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Criança inteligente dá trabalho

Minha filha anda brigando com a tia da perua. Já contei que ela está impossível?

Aí eu falei para ela:

– Você sabe que a mamãe não tem mais carro. Você tem que voltar de perua e obedecer a tia da perua, senão não sei o que fazer.

– Se eu não voltar com a perua, você vai me buscar?

– Não, porque eu não tenho carro.

– Você tem que buscar, porque eu não posso ficar na escola.

– Pode, sim.

– Não posso, a escola fecha, você tem que ir me buscar.

– Eu não tenho como te buscar, filha.

– Pode a pé.

– Não, não vou a pé até lá.

– Mas eu não posso ficar sozinha porque eu sou pequena.

– Eu sei, por isso você tem que obedecer a tia da perua.

– Não. Você vai me buscar na escola. A escola fecha e eu não posso ficar lá.

Mano. Pô. Pára. De. Argumentar. Comigo.

É falta de televisão ou de tablet na vida dessa menina? Se eu começar a hipnotizar com desenhos animados, será que ela emburrece um pouco? Tá loco.

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Vergonha

A gente estava em uma loja cheia de outras pessoas, mas todas fizeram o favor de ficar em silêncio bem nessa hora que minha filha resolveu se manifestar:

– Mamãe?

– Oi.

– Eu tenho uma periquita pequenininha e você tem uma periquita bem grande.

Sem comentários.

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Frase elaborada

– Mamãe, quando o Isaac ficar grande, e quando eu ficar grande também, a gente vai tomar vinho com você.

Morri de orgulho. Não por causa do fator alcoólico da frase, tá? Morri de orgulho da frase enorme que ela construiu, com vírgulas, advérbios e conjunções.

Falta pouco pra gente poder conversar sobre a vida das mulheres na Arábia Saudita ou sobre essa história triste do Woody Allen, né?

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Delícia

– Filho, você é um gostoso!

– Não. Não sou gostoso. Eu sou feliz!

… e um gostosinho! Bebê fofo!

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Brigas verbais

Primeiro vieram as brigas físicas. Tapas, arranhões, beliscões, mordidas, brinquedadas na cabeça um do outro. Eles vivem se pegando no tapa, em casa e na escola. Perdi as contas de quantos recadinhos na agenda vieram com um “mamãe, bebê x mordeu/ beliscou/ arranhou/ bateu no bebê y”. Então, a vida por aqui é assim: além de evitar o suicídio infantil e gerenciar criança que não pára quieta, nós temos que ficar de olho para um não machucar o outro.

Até aí, eu sempre achei normal. Posso estar louca, mas acho normal briga entre irmãos. Briguei com minha irmã do meio a vida inteira e só não brigo com a mais nova porque temos 21 anos de diferença (e me sinto um pouco mais adulta que ela para isso). Eu achava que era parte do desenvolvimento, sei lá. Apesar de brigarem muito, não era nada que me irritasse.

Até que eles começaram a falar. E a conversar entre si. Eles conversam, pedem favores um para o outro, chamam um ao outro para brincar, era tudo só fofura. Até que as brigas verbais apareceram e isso, sim, é irritante.

Começa com qualquer coisa. É um dizer “mamãe, quero tomar leite”, pro outro responder “não, você não vai tomar leite”. Assim, como se tivesse total autonomia para decidir se a(o) irmã(o) vai ou não tomar leite. E o primeiro responde “vou, sim”, e o outro responde “vai, não”, e depois um “vou, SIM” (bem alto), seguido de “vai, NÃÃÃÃÃOOOO” (mais alto ainda), e assim seguem gritando um com o outro cada vez mais alto até que eu tenha vontade de gritar muito mais alto pedindo SILÊNCIO. Mas não grito nunca, porque sou adulta e tenho que dar o exemplo. Mentira.

Brigas físicas eram mais fáceis de evitar. Era só manter um meio longe do outro nos momentos de confusão por causa de um brinquedo ou algo parecido. As brigas verbais vão rolando ao longo do dia todo. Qualquer coisa vira motivo de provocação e eu ainda não descobri como fazer pra parar. Criança devia vir com manual de instrução, viu?

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Crise

Há uns dias meu filho desencanou totalmente do “mamãe” e só me chama de Luli.

Tô em crise de identidade.

