E a gravidez?

Um é pouco, dois é bom e três é demais.

=)

No meio da minha licença maternidade, eu desejei ter o terceiro filho. Achei que estávamos nos me saindo tão bem com dois bebês que poderíamos facilmente ter mais um. Achei que o trabalho de cuidar de mais um filho seria marginalmente menor que o trabalho de cuidar de dois filhos. Eu estava louca.

Três coisas principais nos fizeram mudar de ideia e desistir de tentar um filho biológico (além de questões menores, como falta de espaço para a terceira cadeirinha no banco de trás do carro). A primeira delas – e seremos bem sinceros – é que tem coisas pelas quais não sabemos se queremos passar. Nossos filhos sempre dormiram a noite toda, por exemplo. Deitam às 20h e acordam às 7h todos os dias. Não precisamos “ninar”, porque eles deitam e dormem sozinhos. Somente quatro (juro!) vezes acordaram chorando, mas  logo dormiram. Temos preguiça de noites em claro. Não sabemos se queremos passar pelo processo amamentar-trocar-arrotar-ninar a cada três horas. Não fazemos a menor ideia como ensinar um bebê a dormir a noite inteira. Não fazemos a menor ideia como as pessoas conseguem ser produtivas durante o dia depois de acordar duas, três, quatro vezes na madrugada. Nós já ficamos bastante cansados depois que viramos papais mesmo dormindo todas as noites inteiras.

A segunda delas é que não quero tirar outra licença maternidade tão cedo. Licença maternidade foi o período em que me dediquei integralmente para nossos filhos e achei ótimo. Mas li poucos livros, vi poucos filmes, ouvi poucos meus amigos (eles até me visitaram bastante, mas era impossível ouvi-los com dois bebês exigentes ao lado), convivi pouco com adultos. Agora estou integralmente dedicada a aprender a conciliar a minha própria vida com o papel de mamãe e não quero interromper essa fase.

E por último, não queremos saber o quão difícil deve ser decidir onde deixar um bebê de cerca de seis meses para a mamãe voltar a trabalhar. Todas as opções que conhecemos não parecem ser 100% perfeitas para nós (parar de trabalhar, deixar com babá, deixar com vovó ou deixar em um berçário). Com 1 ano e 9 meses, temos certeza que a melhor escolha para nossa família foi a escolinha. Com um bebê de seis meses, acho que optaríamos pela berçário, mas não tenho certeza que estaríamos tão seguros como estamos hoje.

Pode ser que isso mude com o passar dos anos, depois que nossos filhos tirarem as fraldas, aprenderem a falar (e, consequentemente, aprenderem a parar de se comunicar exclusivamente através do choro) e pararem com as tentativas de suicídio infantil (isto é, escalar móveis, se jogar para trás, mergulhar na privada e tal). Mas hoje achamos que nossa família está completa. Mamãe, papai, dois filhos e um cachorro era o que queríamos e estamos completamente felizes assim.

É verdade que tenho curiosidade sobre a gravidez, porque deve ser o máximo sentir um bebê crescendo dentro da barriga. Mas concluímos que só a vontade de viver a gravidez não é motivo para ter um filho. Afinal, toda a felicidade que vem depois da gravidez nós já temos.

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