Arquivo da categoria: Fofuras

Toma essa bronca

Isaac contando uma história:

– Tio, hoje eu estava no ônibus com a mamãe e conhecemos um moço que não enxerga. Aí ele segurou no braço da mamãe e ajudamos ele a chegar no metrô. A gente ajudou o moço porque ele teve um dodói no olho e não consegue mais enxergar.

– Que legal, Isaac! – naquela empolgação.

– Claro que não é legal. Como legal? Não pode achar legal que o moço ficou dodói e não enxerga mais. Que feio!

Hahahaha. Isaac, maior amor dessa vida.

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De onde saem os bebês (continuação)

Numa conversa com a professora do meu filho:

– Isaac me contou que você explicou para ele como os bebês nascem.

Calma. Pera lá. Em minha defesa, eu não expliquei, eu apenas segui o que me ensinaram lá atrás: “responda apenas o que a criança perguntar” e “nunca minta”. Deu nesse diálogo aqui.

Acontece que, linguarudo que só ele, Isaac explicou como os bebês nascem para todo mundo. Acontece também que tem uma outra professora na escola que está grávida, e que ouve dele todos os dias:

– Calma, tia, que já já esse bebê sai daí pela sua periquita.

Orgulho desse pequeno defensor do parto humanizado. 

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Primeiras letras

– Letra C, letra U, I de Isaac, letra D, letra A, letra D, letra OVO. Letra D, E de elefante, letra do pai do Samuel, R de Ruth, letra A, U do nome da Ruth.

A gente estava sacolejando no busão e ele olhando fixamente para cima. E, assim, do nada, leu a frase que estava escrita no teto do ônibus: “CUIDADO DEGRAU”.

Meus comentários sobre o acontecimento:

1) Achei fofo demais.

2) Às vezes sinto que é cedo começar a aprender letras e números com quatro anos, mas ainda não sei qual é minha opinião sobre alfabetização precoce.

3) Como eu ouço em toda reunião da escola há dois anos que meu filho é agitado demais, desconcentrado demais e que provavelmente não vai conseguir acompanhar o processo de alfabetização com os amigos, eu só queria dizer “iééééééééééééé”.

Você é incrível, Isaac.

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Como é grande o meu amor por vocês

Sábado à noite. Tínhamos passado o dia todo fora de casa e eles caíram duros na cama às 19h30. Às 20h30 eu estava sozinha no sofá, de pijama, com cobertorzinho e vinho, assistindo House no Netflix, um pouco deprê com o silêncio da casa. Senti fome. Avaliei as opções: 1) cozinhar só pra mim = não, 2) pedir pizza = ter que me vestir para ir até o térreo = não ou 3) comer as sobras do almoço.

Me arrastei até a cozinha me sentindo a pessoa mais coitada desse mundo e dei de cara com esse desenho em cima da mesa.

desenho da ruth

Não tinha visto ela fazendo um pouco antes de dormir. Abri o maior sorriso da semana toda. Me senti a pessoa mais feliz do mundo porque minha casa tem essas fofuras que aparecem assim do nada.

Me senti especial por ser tão importante para esses dois monstrinhos. Me senti feliz por eles estarem em casa, nanando, tranquilos. Senti que eu não estava lá abandonada em casa num sábado à noite, mas que estava cuidando deles, esperando alguém chamar para ir ao banheiro ou para cobrir de novo ou para simplesmente mais um beijinho para dormir. Senti que estava em casa no sábado à noite sendo mãe.

Fui até os quartos, embrulhei cada um em seu cobertor, mordi as bochechas e comi o arroz com ovo frito mais gostoso de todos os tempos.

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Amor

– Eu te amo, Ruth. 

– Obrigada, mamãe. 

“Obrigada”, mano?

De onde SAEM os bebês?

Isaac olha para uma moça grávida no metrô e começa a perguntar. 

– Tem um bebê na barriga dela?

– Tem. 

– Ele vai sair?

– Vai. 

