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A individualidade, a escola e o adestramento

Nas férias de julho, a ex-babá dos dois, com quem ainda mantenho contato e tenho super carinho, os convidou para passar dois dias na casa dela no meio da semana. Eu estava trabalhando como doida e não estava dando nenhuma atenção direito para eles e topei. Levei os porqueiras numa terça de manhã e fui buscar no dia seguinte final da tarde e eles adoraram.

Eu estava toda atrapalhada de trabalhos, mas terça à noite sem filhos na vida de uma mãe solteira é raridade e eu resolvi sair. É obrigação de toda mãe ir pra balada quando os filhos dormem fora, não importa se é terça ou se você está toda cheia de coisas para fazer.

Eu disse balada.

Vocês me imaginaram dançando em cima de um balcão com um salto imenso até amanhecer.

Mas na verdade eu estava sentada em um bar tomando drinks e comendo frituras e voltei dormindo no Uber à meia-noite para casa.

Quando cheguei no prédio, já tomei uma bronca do porteiro porque meu cachorro estava latindo e uivando ininterruptamente pelas últimas cinco horas e ele já tinha recebido oitocentas e quarenta e sete reclamações dos vizinhos. No dia seguinte, mais uma bronca do síndico, seguida de uma multa bem salgada. E mais o aviso de que cada multa recebida pelo mesmo motivo viria com o dobro do valor e assim  sucessivamente, então se o Ernesto continuasse a latir eu rapidamente iria gastar mais dinheiro em multas que no aluguel.

Conversei, pedi desculpas pelo comportamento dele e avisei que eu iria contratar um adestrador com urgência. Contratei um adestrador, eu fui adestrada duas vezes por semana para conseguir sair de casa e deixar o cachorro calmo e tranquilo, Ernesto passou a ter o comportamento esperado pelos vizinhos e não tive mais problemas.

Fim.

Por que estou contando essa história?

Porque as escolas tratam as crianças como cachorros.

– Nossa, que horror!

Mas é.

Cansei de ser chamada na escola para ter conversas sobre como o comportamento dos meus filhos estava inadequado e cansei de ouvir recomendações para procurar “ajuda profissional”. Psicóloga, no caso. Porque a escola acha que a gente adestra os filhos levando em uma psicóloga, que é um profissional capaz de moldar o comportamento da criança. A escola entende que, uma vez que a criança não tem o comportamento que ela espera, ela vira um problema a ser resolvido por um profissional especializado em comportamento em massa.

Não estou criticando o trabalho de psicólogos, pelo contrário, meus filhos fazem terapia há bastante tempo e acho ótimo. Estou relatando que aprendi no último ano que, tão importante quanto linha pedagógica, sistema de ensino, espaço físico, localização, preço, alimentação saudável e todos aqueles itens do check list que levamos quando visitamos uma escola, é a postura da escola diante das questões individuais de cada criança.

Em suma: fujam de escolas que busquem massificar as crianças, que não respeitem o indivíduo e que as tratem como cachorros que precisam de adestramento. É difícil de acreditar, mas passamos por uma escola assim este ano e foi uma experiência horrorosa. Cada criança é uma criança, com suas vontades, limitações, timing, emoções, frustrações, e escola bacana é aquela que sabe respeitar a individualidade.

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Acampamento, festa do pijama ou sábado do pânico

Aí veio o aviso sobre o acampamento da escola numa sexta à noite e eu logo pensei: “obaaaaaaaa vale night, balada extraaaaaa”. Paguei a taxa, os dois ficaram super ansiosos, eu fiquei toda animada.

Começa às 20h na sexta e tem um programação intensa, com caça ao tesouro, festa do pijama, pizzada, baile, gincana. Vai madrugada a dentro, pensei, eles lá, eu por aí. Aí vi a última linha: “senhores pais, favor buscar até 7h no sábado”.

SETE? Mai que catso de vale night é esse que me faz acordar às 6h no dia seguinte? Aí pensa. Aqueles dois seres que brincaram a noite toda vão acordar que horas pra tomar café e estarem prontos pra eu buscar às 7h, umas 5h da matina? Que delícia de sábado eu vou ter com duas crianças que não dormiram nem 5 horas na noite anterior, né? Affff.

