Sobre baladas e bebês

Hoje passei por dois assuntos polêmicos na minha taimeláine da rede social. Esse primeiro deve ter sido visto por quase todo mundo: um rapazinho com quase seus 40 anos gastando fortunas na náiti paulistana, dando dicas de como se dar bem com as garotas. A reportagem e os posts que li vieram acompanhados de comentários de pessoas irritadas, inconformadas, desconsoladas, que chamavam o moço de “otário”, “fútil”, “babaca”, “exibido” e por aí vai. Ah, minha gente, pliz. O moço ganha seu dinheiro honestamente (espero) e gasta como quiser. Faz isso porque tem plateia. Tá lá cheio de amigos, amigas, desconhecidos e desconhecidas aplaudindo as garrafas com foguinhos. Se ninguém desse bola, ele estaria com foco em outra coisa para chamar a atenção. Deixa ele? Ele podia estar matando, roubando, colocando funk bem alto no carro no posto de gasolina, dançando axé no calçadão, mas pelo menos ele está trancadinho na balada gastando seu dinheiro como bem entende. E o segurança dirige o carrão na volta pra casa. Tá tudo certo, pô.

Outra coisa que li foi sobre um tal de aplicativo para encontrar pessoas. Nada que nunca tenha existido antes em forma de sites ou agências de relacionamento. Você cadastra seu perfil lá e espera alguém te curtir, para começar um papo virtual, que depois migra para mensagens no whatsapp, depois por voz, depois marca encontro, e a gente sabe o que acontece daí para frente. Sério, gente, é só ganho de escala. As pessoas estão desfilando por aí nas baladas atrás de pares há anos e anos. Só que na balada, você só consegue conversar com uma pessoa de cada vez. Agora temos uma maravilha em nossas mãos: um aplicativo que nos permite conversar com várias pessoas ao mesmo tempo! E você nem precisa esperar a sexta/ sábado à noite para fazer isso. Dá pra paquerar durante o expediente. Eficiência e ganho de escala. Qual é o problema?

O problema foi chegar em casa e encontrar meus monstrinhos lindos, sorridentes, aprendendo a falar, brincando de panelinha, e desenvolver um terrível pânico. Chama-se “eu tenho medo de adolescência”. É claro que eles não vão ter fortunas para gastar na balada, a não ser que trabalhem muito para isso. Porque eu não tenho dinheiro assim disponível, nem acho que vou ter um dia. E, se tiver, não vou dar um cartão de crédito e pronto, né? Não, não é só isso. Eu não quero que eles sejam os amigos bajuladores que acompanham o mocinho gastão, somente atraídos pelo dinheiro. Nem que sejam as menininhas que dão bola e ficam penduradas no cangote dos moços só porque eles as deixam entrar no camarote. Também não quero ver perfis dos dois em aplicativos que ajudam a encontrar pessoas, porque espero que eles encontrem pessoas que se interessem por mais do que uma foto e uma descrição do tipo “moreno de cabelos cacheados e sorriso encantador, que se interessa por motocas, panelinhas e manga”. Porque sei que eles serão muito mais do que dá para mostrar nas redes sociais e nas baladas e uma mamãe superprotetora só consegue torcer para que eles encontrem pessoas que valorizem isso antes de mais nada.

Tá. Estou dando uma de louca e deveria estar mais preocupada com a excursão ao circo que eles terão na quinta que com essas coisas que só devem começar a aparecer na minha vida daqui uns 12 anos. 12 anos que eu espero que passem bem devagar. 🙂

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Um pensamento sobre “Sobre baladas e bebês

  1. Maria Helena Garcia disse:

    se for de utilidade, penso que esse medo das fases seguintes é tema de toda mãe… eu mesma o tive… mas a experiência mostra que, tal como não nascemos carimbadas com a mensagem ‘saberá ser mãe’, pois é o exercício da maternidade que nos ensina a ser a mãe que podemos/devemos ser, é a entrada em cada diferente fase da vida de nossos filhos, com todos os desafios que eles nos apresentam, que nos ensina a dar o passo certo (ou o melhor de que somos capazes), e o seguinte, e o seguinte… até o dia em que descobrimos neles pessoas com identidades tão próprias (desculpe-me se parece redundante), com ‘sentirem e pensares e agires’ tão singulares… e daí, nossa tarefa será a de reconhecer neles o fruto das sementes que se escolheu plantar e cuidar na seara que não era, definitivamente, nossa: era arrendada! Como isso é bom, meu Deus!

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