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Chocolate da discórdia

Meu filho voltou da escola esses dias e trouxe dois bombons na mochila. Pelo que entendi, um amiguinho deu de presente para comemorar o início das férias.

Apesar de ter melhorado muito, eu ainda sou mãe neurótica com alimentação saudável. Não costumo dar doces para eles de forma aleatória e, sendo bem justa, eu também não como doce e sobremesa em ocasiões não-especiais.

Quando eles eram menores, essas guloseimas que voltam na mochila iam para o lixo e eles nunca deram falta. Com mais de três anos, eles se lembram do que foi colocado na mochila e ele me perguntou dos chocolates quando chegou em casa.

– Filho, você não vai comer chocolate durante a semana. Vou deixar os dois bombons aqui em cima da mesa e te dou no sábado. Como são dois, você pode dar um para sua irmã, o que acha?

– Combinado.

Os dois bombons ficaram a semana toda na mesa, sem crise. Ele via todo dia, me perguntava se já era sábado, eu respondia que não e ficava tudo bem.

No sábado, tive que ser justa. Quando ele perguntou, respondi que já era sábado e que ele poderia comer depois que terminasse a fruta que estava comendo. Abri, dei na mão dele e pedi para tomar cuidado com a roupa.
Ele mordeu e me olhou com cara muito feia:

– Posso cuspir? Não gosto, mamãe.

Mamãe 1 x 0 chocolate.

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Frase elaborada

– Mamãe, quando o Isaac ficar grande, e quando eu ficar grande também, a gente vai tomar vinho com você.

Morri de orgulho. Não por causa do fator alcoólico da frase, tá? Morri de orgulho da frase enorme que ela construiu, com vírgulas, advérbios e conjunções.

Falta pouco pra gente poder conversar sobre a vida das mulheres na Arábia Saudita ou sobre essa história triste do Woody Allen, né?

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Linguagem

No ano passado, uns dos neurologistas que consultei para conversar sobre o problema da minha filha comentou que um dos momentos mais importantes no desenvolvimento da linguagem da criança é quando ela começa a juntar uma palavra na outra (por exemplo: quero leite, tá dodói).

Na época, meus bebês de cerca de um ano e meio falavam apenas algumas palavrinhas soltas e se comunicavam basicamente com gestos, choros e risadas. Eu passei um tempão prestando muita atenção em tudo o que eles falavam para ver se ouvia as tais duas palavrinhas que deveriam vir juntas. Demorou, viu? O número de palavras que eles aprenderam a falar começou a aumentar bastante, mas nada de juntar uma na outra.

Óbvio que eu não me lembro qual foi a primeira mini-frase que ouvi, nem qual dos dois foi o primeiro a falar (eu chuto que foi meu filho). Mas olhando para os dois tagarelas de hoje, nem parece que isso aconteceu há menos de seis meses. Hoje as frases são longas, com perguntas e respostas, e vocabulário cresceu muito. Agora eles começaram a usar palavras sofisticadas para quem tem 2 anos e ganham milhões de apertões da mamãe babona por isso.

Outro dia meu filho não parava nunca mais de chorar e milha me perguntou:

– Mamãe, o Isaac está chorando ainda?

Meu filho me pedindo brinquedos:

– Mamãe, posso brincar com o tigre?

– Pode, filho.

– Posso brincar com o elefante também?

O mesmo mocinho, pulando um dia na cama:

– Isaac, não pode pular.

– Posso só cantar?

Morro de orgulho desses brigadeirinhos!

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