O casamento do meu melhor amigo

O meu melhor amigo vai se casar em um lindo sábado na véspera de dia das mães.

Casamentos não são eventos para crianças. Ou não são eventos especificamente para meus filhos. Ou eu não sei ser a mãe que leva os filhos em casamento sem enlouquecer. Em três bullets, vamos lá:

  • Cerimônia de casamento requer que você fique parado e em silêncio. Você não precisa necessariamente prestar atenção, mas precisa ficar em silêncio necessariamente. Meus filhos não têm essa capacidade. Eu até consigo entendê-los, porque sei que os padres só ficam pedindo para que as pessoas levantem e sentem a cada dois minutos para que ninguém durma, sejamos sinceros.
  • Drinks coloridos e caipirinhas de frutas deixados sobre as mesas da festa são um erro. Eu já os levei em uma festa de casamento e fiquei louca tentando convencê-los que eles não podiam tomar os sucos de frutas nem as bebidas com guarda-chuvinhas lindos.
  • Nesta mesma festa, meu filho foi até a noiva e pediu colo para ela no meio da cerimônia. E ela estava com um tomara-que-caia. Eu não quis ser a louca correndo atrás da criança no vídeo do casamento e resolvi ficar no meu lugar bem quietinha fingindo que o filho não era meu. Deixei ela se virar.

Em resumo, eu os levei em uma festa de casamento e passei a noite toda na função: levei ao banheiro, peguei água, pedi frutas cortadas para o tio da caipirinha, fiz os pratos do jantar dos dois, cortei tudo para eles poderem comer, não jantei porque eles terminaram antes de conseguir fazer o meu prato, fiquei de olho para que não tomassem nenhuma bebida alcoólica, fiquei de olho para que não saíssem pela porta e fugissem pelo estacionamento, fiquei de olho para que não comessem nada do chão e atendi um milhão de outros pedidos aleatórios que eles me fizeram. Fiz cabelo, maquiagem e comprei um vestido novo achando que eu ia ficar sensualizando na pista conversando com os amigos que não via há muito tempo, mas isso não deu tempo. Então eu não pretendo levá-los de novo em casamento por uns bons anos.

A opção que eu teria para não levá-los comigo seria dormir na casa do meu pai. Mas é véspera de dia das mães e eu quero que eles durmam em casa. Quero que eles acordem em casa, que me levem o café da manhã na cama e me entreguem todos os cinco presentes que compraram para mim, sabe? Não vou abrir mão disso.

Aí eu vou dizer uma coisa muito séria: se você tem alguma pessoa querida e disponível que tope ficar dentro da sua casa cuidando de suas crianças (inclui banho, jantar e colocar para dormir), cuide bem dela. Uma amiga tem um pai assim – ele sempre vai até a casa dela quando ela tem algum compromisso à noite. Um amigo tem uma irmã dessas, que coloca a filhinha dele para dormir e espera ele chegar. Tenho vários exemplos que dão inveja. Eu não tive essa sorte. Cuidaria com todo amor e carinho dessa pessoa se ela existisse em minha vida.

Eu tenho uma folguista, é verdade. Mas sair de casa arrumada para uma festa no final da tarde de um sábado e deixá-los sozinhos com uma pessoa com quem eles não têm tanta intimidade está fora de cogitação. Aí eu tenho sensação de abandono e não consigo. Não vai rolar.

Esperei a vida toda para bancar a Julia Roberts no casamento dele, mas não vou conseguir. Que droga. Ser mãe muda mesmo nossas prioridades.

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Um pensamento sobre “O casamento do meu melhor amigo

  1. […] e ir (com quem vão ficar? que horas dá para ir? preciso fazer mala para deixar na vó?), ir a uma festa de casamento parecia […]

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