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Foto da gravidez e do nascimento

O e-mail que a escola mandou tinha como assunto a palavra “IMPORTANTE”, em letras maiúsculas. Abri imediatamente e li que eu precisava enviar três fotos para a comemoração do dia das mães: uma foto da mamãe grávida, uma foto com o filho logo após o nascimento e uma foto recente com o filho.

Fiquei muito brava, briguei com o computador e fiquei reclamando sobre esse e-mail para meu time durante uns 30 minutos (ou mais?). A minha frustração não foi não ter fotos grávida ou não ter fotos tiradas logo após o nascimento dos nossos filhos, mas foi ter recebido um pedido assim por e-mail, porque a escola sabe que nossos bebês foram adotados. Eu redigi várias versões de respostas raivosas, mas apaguei tudo e enviei somente “Qual a sugestão de vocês para as mamães adotantes?”, já que não sou a única mamãe adotante na escolinha.

A diretora me ligou em cinco minutos com um pedido de desculpas. E me explicou que a homenagem do dia das mães falará sobre a espera e a chegada do filho, por isso pediram fotos da gravidez e do nascimento, mas que eu poderia enviar fotos que representassem  a espera e a chegada dos bebês em nossa família. A explicação fez muito mais sentido, e foi uma pena que elas não tenham escrito o primeiro e-mail dessa forma.

Para representar a chegada, escolhi fotos do Chá com Bebês que fizemos para eles logo que chegaram. Para a espera, enviei uma foto do quartinho pronto, pois era a única foto que eu tinha. E depois fiquei pensando que talvez tivesse sido legal ter tirado mais fotos que “simbolizassem” a espera, como os dias que saímos para comemorar as etapas do processo de habilitação ou toda a bagunça que fizemos em casa para organizar dois enxovais em uma semana. Então esse é uma das dicas que eu daria para papais que estão esperando seus pequenos chegarem: tirem fotos da espera, gente!

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Infertilidade e adoção

No ano passado li muitos blogs de mamães tentando engravidar, porque é muito comum que elas falem em algum momento sobre adoção. Li histórias de casais lidando com infertilidade, fazendo tratamentos e passando por muita tristeza e angústia. Também conheci muitos casais que contaram histórias assim nos grupos de apoio que frequentamos.

Hoje passei por um blog que falava sobre a “decisão de amar um bebê de um estranho”. Decisão. Amar. Bebê. Estranho. Colocar essas quatro palavras na mesma frase me pareceu estranho. Então resolvi separar.

Nós tomamos a decisão de sermos mamãe e papai por adoção. Diferente da gravidez, que poderia ter acontecido por acidente, a adoção foi pensada e decidida, e tivemos que preencher formulários e entregar documentos. Mas, acima de tudo, tomamos a decisão de ter um filho. E o que queríamos era ter uma criança em casa que iria nos chamar de mamãe e papai.

E nós começamos a amar essa criança quando entregamos os documentos para iniciar o processo de habilitação. E esse amor começou a existir da mesma forma que acredito que o amor exista na gravidez: papais grávidos começam a amar seus bebês sem saber o sexo, sem saber se eles terão cabelos ao nascer, se nascerão com mais de 3Kg e 50 cm, se terão os olhos do papai ou da mamãe. Para nós foi a mesma coisa: nós não sabíamos o tom da pele, a idade exata, o sexo, a altura ou o peso, mas estávamos guardando um amor para nosso filho e esperando ele chegar.

E esse bebê (no nosso caso, bebês) são simplesmente nossos filhos. Temos certeza que são nossos filhos. Temos saudades deles quando ficamos longe. Queremos cuidar deles do nosso jeito, porque realmente sabemos que o nosso jeito é o melhor para eles. E, apesar de terem muitos cachinhos (mamãe e papai têm cabelos lisos), eles têm o nosso olhar e o nosso jeito de rir. Na última consulta médica que levei os dois, assim que entrei no consultório o médico comentou: “nossa, como eles são parecidos com você!”. Para quem não me conhece, sou mestiça, tenho olhos puxados. Meu filho é mulato. Minha filha tem cachinhos e olhos bem redondinhos. E se parecem comigo porque são meus filhos.

