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Frozen

O que eu acho mais legal nessa enxurrada de Frozen na minha vida é ser um desenho onde a protagonista congela o verão. Tem coisa mais linda que congelar o verão? Linda demais essa história. É o que eu chamo de conto de fadas, gente!

Adoro com ela fala: “o frio não vai mesmo me incomodar”. Não, não mesmo, Elsa. Tudo o que eu queria era brincar na neve agora.

Filhos, mamãe tá cogitando uma mudança para um país onde a máxima seja 22C o ano todo, tá? Vão se preparando.

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Desapega desses brinquedos

Foi num sábado, final do dia, depois de um dia de bagunça tirando absolutamente todos os brinquedos do armário e espalhando pela casa: eu quase fiquei louca quando percebi a quantidade de tralha em forma de brinquedos que dois seres humanos conseguem acumular. Eram peças de origem desconhecidas, jogos que já estavam ultrapassados para eles, coisas quebradas, coisas nunca utilizadas.

No domingo, logo após o café-da-manhã, coloquei uma caixa grande de papelão no quarto e expliquei:

– Acho que vocês têm brinquedos demais. Algumas crianças irão ficar felizes se ganharem estes brinquedos. Vamos separar algumas coisas e doar?

Foram SEIS caixas grandes. SEIS. Levamos juntos até a farmácia que estava fazendo campanha de dia das crianças e eles ficaram super felizes porque me ajudaram a entregar tudo para a atendente. Até hoje, meu filho fala às vezes:

– Mamãe, lembra do dia que a gente levou os brinquedos para as crianças que não têm brinquedos lá na farmácia, lembra?

O que achei mais legal foi o desapego deles. Doamos muita coisa mesmo e eles não reclamaram, não sentiram falta, não resmungaram. Simplesmente desapegaram e estão satisfeitos com os brinquedos que ainda têm.

– Tinha muito brinquedo em casa, né, mamãe?

É, filho, seu lindo.

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Apaixonei

– Boa noite, filha. Você é muito linda, não esquece, dorme bem.

– Mamãe?

Volto, abro a porta e ouço:

– Você é linda e maravilhosa.

– E você é a menina mais linda.

– E o Isaac?

– O Isaac é o menino mais lindo.

– Mamãe? Eu vou casar com você e o Isaac também vai casar com você, tá?

– Tá!

Nós já somos casados, né? ❤

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Apaga a luz

– Filha, arruma logo suas coisas pra dormir, que a mamãe vai apagar a luz.

– Precisa apagar a luz?

– Sim, não pode dormir com a luz acesa.

– Senão fica com dor de barriga, né?

Hein?

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Por que branco?

Outro dia vi uma menininha na rua acompanhada de sua babá. Sei que era sua babá porque a moça usava branco da cabeça aos pés. Aí eu saí perguntando: por que as babás usam branco?

Resposta 1: É um uniforme que facilita a identificação, é como um bombeiro ou um policial.

Sim, uniformes facilitam a identificação da pessoa. Quando entro em uma loja, acho bacana quando os vendedores estão uniformizados e é fácil saber com quem falar para tirar dúvidas. Se um prédio está pegando fogo, é fácil saber quem são os bombeiros que devem entrar para socorrer vítimas e apagar o incêndio (além, claro, da própria segurança que as roupas deles trazem para eles). Quando meus filhos vão a alguma excursão da escola, devem ir obrigatoriamente uniformizados, pois se se perderem do grupo será fácil identifica-los. Até aí, concordamos. Minha pergunta é: para que alguém precisa identificar uma babá?

Suponhamos que eu esteja em um parquinho e encontre uma criança perdida. Vou olhar em volta e ver várias babás vestidas de branco e várias mães vestidas com as roupas que puderam escolher pela manhã. Adianta eu devolver para qualquer uma das babás? Adianta eu ter simplesmente identificado quem é babá e quem não é babá uma hora dessas?

Se eu quisesse identificar a babá dos meus filhos por aí, eu pediria a ela que usasse roupas verde-limão com a foto dos dois estampada nas costas, porque aí, sim, eu veria vantagem em alguém identificá-la. E eu deveria fazer o mesmo, para tudo fazer sentido.

Resposta 2: É para evitar que elas usem roupas inadequadas para o trabalho delas.

… já que nenhuma roupa branca pode ser curta, justa ou ter decotes imensos. Sério, gente. Eu também tenho um dress code no meu trabalho. Todo mundo tem. Se eu for hoje trabalhar de shorts e chinelo, meu chefe vai me chamar para um feedback. Existem roupas adequadas e inadequadas para qualquer tipo de trabalho. Neste caso, é só assumir que a babá é adulta e madura (e se você a contratou para cuidar das criaturas mais importantes de sua vida, certamente você contratou alguém adulto e maduro) e ter uma conversa sincera e objetiva sobre a questão das roupas.

Resposta 3: É uma questão de higiene, para garantir a limpeza.

