Cozinheira

Aí eu me dei conta que não adiantava nada eu ser uma pessoa louca, que não dá açúcar nem gordura trans para os filhos, que tem um blog sobre alimentação, que só compra orgânicos, que foge dos brigadeirinhos em festinhas infantis, que fala “não” para médicos e cabeleireiros que oferecem pirulitos para os bebês, sem saber cozinhar. Porque se eu resolvi ser neurótica com alimentação, o mínimo que se espera é que eu saiba preparar a tal da comida saudável que eu quero que meus filhos comam, certo?

Então eu fui pra cozinha. Lutei alguns dias contra o medo e a preguiça de picar cebola e desvendei os mistérios secretos de fazer arroz, feijão e legumes. Foi difícil. Nos primeiros dias, eu precisei comprar uma caixa de curativos e deixar na gaveta da cozinha, ao lado das facas. Mas comecei a gostar. Resolvi aprender a fazer alguns molhos para macarrão e sopa. Fritei um ovo (para mim, óbvio, não faço fritura para bebê). Fiz um bolo de banana sem açúcar e sem farinha branca (esse eles comeram). Comecei a gostar mais ainda. Arrisquei um risoto de alho poró e um pimentão recheado com quinoa e cogumelos. E, quando percebi, estava me divertindo na cozinha todos os dias, cada dia com uma invenção diferente.

Hoje sou uma mamãe que cozinha para os filhos no final de semana. Amo ver os dois comendo a comida que eu cozinhei. Eu não sabia que existia esse prazer na vida: esse prazer de ver alguém que você ama gostando da comida que você preparou com tanto carinho. Amo ver os dois raspando o prato. Morro. De. Orgulho.

Tô quase confessando um desejo: ouvir, quando eles forem um pouco maiores, que eles adoram a comida da mamãe!

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Um pensamento sobre “Cozinheira

  1. vovô disse:

    Lindo post!

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