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Exemplos de vida simples

Conversa com o porteiro:

– Ruri, não estou achando sua convocação aqui para a próxima reunião de condomínio. Estou entregando para todos os moradores e não acho a sua.

– Ah, eu sou inquilina, não sou convocada. Deve ter ido direto para o proprietário.

Parênteses 1: odeio reunião de condomínio. Só ia em reuniões de condomínio quando eu era proprietária de um apartamento porque fazia questão de votar contra despesas extraordinárias desnecessárias, tipo reformar academia do prédio, aquecer a piscina, construir uma pista de kart e tal – aquelas coisas que não usava, que era obrigada a pagar e que não ajudaram a valorizar nadinha o imóvel na hora de vender. Sempre saía com menos fé na humanidade quando ouvia discussões ridículas de vizinhos brigando por carros na garagem ou cachorros nos elevadores.

– Puxa, mas essa reunião é muito importante. Vão decidir as vagas da garagem. Se quiser, eu posso conversar com o síndico para você participar.

– Ah, obrigada, se precisar, te falo!

Parênteses 2: não tenho carro. Minha bike cabe em qualquer vaga de garagem e não tenho dificuldade para manobrar. Tanto faz esse sorteio de vagas de garagem, gente.

Isaac e Ruth, mamãe quer muito que vocês saibam que esses sonhos de “casa própria” e “ter um carro” só complicam a vida da gente. Sejam simples.

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Presente de dia das mães

– O que você quer ganhar de dia das mães?

Ah, não vou mentir: apesar dessa vida simples e desapegada que tô perseguindo, eu ainda quero um monte de coisas. Não eletrodomésticos, please. Quero roupas novas, lingerie, um tênis, acessórios. Te faço uma lista com umas dez coisas bacanas que vão me arrancar um sorriso.

Mas um presente bacana mesmo seria não ter mais que me desculpar por ser mãe. Porque tenho percebido que, ao longo desses anos, eu me desculpo muito por ser mãe.

“Desculpa, mas ele(a) está doente na escola e vou ter que ir buscar”. “Desculpa, mas o médico só tinha consulta nesse horário e preciso levar”. “Desculpa, mas ele(a) fez uma birra hoje cedo pra acordar e atrasei”. “Desculpa, mas a reunião de pais/ apresentação de dia das mães é nesse dia e horário e vou ter que ir”. “Desculpa, mas hoje ele(a) teve uma excursão, perdeu o horário da perua e ficou lá na escola, preciso ir buscar”. “Desculpa, mas a babá faltou/ pediu demissão e não tenho com quem deixar”. “Desculpa, mas estou indo pra casa ficar com meus filhos”.

Perceber que eu estava me desculpando simplesmente porque sou mãe foi frustrante. Porque não é que eu quero ficar fazendo essas coisas todas só para meu próprio prazer. É um direito das crianças ter alguém que cuide delas e que faça as coisas que precisam ser feitas para elas. É um direito das crianças que elas tenham pelo menos um adulto que as tenha como prioridade e que não as deixe na mão. E, por trás dessas minhas desculpas todas, existem duas crianças que precisam de médico, de cuidados, de tempo e de mãe.

Hoje passei por essa imagem do MILC e vi que é isso que eu quero. Não quero flores nem presentes, quero poder dar prioridade para meus filhos sem pedir desculpas. E como isto não vem em uma caixa de presente e só depende de mim, nesse dia das mães eu mesma vou me dar o meu presente.

Isaac e Ruth, a mamãe nunca mais vai pedir desculpas por ser mãe.

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