Essa tal de genética

Fui almoçar esses dias com um colega de trabalho que está planejando adotar. Fomos conversar sobre as dúvidas e preocupações que ele tem – sei bem que aparecem uma porção delas nessa fase. E uma das coisas sobre a qual falamos foi influência genética.

Genética pode influenciar duas coisas: o desenvolvimento físico e o comportamento. Chamei de “desenvolvimento físico” aquelas coisas que aprendemos na escola: o bebê recebe metade da carga genética do papai e a outra metade da mamãe e desenvolve características físicas semelhantes aos dois. Ter filhos parecidos fisicamente comigo e com meu marido nunca foi uma prioridade, senão não teríamos escolhido a adoção. Tenho super orgulho dos cachinhos lindos dos meus bebês e da pele mulata do meu filho e nunca fiquei pensando no que as pessoas pensam quando olham para nossa família. Simplesmente não importa. Eu não os amaria mais se eles tivessem olhinhos puxados.

Predisposição para algumas doenças é outro assunto que nunca nos preocupou. Deve haver casos de doenças graves na família biológica deles, assim como houve em nossas duas famílias também. Eu prefiro pensar que, se quisesse garantir nenhuma chance de doenças nos meus filhos, era melhor não ser mamãe. Uma vez alguém me perguntou, antes de adotar, o que eu ia fazer se meu filho precisasse de um transplante de medula óssea e não tivesse doadores compatíveis na família. Ai, gente, cada hipótese macabra, né? Estar perto da família biológica não garante doadores compatíveis também. Por que alguém fica pensando nessas coisas?

E, por fim, a gente sabe que genética influencia comportamento também. Eu até cheguei a ir no Google e digitar “influência genética no comportamento”. Encontrei milhões de estudos que pareciam ser bem confiáveis para colocar um pouco de teoria nesse post, mas desisti de estudar esse assunto. Sabe por quê? Porque também não importa. Comportamento é moldado por um milhão de fatores, e genética pode ser um deles. Mas tem também a história de vida, a relação com a família, a relação com os amigos, a personalidade, os acontecimentos da vida e por aí vai. Eu nunca conseguiria isolar o que é genético no comportamento dos meus filhos e também não sei o que faria com essa informação.

Sim, já ouvi perguntas esdrúxulas sobre esse assunto, como “e se o genitor for um criminoso e passar essa carga genética para seus filhos?”. Sempre fico um pouco brava com essas perguntas, porque parece que as pessoas acham que filho adotivo vai necessariamente dar problema e que filho biológico vem com certificado de garantia. Aí, gente, desculpa se for muito chocante, mas fiquei com vontade de contar a história mais bizarra que já vi acontecer perto da minha família.

Meus pais estudaram engenharia juntos e tinham um grande amigo super inteligente, que se casou com uma moça que estudava medicina, e tiveram dois filhos fofos. Era uma família linda. Temos fotos juntos cantando parabéns nas minhas festinhas de aniversário e brincando na piscina do sítio em domingos de sol. Um belo dia, a filha mais velha, já na faculdade, chamou o namorado e o irmão do namorado para assassinarem os pais a pauladas enquanto os dois dormiam tranquilamente em casa. Garanto que todo mundo conhece essa história. História de uma filha biológica.

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4 pensamentos sobre “Essa tal de genética

  1. Greice disse:

    Olá!! Eu gosto muito do seu blog, acompanho todos os posts. Também concordo muito com essa questão genética. Em uma mesma família, com irmãos gêmeos somos capazes de ver pessoas completamente diferentes, então dessa forma, onde está a genética?? Parabéns pelo blog!!!

  2. lucianecruz disse:

    Republicou isso em Gravidez Invisívele comentado:
    Vale a pena a leitura 🙂

  3. Sarah disse:

    Em minha casa somes três irmãos consanguíneos e 3 adotivos. Todos já adultos e independentes. Lá em casa um dos consanguíneos deu muito trabalho com drogas na adolescência e uma dos adotivos ainda tem alguns problemas emocionais. Mas nada disso tem a ver com genética, a meu ver. Tem a ver com o modo como cada um processa os acontecimentos da vida, como entendemos o mundo a nossa volta. E nem por isso qualquer um dos dois é menos irmão ou menos amado. Somos o que somos e somos melhores juntos nos amando e nos ajudando! Adorei o blog! E seu puder, certamente adotarei um filhote!

  4. Daniella disse:

    Sou adotada e muito feliz. ..meus pais tem dois filhos biológicos, e eu com certeza sou a mais querida… Somos todos adultos já é devo aos meus pais a educação maravilhosa q me deram. .. Boa índole, caráter, honestidade acima de tudo. ..qdo pequena, ouvia minhas tias comentarem com minha mãe sobre isso de medo, procedência. .. minha mãe nem ligava, pq sabia que eu seria uma boa pessoa. ..

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