Dia de cão (ou dia de mãe)

Hoje eu acordei às 5h da manhã. Eu tinha um compromisso cedo, mas não tão cedo assim, mas esse é o horário que me deixa tranquila para sair de casa tendo completado todos os processos. Eu não precisaria acordar tão cedo, mas a partir das 6h sempre corro o risco de cruzar com a Ruth no corredor, e uma criança acordada faz qualquer coisa que a gente queira fazer demorar mais. E, sempre que alguma coisa demora mais de manhã, quem se ferra sou, porque em geral quando temos que nos apressar eu fico sem café da manhã. E aí saio na rua e não consigo comer nada até o almoço, porque em qualquer lanchonete qualquer coisa que sirva de café da manhã tem ovos, leite ou presunto e eu não como nada disso. Então eu acordei às 5h para conseguir tomar banho, me arrumar e tomar café da manhã sozinha, em silêncio e tranquilamente antes de qualquer criança aparecer na sala.

Aí eu saí cedão na rua com duas crianças, levei a pé até a escola, entrei no metrô e segui para um seminário. Passei a manhã no auditório, almocei com os colegas, dei uma fugida para apresentar uma proposta de trabalho para um cliente, voltei para o seminário. Quase no finalzinho, os culegas começaram a combinar um jantar de confraternização. Hoje. Eu nem sei o quanto eu queria ir neste jantar, mas eu não lido bem com a renúncia. Eu não lido bem com esse relacionamento desigual, onde os filhos podem ficar doentes sem planejamento e ferrar toda minha agenda, mas eu não posso decidir assim de última hora jantar com um pessoal e desmarcar meu compromisso de ir buscar na escola. Essa falta de liberdade é um perrengue muito grande na maternidade, sempre achei.

Mas sem outra alternativa, fiz todo o caminho de volta para pegá-los na escola. Super tarde, não deu tempo de passar na farmácia sozinha antes de a escola fechar, então eu peguei os dois na escola e fui com eles na farmácia. Era para ser cinco minutinhos, mas o sistema travou, o remédio é controlado e precisava do visto do farmacêutico, tudo começou a dar errado e ficamos trinta minutos dentro da farmácia. Sim, tinha que ser hoje, porque já não tinha mais nenhum comprimido para amanhã. Trinta minutos em uma farmácia com duas crianças e eles encontraram um amiguinho da escola lá dentro. Eu só queria que eles ficassem parados e quietos ao meu lado enquanto eu esperava o remédio desenroscar, mas não. Claro que não. Rolou pega-pega, esconde-esconde, polícia e ladrão, várias gritarias e corridinhas dentro da loja.

Eu teria ficado irritada se as crianças não fossem minhas. Como eram minhas, eu fiquei duas vezes mais irritada, porque também me senti uma incompetente por não conseguir fazê-las parar de gritar e de correr.

Aí entrei em casa e mano, tô pensando em mudar para um hotel. Porque tinha xixi e cocô de cachorro, tinha que dar comida pro cachorro, tinha que fazer jantar, tinha que fazer criança entrar no banho, depois fazer criança sair do banho (duas vezes), fazer criança escovar os dentes, colocar na cama, arrumar roupa, mochila, louça, caraio.

E a cereja do bolo foi Isaac querendo me surpreender achando que eu estava sobrecarregada e ir arrumar o quarto dele sozinho. Arrumação, I mean, ARRUMAÇÃO. Ele tirou todas os livros da prateleira para rearrumar seguindo uma classificação nova em plena segunda-feira à noite. Em plena segunda-feira à noite 800 livros na cama do menino, e eu quase o coloquei para dormir no chão mesmo.

Que dia, minhadeusadocél. que dia.

 

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