E não tem nada de estranho na história deles. Como na maioria dos casos de adoção, a família biológica passou por uma situação triste que os impediu de cuidar de suas crianças. Nós não os conhecemos, mas não são estranhos. São pessoas que fizeram parte da história dos nossos filhos. Também não é estranho que nossos filhos tenham vivido uma história longe da nossa família. Nós quatro fomos escolhidos uns para os outros em um determinado momento de nossas vidas, mas a história deles nunca será estranha.

Consigo entender que a adoção não seja uma decisão tão simples para quem vive a infertilidade, principalmente porque ela não resolve todas as frustrações, como não poder engravidar, não poder parir, não ter um recém-nascido em casa com o nariz do papai. Mas a adoção nos fez virar papai e mamãe e ter dois filhos, que era o que queríamos. Prefiro dizer que foi uma decisão de amar um filho. Nunca vou achar que temos “bebês de um estranho” em casa.

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E a gravidez?

Um é pouco, dois é bom e três é demais.

=)

No meio da minha licença maternidade, eu desejei ter o terceiro filho. Achei que estávamos nos me saindo tão bem com dois bebês que poderíamos facilmente ter mais um. Achei que o trabalho de cuidar de mais um filho seria marginalmente menor que o trabalho de cuidar de dois filhos. Eu estava louca.

Três coisas principais nos fizeram mudar de ideia e desistir de tentar um filho biológico (além de questões menores, como falta de espaço para a terceira cadeirinha no banco de trás do carro). A primeira delas – e seremos bem sinceros – é que tem coisas pelas quais não sabemos se queremos passar. Nossos filhos sempre dormiram a noite toda, por exemplo. Deitam às 20h e acordam às 7h todos os dias. Não precisamos “ninar”, porque eles deitam e dormem sozinhos. Somente quatro (juro!) vezes acordaram chorando, mas  logo dormiram. Temos preguiça de noites em claro. Não sabemos se queremos passar pelo processo amamentar-trocar-arrotar-ninar a cada três horas. Não fazemos a menor ideia como ensinar um bebê a dormir a noite inteira. Não fazemos a menor ideia como as pessoas conseguem ser produtivas durante o dia depois de acordar duas, três, quatro vezes na madrugada. Nós já ficamos bastante cansados depois que viramos papais mesmo dormindo todas as noites inteiras.

A segunda delas é que não quero tirar outra licença maternidade tão cedo. Licença maternidade foi o período em que me dediquei integralmente para nossos filhos e achei ótimo. Mas li poucos livros, vi poucos filmes, ouvi poucos meus amigos (eles até me visitaram bastante, mas era impossível ouvi-los com dois bebês exigentes ao lado), convivi pouco com adultos. Agora estou integralmente dedicada a aprender a conciliar a minha própria vida com o papel de mamãe e não quero interromper essa fase.

E por último, não queremos saber o quão difícil deve ser decidir onde deixar um bebê de cerca de seis meses para a mamãe voltar a trabalhar. Todas as opções que conhecemos não parecem ser 100% perfeitas para nós (parar de trabalhar, deixar com babá, deixar com vovó ou deixar em um berçário). Com 1 ano e 9 meses, temos certeza que a melhor escolha para nossa família foi a escolinha. Com um bebê de seis meses, acho que optaríamos pela berçário, mas não tenho certeza que estaríamos tão seguros como estamos hoje.

Pode ser que isso mude com o passar dos anos, depois que nossos filhos tirarem as fraldas, aprenderem a falar (e, consequentemente, aprenderem a parar de se comunicar exclusivamente através do choro) e pararem com as tentativas de suicídio infantil (isto é, escalar móveis, se jogar para trás, mergulhar na privada e tal). Mas hoje achamos que nossa família está completa. Mamãe, papai, dois filhos e um cachorro era o que queríamos e estamos completamente felizes assim.

É verdade que tenho curiosidade sobre a gravidez, porque deve ser o máximo sentir um bebê crescendo dentro da barriga. Mas concluímos que só a vontade de viver a gravidez não é motivo para ter um filho. Afinal, toda a felicidade que vem depois da gravidez nós já temos.

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Por que não engravidar?

“Vocês não querem engravidar?” é a pergunta que mais ouvimos quando falamos sobre adoção.

