Solidão, palavra cavada no coração

Aí eu trombei com um texto que falava sobre uma mamãe recém-separada e sobre o quanto ela se sentia sozinha naquele momento, mesmo cercada de tantos amigos e familiares.

Pois é, é duro.

Mas a verdade verdadeira é que me sinto muito sozinha desde que virei mamãe, mesmo cercada de filhos, marido, amigos e familiares, e nunca teve nada a ver com estar ou não estar sozinha no sentido literal da palavra. Sim, encarar a maternidade-carreira-solo é uma pancada e tanto em nossas vidas. Mas o sentimento “solidão” veio bem antes.

Eu me sinto sozinha porque é muito difícil compartilhar todas as angústias da maternidade com qualquer outra pessoa nesse mundo. Difícil demais. Porque as pessoas querem te ouvir, querem te ajudar a pensar, querem te confortar, só que é muito difícil explicar o sentimento que está por trás de cada frustração, de cada dúvida ou de cada medo.

Me sinto sozinha porque passo horas e dias e meses quebrando a cabeça para fazer alguma coisa que acho o mais legal do mundo para meus filhos e sempre tem alguém por perto olhando com reprovação ou tentando me mostrar alguma outra coisa diferente. Me sinto sozinha porque tenho dúvidas sobre o que fazer e as pessoas – com a maior boa vontade do mundo – me dão soluções práticas, rápidas e infalíveis que não conseguem acalmar meu coração.

Me sinto sozinha porque a parte mais pesada do trabalho é sempre da mamãe: levar ao médico, acordar de madrugada para medir a temperatura e medicar, fazer reuniões na escola para acompanhar o desenvolvimento deles, ver se eles têm roupas de frio o suficiente para o próximo inverno, garantir que eles tenham comida e frutas e leite para toda a semana, cortar unhas. Eu – do fundo do meu coração – não queria terceirizar essas coisas para nenhuma outra pessoa no mundo. Faz parte do papel de mãe e gosto de fazer. Mas me sinto sozinha quando percebo que não tem um brinde de reconhecimento assim ó: “parabéns! você saiu correndo no meio da tarde, cruzou a cidade para pegar filho na escola e levar no médico e ainda entregou tudo o que tinha prometido no trabalho!”.

Aí eu tô sensível e chorei horrores quando vi esse vídeo O trabalho mais difícil do mundo.

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3 pensamentos sobre “Solidão, palavra cavada no coração

  1. Ana Maria Navajas Salzano disse:

    Para mim uma das grandes peças chaves das dificuldades da maternidade é a solidão!! Tudo fazemos sozinhas… sofremos, corremos, aprendemos e ficamos contentes praticamente sozinhas! Por mais ajuda que se receba, o “fardo” é nosso! E não há sequer um reconhecimento! É sim o trabalho mais difícil do mundo!! E o grande x da questão é não poder nem dizer o quanto é solitário e isso entristece, pois os julgamentos vêm a cavalo! O fato de ser mãe não extingue o fato de eu ser humana e me cansar, ter sentimentos confusos e tudo mais!!! E ainda assim amar a minha filha de uma forma que eu nunca achei que fosse possível!!! Ruri, eu te entendo!!!!!!!!

  2. Greice disse:

    Ruri!!! Não canso de dizer o quanto teu blog foi e continua sendo muito inspirador para mim! Tenho certeza que tu não estás sozinha nessa “solidão”, no entanto a grande maioria não divide isso, parabéns pela coragem! Um beijo no coração!!

  3. Olha, neste momento só posso de oferecer um abraço!
    Eu sempre fui sozinha para tudo, acostumei a ser sozinha e me fortaleci em tomar decisões e não ligar para a reprovação dos outros, até pq eu não tive tanta gente assim com boa vontade de me ajudar.
    Esse vídeo é lindo demais!
    Abração!

    Cláudia

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