Arquivo da categoria: Fofuras

Namorar e casar

Antes de dormir:

– Mamãe, eu quero ser seu namorado.

Agarrei, amassei, apertei. Amo esse menino carinhoso que escolhe as coisas mais fofas para dizer para a mamãe. Aí eu respondi:

– Casa comigo, então?

– Ah, casar não posso.

– Por que não pode? (aquela cara de “tomei um fora”)

– Porque eu tô de pijama, mamãe. Só posso casar com roupa de festa. Boa noite, vou nanar.

Fugindo de compromisso sério desde cedo, filho?

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Larga de frescura, mãe!

Minha filha voltou hoje da escola numa mega manha e queria andar no meu colo pela casa. Só que é assim: 1) tenho dois filhos e dar colo pra um significa colo pro outro também, 2) ela pesa uns 15 kg e 3) eu corri 11k de manhã e não tô aguentando minhas pernas (assumo com toda humildade o meu despreparo para tantos quilômetros).

– Ah, filha, hoje não vai dar para pegar no colo. A mamãe tá com muita dor nas pernas.

Aí ela parou do meu lado e começou a fazer carinho na coxa esquerda. Umas 15 vezes. Quando tentei andar, ela falou “espera” e fez outros 15 carinhos da coxa direita. E pronto, né?

– Já fiz carinho. Já passou o dodói. Agora me pega no colo.

Valeu pra repensar essa mania de dizer um “vem cá que eu dou um beijinho e já passa” para todos os machucados deles.

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9h15

São 9h15 de domingo e todos os bebês ainda dormem nessa casa. já fui checar, eles respiram ainda.

Obrigada, Santo Expedito, pela graça alcançada!

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Credo

– Mamãe, não pode brincar de matar, né?

Ah, nada como a beleza de colocar os filhos na escola e deixá-los aprender algumas brincadeiras com os coleguinhas.

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Aquela da sua cabeça

– Mamãe, coloca aquela música que você gosta, aquela da sua cabeça?

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Mamãe 1 x 0 futebol

Assim, do nada:

– Mamãe, compra uma camiseta do corinthians pra mim?

Vai, mamãe, tem que pensar rápido.

– O que é corinthians, filho?

Cara de interrogação, umas gaguejadas e:

– Mamãe, posso brincar com o livro de adesivos?

1 x 0 pra mim, futebol.

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Criança inteligente dá trabalho

Minha filha anda brigando com a tia da perua. Já contei que ela está impossível?

Aí eu falei para ela:

– Você sabe que a mamãe não tem mais carro. Você tem que voltar de perua e obedecer a tia da perua, senão não sei o que fazer.

– Se eu não voltar com a perua, você vai me buscar?

– Não, porque eu não tenho carro.

– Você tem que buscar, porque eu não posso ficar na escola.

– Pode, sim.

– Não posso, a escola fecha, você tem que ir me buscar.

– Eu não tenho como te buscar, filha.

– Pode a pé.

– Não, não vou a pé até lá.

– Mas eu não posso ficar sozinha porque eu sou pequena.

– Eu sei, por isso você tem que obedecer a tia da perua.

– Não. Você vai me buscar na escola. A escola fecha e eu não posso ficar lá.

Mano. Pô. Pára. De. Argumentar. Comigo.

É falta de televisão ou de tablet na vida dessa menina? Se eu começar a hipnotizar com desenhos animados, será que ela emburrece um pouco? Tá loco.

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Remédio para o choro

Criança chora muito. Choro enlouquece a mãe. Ponto.

Agora, não bastasse eu ter dois filhos que choram muito multiplicado por dois, minha filha agora deu para brincar de acalmar o choro da boneca. Funciona assim: ela pega a boneca no colo e fica balançando o brinquedo pela casa como se estivesse tentando niná-la, imitando o choro da boneca (“unhééééé, unhéééééé”). A boneca chora mais que ela e ela nunca consegue fazer a boneca parar. Então nós temos dois cenários: ou ela está chorando pessoalmente por alguma coisa que tenha acontecido (caiu, irmão bateu, irmão pegou o brinquedo, mamãe deu bronca) ou ela está dublando a boneca que chora sem parar.

