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Trabalhar fora

Ser mamãe que trabalha fora é uma não-questão na minha vida. Não é só porque preciso de dinheiro para pagar as contas. Também não sou lá aquela super profissional agressiva que almeja um cargo de CEO em uma grande organização. Eu só não tenho vocação para ser mamãe em tempo integral. Sou feliz assim, com um emprego, saindo cedo para trabalhar todos os dias.

Só que, para sair de casa todo dia e ir trabalhar, tenho uma super infra-estrutura: a escola está paga 12 horas por dia (não uso, mas vai que), tenho uma pessoa em casa outras 8 horas por dia (também não precisaria sem os filhos) e uso a perua escolar. Tem o custo, tem a energia gasta na organização e manutenção de toda essa logística. E mais importante, é muito tempo longe dos meus pequenos para fazer tudo isso valer a pena.

Então eu criei um objetivo na minha vida: se é para sair da minha casa todo dia e morrer de saudades dos meus bebês, eu preciso me divertir. O conceito de diversão no trabalho envolve uma série de fatores: uma empresa em que eu acredite, cercada de gente interessante, inteligente e que eu admire, com um super espírito de colaboração, trabalho em equipe, ética e transparência. Não quero sair de casa só para ter um salário e passar os dias esperando o horário de poder voltar para casa.

Hoje saí de casa para o terceiro emprego pós-maternidade. Tô muito muito muito feliz. Me desejem boa sorte de coração?

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Larga de frescura, mãe!

Minha filha voltou hoje da escola numa mega manha e queria andar no meu colo pela casa. Só que é assim: 1) tenho dois filhos e dar colo pra um significa colo pro outro também, 2) ela pesa uns 15 kg e 3) eu corri 11k de manhã e não tô aguentando minhas pernas (assumo com toda humildade o meu despreparo para tantos quilômetros).

– Ah, filha, hoje não vai dar para pegar no colo. A mamãe tá com muita dor nas pernas.

Aí ela parou do meu lado e começou a fazer carinho na coxa esquerda. Umas 15 vezes. Quando tentei andar, ela falou “espera” e fez outros 15 carinhos da coxa direita. E pronto, né?

– Já fiz carinho. Já passou o dodói. Agora me pega no colo.

Valeu pra repensar essa mania de dizer um “vem cá que eu dou um beijinho e já passa” para todos os machucados deles.

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9h15

São 9h15 de domingo e todos os bebês ainda dormem nessa casa. já fui checar, eles respiram ainda.

Obrigada, Santo Expedito, pela graça alcançada!

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Respondona

Fico sabendo que minha filha jogou o óculos dela pela janela da perua duas vezes no dia de ontem. Aí tento ter uma conversa com ela. Algo assim:

– Você sabe que não pode jogar o óculos pela janela, não sabe? Ele pode quebrar.

– Tudo bem, você compra outro.

Quando eles começaram a falar, criei a categoria “fofuras” no blog, porque tudo era muito fofo. Filha, em sua homenagem, hoje criei a categoria “respondões”. Obrigada. Te amo.

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Credo

– Mamãe, não pode brincar de matar, né?

Ah, nada como a beleza de colocar os filhos na escola e deixá-los aprender algumas brincadeiras com os coleguinhas.

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Sexismo me deu nó

Seguindo o assunto do post anterior… Um belo dia estamos num restaurante quando meu filho manda, bem alto:

– Mamãe! Olha! O garçom tem um brinco! Não pode! É de menina!

Respirei. Contei até 5. Comecei:

– Brincos não são só para meninas, Isaac. Meninos também podem usar brincos se quiserem.

– Ah, é? Então eu posso usar brinco?

– Pode.

– Então quero um brinco.

– Está bem, meu amor. Vamos esperar você ficar grande, você pensa de novo e colocamos o brinco. (foi aqui que errei? não era essa a resposta?)

– Mas a Ruth tem brinco. (droga, droga, droga, onde me enfiei nessa conversa?)

