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A primeira entrevista (com a assistente social)

No dia 20 de março fomos ao fórum para a entrevista com a assistente social. Voltei de Johannesburg 3 dias antes para isso, mas só no mesmo dia de manhã a ansiedade bateu. Eu queria sair de casa às 12h para chegar lá às 14h. Não tínhamos conseguido conversar tanto quanto queríamos antes e decidimos então sempre falar a verdade, com o coração. Era a melhor estratégia.

Na verdade, estávamos morrendo de medo de perguntas difíceis, como “como vocês pretendem educar seu filho?” ou “a casa de vocês está completamente segura e protegida para a chegada de uma criança?”, porque não sabemos como vamos educar e não temos nem telas nas janelas ainda – no 14º andar.

Chegamos meia hora antes e fomos rapidamente atendidos. Meu marido foi entrevistado primeiro, depois foi a minha vez. As perguntas individuais foram parecidas: por que decidimos adotar, se poderíamos ter filhos naturais, quando eu pretendia engravidar, se desistiríamos da adoção caso eu engravidasse, como foi minha infância, como é minha família. Depois, juntos, contamos como nos conhecemos, quando casamos, a nossa história. E por fim definimos o perfil da nossa criança: 0 a 3 anos, sexo indiferente, cor indiferente, aceitamos gêmeos. Todas as restrições sobre doenças e histórico da criança serão feitas junto com a psicóloga em uma outra entrevista.

Foi muito tranqüilo, não demoramos 1 hora. Ela nos avisou que visitaria nossa casa nos próximos 3 dias. Nós já havíamos combinado que meu marido ficaria em São Paulo para recebê-la, caso ela já marcasse a data da visita, porque eu precisava voltar para Johannesburg no dia seguinte e ele iria me acompanhar de férias. Como apenas um de nós precisaria estar presente, mudamos a passagem dele para Joburg assim que saímos de lá.

Lá também soubemos que a psicóloga tinha deixado um recado em minha caixa postal do trabalho marcando a entrevista para o dia 02 de abril. Eu não tinha ouvido os recados nessa correria toda, mas ela também não tinha tentado nenhum outro número. Para surpresa, ela foi muito simpática e remarcou para o dia 17 de abril, quando eu já estarei completamente reinstalada no Brasil!

Na sexta-feira, meu marido recebeu a assistente social em nossa casa. A visita foi rápida e objetiva: ela quer saber se a criança crescerá em um lar com estrutura adequada. Olhou a área social do prédio e a garagem, pois ela tinha perguntado sobre outros bens: nossos dois carros. Perguntou também se o apartamento é próprio e meu marido disse que sim, mas não quitado. Ela subiu em nossa casa e fez uma visita rápida por todos os ambientes. Comentou que é uma casa espaçosa e foi ver também o futuro quarto do bebê. Por fim, disse que pelo lado social o parecer seria positivo! Apesar de ser uma etapa intermediária, dá uma vontade imensa de gritar e dar cambalhotas!

Preciso contar que meu marido não arrumou a cama e a assistente viu o quarto virado do avesso. Também preciso dizer que a instrução é arrumar a cama TODOS-OS-DIAS, não só quando vamos receber visitas – e importantes. Acho que pelo menos ficou a impressão de sermos pessoas normais.

Estamos muito felizes. Ansiosos para a próxima etapa. Querendo muito nosso brigadeirinho o mais rápido possível!

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O dia que percebi que queria ser mãe (ou viagem para África do Sul)

Documentos entregues no dia 23 de janeiro. No dia 01 de fevereiro, tive uma conversa com o RH da empresa onde trabalho sobre a possibilidade de fazer um projeto de 7 semanas na África do Sul, até o final de março. O contexto do projeto era ótimo: experiência internacional, tempo curto, 1 semana no Brasil no meio do projeto, gerente brasileira, indústria legal e sobre marketing, que adoro. O timing com relação à adoção também parecia ser perfeito. O fórum entraria em contato dois meses após a entrega de documentos, ou seja, final de março!