Aí eu li no rodapé: “os pais que não vierem até 7h pagarão multa pelas horas extras de funcionários do colégio”. Tô quase ligando lá e já negociando pagar a multa e taxa de almoço junto, será que rola?

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Fofuras do cotidiano 

Sair a pé para levar os filhos na escola junto com o cachorro e o cachorro espernear/ chorar/ se recusar a andar quando percebe que eu pretendo voltar pra casa sem os dois. ❤

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Túnel do tempo

Acorda cedo, leva crianças na escola, corre 5k (apenas o que cabe no tempo disponível para academia), toma banho, pega três metrôs, um ônibus, trabalha o dia todo, faz todo o percurso de volta, chega na porta da escola.

– Olá, mamãe. Hoje Isaac pegou a cabeça da Ruth e bateu na parede e <outras coisitas mais relacionadas a quebrar regras e não respeitar os educadores>.

– E a Ruth enfiou a mão toda dentro da boca para vomitar de propósito e se sujou inteira.

Aí você anda os poucos metros que separam a escola de casa pensando que, em vez de relaxar e falar amenidades e brincar, você vai ter que conversar sobre não resolver os problemas batendo na irmã ou xingando a professora e sobre que história é essa de vomitar de propósito e ainda vai ter que lavar roupa fedendo vômito. Abre a porta e descobre que seu cachorro derrubou uma fruteira no chão e encontra cacos de vidro em toda cozinha, área de serviço e sala. Não só isso: ele derrubou a fruteira em cima de uma poça de xixi que ele fez no chão, já que ele também tinha comido o tapete higiênico que deveria servir como banheiro. Então você adia a conversa sobre questões da escola para decidir se é melhor varrer cacos de vidro molhados de xixi ou se é melhor passar um pano em xixi cheio de caco de vidro e demora uns 25 minutos para limpar a coisa toda.

Mano.

Tá muito difícil chegar viva aos 35. Meu melhor presente de aniversário este ano seria passar um dia inteiro em 2011, aos 30, bem longe dos 40, sem filhos, sem Temer no governo, sem cacos de vidro no chão da cozinha.

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A tal do passeio com fast food

Algumas pessoas me perguntaram o que eu tinha resolvido fazer com o passeio da escola com almoço no McDonald’s. Eu decidi não autorizar a participação dos meus filhos.

Eu tentei algumas coisas: conversei com a escola, conversei com outras mães e até liguei no parque para entender as opções. A única opção que todos me deram foi mandar um almoço saudável para meus pequenos. Mas só eles levariam uma comida diferente, já que as outras crianças comeriam fast food, e eu não queria fazê-los serem os únicos a comer uma comida diferente dos amigos em um dia de passeio. Levar um almoço diferente deveria ser uma escolha deles e, não, uma imposição minha.

Mas não foi só o fast food. O fato de ter fast food no passeio me fez pensar em outras coisas. Primeiro, era um passeio a um parque temático dentro de um Shopping Center, um lugar onde eu nunca iria. Nunca levo os dois a shoppings, sempre prefiro comprar as coisas para eles sozinha e depois voltar para trocar, se for necessário – acho que shopping não é lugar para criança passear. Segundo, não considero o parque temático uma “saída pedagógica”. Terceiro, custava muito caro.

A escola organiza cinco passeios por ano, todos são caros e eles sempre participaram de todos. Eu era a mãe que trabalhava muito e deixava os filhos na escola por horas e horas seguidas, ou seja, vivia com culpa e nunca tinha sequer cogitado negar um passeio. Hoje nossa vida está diferente. Estou fazendo poucos freelas e não ganho por dia o valor do passeio para os dois. E também não sinto mais culpa: viajamos oito (OITO!) vezes este ano, levei mais tarde para a escola, busquei mais cedo, fomos ao cinema no meio do dia, trouxemos amigo para brincar em casa no meio da semana, eles não foram para a escola em emendas de feriado. Não senti nenhuma culpa ao explicar para eles que eles já tinham participado dos outros quatro passeios do ano e que não iriam neste. Eles entenderam.

