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Quando um quer, dois brigam

De uns anos pra cá, eu decidi que briga não iria mais fazer parte da minha vida. Significa que, se eu não consigo parar de brigar com alguém, eu saio fora. Paro de falar com a pessoa, termino o relacionamento, peço demissão, encerro contrato, vou pra bem longe.

Mas tem um karma: ser mãe de duas crianças que não param de brigar. Não param, gente. No minuto 1 depois que acordam, estão resistindo para colocar o uniforme. No minuto 2, estão brigando por alguma coisa idiota do tipo “o tênis dele é de amarrar e eu também quero e não tenho e eu odeio ele por isso”.

Affe.

Eu entendo, porque tenho irmã e briguei com ela a vida toda até tipo o mês passado. E eu acho que, para começar uma briga, basta um só querer. Briga é a relação de duas (ou mais) pessoas e tem os sentimentos no meio, então não acho que quando um não quer, dois não brigam. Eu acho que basta um começar a provocar que a briga vem rapidinho, entre os adultos e as crianças.

Eu só não sei como suportar essa mediação constante de brigas. Eu fugi de toda e qualquer briga na minha vida adulta e não consigo ter sucesso no projeto “acabar com brigas dentro da minha casa”. 

De vez em quando estou paciente e repasso com eles os diálogos que levaram a uma briga, tentando mostrar como ser mais gentil, compreensivo e como não entrar na briga (ou sair dela). De vez em quando não estou paciente e dou uns berros do tipo PAREM DE FALAR UM COM O OUTRO PELOAMOR QUE NÃO AGUENTO MAIS VOCÊS BRIGANDO. Aí tem vezes que apelo mesmo e nem deixo a briga começar: coloco cada um no seu quarto pra brincar sozinho e nem deixo cruzar com o outro para nem dar chance (porque juro que nenhuma brincadeira amigável dura mais de três minutos).

E as brigas são tão bestas que até perco a razão de viver. Ontem eles brigaram para ver quem ia ficar com a caixa de papelão da próxima encomenda que eu receber. Eu não tinha recebido nada ontem, então não sei como eles conseguiram entrar nessa briga. Não sei nem como arranjar paciência para mediar e resolver uma briga hipotética tipo essa. Isaac, Ruth, eu vou jogar vocês dois no lixo reciclável junto com a caixa se isso efetivamente virar briga no dia em que chegar algo pelos correios. Juro.

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“Eu primeiro!” ou “agora é minha vez!”

Brigar, sempre brigaram, desde bebês. Mas de um tempo pra cá eles começaram a disputar as coisas. Tudo o que você pode imaginar.

Lembro de como começou a disputa por apertar o botão do elevador. Até certa idade, eu não deixava apertar. Depois ensinei qual era o botão do térreo e o botão do nosso andar e eles começaram a disputar quem iria apertar o botão.

Quando percebi, disputavam quem iria tomar banho primeiro (ou por último, depende do que está acontecendo), quem iria se sentar ao meu lado na mesa do restaurante, quem iria escolher o filme que vão assistir (não, não, entrar num consenso é pior), quem iria desligar a TV, quem iria brincar com um brinquedo (não, brincar junto também não dá).

Problema que todas as coisas que geram disputas acontecem em periodicidades totalmente diferentes. Eles usam o elevador pelo menos duas vezes por dia. Assistem um filme uma vez por semana, mas em geral assistem por partes, então a TV é desligada umas três ou quatro vezes por filme. O banho é diário, o restaurante é esporádico.

Agora quem é que lembra quem foi o último que sentou ao meu lado ou o último que escolheu um filme? Por que quando eles chegam da escola eu tenho que ficar repassando o que aconteceu de manhã para lembrar quem apertou o botão? E se eu estiver sozinha com um deles e esse um apertar o botão, conta ou não conta? Se for a vez do outro, eu que aperto? Como eu faço pra lembrar que de lado cada um estava na última vez que fomos ao teatro, gente? E ai de mim se tentar praticar alguma injustiça. Se eu errar, recebo um bico do tamanho do mundo de volta.

Acabamos de voltar de uma viagem de seis dias e quase comprei um caderninho pra anotar quem tinha se sentado ao meu lado nos restaurantes, quem entrou no banho antes, quem mexeu no meu celular no metrô, quem apertou o botão do elevador. Fora a negociação de oito horas para definir quem iria se sentar ao meu lado no avião na ida.

Cara, que cansativo. Se alguém souber de algum aplicativo onde eu possa registrar as maluquices e simplesmente perguntar “quem toma banho primeiro hoje?”, me avisa, que tô pagando bem pelo serviço.

Se você é mãe de mais de uma criança, proponho um abraço coletivo. Se tem uma e tá pensando na segunda, mano: se prepara!

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