E a mocinha, que estava quieta, resolve me ajudar:

– É porque eu já sou grande.

Parênteses: ser “grande” significa poder fazer várias coisas que eles não podem fazer ainda, como tomar vinho, tomar café, colocar pimenta na comida etc.

– Não, querida, você ainda não é grande. (eu tava tentando ser paciente e rezando para que o Mágico de Oz aparecesse por lá para me ajudar a mudar de assunto)

– Mas então por que eu tenho brinco? (alguém me salva?)

Perdi. Mudei de assunto. Mandei um “olha um passarinho laranja voando no céu” e dei de louca. Como conserta?

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Sem sexismos, por favor

Estou tentando criar meus filhos sem sexismos desnecessários. Temos um longo caminho pela frente. Atualmente estou brigando contra o “isso é de menina” ou “aquilo é de menino”.

Com um menino e uma menina em casa, nós temos todo tipo de brinquedo. No início, logo que eles chegaram, eu decidi que brinquedo não tinha dono porque queria que eles aprendessem compartilhar as coisas. Como as roupas e objetos de higiene e de alimentação são pessoais, achei que os brinquedos poderiam ser coletivos.

E o tempo foi passando e recentemente eles apareceram com a “boneca de menina” e o “carrinho de menino”. Obviamente eles nunca disseram “boneca da Ruth” ou “carrinho do Isaac”, porque sabem que todos os brinquedos são dos dois. Mas meu filho de vez em quando me pergunta se pode brincar com a boneca de menina. E eu respondo pacientemente: “não existe brinquedo de menino ou de menina. Todos os brinquedos são de meninos e de meninas e vocês podem brincar com o que quiserem”.

Eu também nunca fiquei tentando influenciar o tipo de brincadeira ou qual brinquedo eles vão usar: eles realmente brincam com o que querem em casa. E também escolhem o brinquedo que levam para a escola toda sexta-feira, que é o dia-de-levar-brinquedo. Para escolher o brinquedo da escola, existe uma única regra: não podem levar brinquedos com muitas peças para não perder. Só. E minha filha em geral escolhe uma boneca e meu filho em geral leva uma panelinha, uma Barbie ou um super-herói.

Não sei se ele sofre algum tipo de bullying na escola. Ele ainda não conseguiu me contar ou ainda é muito pequeno para entender. Se acontecer, vamos conversar bastante. Óbvio que eu espero que os outros papais me ajudem nisso. Mas eu, pelo menos, já ficarei feliz se souber que meus filhos nunca tiram sarro de um menino com uma boneca ou de uma menina com um carrinho. Já vou ficar bastante feliz se um dia as tias me contarem que eles ensinam para os coleguinhas que não existe sexo nos brinquedos e que, portanto, eles podem emprestar para quem quiser.

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Aquela da sua cabeça

– Mamãe, coloca aquela música que você gosta, aquela da sua cabeça?

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Explica?

É madrugada. Estou no quarto com uma amiga e um amigo e decidimos chamar uns gogo-boys. Os moços começam a chegar e a se arrumar para o show.

Ouço uma batida na porta do quarto, abro e vejo minha mãe carregando uma bandeja de café da manhã para mim, ao lado dos meus dois filhos. Fico brava com ela, mando-a ir embora e coloco os bebês de volta para dormir.

Tentamos começar o show. Ouço uma música alta na sala e vou até lá. Minha irmã tinha contratado uma banda. No sofá, vejo meu pai, minha madrasta e minha vó assistindo o show (o que estava rolando na sala, não no quarto). Começo a implorar desesperada para que todo mundo vá embora, porque aquela bagunça vai acordar os bebês.

Acordei.

Freud explica?

 

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Mamãe 1 x 0 futebol

Assim, do nada:

– Mamãe, compra uma camiseta do corinthians pra mim?

Vai, mamãe, tem que pensar rápido.

– O que é corinthians, filho?

Cara de interrogação, umas gaguejadas e:

– Mamãe, posso brincar com o livro de adesivos?

1 x 0 pra mim, futebol.

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