Eu tinha até pensado em não levar para a escola no dia do passeio, mas apareceram algumas aulas particulares no dia e não tô podendo recusar trabalho. Como Isaac tinha fono no dia e iria chegar mais tarde na escola, meu marido levou a Ruth para um café da manhã na padaria (e ela ficou muito mais animada com um café da manhã só dela do que tinha se animado com os outros passeios). Quando eles chegaram na escola, todos já tinham saído e eu expliquei que poucas crianças estariam por lá. À tarde busquei antes de as crianças voltarem. Dois dias antes tínhamos voltado de um camping na beira da praia e eles sabiam onde tínhamos decidido gastar nosso dinheiro (aliás, três dias acampando foi mais barato que o tal passeio). Foi tudo super tranquilo e não sofri nenhuma retaliação por não ter deixado ir ao parque temático. O comportamento deles me mostrou mais uma vez que criança quer presença e família. A gente passa muito tempo juntos e fazemos muita coisa juntos, então o passeio caro da escola com fast food não fez falta nenhuma. Sim, tenho certeza que foi divertido e que as crianças adoraram. Mas não ter ido também foi ok.

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A história da lata

Esta história não é um desabafo, porque já desabafei bastante. Também não é uma reclamação, porque reclamei bastante (por escrito, por telefone e pessoalmente). É apenas uma das histórias que me mostram como é importante sermos participativos na vida e na educação dos nossos filhos.

A escola pediu uma lata de leite condensado da marca X para cada aluno até o dia tal para uma atividade em sala de aula.

Eu fiquei brava.

Leite integral, açúcar e lactose. Primeiro, eu sou vegana, ou seja, não consumo derivados do leite. Meus filhos não são veganos (eu compro leite de vaca para eles), mas gostaria de ser respeitada, porque eles poderiam ser veganos também, uai. Segundo, eu não uso açúcar refinado em casa (aliás, nem o açúcar demerara orgânico que temos em casa saiu do armário nos últimos meses). Terceiro, eu tenho dois filhos, então duas latas de leite condensado até o dia tal seria bastante doce para uma família de quatro pessoas. Quarto, nós poderíamos ser alérgicos a lactose, ou poderíamos ter alguém na família em um regime, ou poderíamos preferir o leite condensado caseiro. Ou poderíamos já ter comprado outra marca, já que tinha uma marca específica para levar. Enfim, a primeira questão que levantei com a escola foi “que p é essa de leite condensado da marca X”? Erro número um: assumir que todo mundo consome ou deveria consumir leite condensado da marca X.

– Vou mandar lata de ervilhas, ok? – também não costumo comprar lata de ervilhas, mas preferia comprar ervilhas, usá-las em alguma receita e mandar a lata para a escola.

– Não serve, porque o tamanho não é o mesmo, e nós precisamos do tamanho XPTO da marca X para fazer a atividade.

Vamos ao segundo erro nessa porcaria toda. Se a atividade é com lixo, ela tem objetivo de ensinar para as crianças o reaproveitamento do lixo. A ideia, na minha humilde opinião, era mostrar que algo que iríamos jogar no lixo poderia ser reaproveitado em uma atividade ou em uma brincadeira. Então, eu esperava que meus filhos aprendessem isso. Eu esperava comer as ervilhas e mostrar que a lata não tinha ido para o lixo, mas, sim, para a mochila. Não esperava ter que comprar leite condensado, jogar o conteúdo na pia da cozinha e mandar a lata para a escola. Pra ser assim, era melhor entrar em uma loja e comprar um pote logo de uma vez. Oras.

– Nenhum outro pai ou mãe reclamou disso? Só eu?

– Só…

Realmente. Quando conversei com o grupo de mães da sala da Ruth e da sala do Isaac, ninguém estava com o mesmo problema que eu. Pelo contrário. Duas mães foram bem gentis e mandaram a lata de leite condensado da marca X para a Ruth e para o Isaac.

