O dia que percebi que queria ser mãe (ou viagem para África do Sul)

Documentos entregues no dia 23 de janeiro. No dia 01 de fevereiro, tive uma conversa com o RH da empresa onde trabalho sobre a possibilidade de fazer um projeto de 7 semanas na África do Sul, até o final de março. O contexto do projeto era ótimo: experiência internacional, tempo curto, 1 semana no Brasil no meio do projeto, gerente brasileira, indústria legal e sobre marketing, que adoro. O timing com relação à adoção também parecia ser perfeito. O fórum entraria em contato dois meses após a entrega de documentos, ou seja, final de março!

No dia 6 de fevereiro, depois de conversar muito com meu marido e decidirmos que eu deveria de ir para África do Sul, liguei no fórum para saber se a documentação que entregamos estava certa e se faltava alguma coisa. “Tudo certo, está com o setor técnico, em breve te ligarão”. E eis que no dia seguinte, 16 dias após entrega dos documentos, a gente recebe a ligação do fórum!!! Eu não atendi a ligação, ligaram para meu marido e a entrevista estava agendada para dia 20 de março! Dali 1 mês e meio. O tempo mais rápido que ouvi falar (e olha que li muito na internet sobre demora no processo de habilitação e ouvi relatos de colegas de grupos de apoio sobre espera de mais de 1 ano para agendamento da primeira entrevista).

Mas seria no meio do projeto. Depois de um tempão me contorcendo de nervoso, resolvi ligar de volta para a assistente social e perguntei sobre a possibilidade de remarcar. Ela foi irredutível. Para remarcar, eu precisaria de uma petição, eles cancelariam o processo e eu precisaria dar entrada novamente. Não, nunca. Confirmei para o dia 20 de março. Liguei para duas amigas, mandei e-mail para outro amigão, falei com meu marido. E decidido: eu não iria para o projeto na África.

Foi a primeira vez que senti que eu tinha uma grande responsabilidade e um grande compromisso com alguma coisa que não fosse eu mesma. Minha carreira é importante, gosto do que faço e o sucesso profissional me dá condições (digo, salário) para realizar as coisas que quero. Mas eu decidi que queria um filho, que queria a adoção e, se tenho que estar no fórum dia 20 de março sem possibilidade de remarcar, eu estarei no fórum nessa data. Meu filho agora é minha prioridade e não vai ser a única mudança de planos que vou ter que fazer na minha vida por causa dele. Eu acho que isso é ser mãe.

O final feliz da história é que eu trabalho em um lugar muito legal. Conversei com meu mentor, com a gerente de RH e também com minha gerente e sócio do escritório de Johannesburg e terei um flight back para estar em São Paulo no dia da entrevista! Assim, dia 14 de fevereiro eu embarco para África do Sul.

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Um pensamento sobre “O dia que percebi que queria ser mãe (ou viagem para África do Sul)

  1. […] eu trombei com um livro na África do Sul sobre maternidade em um dia em que todos os livros que eu tinha levado para lá já tinham acabado, […]

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