– Vai explodir a barriga pra sair?

– Não, não vai. 

– Então como sai?

– Tem um buraco para sair. 

– Onde?

Me pegou desprevenida. Eu devia ter uma resposta adequada na ponta da língua, mas mandei:

– Na periquita. 

–  O BEBÊ VAI SAIR PELA PERIQUITA? COMO, MAMÃE??? – Ele gritou, espantado, bem alto. 

Alguém me indica um livro de respostas para perguntas complexas que crianças de 4 anos fazem, peloamordedeus?

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Brilha brilha estrelinha

Ela me chamou no meio da madrugada e lá fui eu com aquele mau humor padrão. Abri a porta do quarto e tudo brilhava muito.

Explico: ela estava usando um pijama que brilha no escuro e colocamos estrelas no teto que também brilham. Mas só brilham depois de ficarem um tempo expostos à luz, então eu saquei:

– Ruth, você estava com a luz acesa? Por que acendeu a luz?

– Mamãe, você não gosta que eu te chame para fazer coisas fáceis, então acendi a luz e arrumei o travesseiro, o Olaf e o cobertor sozinha. Mas agora quero fazer xixi e preciso de ajuda. Me leva no banheiro?

Ruth, você é genial. Queria ser madura assim como você é. Um dia vou te esmagar de verdade se você não parar de ser fofa.

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Levanta

– Mamãe, não senta aí, não, é pros velhinhos.

Ruth me fazendo levantar de uma cadeira não-preferencial no metrô e me fazendo viajar em pé. ❤

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Adotado?

Eu tava lá numa consulta com uma nova médica para meu filho, contando todas as queixas e todo o histórico médico dele, tudo fora de ordem cronológica. Lá pelas tantas, eu cheguei no começo: “ele foi adotado com 1 ano e 3 meses e, antes disso…”. Aí ela me olhou, olhou de novo pra ele, olhou de volta pra mim:

– Oi? Você o adotou?

– Sim.

– Maijura? Tava aqui jurando que esse menino era mestiço também. Ele é a sua cara!

Ele é mestiço como eu, mas são outras misturas. Mas somos assim, um a cara do outro. Eu acredito mesmo que o amor deixa as pessoas parecidas. Sempre vejo um pouco de mim quando vejo as fotos deles. ❤

A pessoa mais madura do relacionamento

– Mamãe, quero fazer xixi.

– Tá. Vai lá no banheiro, faz xixi e me espera sentadinha no vaso que eu vou só terminar de trocar seu irmão e já vou te limpar. Não levanta.

Aí eu ouço uma descarga. Entrei rasgando no banheiro e falei em tom de voz maior do que eu gostaria:

– Pô, Ruth, eu não pedi pra ficar sentada me esperando?

Ela chorou, esperneou, foi pro quarto batendo o pé e eu fiquei brava também. Aí ela acalmou e me chamou.

Gente, presta atenção, muita atenção, no que eu ouvi.

– Eu quase dormi triste com você, mas não quero dormir triste. Você falou para eu não levantar e eu não levantei. Eu dei descarga sentada. Porque sempre tem que dar descarga depois do xixi. Então você tem que pedir desculpa por ter gritado. E eu tenho que pedir desculpa por ter dado descarga e ter feito você achar que eu tinha levantado pra dar descarga. Aí a gente dorme feliz.

Quase morri de vergonha. Eu nunca tive nenhum namorado, mãe, pai, irmã, chefe ou vizinho que tenha sido tão maduro assim comigo em uma briga. Nem eu sou tão madura assim, tá? No lugar dela, eu teria xingado, falado palavrões e respondido bem alto “MAS EU NÃO LEVANTEEEEEEEIIIIIII”, e ficado uns meses dormindo virada pro outro lado.

Eu pedi desculpas, ela pediu desculpas, nos abraçamos, nos beijamos e dormimos de conchinha.

Thanks, filha, por me orientar nos meus relacionamentos daqui pra frente.

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