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Os amores do meu filho

O primeiro amor

A gente chegou para as férias no hotel fazenda e foi direto jantar. Ele estava no cadeirão, com seus três anos e seu prato de macarrão, quando a menininha entrou. Era um pouco mais velha que ele (quatro anos?), com cabelo castanho claro, liso e comprido. Isaac espichou o pescoço, ficou seguindo a menina com os olhos, virou o corpo para o outro lado, quase teve um torcicolo. Parecia ter visto a Frozen. Aí virou para mim:

– Mamãe, eu gosto dela!

Aí eu tive que ensinar que não pode ficar secando mulher dessa maneira. Pô, Isaac. Sem fiu fiu. Ensinei que ele tinha que ir com calma e esperar um momento adequado para falar com ela. Não, não pode levantar da mesa no meio do jantar, até porque a menininha também ia jantar com os pais. Isso, termina seu jantar e depois a gente vê. Na verdade, depois não vimos mais onde ela estava e fomos para o quarto tomar banho e dormir.

Por algum motivo só vimos a menininha de novo dali a algumas refeições. Dessa vez, ele já tinha terminado de comer e tinha música ao vivo no restaurante, e algumas crianças estavam dançando. Deixei ele ir até lá. Ajudei a descer do cadeirão (gente, ele ainda usava cadeirão) e ele deu dois passos. Parou, voltou:

– Mas o que eu falo para ela, mamãe?

Ah, que saudade vou sentir desse tempo em que posso dar conselhos amorosos para filho.

– O que quiser. Pergunta o nome dela.

– Tá. – deu dois passos. Parou. Voltou.

– Tenho vergonha.

Coisa fofa. Esmaguei. Ele tentou mais uma vez. Perguntou o nome, ela respondeu e ele voltou correndo para mim:

– Mamãe, ela se chama x!!

Esqueci o nome do primeiro amor do meu filho. Ele também não conseguiu falar mais nada com ela, de vergonha. Preferiu ficar no meu colo, olhando de longe, e eu não reclamei, não. 🙂

O segundo amor

Agora é a Bia. Da escolinha, da sala da Ruth. Uma das melhores amigas da Ruth. Não sei se ele está tentando irritar a Ruth. Talvez não. Vai saber.

– Isaac, você é o amor da minha vida. – estávamos indo a pé para a fono.

– Você também, mamãe. Você e a Bia.

(Minha cara de “quem é Bia?”)

– Eu vou casar com a Bia. Mas só vou casar quando eu for adulto, porque senão você vai brigar.

(Vou brigar de qualquer jeito)

– E vou ficar sozinho em uma casa, eu e a Bia.

(Pelo menos você sabe que não vai morar comigo nem com a mãe da Bia depois de casar, Isaac)

Agora tem desenhos para a Bia todo dia. Bilhetinho pra Bia. Toda vez que falo que o amo, ele responde que ama nós duas, eu e a Bia.

Pô, Bia. Não estava preparada psicologicamente para dividir meu menino. Tá muito cedo. ❤

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Princeso

Fomos correr uma prova e deixamos as crianças com a madrinha. Como era um revezamento, até pensamos em levá-los, mas foi mais divertido ir numa festa em um buffet com a tia e a amiguinha. 

Quando terminei a corrida, mandei mensagem pra saber se estava tudo bem. E recebi de volta uma foto dos dois jantando, vestidos de princesa. 

Aí fiquei feliz demais porque estou acertando. Isaac não tem vergonha ou restrição alguma em vestir uma fantasia de princesa em uma festinha, porque entende que isso é totalmente natural. E estava sendo cuidado por uma pessoa que é muito amor, que não mandou tirar, nem deu bronca. Simplesmente deixou ele brincar como quisesse. 

Pra fechar: fizemos uma meia maratona em menos de duas horas. 

Só amor nessa família no sábado à noite. 

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Como rir pelo leite derramado

Eu estava fazendo alguma coisa na pia da cozinha e Isaac estava jantando atrás de mim. Daí ele grita:

– AI, JESUS, CAIU TUDO!

Eu virei rápido, pra ver o que tinha acontecido. Se tinha caído tudo no chão, na mesa, na roupa dele. Quando me virei, dei de cara com uma carinha de gato de botas.

– Que foi, mamãe? “Jesus” é palavrão? Desculpa?

