Seguro de vida

Fiquei doente no final de semana. No sábado à noite, coloquei os dois na cama, me droguei loucamente (dá-lhe anti-gripe e analgésicos) e dormi cedo. No domingo continuei com as drogas, mas a gripe venceu. No final da tarde, quando começou a escurecer, eu deitei no sofá da sala no escuro e fiquei escondida. Os dois estavam brincando no quarto e demoraram para perceber que eu tinha sumido. Do sofá, eu ouvia as conversas, gritinhos, risadas, brigas e barulhos de brinquedos caindo no chão e prometi para mim mesma que eu levantaria somente em casos de risco de morte ou de destruição grave no apartamento. Qualquer outra situação eu ia deixar passar.

Aí eles vieram:

– Mamãe, cadê você?

– Mamãe, você tá dodói?

– Mamãe, faz comida, tô com fome.

Ah, diacho, tem que comer, né?

Eu juro que liguei três vezes para a pizzaria, mas pizzarias aparentemente não abrem no domingo às 18h. Encarei o fogão e eles jantaram. Depois fiquei me perguntando seriamente se seria uma grande negligência colocar os dois para dormir sem banho, porque eu não podia nem pensar em tirar minha calça de moletom e meus chinelos com meia para encarar dois banhos de crianças. Mas eles perguntaram sobre o banho e eu fiquei imaginando eles contando para as tias da escola, para a tia da perua e para os amiguinhos “ontem a mamãe não deu banho” e achei melhor encarar também.

Às 20h eles dormiram, às 20h15 eu fui para cama. Depois do meu banho, juro.

Quando eu era pequena e ficava doente, minha mãe me dizia que preferia ficar doente no meu lugar. Mãe, você é muito legal, mas eu não. Podem me xingar, mas eu prefiro cuidar de criança doente do que estar doente e ter que cuidar de criança, esteja ela doente ou não.

Preciso de um seguro-mãe que envie babá folguista cada vez que eu adoecer, será que existe?

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