Sim, nós queremos engravidar, só não queremos agora. Não há nada que nos faça não querer engravidar: não tenho medo de engordar, não tenho medo que meu corpo mude muito, não tenho medo de parto, não tenho medo de sentir dor na amamentação e não tenho medo de passar noites em claro cuidando do meu filho recém-nascido. Apenas temos planos de engravidar mais para frente.

E aí me perguntam se não acho que vou ficar velha para engravidar. Acabei de fazer 31 anos, não acho que estou velha. Mesmo assim, pensar em engravidar porque estou chegando perto do prazo de validade não nos parece uma ideia muito atraente.

O que acontece é que acreditamos que existem dois processos diferentes – adoção e gravidez – que resultarão no mesmo fim: a chegada do nosso filho. Nós resolvemos passar pela emoção dos dois processos para formar nossa família. E escolhemos um deles como o primeiro.

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Licença maternidade

Assim que recebemos a sentença de habilitação, além de contar a novidade para família e amigos, achei que estava na hora de contar para algumas pessoas da liderança da empresa onde trabalho. Até então, tínhamos decidido contar apenas para algumas pessoas muito próximas – alguns familiares e alguns amigos – porque o processo de habilitação gera muita ansiedade para todos: poderia demorar muito, poderíamos passar por muitas e muitas entrevistas, poderíamos não ser habilitados. Assim como as mamães biológicas esperam a confirmação do resultado de gravidez para contar, nós decidimos esperar também. E, como fazem as mamães oficialmente grávidas, achei justo comunicar no trabalho.

As mamães adotantes têm igual direito à licença maternidade (ver Art. 392-A aqui), assim que recebem a guarda provisória da criança. E a licença maternidade é um período igualmente importante para mamães biológicas e bebês recém-nascidos e para mamães adotantes e os filhos que acabaram de chegar. É um período em que a criança precisará de atenção. É um período para que toda a família (mamãe, papai, filho, cachorro, vovós etc.) se conheça e se adapte a essa novidade. É um período em que a mamãe precisará aprender um monte de coisas sobre a criança (e várias outras coisas genéricas que talvez ainda não saiba, como cozinhar e dar banho). Então faremos questão de aproveitar esse período para conhecer o Brigadeirinho, para fazer com que ele sinta que essa casa e essa família são dele e para arrumar nossa nova vida.

Um detalhe será bem diferente da gravidez biológica: eu não consigo dar um prazo para tudo isso acontecer porque não há como prever nosso tempo de espera na fila. O que sabemos é que, após a ligação do fórum, passaremos por um período de aproximação e visitação, que também não tem um prazo pré-definido. Combinei com meus chefes que vou avisá-los quando iniciar o processo de aproximação com meu filho para que eles possam ter um tempo de preparar uma pessoa para me substituir. E combinei também que farei o possível para deixar minhas coisas no trabalho organizadas, para que eu possa ser substituída sem prejudicar os projetos. E eles me garantiram que darão todo o apoio para que meu processo de transição seja tranquilo.

E o que é igual à gravidez biológica é que eu poderei ter esse tempo ótimo para curtir meu filho e aprender a ser mamãe!

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“Parece que você está grávida!”

Esses dias fui almoçar com uma amigona, que também é uma das maiores torcedoras do nosso processo de habilitação para adoção. E no meio de uma conversa aleatória – porque eu faço força para não ficar falando SÓ de adoção – ela mudou de assunto e me disse assim: “Posso falar uma coisa? Parece que você está grávida!”.

E aí a ficha caiu: sim, acho que estou grávida! Nós estamos naquela fase em que as grávidas sabem que estão, porque os primeiros exames indicam que é positivo, mas queremos esperar os primeiros 3 meses (no nosso caso, a sentença final do processo de habilitação) para poder contar para todo mundo!

Nunca estive grávida, e confesso que acompanhei poucas mamães grávidas bem de perto, mas acho que a sensação é a mesma: uma super ansiedade para começar a arrumar as coisinhas do bebê, super curiosidade para ver a carinha e sentir o cheirinho dele e uma super preocupação sobre como vamos organizar a vida com um serzinho em casa (horários de escolinha, fazer comida caseira, passeios de criança no final de semana etc.).