Morri de rir. Nem sabia que esse negócio de criar filhos ateus tava indo tão bem!

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Cult

Último dia de viagem com vôo no final do dia e resolvemos ficar por perto. Acabando o almoço, Isaac me fala.

– Mamãe, hoje a gente não vai fazer nada? Só vai no parquinho e no restaurante almoçar?

– Como assim, Isaac? O que você queria fazer?

– Passear. Numa igreja, num teatro, num museu.

Meeeeeeuuuuu. Você passou três vezes na fila da fofura, né, menino?

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Esquadrão da moda

– Mamãe, você vai passear de pijama? – eu estava usando uma camiseta cinza com listras brancas.

– Mamãe, pode sair assim só de soutien? – eu voltei pro quarto e troquei a regata com renda que pretendia usar.

Maiquiqui eu fiz pra merecer esse menino censurando minhas roupas?

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Dor e amor de mãe

Conceitualmente, se me perguntarem o que acho de dia das mães e dia dos pais, vou responder que são datas meramente comerciais, inventadas por alguém que queria vender mais produtos. Se alguém me perguntar se faço questão: não, não faço. Significa que se meus filhos me disserem um dia que acham a data comercial demais e que preferem não comemorar, vou achar normal, sem crises.

Mas quando recebi a mensagem avisando que o papai não iria na festa de dia dos pais na escola, eu sofri. Veio um filminho na minha cabeça com a festa do dia das mães e vi de novo os olhinhos deles me procurando na plateia enquanto as tias posicionavam as crianças no palco. Vi de novo as carinhas felizes, cantando a música dos Tribalistas olhando para mim, errando todos os passos. Lembrei de todos os dias anteriores que eles cantarolaram a música, fazendo spoiler da festa para mim. Fiquei imaginando os dois ensaiando para a festa do dia pais há semanas. Doeu em mim.

Sim, pode ser muito drama da minha parte e acho que eles são muito mais maduros que eu. Mas eu passei dias inteiros preocupada, pensando o que eu tinha que fazer para que os dois não sofressem com isso. Tive ideias mirabolantes. Achei que eles não poderiam ir para escola o dia inteiro. Nem a semana toda, já que a decoração da festa estaria montada desde segunda-feira, porque cada turma comemoraria com seus pais em uma dia semana. Achei que eles mereciam uma programação master especial fora da escola para esquecerem a festinha. Eu simplesmente não consegui parar de pensar durante dias em como não deixar meus pequenos sofrerem, mas quem estava sofrendo por uma possível dor deles era só eu.

E quem me acudiu foi a melhor pessoa para entender a dor de mãe: minha mãe. Eu sei que no fundo ela também não queria que eu ficasse sofrendo, por isso ela veio socorrer. Foi até a escola dos brigadeirinhos no meio da tarde, trouxe-os para nossa casa e ficou com eles até eu chegar do trabalho. Deixou o trabalho dela e os compromissos que ela tinha, para que eu não precisasse ir pessoalmente buscá-los mais cedo. Passear com a vovó no meio da semana foi super divertido e eles adoraram.

Mãe, você é a melhor mãe do mundo. Eu não tenho aspiração de um dia ser a melhor mãe do mundo porque nunca vou conseguir ganhar de você.

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Apaixone-se

Achei esse texto uma graça. Principalmente quando ela escreve: “Encontre alguém que deixe o telefone do seu lado para emergências. Alguém que não queira te deixar sozinho nesse estado, mas que se tiver que sair, fique com a cabeça em você. Alguém que cancele os compromissos do fim de semana, se acomode ao seu lado no sofá, coloque um filme e faça carinhos na sua barriga que ainda faz “blorgh-blorgh-blorgh”.”

Se você quer ser mãe ou já é mãe, vou completar: apaixone-se por alguém que cuide de criança doente.

Vamos aos fatos: criança doente enlouquece. Não sabem o horário dos remédios nem conseguem tomá-los sozinhas. Às vezes não chegam limpas até o banheiro quando estão com diarréia. Perdem o apetite e começam a não querer coisas que sempre adoraram. Ficam em casa entediadas e começam a ter ideias de jerico. Ficam entediadas por não poder sair e perdem o sono. Ou têm sono mas não conseguem dormir por causa da tosse. Não percebem que estão com febre e a gente tem que ficar atrás delas com termômetro. Não param quietas para fazer inalação. Cospem o remédio no chão. Dureza, para não dizer nada mais grosseiro e perder a linha. E, depois de tanto esforço, criança não agradece, né? Ela olha pra sua cara e manda um: NÃO QUERO TOMAR BANHO AGORA PORQUE ESTOU MONTANDO QUEBRA-CABEÇA, SUA CHATA!!!