Neste caso, imagino que também seja obrigatório que todas as mamães em tempo integral ou em licença maternidade também usem branco. Vale também para todas as avós, tias, vizinhas ou familiares que tomam conta das crianças. Mas eu nunca vi uma mãe ou uma avó inteiramente de branco cuidando de uma criança. Você não acredita que as roupas da babá estejam limpas a não ser que sejam brancas para dar para ver de longe? Você tem uma pessoa que passa muito tempo com seu filho, muitas vezes sozinha, dando carinho e atenção, e você não pode confiar na limpeza das roupas delas? Sério mesmo?

Resposta 4: Elas são como médicos e enfermeiros, que também usam branco.

… e esterilizam as mãos a cada momento que tocam na criança, e usam luvas, máscaras e protetores para os cabelos. Também nunca se sentam no chão para brincar.

Resposta 5: Foi escolha da babá, ela prefere usar uniforme.

Preferir usar uniforme é uma coisa, usar branco é outra. Entendo que alguém não queira usar suas roupas “pessoais” no trabalho e prefira ter roupas específicas para isto. O uniforme poderia ser algumas camisetas básicas e confortáveis para cuidar de uma criança o dia inteiro, por exemplo.

Mas, considerando que: 1) cuidar de crianças suja as roupas dos adultos (porque é comida para todo lado, é um tal de sentar no chão, de ir no parquinho, de pegar no colo e receber aquelas marquinhas de sapato na roupa) e 2) roupa inteira branca não é um hábito comum (vejo poucas pessoas que não trabalham na área de saúde ou que não sejam babá ou guia espiritual usando só branco), duvido um pouco que alguma babá escolheria por conta própria esse look inteiro branco para trabalhar com crianças.

Minha resposta: não quero criar inimigos. Talvez as coisas estejam tão automáticas que algumas pessoas nem tenham parado para pensar. Mas eu acho que as pessoas pedem que as babás usam branco para diferenciar quem é babá e quem não é.

Eu não sei se o motivo é mostrar para que outros que tem uma babá ou se o motivo é evitar que a babá seja confundida com um membro da família ou uma amiga. Não sei. Só sei que o branco, na minha opinião, só tem função de deixar claro que o adulto X é a babá.

Não me odeiem, por favor, é só uma opinião, tá?

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Livre estooooooooooouuuu

Música de criança gruda na cabeça de adulto de uma forma impressionantemente chata. Eu acho que canto as músicas do Frozen mais vezes por dia que eles. Eles variam entre canções diversas, eu não. Eu canto “Livre estooooooooooooooouuuu” o dia inteiro.

Teve um dia que meu filho pediu para ver Frozen antes de dormir e depois foi fazer outra coisa. Esqueceu. Pus na cama, dei beijinho, apaguei a luz, achando que eu tinha me livrado daquilo por um dia, mas, quando eu estava quase terminando de fechar a porta do quarto, cantarolei baixinho um “Livre estooooooooooooouuuuuuuuuuuu”. “Mamãe, esquecemos do Frozen, volta aqui!” – ele gritou. Não, eu não estava livre nada.

Eu canto no trabalho e deixo a música grudada na cabeça dos culegas. Dia desses, meus filhos saíram para a escola e eu fiquei me arrumando cantando “Livre estoooooooooooooooooouuuuuuu”. Aí achei que estava demais e coloquei músicas de adulto no iPad. Na hora de sair para o trabalho, desliguei o Geraldo Azevedo, fechei a porta de casa, chamei o elevador e cantarolei “Livre estoooooooooooooooooooooouuuuuuuuuuu”. Inferno.

Algum dia eu vou ficar livre disto, meldels?

 

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Eu amo comer fora

Teve um longo período na minha vida em que eu encontrava meus amigos e tomava só cerveja. Só. Tá, no máximo um porção de fritas pra acompanhar, porque o dinheiro não dava pra comer fora. Aí o salário de estagiária começou a permitir lanches e pizzas com a galera. Aí eu fiquei velha e phyna e hoje curto mesmo sair para jantar.

Você escolhe um lugar legal, vai até lá, às vezes até reserva antes. Chega, escolhe uma mesa num lugar aconchegante, recebe a carta de vinhos. Escolhe as bebidas, olha o cardápio com calma enquanto conversa, muitas vezes demora para pedir alguma coisa porque estava batendo papo. Vem o couvert. Daí você pede uma entrada e espera calmamente ela chegar. E saboreia. E depois de mais papo, escolhe o prato principal. Ele demora, você conversa, bebe, conversa mais. O prato chega, você come com calma, comenta os ingredientes, aprecia. Depois vem sobremesa, depois café, depois vem a conta e nessa hora eu vou ao banheiro para não ter que dividir.

E um belo dia você vira mãe e o mundo desmorona.