E tem coisas que para nós serão bem diferentes. Um exemplo é a questão do nome do bebê: a gente não passa horas e horas tentarmos decidir um nome de menina e um nome de menino, porque nosso filho já terá um nome quando chegar. Outro exemplo é o parto: eu vejo que mamães grávidas têm uma super preocupação com o tipo de parto. Enquanto umas querem normal, outras querem cesárea, e eu quero poder abraçar o meu filho o mais rápido possível. E, por último, o que nos deixa mais ansiosos: não podemos comprar nada para o enxoval! Não temos como saber se precisaremos de um berço ou de uma caminha; também não sei se devo comprar uma cômoda para trocar fraldas ou uma mesinha com cadeiras para ele desenhar. E como não sabemos qual idade ele terá quando chegar (dentro do nosso perfil de 0 a 3 anos), não podemos comprar nenhuma roupinha ou brinquedos ainda.

E depois dessa conversa, cheguei em casa e falei para meu marido que estava grávida e que ele deveria atender meus desejos por comidas e ficar me mimando, como os maridos de mamães grávidas fazem. E ele me respondeu assim: “não é só você que está grávida, nós dois estamos. E o bebê não está na sua barriga, está nos nossos corações. Então você também tem que me mimar e fazer tudo o que eu quero!”. ❤

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O dia que percebi que queria ser mãe (ou viagem para África do Sul)

Documentos entregues no dia 23 de janeiro. No dia 01 de fevereiro, tive uma conversa com o RH da empresa onde trabalho sobre a possibilidade de fazer um projeto de 7 semanas na África do Sul, até o final de março. O contexto do projeto era ótimo: experiência internacional, tempo curto, 1 semana no Brasil no meio do projeto, gerente brasileira, indústria legal e sobre marketing, que adoro. O timing com relação à adoção também parecia ser perfeito. O fórum entraria em contato dois meses após a entrega de documentos, ou seja, final de março!

No dia 6 de fevereiro, depois de conversar muito com meu marido e decidirmos que eu deveria de ir para África do Sul, liguei no fórum para saber se a documentação que entregamos estava certa e se faltava alguma coisa. “Tudo certo, está com o setor técnico, em breve te ligarão”. E eis que no dia seguinte, 16 dias após entrega dos documentos, a gente recebe a ligação do fórum!!! Eu não atendi a ligação, ligaram para meu marido e a entrevista estava agendada para dia 20 de março! Dali 1 mês e meio. O tempo mais rápido que ouvi falar (e olha que li muito na internet sobre demora no processo de habilitação e ouvi relatos de colegas de grupos de apoio sobre espera de mais de 1 ano para agendamento da primeira entrevista).

Mas seria no meio do projeto. Depois de um tempão me contorcendo de nervoso, resolvi ligar de volta para a assistente social e perguntei sobre a possibilidade de remarcar. Ela foi irredutível. Para remarcar, eu precisaria de uma petição, eles cancelariam o processo e eu precisaria dar entrada novamente. Não, nunca. Confirmei para o dia 20 de março. Liguei para duas amigas, mandei e-mail para outro amigão, falei com meu marido. E decidido: eu não iria para o projeto na África.

Foi a primeira vez que senti que eu tinha uma grande responsabilidade e um grande compromisso com alguma coisa que não fosse eu mesma. Minha carreira é importante, gosto do que faço e o sucesso profissional me dá condições (digo, salário) para realizar as coisas que quero. Mas eu decidi que queria um filho, que queria a adoção e, se tenho que estar no fórum dia 20 de março sem possibilidade de remarcar, eu estarei no fórum nessa data. Meu filho agora é minha prioridade e não vai ser a única mudança de planos que vou ter que fazer na minha vida por causa dele. Eu acho que isso é ser mãe.

O final feliz da história é que eu trabalho em um lugar muito legal. Conversei com meu mentor, com a gerente de RH e também com minha gerente e sócio do escritório de Johannesburg e terei um flight back para estar em São Paulo no dia da entrevista! Assim, dia 14 de fevereiro eu embarco para África do Sul.

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Brigadeirinho

Já conhecemos o Feijãozinho, o Zigoto e a Sementinha. São os apelidos que as mamães dão para os bebês enquanto estão grávidas e não sabem ainda o sexo ou não definiram o nome.

Durante nossa “gravidez do coração”, nosso(a) filho(a) será chamado de Brigadeirinho. ❤

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