Pensamentos sobre a morte

Eu achava que eu não tinha medo de morrer.

Na verdade, ainda acho.

Morrer é natural, é um fato, é o destino de todo mundo, certo?

Só que a morte fica mais real quando a gente tem câncer duas vezes. Eu me sentia um pouco imortal, eu sentia que devia me preocupar com previdência para pagar minhas contas na velhice, mas de repente vem algo que sussurra no meu ouvido “talvez você morra antes de ficar velhinha”.

E eu achava que não ligava para a morte, porque ela é um fato e porque eu tive uma vida boa até agora. Fiz muita coisa, vivi muita coisa, fui muito feliz, então tinha uma ilusão que já poderia morrer satisfeita.

Mas não.

Tem duas coisas coisas que me matam um pouquinho cada vez que penso sobre a morte.

A primeira delas é que catso de mãe sou eu que pode morrer antes de ficar velhinha e que pode não estar aqui para o Isaac e para a Ruth. Gente, como me sinto incompetente por isso. Eu me sinto na obrigação de estar aqui inteira para finalizar este projeto que é estar ao lado deles até o começo da vida adulta, e aí ficam aparecendo coisas que podem me tirar do projeto antes da hora. Not fair, nem comigo, nem com eles.

E a segunda, que pode até ser egoísta, é a dor que eu sinto só de pensar na possibilidade de não vê-los crescer.  Eu não consigo pensar em perder a vida deles. Meus filhos são crianças tão bacanas, e sei que serão adolescentes ótimos e adultos do bem, e eu quero estar aqui para conhecê-los em todas essas fases.

Eu não estou morrendo, pelo contrário, tô bem viva. E tô muito bem. O assunto pode parecer mórbido, mas não é assim que me sinto depois da semana linda que tive. Foi só esse pensamento que me veio que se tem uma coisa pela qual eu quero viver é a minha maternidade. Existe uma única coisa que me faz pensar que não estou pronta para morrer e esta coisa é minha maternidade. Então, Sr. Tumores, parem de me fazer pensar sobre a morte, por favor. Ainda não terminei o que estou fazendo nessa vida.

 

 

 

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