Não dá.

Na última vez, depois de uns 15 minutos, eu não segurei:

– Ruth, peloamordedeus, acalma essa boneca ou vou guardá-la no armário.

Silêncio e a aquela carinha engraçada de interrogação.

– Mamãe, você vai me guardar no armário quando eu chorar?

Filha, não me dá ideia.

 

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De mãos dadas

Estamos sem carro e fui para a festinha de dia das mães na escola de metrô. Na volta, resolvi vir a pé com eles de volta para casa. A noite estava gostosa e é pertinho, pouco mais de 1 km. Sim, tem uma super subida no caminho e tínhamos três mochilas pesadas. Levamos uma meia hora no ritmo deles.

Viemos devagar, um de cada lado de mim, uma mãozinha na minha e a outra puxando a mochila da escola. Conversamos sobre a festa, sobre a lua, sobre os restaurantes e lojas do caminho e sobre os ônibus que passavam ao nosso lado. Fizemos planos para o final de semana. Andamos em silêncio quando eles se sentiram cansados e perceberam o peso das mochilas nos bracinhos, mas não me deixaram ajudar.

Aí eu tô sensível e cheguei em casa com lágrimas nos olhos. Porque é bom demais ter duas mãozinhas segurando minhas mãos e andando ao meu lado. Porque é bom demais ter dois companheirões, que toparam numa boa a caminhada, sem reclamar que não temos carro ou que a mochila estava pesada. Porque é bom demais ser especial na vida deles e ver que eles acham legal demais estar comigo e fazer qualquer coisa comigo.

Ser mãe é o papel mais importante que tenho na vida. Isaac e Ruth, vocês são a minha vida. Obrigada por todos os dias das mães que vocês me dão todos os dias.

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Eu prefiro água gelada, mamãe

Foi em meados de fevereiro que cheguei em casa no final do dia e não tinha luz no prédio. Acho que tinha caído um temporal no final da tarde e nada de a energia voltar. Esquentei leite no escuro, brincamos no escuro e decidi que o banho teria que ser de balde aquele dia. Não dá para deixar duas crianças que passaram o dia pulando e correndo na escola num calor indiano irem para a cama sem banho.

Eu juro que achei que ia ser o máximo. Todos os dias eles levam potinhos para o chuveiro e ficam se molhando, ou seja, era a mesma coisa. Minha filha foi primeiro e em 5 minutos estava limpa. Meu filho deu tilt.

Joguei um pouquinho de água morna que estava no balde nele e ele berrou como tivesse levado um tapa. Esperei se acalmar, expliquei, conversei, mostrei o pote, mostrei o balde, deixei ele colocar a mão na água, sugeri que ele se molhasse sozinho, tentei de novo, cantei, dancei e nada de o menino parar de berrar. Não só berrar: ele se encostou na parede do box na pontinha dos pés, e gritou várias vezes um “não faz isso, por favor, mamãe” e comecei a ficar com medo que algum vizinho chamasse a polícia.

Aí eu – que já estava há 15 minutos ajoelhada na frente dele implorando para acabar com aquilo logo – perdi um pouco a paciência e deixei ele escolher:

– Ou você toma banho de balde ou vai tomar banho gelado, mas sem banho não pode ficar.

– Quero banho gelado, mamãe.

É assim: tava fazendo uns 52 graus na sombra, ele estava imundo e eu não estava a fim de perder a briga. Sorry, filho.

No dia seguinte tinha luz. Mas eu entrei em casa e mandei a brincadeirinha:

– Oi, linduchos. Vamos tomar um banho de balde com a mamãe?

Berro. Menino se jogando no chão, batendo braços e pernas. Choro histérico: “nãooooooooooo!!!!!! Eu prefiro água geladaaaaaaaaaaaa!!!!!”.

Doido.

Aprendizado do dia: crianças pequenas não entendem ironia. Não tentem em casa.

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