e fiquei louca tentando convencê-los que eles não podiam tomar os sucos de frutas nem as bebidas com guarda-chuvinhas lindos.
  • Nesta mesma festa, meu filho foi até a noiva e pediu colo para ela no meio da cerimônia. E ela estava com um tomara-que-caia. Eu não quis ser a louca correndo atrás da criança no vídeo do casamento e resolvi ficar no meu lugar bem quietinha fingindo que o filho não era meu. Deixei ela se virar.

Em resumo, eu os levei em uma festa de casamento e passei a noite toda na função: levei ao banheiro, peguei água, pedi frutas cortadas para o tio da caipirinha, fiz os pratos do jantar dos dois, cortei tudo para eles poderem comer, não jantei porque eles terminaram antes de conseguir fazer o meu prato, fiquei de olho para que não tomassem nenhuma bebida alcoólica, fiquei de olho para que não saíssem pela porta e fugissem pelo estacionamento, fiquei de olho para que não comessem nada do chão e atendi um milhão de outros pedidos aleatórios que eles me fizeram. Fiz cabelo, maquiagem e comprei um vestido novo achando que eu ia ficar sensualizando na pista conversando com os amigos que não via há muito tempo, mas isso não deu tempo. Então eu não pretendo levá-los de novo em casamento por uns bons anos.

A opção que eu teria para não levá-los comigo seria dormir na casa do meu pai. Mas é véspera de dia das mães e eu quero que eles durmam em casa. Quero que eles acordem em casa, que me levem o café da manhã na cama e me entreguem todos os cinco presentes que compraram para mim, sabe? Não vou abrir mão disso.

Aí eu vou dizer uma coisa muito séria: se você tem alguma pessoa querida e disponível que tope ficar dentro da sua casa cuidando de suas crianças (inclui banho, jantar e colocar para dormir), cuide bem dela. Uma amiga tem um pai assim – ele sempre vai até a casa dela quando ela tem algum compromisso à noite. Um amigo tem uma irmã dessas, que coloca a filhinha dele para dormir e espera ele chegar. Tenho vários exemplos que dão inveja. Eu não tive essa sorte. Cuidaria com todo amor e carinho dessa pessoa se ela existisse em minha vida.

Eu tenho uma folguista, é verdade. Mas sair de casa arrumada para uma festa no final da tarde de um sábado e deixá-los sozinhos com uma pessoa com quem eles não têm tanta intimidade está fora de cogitação. Aí eu tenho sensação de abandono e não consigo. Não vai rolar.

Esperei a vida toda para bancar a Julia Roberts no casamento dele, mas não vou conseguir. Que droga. Ser mãe muda mesmo nossas prioridades.

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Igualdade entre papais e mamães

Ontem eu estava na reunião de pais na escolinha, bem quieta, torcendo para ninguém mais fazer perguntas difíceis para as tias, porque eu estava atrasada para jantar com um amigo e queria ficar um pouco com os bebês antes de sair de casa. O último recado que a diretora passou foi o seguinte: os pais não poderão participar da comemoração do dia das mães, porque o local do evento não comporta tanta gente, ficará muita bagunça e tal. Por mim, tudo bem. Mas rolou uma comoção entre os papais presentes na reunião, e lá se foram uns 15 minutos.

A pérola veio logo depois: mas no dia dos pais, as mães PRECISAM ir junto. Nós sabemos que os pais não conseguem dar conta de crianças nessa idade. Então nós vamos organizar um futebol ou algo assim para os pais, e as mães participam do evento para cuidar dos filhos.

CUMÉQUIÉMINHAGENTE? Retomando: no dia das mães, eu vou sozinha para a escola com nossos dois filhos e passo o dia com eles comemorando meu dia e cuidando deles e, no dia dos pais, o papai vai curtir um futebol enquanto eu olho os bebês. Foi isso mesmo que eu entendi? E sabe o que é pior? As outras mamães concordaram que não dá mesmo para deixar as crianças sozinhas com os papais.

Causei na reunião, gente. Não consegui segurar. Eu entendo, de verdade, eu entendo que existam papais incompetentes no mundo. Mas apoiar, incentivar e assumir a incompetência dos papais em geral não dá, não. Eu também não sabia trocar fraldas, fazer comida, dar banho, cuidar de criança doente, também não gosto de cocô, de sujeira na roupa e de chororôs, e instinto materno nunca foi uma característica muito forte em mim. Mas amo meus filhos e aprendi a cuidar deles – só para lembrar, são dois, tá? – sozinha. Por que um cidadão do sexo masculino não pode fazer o mesmo, hein? Alguém explica?

Na comemoração do dia dos pais, o papai dos meus filhos vai sozinho com os dois, para mostrar para todo mundo que os homens são capazes de tomar conta de seus próprios filhos sozinhos. É o mínimo, ou estou exagerando?

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