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Fofurinhas

Criei uma categoria chamada “Fofuras” no blog. É uma categoria quase pessoal, só para eu poder anotar e depois filtrar as fofurices que meus filhos fazem ou falam e que não quero esquecer. Porque é muita fofura nessa vida de mamãe, gente.

Hoje de manhã eu perguntei:

– Quem quer voltar de perua hoje?

Meu filho respondeu: – Eu!

Minha filha respondeu: – Não quero.

Silêncio. Pô, filha.

E Isaac completa:

– Mamãe, a Ruth não quer voltar de perua? Que pena, né?

Quem te ensinou a falar “que pena”, filhote? Coisa mais fofa!

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Preguiça de desfralde

Eu já fui uma pessoa adulta sem filhos que criticava as mamães e papais que demoravam muito para desfraldar seus filhos. Eu achava que, se os indianos e chineses são capazes de criar seus filhos sem usar fralda, não havia motivo nenhum para deixar as crianças ocidentais completarem dois anos com fraldas. Eu achava um absurdo crianças que já sabem falar e que não pedem ainda para usar o banheiro. Eu achava que meus filhos iriam para a festinha de aniversário de dois anos sem fraldas.

Mas meus bebês têm dois anos e meio e continuam firmes e fortes com suas fraldas diariamente. E a verdade é que a mamãe entrou num processo chamado preguiça. Preguiça de xixi no chão. Preguiça de xixi na roupa. Preguiça de quilos de roupas sujas voltando da escola todos os dias (multiplicados por dois, né?). Preguiça de ficar perguntando se quer fazer xixi toda hora. Preguiça de ficar no banheiro esperando bebê fazer cocô. Preguiça de levar criança para usar banheiro público. Preguiça de levar para ir ao banheiro 200 vezes por dia – essa apareceu depois que a professora me falou que elas levam as crianças ao banheiro de vinte em vinte minutos. Oi? Dá para fazer alguma outra coisa nesse ritmo?

Sim, também tenho vergonha da minha preguiça. Mas, como: 1) está frio ainda, 2) a escola ainda não acha que eles estejam preparados e 3) não é taaaaaaaaaaaanta vergonha assim, eu não estou contando os dias para o desfralde e não estou pressionando a escola a começar a fazer isso tão rápido.

Eu sei que o processo é indolor. Todas as mamães experientes já me disseram que as crianças se ajustam em poucos dias e que não vai ser tão sofrido assim. Eu sei. Mas continuo com preguiça. Sou muito mãe desnaturada?

PS: Juro que tenho mais de cinquenta vasos de plantas no nosso apartamento para tentar compensar o uso prolongado de fraldas descartáveis.

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Linguagem

No ano passado, uns dos neurologistas que consultei para conversar sobre o problema da minha filha comentou que um dos momentos mais importantes no desenvolvimento da linguagem da criança é quando ela começa a juntar uma palavra na outra (por exemplo: quero leite, tá dodói).

Na época, meus bebês de cerca de um ano e meio falavam apenas algumas palavrinhas soltas e se comunicavam basicamente com gestos, choros e risadas. Eu passei um tempão prestando muita atenção em tudo o que eles falavam para ver se ouvia as tais duas palavrinhas que deveriam vir juntas. Demorou, viu? O número de palavras que eles aprenderam a falar começou a aumentar bastante, mas nada de juntar uma na outra.

Óbvio que eu não me lembro qual foi a primeira mini-frase que ouvi, nem qual dos dois foi o primeiro a falar (eu chuto que foi meu filho). Mas olhando para os dois tagarelas de hoje, nem parece que isso aconteceu há menos de seis meses. Hoje as frases são longas, com perguntas e respostas, e vocabulário cresceu muito. Agora eles começaram a usar palavras sofisticadas para quem tem 2 anos e ganham milhões de apertões da mamãe babona por isso.

Outro dia meu filho não parava nunca mais de chorar e milha me perguntou:

– Mamãe, o Isaac está chorando ainda?

Meu filho me pedindo brinquedos:

– Mamãe, posso brincar com o tigre?

– Pode, filho.

– Posso brincar com o elefante também?

O mesmo mocinho, pulando um dia na cama:

– Isaac, não pode pular.

– Posso só cantar?

Morro de orgulho desses brigadeirinhos!

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Minhoca

Todo dia, minha filha chega em casa da escola e me pede:

– Mamãe, quero comer minhoca.

Nada como ter deixado o cunhado cuidando dos bebês em um dia que trabalhei até mais tarde, viu? 🙂

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