No dia 6 de fevereiro, depois de conversar muito com meu marido e decidirmos que eu deveria de ir para África do Sul, liguei no fórum para saber se a documentação que entregamos estava certa e se faltava alguma coisa. “Tudo certo, está com o setor técnico, em breve te ligarão”. E eis que no dia seguinte, 16 dias após entrega dos documentos, a gente recebe a ligação do fórum!!! Eu não atendi a ligação, ligaram para meu marido e a entrevista estava agendada para dia 20 de março! Dali 1 mês e meio. O tempo mais rápido que ouvi falar (e olha que li muito na internet sobre demora no processo de habilitação e ouvi relatos de colegas de grupos de apoio sobre espera de mais de 1 ano para agendamento da primeira entrevista).

Mas seria no meio do projeto. Depois de um tempão me contorcendo de nervoso, resolvi ligar de volta para a assistente social e perguntei sobre a possibilidade de remarcar. Ela foi irredutível. Para remarcar, eu precisaria de uma petição, eles cancelariam o processo e eu precisaria dar entrada novamente. Não, nunca. Confirmei para o dia 20 de março. Liguei para duas amigas, mandei e-mail para outro amigão, falei com meu marido. E decidido: eu não iria para o projeto na África.

Foi a primeira vez que senti que eu tinha uma grande responsabilidade e um grande compromisso com alguma coisa que não fosse eu mesma. Minha carreira é importante, gosto do que faço e o sucesso profissional me dá condições (digo, salário) para realizar as coisas que quero. Mas eu decidi que queria um filho, que queria a adoção e, se tenho que estar no fórum dia 20 de março sem possibilidade de remarcar, eu estarei no fórum nessa data. Meu filho agora é minha prioridade e não vai ser a única mudança de planos que vou ter que fazer na minha vida por causa dele. Eu acho que isso é ser mãe.

O final feliz da história é que eu trabalho em um lugar muito legal. Conversei com meu mentor, com a gerente de RH e também com minha gerente e sócio do escritório de Johannesburg e terei um flight back para estar em São Paulo no dia da entrevista! Assim, dia 14 de fevereiro eu embarco para África do Sul.

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Brigadeirinho

Já conhecemos o Feijãozinho, o Zigoto e a Sementinha. São os apelidos que as mamães dão para os bebês enquanto estão grávidas e não sabem ainda o sexo ou não definiram o nome.

Durante nossa “gravidez do coração”, nosso(a) filho(a) será chamado de Brigadeirinho. ❤

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Dr. Geraldo

Dr. Geraldo é clínico geral e atende minha família há anos. Conhece praticamente todo mundo: meu pai, minha mãe, irmã, marido, avós e ultimamente até minha sogra tem feito consultas com ele. É competente, disponível e bom médico. E para nossa decepção, ele foi a primeira pessoa que teve uma reação bastante negativa em relação à adoção. Nós o procuramos para o atestado de saúde física e mental, pois além de nos conhecer bem, costuma ter horários disponíveis em poucos dias.

Quando contamos o motivo pelo qual precisávamos do atestado, logo no início da consulta, ele nos falou: “credo, que estranho”. Nós não estávamos a fim de argumentar, defender essa questão nem nada. Não respondemos e começamos a mostrar exames. Um tempinho depois, nos perguntou se não estávamos conseguindo engravidar. A verdade é que nunca tentamos engravidar e não sabemos ainda quando vamos tentar. Mas a adoção é bem recebida caso o casal tenha tentado bastante antes. Porque se eu não consigo engravidar e resolvo adotar, tudo bem. Mas, sem nem começar a tentar, sem nenhum indício de problemas, aí fica muito estranho.

O Fórum e a Documentação

Quando decidimos que estava na hora de iniciar o processo, o fórum tinha entrado em recesso de final do ano e voltaria no dia 9 de janeiro. Dia 10 eu fui até lá. Aproveitei um período mais tranqüilo no trabalho e fui até o fórum no final da tarde. Fui atendida por um senhor atencioso, que me deu a relação de documentos e me explicou algumas coisas sobre o preenchimento do requerimento.