Então, apaixone-se por alguém que cuide de criança doente. Alguém que cancele os planos de viagem no feriado, passe na farmácia e comece a controlar os horários do antibiótico. Alguém que faça home-office se for preciso, já que cuidar de criança chata doente não é papel só da mãe. Alguém que divida a cozinha imunda, os lenços para limpar nariz catarrento, as crises de tosse no meio da madrugada. Apaixone-se por alguém que não reclame da sujeira-bagunça-chatice da situação, porque nenhuma criança tem culpa por ficar doente. Apaixone-se por alguém que esteja com um sorriso nos lábios e carinho no olhar assistindo desenho no domingo à tarde, mesmo que o plano original fosse totalmente o oposto.

É bom se apaixonar por alguém que goste de viajar, que goste de ler, que goste de esportes. Mas, se existem crianças no planejamento estratégico, vai por mim. Na hora do antibiótico, você não vai querer viajar, nem ler, nem ir ao cinema: você vai simplesmente querer que alguém limpe um bumbum de cocô enquanto você toma um banho.

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Desastre

Tem aquele momento de paz, em que as crianças dormem tranquilamente no quarto e você está confortavelmente no sofá mexendo no computador. Aí você apoia o pé em uma boneca que estava fazendo sei-lá-o-quê embaixo da almofada, e ela começa a cantar musiquinhas irritantes uma atrás da outra, e não tem botão “stop”, e você lamenta que o apartamento tenha tela nas janelas.

Mano, que ódio.

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Bebê na barriga

Todo dia ela me abraça e me diz que tem um bebê na minha barriga.

Cara, não sei o que é pior. Juro que não sei. Não sei se tenho mais medo dessa premonição de algo macabro que poderia acontecer (não, não, não, não quero ter três filhos) ou de ser chamada de barriguda na cara dura.

Duas palavras na minha vida a partir de agora: anticoncepcional e dieta.

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Coisa boa na vida de mãe solteira

Na verdade, não são só as mães solteiras que vão se identificar com relatos de situações onde “tem que ser a mamãe”.

1) Você está sentada almoçando e a criança quer fazer cocô. A vovó, que já terminou de comer, se oferece prontamente para levar e a criança manda um “não! quero a mamãe!”.

2) Você chega em casa cansada e a tia que faz tempo que não visita pergunta se pode ajudar com o banho. “Nããããooo! Mamanhêêêê!”.

3) A criança está pulando, correndo e gritando na festinha e nem tchum pra você. Aí cai, machuca e vem correndo pular no seu colo, e não deixa ninguém mais chegar perto para ver o que aconteceu.

4) Você vai deixar na casa do vô para passar o dia e a criança não te deixa ir embora, e você tem que sair se arrastando por trás do sofá enquanto ela se distrai com alguma coisa (e fica morrendo de dor no coração).

5) E, por fim, tem aquele monte de vezes que você está quentinha e sonhando com o Sawyer e ouve um “mamãe” no meio da madrugada, que te faz sair da cama e ir lá ver o que está acontecendo no quarto ao lado.

Aí, uma bela madrugada, você ouve o inesperado:

– Tiiiiiiiiiiiiio?

Acorda. Estranha. Espera uns segundos. E ouve de novo:

– Tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiio?

Gente. Que coisa linda. Criança chamando de madrugada e não é comigo. Não sou eu que tenho que ir. Não vou levantar. Cara, que alegria. Perdi o sono mesmo assim, mas não levantei, não. Só cutuquei o cidadão ao lado: “desculpa interromper o sono, mas acho que é com você”. Me cobri até a cabeça e fiquei rindo sozinha.

Juro que não fui eu que dei a ideia pra ela. Nem falei nada a respeito. Nem vou incentivar. Só vou ficar mentalizando antes de dormir: “Ruth, chama o tio hoje, chama o tio hoje”.

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