Eu até pensei em insistir em mandar latas de ervilhas. Por que não fiz isso? Porque Isaac e Ruth ainda não muito novos para carregar nas costas esse erro todo do processo. Eu não quis que eles fossem os únicos com latas diferentes dos amiguinhos e se sentissem mal com isso. Porque aí vem o erro três: se a escola tivesse pedido simplesmente “latas”, cada criança traria uma lata diferente e meus filhos não se sentiriam excluídos com suas latas de ervilhas. A justificativa da escola aqui é que tinha que haver um padrão. Tá bom, que pedissem latas de comida então, embora eu duvide muito que alguém fosse mandar uma lata de tinta de parede.

Parecia tudo resolvido, até o belo dia em que chegaram em casa com o produto da tal da atividade. Chutem, gente.

Vasinhos.

Vasinhos de flores. Para comemorar a chegada da primavera.

Erro quatro: em que momento alguém entendeu que vasinhos de flores precisam ser padronizados?

Vasinhos. De flores. Padronizados. Como se fosse ser bem esquisito cada criança ter um vasinho de flores de formato diferente.

varanda

(Esta é minha varanda bem esquisita, com tudo despadronizado)

Ah, pensam que parou por aí? Não. Claro que não. Não é que era tudo exatamente padronizado. O vasinho da Ruth era vermelho e o vasinho do Isaac era verde. Porque temos vasinhos de meninas e vasinhos de meninos. Porque depois de tudo isso somos sexistas e deixamos isso bem claro para as crianças. E lá se foi ao erro cinco.

vasinhos

Só para fechar (e prometo que paro): tá na cara que foi o Isaac e a Ruth que criaram isso aí, né? Tô bem vendo os dois nessa delicadeza toda fazendo essas flores. Liberdade de criação, pra quê?

Pronto, parei.

Já falei com a escola sobre esse assunto diversas vezes, já abri meu coração e reclamei sobre tudo o que eu podia ter reclamado. Já tô mais calma.

Sim, a escola cometeu muitos erros e perdeu uma grande oportunidade de discutir com as crianças o reaproveitamento do lixo e de incentivar a criatividade delas. Também perdeu a oportunidade de não ser sexista. Mas também acho que nós, pais, cometemos o erro de não pensar nessas questões, de não discutir as questões com a escola, de sermos passivos com o que a escola propõe para nossos filhos.

Eu não consegui mudar uma palha no processo todo, mas fico feliz por ter levantado a bunda da cadeira e ido até lá para falar diversas vezes. Falei bastante também sobre a questão da lanchonete fast food (lembram dessa história?), mas também não consegui mudar nada. Mesmo assim, tô aqui fazendo minha parte no que acho importante na educação dos meus pequenos, e realmente espero que a escola também pense melhor nessas questões.

Meu convite aqui não é apenas para as mães e pais dos amiguinhos do Isaac e da Ruth. É para todos. É um convite para que todos participem mais da vida escolar das crianças. As escolas são responsáveis por pensar, mas nós também temos o poder de mudar as coisas. Pelos nossos filhos, vamos?

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Vamos falar sobre o lápis “cor de pele”?

Esses dias Isaac estava desenhando ele e a Bia, como todos os dias, e me falou:

– Mamãe, eu vou fazer a Bia de cor de pele e vou fazer eu de marrom!

Sim, eu voltei no tempo uns 30 anos e lembrei do lápis “cor de pele”. Para Isaac, a “cor de pele” era um lápis que se chama “rosa claro/ rosa pálido/ peach”.

Aí eu expliquei com muito carinho:

– Todas essas cores aqui podem ser “cor de pele” (peguei marrom escuro, marrom claro, rosa, amarelo, laranja – o que tinha no estojo). Essa aqui também, que é a cor da pele do sapo (o verde – lembrei de uma tirinha do Armandinho). E essa, do elefante (o cinza). Tudo pode ser “cor de pele”, escolhe o que achar melhor. Mas vamos chamar pelo nome da cor, e não “cor de pele”.

tirinha-armandinho-cor-da-pele-nude

Eu fui na escola e pedi para a professora me ajudar. Contei o que tinha acontecido e pedi para me ajudar a explicar para as crianças que muitas cores podem ser “cor de pele”, e não apenas o rosa claro. Não contente, escrevi esse post e peço do fundo do meu coração: ME AJUDEM? Compartilhem, conversem com as crianças e me ajudem a sumir com esse negócio de chamar o rosa claro de “cor de pele”?

