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A pessoa mais madura do relacionamento

– Mamãe, quero fazer xixi.

– Tá. Vai lá no banheiro, faz xixi e me espera sentadinha no vaso que eu vou só terminar de trocar seu irmão e já vou te limpar. Não levanta.

Aí eu ouço uma descarga. Entrei rasgando no banheiro e falei em tom de voz maior do que eu gostaria:

– Pô, Ruth, eu não pedi pra ficar sentada me esperando?

Ela chorou, esperneou, foi pro quarto batendo o pé e eu fiquei brava também. Aí ela acalmou e me chamou.

Gente, presta atenção, muita atenção, no que eu ouvi.

– Eu quase dormi triste com você, mas não quero dormir triste. Você falou para eu não levantar e eu não levantei. Eu dei descarga sentada. Porque sempre tem que dar descarga depois do xixi. Então você tem que pedir desculpa por ter gritado. E eu tenho que pedir desculpa por ter dado descarga e ter feito você achar que eu tinha levantado pra dar descarga. Aí a gente dorme feliz.

Quase morri de vergonha. Eu nunca tive nenhum namorado, mãe, pai, irmã, chefe ou vizinho que tenha sido tão maduro assim comigo em uma briga. Nem eu sou tão madura assim, tá? No lugar dela, eu teria xingado, falado palavrões e respondido bem alto “MAS EU NÃO LEVANTEEEEEEEIIIIIII”, e ficado uns meses dormindo virada pro outro lado.

Eu pedi desculpas, ela pediu desculpas, nos abraçamos, nos beijamos e dormimos de conchinha.

Thanks, filha, por me orientar nos meus relacionamentos daqui pra frente.

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Xingamentos

– Você é feio, horroroso, mal educado e eu vou te matar!

Ô. Ô. Ô. Podem parar. Entendo que brigam, ficam com raiva e querem xingar, mas dizer que vai matar não pode não. Tomam bronca, ficam de castigo.

– Gente, falar que vai matar é feio, não pode. Ninguém quer que o irmão morra. Quando a pessoa morre, ela some, desaparece, nunca mais volta, acabou pra sempre. Entenderam? Achem outro xingamento.

– Entendemos, mamãe.

Dali uns 15, eu ouço:

– Você é feio, horroroso, mal educado e eu vou trancar você em uma jaula!

:-/

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Leitura para mamães

Eu não tive muito tempo para ler livros e mais livros sobre maternidade porque meus filhos chegaram em tempo recorde. Cheguei a comprar esse aqui, mas não passei da página 5. Esses livros me lembram auto-ajuda e me dão um certo pânico. Coisas do tipo “como ser uma boa mãe” ou “como educar bem seus filhos” me dão medo. E eu também tive sorte de nunca precisar ler livros como esse aqui, porque meus bebês sempre dormiram lindamente a noite toda.

Mas eu trombei com um livro na África do Sul sobre maternidade em um dia em que todos os livros que eu tinha levado para lá já tinham acabado, chamado “French children don’t throw food, e comprei. Escrito por uma norte-americana casada com um inglês que vive na França com seus filhos, ela começa o livro comparando as mães francesas – elegantes, bem-vestidas e calmas – com as mães norte-americanas – descabeladas, fora de forma, usando roupas de moletom e gritando e correndo atrás de crianças mal-educadas. E ser uma mamãe-descabelada-gritando é algo que ninguém se planeja para ser, né?

A autora descreve no livro as principais coisas que aprendeu com suas amigas e colegas francesas. Algumas dessas coisas, como não se permitir comer o que quiser e engordar horrores na gravidez (porque depois o trabalho de voltar ao manequim original é maior) e esperar um pequeno tempo antes de sair desesperada para acudir um bebê chorando, não serviram para meu caso porque eu não engravidei e não cuidei de um recém-nascido. Mas eu gostei de uma porção de coisas que ela escreveu e tento fazer parecido.

Uma das primeiras coisas que ela conta é que sempre se sentia envergonhada quando levava o filho em restaurantes na França, pois eles eram a única família que não conseguia jantar tranquilamente. Cena clássica que apavora muitos amigos: crianças correndo e gritando porque não querem ficar sentadas à mesa e mães correndo e gritando atrás das crianças tentando contê-las. Quando saímos para comer fora com os bebês, eles participam o tempo todo do programa. Ficam sentadinhos no cadeirão, interagindo conosco (conversando, cantando ou brincando – nunca coloco Galinha Pintadinha no Ipad só para poder comer em paz, gente). Comem ao mesmo tempo que comemos, o mesmo tipo de comida, comem sobremesa, esperam a conta chegar e só então se levantam conosco para ir embora.