Na última vez que fomos a um restaurante, tínhamos passado a manhã na praia e já passava das 14h. Ou seja, eu tinha duas crianças com fome e sono. Entramos e eu escolhi uma mesa. Com um em cada uma das minha mãos, olhei rapidamente para todos os lados e visualizei os cadeirões. Pedi ao garçom para trazer bem rápido e colocar um ao lado do outro, enquanto eu afastava dos lugares das crianças todos os pratos, talheres, jogos americanos, temperos, guardanapos. Coloquei os dois sentados bem rápido, para não terem tempo de fugir. Dei umas 3 broncas do tipo “não mexe aí” e “não balança a mesa” e o cardápio chegou. Pedi três sucos, os deles em copos menores e com canudos e o prato mais ágil que eles tinham. Pedi para meus filhos não gritarem e não falarem com o casal da mesa ao lado que não demonstrou vontade de interação social. Os sucos chegaram e não deixei o garçom colocar na frente deles, pus tudo bem perto de mim. Antes de deixar tomar suco, lembrei bem que deviam tomar cuidado para não derrubar. Eles começaram a tomar e eu fiquei tensa, atenta, pronta para agir caso visse um copo virando. A comida demorou uma eternidade e eles perguntaram se estava chegando a cada 30 segundos. Quando a comida chegou, eu me levantei e mandei pro garçom um “deixa que eu sirvo”. Cortei o peixe, servi o arroz, entreguei para o primeiro. Fiz o mesmo para o segundo. Me servi e sentei. Levantei, corri para a mesa do lado e peguei a pimenta – eu tinha que comer rápido e terminar junto com eles, então não podia esperar o garçom voltar. Engoli a comida, enquanto limpava bocas, mesas e mãos. Pedi 64 vezes para não colocar a mão na comida. Dei mais suco, fiquei brava com a sujeira e com a bagunça. Pedi a conta e pedi para trazer a maquininha do cartão junto. Paguei e quase chorei quando minha filha pediu para fazer cocô. Saí correndo do restaurante.

Quer visualizar melhor? Olha isso aqui.

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Seguro de vida

Fiquei doente no final de semana. No sábado à noite, coloquei os dois na cama, me droguei loucamente (dá-lhe anti-gripe e analgésicos) e dormi cedo. No domingo continuei com as drogas, mas a gripe venceu. No final da tarde, quando começou a escurecer, eu deitei no sofá da sala no escuro e fiquei escondida. Os dois estavam brincando no quarto e demoraram para perceber que eu tinha sumido. Do sofá, eu ouvia as conversas, gritinhos, risadas, brigas e barulhos de brinquedos caindo no chão e prometi para mim mesma que eu levantaria somente em casos de risco de morte ou de destruição grave no apartamento. Qualquer outra situação eu ia deixar passar.

Aí eles vieram:

– Mamãe, cadê você?

– Mamãe, você tá dodói?

– Mamãe, faz comida, tô com fome.

Ah, diacho, tem que comer, né?

Eu juro que liguei três vezes para a pizzaria, mas pizzarias aparentemente não abrem no domingo às 18h. Encarei o fogão e eles jantaram. Depois fiquei me perguntando seriamente se seria uma grande negligência colocar os dois para dormir sem banho, porque eu não podia nem pensar em tirar minha calça de moletom e meus chinelos com meia para encarar dois banhos de crianças. Mas eles perguntaram sobre o banho e eu fiquei imaginando eles contando para as tias da escola, para a tia da perua e para os amiguinhos “ontem a mamãe não deu banho” e achei melhor encarar também.

Às 20h eles dormiram, às 20h15 eu fui para cama. Depois do meu banho, juro.

Quando eu era pequena e ficava doente, minha mãe me dizia que preferia ficar doente no meu lugar. Mãe, você é muito legal, mas eu não. Podem me xingar, mas eu prefiro cuidar de criança doente do que estar doente e ter que cuidar de criança, esteja ela doente ou não.

Preciso de um seguro-mãe que envie babá folguista cada vez que eu adoecer, será que existe?

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Abaixo os pirulitos

Toda vez que abro a mochila de meus filhos e encontro lembrancinhas das festinhas de aniversário na escola (i.e., pacotinhos recheados de balas, pirulitos, chicletes, adoçantes e corantes), eu imediatamente transfiro para minha mochila e entrego para minha equipe ficar feliz e adoçada no dia seguinte.

Tudo bem transparente: meus filhos sabem que eu não deixo comer balas, pirulitos e afins e minha equipe sabe que estou dando para eles o que não dou de jeito nenhum para meus pequenos.

É assim que sou mãe e é assim que sou chefe. 😉

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Amor

Meu filho estava trocado no quarto dele e eu estava terminando de arrumar minha filha para ir para escola no quarto dela. Aí ele volta com quatro brinquedos na mão e entrega dois para ela, junto com um beijinho no rosto:

– Você é linda. Gosto de você. Vou dividir os brinquedos com você.

Ela sorri e dá um beijo de volta.

– Você é lindo. – e se abraçam.

Tenham filhos, gente. É muito amor transbordando por aqui. Como eu vivi 30 anos sem isso?