Arquivo da categoria: Fofuras

Apaga a luz

– Filha, arruma logo suas coisas pra dormir, que a mamãe vai apagar a luz.

– Precisa apagar a luz?

– Sim, não pode dormir com a luz acesa.

– Senão fica com dor de barriga, né?

Hein?

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Amor

Meu filho estava trocado no quarto dele e eu estava terminando de arrumar minha filha para ir para escola no quarto dela. Aí ele volta com quatro brinquedos na mão e entrega dois para ela, junto com um beijinho no rosto:

– Você é linda. Gosto de você. Vou dividir os brinquedos com você.

Ela sorri e dá um beijo de volta.

– Você é lindo. – e se abraçam.

Tenham filhos, gente. É muito amor transbordando por aqui. Como eu vivi 30 anos sem isso?

No escuro

Agora ela inventou essa: assim que apago a luz para dormir, vem o escândalo. “Fica aqui, dorme aqui, não vai embora, não me deixa, buááááá”.

Só que é assim. Ela está alimentada, de banho tomado, de pijama quentinho, deitada em sua caminha, enquanto eu estou com fome, com vontade de fazer xixi (tem que fazer saindo do trabalho, Ruri), morrendo de frio porque estou de shorts e descalça (dei banho e não deu tempo de me trocar), cansada, descabelada.

Eu estava em pé no quarto dela, ao lado da cama, no breu, tentando conversar, avisando que era hora de dormir e que não dava mais para ficar ali, fazendo força para não perder a paciência, e ela berrando berrando berrando. Trancar no escuro chorando, não gosto, não. Dei um passo para trás na direção da porta e ela não podia ver, continuou berrando. Alcancei o interruptor. Acendi a luz.

Cara.

Que ódio.

No momento em que a luz acendeu, fiquei cara a cara com uma menina com cara de gargalhada, imitando um choro, se contorcendo para não dar na cara que estava rindo de mim. Nem disfarçou, começou a rir de verdade.

Gata, hoje você não iria conseguir entender a história do menino que fingia se afogar no lago, então não te contei. Mas é isso aí. Não vem tentando manipular, não, que quando você nasceu eu já tinha vivido 30 anos.

Humpft.

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Hora de dormir

Eu estava há 20 minutos no quarto da minha filha, no escuro, tentando me desvencilhar dela para que ela pudesse dormir e para que eu pudesse fazer outras coisas. E ela num “só mais um beijinho, só mais um carinho, dorme aqui comigo” infinito. Até que eu implorei:

– Filha, vamos dormir, você na sua cama e eu na minha cama. Mamãe está muito cansada, preciso ir dormir lá no meu quarto.

– Tá, mas não vai dormir sem tomar banho, que você tá fedida.

Notas para mim mesma: 1) fica tranqüila, que se você estivesse realmente fedida, ela não ia te abraçar e deixar você deitar na cama dela, 2) pára de dizer que está na hora do banho porque eles estão fedidos que uma hora isso vai ser usado contra você em público.

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Dor de barriga

Entro no quarto de manhã e encontro minha filha sentada na cama.

– Mamãe, eu tava com dor de barriga e você não veio antes.

Aquela dor no coração: – Filha, a mamãe estava tomando banho e acho que não ouvi. Me perdoa. Da próxima vez, grita “mamãe” bem alto que venho, tá?

– Eu não chamei “mamãe”. Eu cantei.

– Você cantou pra me avisar que estava com dor de barriga? Cantou o quê?

– Cantei assim: “cai, cai, balão, cai, cai, balão, aqui na minha mão”.

Vontade de rir: – Você cantou “cai, cai, balão” pra me avisar que estava com dor de barriga?

– É! – cara de “que coisa mais óbvia, mãe”.

Adoro ter filhos.

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Honestidade de pai

Frase de um amigo meu durante o jantar:

– Eu amo muito minha filha. Nunca tinha amado uma pessoa desse jeito. Amo mais que qualquer coisa. Mas é tão bom quando ela dorme!

