Manuel

– Ruri, chama o Manu também!

Quando algum outro amigo sugere incluí-lo em qualquer programa, eu sei que está querendo essa companhia fora do comum que ele é. Ele é sorridente, bem humorado, bom de papo. Não tem como não gostar dele. Acho que nunca nesta vida alguém não gostou dele ou falou mal dele. Não tem como não gostar de alguém que está sempre com um sorriso de orelha a orelha, que puxa papo com as velhinhas na fila do cinema, que transita bem em qualquer tipo de conversa, de política a receitas de torta.

E ele ainda é um partidão pra sair por aí, porque tudo o que ele gosta também é legal. Ele tem o dom como poucos de descobrir exposições, eventos e restaurantes pela cidade, então sair com ele é sempre diversão na certa. Eu já cheguei a comprar ingresso sem nem ler sobre o que eu ia assistir porque já sabia que ia ser bom. E, também, se não fosse bom, eu ia curtir meu barbudo preferido e já ia valer o programa.

Mas o que eu quero contar é que não é o bom humor, os papos ou os passeios que fazem dele o melhor amigo que já tive nessa vida. É muito bom ter alguém com estas características por perto, mas sorte mesmo eu tenho por causa de tudo o que ele faz por mim.

Ele está por perto o tempo todo, todo dia, e nunca fica sem tempo pra mim. E sente também quando estou quieta mas está tudo bem, ou quando estou quieta mas preciso receber um telefonema. Ele já cuidou dos meus dois filhos quando eles tinham dois anos durante um dia inteirinho, para que eu pudesse curtir o dia de noiva de uma amiga nossa de quem fui madrinha. Ele foi a pessoa que mais agitou a pista de dança na minha festa de casamento. Ele já traduziu abstract de artigo científico pro espanhol num prazo de trinta minutos, já montou meu criado-mudo, já me ajudou com muito trabalho. Ele saiu comigo toda sexta, sábado e domingo durante semanas quando me separei, porque sabia que estava difícil me acostumar a estar sozinha (e haja cinema, teatro, drinks e jantares, hein?). Ele usou os dois dias de férias que ele tinha tirado para as olimpíadas para ficar comigo no hospital, para deixar minha mãe dormir na casa dela, e transformou uma recuperação de cirurgia na melhor balada. Ele simplesmente está em tudo, mesmo quando me diz que acha uma bobagem eu ficar correndo tantos km por aí, fazendo spinning e machucando os joelhos de tanto cair da bicicleta. 

Eu já casei duas vezes e considero casar outras vezes mais, mas sei que o “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” é com ele. Não vai existir marido no mundo que faça isso melhor que ele. Não consigo pensar em nada que tenha me acontecido nos últimos 15 anos de muito bom ou de muito ruim e que ele não estava lá. Ele me conhece melhor do que ninguém e sabe da minha vida melhor que eu mesma. E se importa com todos os meus dramas, dos mais sérios (tem muitos) aos mais banais (tem bem mais).

Por isso eu preciso dele e não tem ninguém nessa vida que eu queira nesse tanto. Preciso que ele fique sempre bem, feliz, saudável, realizado, por muitos anos. Muitos anos, I mean, preciso que ele viva bem mais que eu. Não consigo nem imaginar como seria sobreviver a esta vida sem ele. Então, chuchu, quando você me perguntou no final da minha festa de aniversário “nossa quem será que vai morrer antes?”, só tenho uma coisa a te dizer: POR FAVOR ME DEIXA IR ANTES.

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