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Buscando a babá número 2

Na verdade, não é de uma babá cheia de qualificações específicas para cuidar de crianças que eu preciso. Preciso de alguém que olhe os dois e não os deixe cometer suicídio durante 1 hora por dia, no período entre chegar da escola com a perua e esperar a mamãe chegar em casa. O tempo é curto e o trabalho é simples, então a primeira pessoa que procurei foi a moça que já trabalhava em casa há um tempão e que cuida da limpeza e da arrumação. Ela é ótima pessoa, de confiança e já conhecia os brigadeirinhos há bastante tempo, então topou quando eu propus mudar os horários e ganhar um aumento no final do mês.

Em apenas um mês ela desistiu e veio me falar isso em uma conversa sincera. Não por causa do trabalho em si que duas crianças dão para um único adulto, porque ela nem teve tanto trabalho braçal assim. Nesse mês todo só pedi para ela dar banho nos dois uma única vez, porque eu estava presa em um congestionamento infernal. O grande problema é que eles não a obedeciam e cuidar de duas crianças desobedientes enlouquece qualquer um. Eu nunca tinha visto os dois serem mal educados com ninguém. São levados e bagunceiros, mas respeitam todo mundo. Sempre me orgulhei por ter dois filhos sociáveis, que vão com todo mundo, que estão sempre sorridentes e que em geral são muito educados. Perceber que meus filhos estavam realmente tratando mal alguém me deixou triste, mas eu não consegui resolver a situação, nem ela, e então ela me avisou que não queria mais continuar cuidando dos dois no final da tarde.

Meus bebês estão passando por uma fase em que buscam limites e testam as pessoas o tempo todo. Sabem que não podem mexer em alguma coisa, mas vire e mexe colocam os dedinhos lá para checar se algum adulto vai realmente repetir que não pode mexer. Insistem na bagunça que estão fazendo até tomar uma bronca maior ou ficar de castigo. Ficam nervosos e fazem coisas que sabem que não pode fazer de propósito. Fazem birras, tentam dar ordens, experimentam não obedecer, choram. É duro. É difícil de saber o que fazer nessas horas. É irritante. Às vezes, é desesperador.

Para mim, o x da questão na hora de colocar limites e mostrar o que pode e o que não pode fazer é coerência. Não invisto em gritos ou chiliques com os dois, mas tento sempre conversar, explicar e ser coerente. Se defino que não pode entrar na cozinha sem um adulto, explico que não pode e não tem exceção, nunca pode entrar na cozinha sozinho – não existe um “só hoje” ou “deixa entrar para parar de chorar”. Se aviso que vão ficar de castigo ou vão ter que guardar um brinquedo porque estão insistindo em fazer alguma coisa que já pedi para parar de fazer, eu cumpro. Existem coisas que são negociáveis e coisas que não aceito negociar: tem que tomar banho, escovar os dentes e ir para cama na hora certa e pronto. Sei que vão chorar, espernear, gritar e se jogar no chão, mas não volto atrás, respiro fundo, enfrento a birra, mantenho minha palavra. Cansa, mas é o meu jeito de mostrar para eles os limites que eles precisam respeitar.

Durante esse mês, vi acontecer em casa algumas cenas que me deixaram na dúvida sobre quem estava no controle por aqui. Ela os colocava nos cadeirões para tomar leite e, enquanto preparava os copinhos, deixava cada um com um brinquedo na mão. E eles jogavam o brinquedo no chão de propósito, ela pegava e dizia para não jogar de novo porque da próxima vez não iria pegar. Mas eles jogavam de novo, e ela ameaçava não pegar, eles choravam, aí ela pegava para parar de chorar e avisava que era a última vez que iria pegar. Mas sempre pegava de novo na próxima vez, e na outra também. Não tem como uma criança de dois anos entender o que está acontecendo se um adulto não é coerente no que fala.

Eu a orientei para ser firme com os dois, sem nenhuma agressividade, claro. Falei que não adiantava ameaçar e não cumprir, porque apenas a ameaça de “olha, que assim não vai mais brincar” não adiantava nada. Mas eles a venciam no choro e ela fazia exatamente o contrário do que tinha combinado ou avisado para eles. Faziam o que quisessem quando estavam com ela, e eu entendo que é muito difícil de aguentar os dois quando eles estão desembestados a fazer o que bem entendem. Um dia cheguei em casa e ouvi meu filho dizendo para a babá que ela estava de castigo e que ele não iria mais falar com ela, e foi frustante. Eu não estava gostando nem um pouco do comportamento deles com ela e percebi que não consigo ficar tranquila sabendo que eles estão completamente sem limites. Toda a situação me chateou demais.

Tentei conversar com eles várias vezes, para falar sobre respeitar, obedecer, tratar bem, colaborar. Não resolveu. Chamei a atenção dos dois várias vezes quando a tratavam mal na minha frente, mas depois percebi que chamar atenção por desrespeitar a babá era muito parecido com chamar a atenção quando eles brigam um com o outro: eles param, mas é só eu virar para o outro lado que recomeçam. Em pouco tempo, comecei a ouvir a babá dizer para eles “se não parar, vou chamar sua mãe para dar uma bronca” e me dei conta que ela nunca colocaria ordem nos pequenos. No fim, achei legal que ela também percebeu.

