Meu luto pela não-gravidez

Quando decidi ter filhos com meu ex-marido e iniciar o processo de adoção, eu queria adotar duas crianças. Sempre quis ter dois filhos e sempre quis adotar, então queria colocar em nosso perfil duas crianças e já realizar todos os sonhos em uma tacada só. Como havia um possível desejo de talvez um dia termos um filho biológico, decidimos por uma criança ou gêmeos. Colocar “gêmeos” era minha esperança de ter dois filhos pela adoção. E eu fui presentada com gêmeos.

Eu tinha 31 anos quando meus filhos chegaram e achava que tinha até os 35 para pensar se queria tentar engravidar. 35 era a data mágica; eu não sei direito as estatísticas, mas sei que aumentam os riscos de várias coisas, então eu achava que, se quisesse muito, tinha que engravidar até os 35 anos. Muita coisa aconteceu: me separei, fui mãe solteira, encontrei um cara, começamos a namorar, casei de novo. E eu vou fazer 35 anos em exatos em seis meses.

Eu não quero um terceiro filho. Eu vivo todas as dores e as delícias da maternidade com o Isaac e a Ruth, sou louca pelos dois e não tenho vontade de ser mãe de novo. Estou repensando toda minha vida profissional, começando coisas novas, ganhando quase nada e uma gravidez e um bebê não se encaixam nos meus planos agora. Também não é um plano do casal (eu e meu marido) termos um filho. Ele também acha que vive a paternidade com Isaac e Ruth e que é muito feliz assim. Além disso, confesso, eu tenho muito medo de ser mãe solteira de novo.

Eu não sinto por não ter tido um recém-nascido ou por não ter amamentado. Minha maternidade é tão intensa e mexe tanto com minha vida que não ter vivido ao lado dos meus filhos do nascimento até 1 ano de idade não é uma questão. Mas tem algumas coisas que sinto não ter vivido: tentar engravidar (parar com a pílula e a camisinha e sair fazendo sexo adoidado sem proteção nenhuma), descobrir a gravidez, contar a gravidez para o futuro pai, viver a gravidez ao lado do futuro pai, acompanhar a barriga crescer, sentir o bebê se mexer. Isso tudo eu sinto muito por não ter vivido. Muitas vezes eu queria ter passado por isso.

Estou passando por um luto por não ter engravidado porque acho que eu deveria tentar agora, a seis meses dos 35 anos, mas eu não quero. Não quero, mas às vezes fico triste por não querer e não viver uma gravidez, e é muito confuso. Fiquei imaginando a dor que deve ser querer muito engravidar e não acontecer. Se você passou ou está passando por isto, só queria dizer que entendo a dor, mas que o luto vai ser apenas pela barriga. Ser mãe pela adoção é tão intenso, tão verdadeiro, tão igual, que duvido que alguma mãe vá lamentar não ter tido um filho biológico se o caminho for a adoção.

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4 pensamentos sobre “Meu luto pela não-gravidez

  1. ribeirojoy disse:

    Olá.
    Eu decidi ter apenas filho(s) pela adoção. Pensamos bastante sobre isso e fizemos nossa escolha. Ainda estamos nos habilitando, mas essa questão da gravidez às vezes habita meus pensamentos. Não exaustivamente, quando sonho (acordada ou dormindo), eu sonho com a adoção.
    Mas eu acho que é tudo mesmo questão de escolha. “Cada escolha, uma renúncia”, sabe? Abrimos mão de muitas experiências “biológicas”, mas teremos tantas outras “adotivas” que as mamães e papais biológicos não terão. (nem melhores e nem piores).
    O que importa é estar em paz com a decisão tomada.
    Abç.

  2. Annie Baracat disse:

    tbem gostei do “cada escolha, uma renuncia” 🙂

  3. […] uns dias o Facebook me mostrou um post que publiquei há um ano atrás falando sobre meu luto por não ter engravidado. Eu estava a seis […]

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