A segunda coisa é saber preservar a vida e rotina de adulto. É claro que nossas vidas mudam muito quando os bebês chegam e eles se tornam prioridade. Mas não dá para deixá-los tomar conta de todo o tempo do mundo. Gosto que meus filhos durmam cedo porque gosto de jantar com calma, gosto de ler, gosto de escrever, gosto de ouvir música de adulto e assistir filmes de adulto, gosto de receber amigos para conversar, e não dá para fazer essas coisas com dois brigadeirinhos falantes e bagunceiros acordados. Depois das 20h é o tempo que mamãe e papai têm vida de adulto em casa. Não gosto de brinquedos espalhados pela casa toda pelo mesmo motivo. É claro que é uma casa onde moram crianças, e temos cadeirões na cozinha e uma mesinha onde ficam os brinquedos na sala de estar, mas os brinquedos e coisas de crianças não dominam a decoração fora do quartinho deles.

Outro ponto é sobre o relacionamento deles com outras pessoas. Além de já terem aprendido a falar “por favor”, “obrigado” e “desculpas”, faço questão que eles digam “oi” e “tchau” para todos as pessoas que encontram. Eles cumprimentam todas as visitas que vêm em casa, a moça que trabalha aqui, os vizinhos no elevador, as outras pessoas no supermercado. Estamos ensinando os dois a esperarem a vez para falar e a não interromperem uma conversa. E estou struggling para ensinar a pedir as coisas sem chorar, sem exigir ou sem espernear, mas não vou desistir. 🙂

Nós também estamos ensinando – ou tentando ensinar – o conceito de autonomia. Toda semana eles ganham alguma nova responsabilidade ou passam a fazer alguma coisa sozinhos. Comem sozinhos na maioria das vezes, estão aprendendo a pegar os sapatos no armário e calça-los sozinhos, guardam os brinquedos e recolhem coisas do chão sozinhos se fazem alguma bagunça. Mais que isso, ultimamente estou dando autonomia para resolverem sozinhos seus próprios problemas. Todo mundo que tem irmão sabe que é normal brigar, e eu passei um bom tempo fazendo o papel de conciliadora, o que, além de tudo, me estressava demais. Não é fácil ficar abaixada para olhar nos olhos de dois bebês de dois anos chorando, apontando pro irmão, e reclamando algo como “pegou meu brinquedo buááááááá´”. Agora deixo que eles resolvam sozinhos quem vai pegar tal brinquedo ou quem vai fazer alguma coisa primeiro, e só fico de olho para que não se machuquem – porque não pode resolver conflito com mordidas e arranhões, bebês!

E, por fim, eles estão aprendendo que quem decide as coisas em casa é a mamãe ou o papai. Eu não negocio coisas como hora de dormir, hora do banho ou hora de comer. Não tem chantagenzinha do tipo só-um-desenho-e-depois-vai-pra-cama. Hora de ir dormir é hora de deitar, ficar quietinho e apagar a luz. Não tenho medo de traumas por ouvir um “não pode” ou “precisa esperar um pouco”, porque acho que eles precisam aprender a lidar com frustrações. Claro que não vivemos em um quartel general: eles escolhem o que querem fazer nas horas de brincar e participam de um monte de tarefas em casa só se quiserem – como regar plantinhas, por exemplo.

O livro é genial, gente. E vocês, mamães, têm alguma outra leitura para indicar?

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Me conta uma história engraçada?

Hoje estava online durante o soninho depois do almoço e um amigo me mandou uma mensagem mais ou menos assim: “me conta uma história engraçada? deve ter acontecido alguma coisa engraçada aí essa semana”. Fiquei me perguntando se parecemos ser tão atrapalhados para deixar alguma coisa engraçada acontecer em uma semana com os bebês em casa, mas acabei não respondendo porque estava na hora de acordá-los para o lanchinho da tarde.

Quando entrei no quarto, tomei um susto porque meu filho não estava na caminha. Olhei no chão e nada, e então vi os dois dormindo juntos na caminha da minha filha. A primeira coisa que pensei foi “que coisa linda! gêmeos realmente se amam!” e tirei uma foto.

Depois percebi que, na verdade, o cenário era um pós-guerra. Meu filho estava sem a calça e sem as meias e os sapatos da minha filha, que eu tinha deixado no chão, estavam em cima da cama. Todos os bichinhos de pelúcia que estavam na cama foram para o chão. Quando ele subiu na cama dela, minha filha deve ter ficado muito brava e batido muito nele. Eles devem ter brigado durante um bom tempo antes de cair no sono e não sei como não ouvi nada da sala.

Mas o pior do tudo foi o cheiro. No meio da bagunça, meu filho fez cocô e, como estava sem a calça e se mexendo muito, tudo vazou nos lençóis. Foi um horror. Tive que lavar dois bebês e uma cama e não conseguia parar de rir, imaginando a confusão que eles devem ter feito.

Pena que nós não colocamos uma câmera no quartinho deles para poder assistir tudo.

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