Os documentos necessários são muito simples:

– Cópia simples do RG e CPF do casal

– Cópia autenticada da certidão de casamento atualizada (fomos até o cartório onde casamos e pegamos uma nova via; custou R$ 25)

– Comprovante de residência

– Comprovante de rendimentos (levamos holerites, carta da empresa, documentos da empresa do Caio e últimos comprovantes de Imposto de Renda)

– Atestado de saúde física e mental (levamos os últimos exames que tínhamos para um clínico geral – Dr. Geraldo – que atende minha família há anos. Ele olhou os resultados, nos examinou no consultório e nos deu os atestados)

– Fotos dos pretendentes e da residência (separamos fotos nossas e do nosso cachorro e tirei fotos da nossa casa como se alguém fosse nos visitar – mostrei todos os cômodos. Também tirei fotos das áreas comuns do prédio e da fachada. A revelação custou R$ 45)

Os documentos ficaram prontos no dia 20 de janeiro. No dia 23 de janeiro, fomos juntos até o fórum no horário de almoço para entregá-los e, enfim, iniciar nosso processo de habilitação. Fomos atendidos pelo mesmo senhor, que conferiu tudo e mais tarde nos passou o número do processo por e-mail. Pronto! Oficialmente iniciamos o processo! O próximo passo será esperar de 45 dias a 2 meses para um contato para agendarmos a entrevista com psicóloga e assistente social e uma visita da assistente social em nossa casa.

Acho importante ressaltar que, ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é necessário ter um advogado acompanhando o processo. A documentação é fácil; talvez o atestado de sanidade física e mental dê um pouco mais de trabalho, caso o(s) adotante(s) não tenham um médico que já conheça seu histórico. Mas qualquer médico, da rede pública ou privada, pode emitir o atestado.

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Por que nós decidimos adotar

Não tem um motivo único ou objetivo. Nós sempre falamos sobre adoção como uma possibilidade para nossa família desde o tempo do namoro. “Vamos ter filhos biológicos e adotivos” era o que concordávamos, sem nos aprofundarmos muito no assunto.

E namoramos, depois casamos. Primeiro fomos morar em um apartamento minúsculo, que era meu apartamento de solteira, com um só dormitório. Ainda não era hora e não tínhamos espaço para um bebê. Alguns anos depois conseguimos comprar um apartamento nosso, grande, bonito e aí começamos a pensar que estávamos prontos para sermos papai e mamãe. É claro que as coisas ainda não estavam perfeitas como achamos que estariam. A casa não estava 100% pronta, tínhamos o financiamento todo para pagar, também não ganhávamos ainda o salário que queríamos ter, mas tínhamos maturidade, responsabilidade e dedicação para ter um filho. Também tínhamos amor e vontade de aumentar a família. E foi então que começamos a falar em filhos.

Queremos ter dois filhos. E como falávamos em gravidez e adoção, começamos a pensar nas duas possibilidades. Marquei médico, porque queria saber o que fazer (Esperar um tempo depois de parar a pílula? Tomar algum cuidado, algum medicamento, alguma dieta especial?) e começamos a pesquisar sobre o processo de adoção. E antes mesmo de chegar o dia da consulta, já estávamos completamente envolvidos com a adoção: compramos (e lemos) livros, achamos diversos blogs, conhecemos o passo-a-passo do processo, descobrimos os grupos de apoio e por aí vai. Nós fizemos a consulta médica, realizamos os exames necessários e vamos fazer o retorno em fevereiro. E sabemos que podemos ter filhos biológicos.

Passamos um bom tempo filosofando sobre o que seria melhor para as crianças: ter primeiro o filho adotivo ou o filho biológico. E não conseguimos concluir nada. A única conclusão é que vão ser amadas, vão ser filhos e vamos ter uma família feliz independente da ordem que as crianças chegarem nas nossas vidas e a forma como elas vão chegar. Até porque não podemos controlar o tempo do processo nem o tempo que demoraremos para engravidar. Só sentimos – é irracional – que a vontade de adotar é imensa e que tem uma criança no mundo que não nascerá da minha barriga e que será nosso filho (ou filha) querido. E foi assim que nós dois decidimos que a adoção seria nosso primeiro passo.

Os papais

Somos futuros papais, esperando que uma criança nos adote. Montamos esse espaço para dividir nossa história e organizar tudo o que o aprendemos.