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Como faço para viver sem carro

Não pretendo convencer ninguém. Eu mesma ensaiei essa ideia durante anos, mas só fiquei sem carro quando mudei de emprego e a empresa me pediu gentilmente para devolver o carro. Antes eu tinha só vontade, mas continuei firme e forte com carro na garagem por muito mais tempo que eu queria.

Toda vez que digo que estou sem carro há mais de um ano com duas crianças pequenas – e, não, meu atual marido também não tem carro – as pessoas me fazem muitas perguntas sobre logística. Com vocês, as respostas!

  • Como você faz com a escola? Eles vão e voltam de perua na maioria dos dias, mas a escola é muito perto de casa, então fazemos muito o percurso a pé também. (by the way, escolher uma escola perto de casa foi uma das melhores decisões neste assunto, já que já tive três empregos diferentes desde que eles chegaram e nunca precisei mexer na rotina deles). Se por acaso estiver chovendo muito e eu não quiser usar a perua (às vezes atrasamos de manhã ou eles voltam mais cedo), pego um taxi e gasto uns R$ 6 ou R$ 7, no máximo.
  • Como você faz supermercado? De formas variadas. Frutas, legumes, verduras, farinhas e grãos são pedidos pela internet e chegam em casa. Compro aqui, aqui e aqui (acho a oferta de orgânicos e produtos naturais bem melhor nesses sites que em lojas físicas). Se falta algo, tem um supermercado “de bairro” a uma quadra de casa e vou a pé, com meu carrinho de feira para ajudar com o peso. Tem um Pão de Açúcar a umas quatro quadras e também vou até lá a pé com o carrinho quando preciso de algumas coisas que não acho no mercadinho (o leite dos meus filhos, por exemplo, só encontro lá). Aos domingos tem feira a quatro quadras também, mas não tem muito orgânico. Quando resolvo ir à feira, vou a pé com o carrinho. Quando preciso comprar coisas volumosas e pesadas (tipo produtos de limpeza e caixa de fralda), também peço pela internet aqui. Se estiver chovendo, deixo o supermercado para outra hora, já que a maioria das coisas são entregues em casa, então nunca estou com a dispensa zerada. Em situações bem especiais, alugo carro, mas isso só aconteceu uma vez esse ano, no aniversário deles. Nós fizemos uma pizzada caseira e eu tinha que comprar muita coisa e queria escolher as coisas pessoalmente. Aluguei um carro para fazer o supermercado, e usei o carro para carregar os itens de decoração da festinha (que foi na casa do meu pai) e para trazer os presentes que eles ganharam.
  • Como você faz outras compras? Eu uso muito internet, porque é mais prático. Vinhos, ração do cachorro, acessórios para bicicleta, coisas para as crianças, coisas para casa, revelação de fotos, tudo o que dá faço pela internet. Também não sou de entrar em um shopping, fazer muitas compras e sair de lá carregada de sacolas. Em geral, se compro alguma coisa em loja física, consigo carregar a sacola ou guardar na mochila. Uma única vez este ano aluguei um carro para fazer compras, quando fomos comprar acessórios de camping para as crianças e uma persiana para casa (peguei o carro de manhã, passei nas duas lojas, deixei tudo em casa e devolvi em seguida).
  • Como você faz para viajar? Quando viajo de avião, não preciso de carro, principalmente porque as diárias dos estacionamentos dos aeroportos são muito caras. Vou de transporte público até lá (um ônibus até Congonhas ou metrô + um ônibus até Guarulhos). Aliás, super recomendo o metrô e ônibus até Guarulhos, economiza um bom stress no trânsito e sai menos de dez reais. Com muitas malas ou muitas crianças, às vezes pego taxi. Para viagens via estrada, alugo carro. Qual tipo de carro, depende. Às vezes alugamos um carro menor se vamos só os adultos, alugamos carros maiores quando vamos com as crianças, alugamos carros maiores ainda se queremos levar as bikes. Depende do que vamos fazer. Ah, mas não é muito difícil alugar carro? Não. Tem locadora de veículos em quase todos os shoppings e tem algumas lojas de rua. Eu já viajei com um taxista também (uma pessoa que conheço há anos e em quem confio muito na direção). Fiz as contas e vi que sairia mais barato ir com ele do que alugar um carro e deixá-lo parado no hotel durante cinco dias.
  • Como você faz para levar as crianças no médico? Metrô e/ ou ônibus. Se estiver caindo um temporal, taxi. Se for de madrugada, vou pedir taxi pelo aplicativo. Neste ano, só uma vez eu precisei levar criança para o pronto-socorro correndo, umas 23h. Se a criança estiver morrendo, vou chamar uma ambulância. Se não achar taxi e realmente precisar levar para o hospital numa situação de emergência horrorosa, aí, gente, eu vou acordar o vizinho e pedir o carro emprestado. Tenho certeza que ele vai entender. Não preciso ter um carro na garagem só esperando o caos acontecer.
  • Como você faz para passear aos finais de semana? Metrô e/ ou ônibus. Às vezes, carona. Às vezes, taxi. Às vezes, carro de aluguel (sei lá, pensei nisso agora, se eu quisesse ir ao Simba Safari, alugaria um carro). Na maioria das vezes, consigo usar transporte público para as coisas que queremos fazer nos finais de semana (almoçar na minha vó, visitar meu pai, ir ao cinema, jantar fora).

