A Páscoa, o coelho e os chocolates

Veio na agenda da escolinha essa semana: “favor pagar a taxa de x reais até segunda-feira para a nossa comemoração da Páscoa”. É tanta coisa que começamos a ter que pensar depois que viramos papais, viu?

Eu não queria entrar na questão do dinheiro, porque não era um valor abusivo que não poderíamos pagar. Mas fui até a escolinha no dia seguinte perguntar se era uma taxa obrigatória e o que eles fariam com os filhos dos papais que não quisessem ou não pudessem pagar. “Os alunos que não participam ficam na sala de aula com uma professora, enquanto o evento acontece no pátio”, me respondeu uma das diretoras, com uma clara expressão de quem odeia essa situação – e eu concordo com ela.

Depois eu quis entender como eles lidam com diversidade nessas datas, porque a Páscoa é uma comemoração que não existe em todas as religiões. Tive uma dúvida parecida há duas semanas, quando recebi uma tarefa endereçada às mamães para a comemoração do dia internacional da mulher: o que acontece com os alunos que não têm mamãe? Entendo o lado da escola, que provavelmente seria criticada por não comemorar as datas mais tradicionais. Mas também achei um pouco difícil para as duas famílias judias que optaram por não levar os filhos à escola na quinta-feira anterior à sexta-feira santa, porque não querem que eles participem da comemoração da Páscoa e nem querem que as crianças fiquem trancadas sozinhas na sala de aula.

Mas o meu principal incômodo com a comemoração da Páscoa não é a taxa, não é a tradição católica e nem a visita do coelho na escola. Eu simplesmente não quero que eles ofereçam infinitos ovinhos de chocolate para meus pequenos, mas também não quero que eles sejam os únicos que não podem comer chocolate durante a comemoração. Mamãe e papai optaram por não comprar ovos de Páscoa para eles porque eles ainda não comem chocolate, e também pedimos que os familiares e amigos fizessem o mesmo. E aí eu vou ter que pagar uma taxa para que a escola ofereça chocolates sem limites para eles? Ou eu vou ter que dizer para meu chefe que sou uma mãe louca que não deixa os filhos comerem doces e que, por isso, não vou poder trabalhar na quinta-feira à tarde para ficar com eles (calma, trancá-los na sala de aula enquanto o evento acontece no pátio não passou pela minha cabeça, eu juro)? E quando contei meu drama para a diretora, ela me olhou com uma expressão de não-tô-acreditando-que-você-não-vai-dar-ovo-de-páscoa-para-seus-filhos.

Toda vez que tenho alguma conversa na escolinha, saio de lá pensando como deve ser difícil administrar uma escola. Ter que cuidar de crianças pequenas, bagunceiras, dependentes, que não falam, que usam fraldas e que choram e, ainda por cima, ter que lidar com mamães e papais que fazem exigências malucas deve ser desesperador (e eu sei que sou uma delas).

Nós decidimos que eles vão participar da comemoração da Páscoa na escola. Vamos pagar a taxa e eles vão ver o tal do coelho que entrega ovos e vão comer chocolate. E eu vou tentar não ficar pensando nisso até lá, para que eu não desista de deixar!

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2 pensamentos sobre “A Páscoa, o coelho e os chocolates

  1. BrunoN disse:

    Coelho?! Ovo de pascoa? E o Papai Noel?!

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