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Chocolate da discórdia

Meu filho voltou da escola esses dias e trouxe dois bombons na mochila. Pelo que entendi, um amiguinho deu de presente para comemorar o início das férias.

Apesar de ter melhorado muito, eu ainda sou mãe neurótica com alimentação saudável. Não costumo dar doces para eles de forma aleatória e, sendo bem justa, eu também não como doce e sobremesa em ocasiões não-especiais.

Quando eles eram menores, essas guloseimas que voltam na mochila iam para o lixo e eles nunca deram falta. Com mais de três anos, eles se lembram do que foi colocado na mochila e ele me perguntou dos chocolates quando chegou em casa.

– Filho, você não vai comer chocolate durante a semana. Vou deixar os dois bombons aqui em cima da mesa e te dou no sábado. Como são dois, você pode dar um para sua irmã, o que acha?

– Combinado.

Os dois bombons ficaram a semana toda na mesa, sem crise. Ele via todo dia, me perguntava se já era sábado, eu respondia que não e ficava tudo bem.

No sábado, tive que ser justa. Quando ele perguntou, respondi que já era sábado e que ele poderia comer depois que terminasse a fruta que estava comendo. Abri, dei na mão dele e pedi para tomar cuidado com a roupa.
Ele mordeu e me olhou com cara muito feia:

– Posso cuspir? Não gosto, mamãe.

Mamãe 1 x 0 chocolate.

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Felícia

Meu filho tem uma gargalhada gostosa demais, e ri com a boca aberta, e joga a cabeça para trás, e fica me olhando nos olhos enquanto faz gracinhas.

Eu me seguro para não esmagar. Tenho vontade de morder a bochecha dele, de apertar, de amassar. Toda vez que ele entra nesse modo “fofura ao extremo”, eu agarro e abraço e me concentro para não espremer muito. É muita gostosura. É muito bom ter tanta fofura em casa. Tenham filhos, gente, recomendo.

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Mãe, você não manja nada

Mamães e papais que trabalham usufruem de um serviço chamado “curso de férias” lá na escola. Não tem atividades pedagógicas e eles preparam atividades de recreação diferentes todos os dias. Aí a gente estava esperando o elevador hoje cedo, e eu falei tentando empolgar bebês sonolentos:

– Hoje vai ter aula de cozinhar lá na escola!

Minha filha me olhou com aquela clara expressão de “ai, meldels, que mulher desinformada”:

– É culinária, mamãe.

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Aqui não tá tendo copa

Eu juro que não me tornei uma pessoa amargurada nesse mês só porque odeio futebol. Tô indo bem até. Não vi nenhum jogo, mas sei que está tudo bem com o Brasil, sei que Itália, Espanha e Japão já foram eliminados. Não tô torcendo contra, juro. Coloquei até camisa do Brasil nos dois bebês nos dias de jogo, para irem para escola em clima de copa. Tô mó legal.

Na última segunda, teve jogo no meio do dia. Isso eu não gosto. Nada que faça com que a escola feche mais cedo, especialmente antes do jantar, me fazendo cozinhar em plena segunda-feira, pode ser legal. Mas não tive escolha, tive que fazer o jantar. Então a cidade estava em festa, muitos fogos de artifício, gritos e buzinas por aí, e nós três estávamos comendo tranquilamente na cozinha às seis da tarde (jantei junto, não resisti). Durante um dos gols, minha filha me falou:

– Mamãe, você não gosta de barulho, né?

“Não gostar de barulho” é usado aqui em casa em vários contextos: quando eles gritam, quando eles jogam coisas no chão, quando eles pulam ou pisam forte no chão (principalmente quando estão de sapatos), quando batem nas coisas (especialmente usando objetos), quando fazem muito escândalo. Eu vivo dizendo que não gosto de barulho.

– Não, não gosto de barulho, filha.

– Tá, mas, por favor, não chora. Não precisa chorar. Já já o barulho vai acabar, tá? Espera um pouquinho que já passa, tá?

Adoro esses surtos de maturidade que crianças de três anos às vezes têm.

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