Eu prefiro água gelada, mamãe

Foi em meados de fevereiro que cheguei em casa no final do dia e não tinha luz no prédio. Acho que tinha caído um temporal no final da tarde e nada de a energia voltar. Esquentei leite no escuro, brincamos no escuro e decidi que o banho teria que ser de balde aquele dia. Não dá para deixar duas crianças que passaram o dia pulando e correndo na escola num calor indiano irem para a cama sem banho.

Eu juro que achei que ia ser o máximo. Todos os dias eles levam potinhos para o chuveiro e ficam se molhando, ou seja, era a mesma coisa. Minha filha foi primeiro e em 5 minutos estava limpa. Meu filho deu tilt.

Joguei um pouquinho de água morna que estava no balde nele e ele berrou como tivesse levado um tapa. Esperei se acalmar, expliquei, conversei, mostrei o pote, mostrei o balde, deixei ele colocar a mão na água, sugeri que ele se molhasse sozinho, tentei de novo, cantei, dancei e nada de o menino parar de berrar. Não só berrar: ele se encostou na parede do box na pontinha dos pés, e gritou várias vezes um “não faz isso, por favor, mamãe” e comecei a ficar com medo que algum vizinho chamasse a polícia.

Aí eu – que já estava há 15 minutos ajoelhada na frente dele implorando para acabar com aquilo logo – perdi um pouco a paciência e deixei ele escolher:

– Ou você toma banho de balde ou vai tomar banho gelado, mas sem banho não pode ficar.

– Quero banho gelado, mamãe.

É assim: tava fazendo uns 52 graus na sombra, ele estava imundo e eu não estava a fim de perder a briga. Sorry, filho.

No dia seguinte tinha luz. Mas eu entrei em casa e mandei a brincadeirinha:

– Oi, linduchos. Vamos tomar um banho de balde com a mamãe?

Berro. Menino se jogando no chão, batendo braços e pernas. Choro histérico: “nãooooooooooo!!!!!! Eu prefiro água geladaaaaaaaaaaaa!!!!!”.

Doido.

Aprendizado do dia: crianças pequenas não entendem ironia. Não tentem em casa.

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