E a última pergunta de todas: isso tudo não sai muito mais caro?

Não. Já fiz as contas, eu gasto menos dinheiro. E, no meu caso, ainda vivo menos estressada, porque eu realmente não gosto de trânsito, de motoristas estressados e de gente mal educada dirigindo. Eu gasto menos dinheiro porque eu priorizo transporte público sempre (ou caminhadas ou bicicleta). Se alguém pretende vender o carro para andar de taxi o tempo todo e alugar carro todo final de semana, talvez isso seja bem mais caro. A conta depende do estilo de vida de cada um.

O ponto aqui é que dá para viver sem carro. Ninguém precisa ter um carro como se fosse uma necessidade básica, as pessoas simplesmente escolhem ter carro (e, não, não há nada de errado em escolher ter um carro).

São escolhas. Se alguém tentasse me convencer por A + B que eu gasto o mesmo dinheiro com transporte público, taxi e aluguel de carro, eu ainda assim continuaria sem carro. Porque foi uma escolha.

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A vida muda, e depois melhora

Há pouco tempo estava conversando com uma amiga e ela me disse que achava incrível como a natureza prepara as mulheres para virarem mães. Que no início da gravidez ela sentia muito sono e cansaço e ficou mais caseira, como se o corpo estivesse se preparando para a pausa nas baladas. E que no final da gravidez ela não conseguia mais dormir direito por causa da barriga enorme, como se o corpo estivesse se preparando para as mamadas noturnas e tudo mais.

Quando a gente adota não acontece nada disso, tá?

Eu tava lá trabalhando 14-16 horas por dia e saindo para jantar depois e acordando cedo para malhar e viajando aos finais de semana e meu corpo não mudou nada e eu estava fazendo o que desse na telha. Daí eles chegaram.

Não vou mentir. A vida muda muito com a chegada dos filhos. Tem que mudar. Nenhuma vida sem filhos pode ser igual a uma vida com filhos, as coisas mudam. Os horários, as preocupações, as tarefas domésticas, o sono, as prioridades, tudo muda.

Eu senti muito essa mudança toda. Não só porque adotei e não tive nove meses de preparação física, mas porque minha vida era bem diferente. Coisas que foram chocantes para mim:

