Sejamos claros

Achei um rascunho que estava guardado há exatamente um mês. Para comemorar, resolvi publicar, sem tirar nem colocar nenhuma palavra. Aí vai.

Meu filho deu um escândalo comigo outro dia na porta da escola. Ele queria alguma coisa, não deixei e ele liberou toda a raiva de seu coraçãozinho, com frases lindas de morrer:

– Você é muito feia! Eu não gosto de você! Eu não sou mais seu amigo! Tô muito bravo com você! Vai embora!

Bem alto, pro bairro inteiro ouvir. Morri de raiva, confesso. Mas não dava para ter uma conversa naquele momento com ele naquele estado de fúria e fui embora. Fui embora aliviada porque ia conviver com pessoas adultas e esquecer aquele episódio imaturo do início do dia. Porque o mundo das pessoas adultas é maduro, ponderado e equilibrado, certo?

Não.

Curiosamente nesse mesmo dia uma série de episódios me deixou mais brava ainda que a cena na porta da escola. Em resumo: gente falando mal de outras pessoas pelas costas e gente com dificuldade de dar feedbacks claros e diretos para os outros. Esse é o mundo dos adultos, na verdade.

Voltei para casa com saudades deles e com vontade de agradecer a sinceridade dos dois. Fiquei com vontade de elogiar e reconhecer a capacidade de dizer o que pensam na minha cara, olhando nos meus olhos. Fiquei me perguntando em que momento da vida a gente desaprende que falar o que pensa faz bem para os relacionamentos (filho, obviamente você poderia escolher melhor as palavras) e que não adianta nada ficar falando mal de alguém para os outros.

Nossa relação em casa é um belo exemplo de avaliações 360º. Eu direciono, deixo claro o que espero deles, avalio os dois e dou feedbacks constantemente. Eles me devolvem feedbacks dizendo o que devo melhorar e quando estou exagerando. E se avaliam entre si também e deixam muito claro quando não gostam de alguma coisa que o irmão fez. É um processo muito transparente e todo mundo se expressa e é ouvido.

Dá para a gente aprender com as crianças, povo?

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