  • Rotina. Durante a licença maternidade, ficávamos em casa todos os dias. E todos os dias, incluindo finais de semana e feriados, era aquela mesma coisa: eles acordavam cedo (gente, 6h no sábado, gente), eles tinham que fazer mil refeições todos os dias (não tem essa de almoçar amendoim e depois inventar um almojanta, sabe?), se dormissem tarde ou pulassem o sono da tarde ficavam irritados, e mais uma porção de coisas diárias que eu tinha que seguir. Eu estava acostumada a acordar cada dia em um horário, a voltar para casa cada dia em um horário, a almoçar quando desse fome e por aí vai.
  • Sair do trabalho às 18h. No início, era o máximo que eu podia ficar no escritório para chegar na escola no horário certo e já contei aqui, aqui e aqui como esse processo todo me estressava.
  • Ficar em casa todas as noites. Eu gostava de jantar fora, gostava de ir ao cinema à noite, trabalhava até tarde sem reclamar. Ter que voltar para casa e depois ter que ficar em casa até o dia seguinte foi algo bem difícil.
  • Ter preguiça de sair de casa. Porque eu tinha que levar uma mala com tudo que poderia precisar para cuidar deles, porque eu tinha que levar duas crianças e porque eu não podia relaxar e tirar o olho deles um único minuto. Dava muita preguiça.
  • Ser tirada do trabalho no meio do dia. Não sei por que eu tive a doce ilusão que crianças iam para escola e que mães iam trabalhar normalmente. Em meus sonhos, nenhuma escola me ligaria para nada e eu nunca teria que sair correndo para socorrê-los.
  • Mudar totalmente o lazer: comer fora era diferente, viajar era mais difícil, cinema exigia um planejamento muito maior que comprar ingresso e ir (com quem vão ficar? que horas dá para ir? preciso fazer mala para deixar na vó?), ir a uma festa de casamento parecia impossível.
  • Ter que fazer (aka responsabilidade): parece básico, mas funciona assim: se não der banho, eles não tomam banho. Se não escovar os dentes, eles não escovam sozinhos. Se não trocar a fralda, vaza tudo na roupa. Se não levar no médico, perde o timing das vacinas. Se não fizer comida, morrem de fome. Se não compra roupa nova, eles saem por aí com calças curtas e camisetas baby look. Cara, é muito processo. É muita coisa para fazer.

Mas aí tudo melhorou. Não sei se foi a idade (love you, 4 anos), não sei se foram todas as mudanças que fiz na minha vida para me entender com todas as mudanças que meus filhos trouxeram, não sei se simplesmente entrei no esquema.

Em pouco tempo, estar em casa no final do dia não era uma obrigação, mas, sim, o maior prazer do meu dia e comecei a querer chegar cada vez mais cedo. Eles dormem e eu fico em casa sem nenhuma ansiedade. Durante um tempo eu tinha uma folguista para poder sair no sábado à noite enquanto eles dormiam, mas tem uns seis meses que não a chamo. Simplesmente gosto de estar na minha casa e de ir até o quarto deles caso precisem de alguma coisa. E gosto de passear com eles e de levá-los junto comigo. Escolho filmes e peças infantis e me divirto muito, planejo viagens, levo em festas, frequentamos restaurantes e até levei os dois em eventos da empresa do namorado. Eles fazem parte de mim e damos um jeito de adaptar o programa para crianças. Hoje eu já não sinto mais o “não posso”, “não vai dar”, “vai ser muito difícil”. Pelo contrário, eu acho que posso fazer o que eu quiser de novo.

Minha vida é muito melhor que há 3 anos e meio atrás. A sensação que tenho em relação à minha vida pré-filhos é a mesma que tenho com relação aos meus anos de colégio: morro de saudades de só estudar, dos amigos da época e dos papos que eu tinha na época, das preocupações com as provas e ficantes, das tardes livres, mas não me vejo jamais experimentando essa vida novamente.

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Sai fora, adolescência!

Até outro dia, eu tinha que ficar conversando sobre mordidas nos amiguinhos da escola. Eles mordiam e eram mordidos e aí rolavam aquelas conversas com a escola, com eles, com as mães. Sabem como é. Ainda bem que passou.

Aí hoje me vi conversando com uma outra mamãe sobre “vamos orientar nossos filhos a não dar beijo na boca. só no rosto. tá muito cedo ainda”.

Mano, mas pula assim de mordidas aos beijos na boca em menos de um ano? Que coisa é essa? Não tinha nenhuma etapa intermediária?

Não, não foi o Isaac. A Ruth também tem um namorado. E a Ruth sempre me arruma uma encrenca maior. Isaac vai de mãos dadas na perua, Ruth dá um beijo no namorado na porta da escola.

Quem estiver disponível, passa aqui em casa para me dar um abraço.

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