Babá número 2, aí vamos nós.

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Babá e bagunça

No primeiro dia, eu estava na porta do prédio com a Cleide esperando os bebês e a perua. No segundo dia, vim para casa cedo, mas fiquei no apartamento enquanto a Cleide desceu sozinha para esperá-los. No terceiro dia que tinha uma reunião que terminaria às 18h e pouco e seria a primeira oportunidade para testar se todo o esquema tinha dado certo.

Antes de sair para ir para escola nesse dia, eu expliquei que eles iriam voltar de perua e que a Cleide estariam esperando os dois em casa. Que eles tinham que obedecer a Cleide e fazer tudo como fazem com a mamãe. No carro, retomei a conversa:

– Quem vai voltar de perua?

– Eu!

– Quem vai estar em casa esperando vocês chegarem?

– A Cleide!

– O que vocês vão fazer com a Cleide quando chegarem? (eu esperava uma resposta do tipo: “tomar leite”, “comer fruta”, “tomar banho”, “escovar os dentes”, ou algo assim)

– Bagunça!

Não. Não. Não. Nesse momento eu desenvolvi uma fobia. Medo de ter dois pestinhas que assustam todas as babás (acho que já vi um filme assim, não existe?).

Passei o dia mentalizando “Cleide, por favor, seja forte, não deixe os dois dominarem você”. Só liguei para ela para ter certeza que ela tinha chegado em casa para trabalhar e resolvi conferir o resultado da experiência só quando entrasse em casa. E passei o dia em um uorquixópi com um cliente, pensando na Cleide me dizendo: “eu só tenho medo mesmo de ter que dar banho nos dois sozinha”. O cliente discutia o novo maindiséti para entender seus clientes, e eu só pensava em como alguém pode achar difícil dar banho em duas crianças ao mesmo tempo. É tão fácil, pô. Liga o chuveiro, espera a água esquentar, tira a roupa da criança, pede para ela não fazer xixi ou cocô no chão (não desfraldei, às vezes dá nisso), molha a criança, lava o cabelo com xampu, enxágua, lava o corpo com sabonete, enxágua, passa condicionador no cabelo, enxágua, toma cuidado o tempo todo para a criança não escorregar no chão molhado e cair e bater a cabeça no chão e morrer, desliga o chuveiro, embrulha na toalha e enxuga. Ao mesmo tempo, presta atenção na criança que ficou do lado de fora do box, porque ela vai estar fazendo algumas das alternativas a seguir: 1) subindo no vaso e dando descarga, 2) subindo no vaso, abrindo a torneira da pia e se molhando inteira, 3) subindo na pia e tentando suicídio infantil, 4) puxando o rolo de papel higiênico e encenando aquela propaganda dos anos 80, 5) abrindo a tampa do vaso e pulando de cabeça lá dentro, 6) abrindo o armário ou gavetas e tirando todas as coisas para fora – o que inclui engolir produtos de higiene pessoal, 7) abrindo o cesto de lixo e brincando com papel higiênico usado, 8) brincando com alguma coisa que mamãe deu para ela se distrair (mas essa cena eu nunca vi). Quanto terminar, inverte as crianças e repete tudo isso só mais uma vez.

Eu me segurei e resolvi não ficar ligando para atormentar a moça – mais do que os dois já deviam estar atormentando – para fazer perguntas bobas do tipo: “você conseguiu subir com dois bebês e duas mochilas?”, “você conseguiu fazer os dois sentarem nos cadeirões para comer uma fruta?” ou “promete que não foge e não larga os dois sozinhos em casa até eu chegar?”.

Peguei trânsito. Cheguei ansiosa. Abri a porta da sala e entrei correndo. Encontrei os três sentados no chão do quarto, brincando, e foi muito legal. Foi muito legal porque ultimamente eles vinham me recebendo na escola com um ar de “mas já, mãe? não posso brincar mais um pouco aqui?” e sempre um ou outro entrava no carro fazendo birra. Ontem quando cheguei eles abriram sorrisos imensos e vieram me abraçar. Pediram para eu sentar para brincar também. A Cleide estava sorrindo também, então acho que ela não teve pensamentos suicidas.

Fiquei com eles até a hora de dormir e depois também fui pra cama. Feliz.

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Mamãe estressada

Epílogo

Chegar a uma conclusão assim não foi um processo fácil e muitas vezes foi bastante doloroso. Eu achei que tinha falhado e que não era uma boa mãe inúmeras vezes. Eu achava tudo o que vou contar um absurdo. Mas hoje estou tranqüila e feliz com a decisão que tomei: contratei alguém para me ajudar com os bebês.

Fato

Eu escolhi uma carreira há mais de três anos da qual gosto muito: sou consultora. Nos quase três anos em que trabalhei em uma consultoria de estratégia, eu ficava no escritório umas 12 ou 13 horas por dia em média. Nunca conseguia jantar em casa. Mas, se por um lado parece desumano, por outro lado eu me divertia. Depois que virei mãe, passar as noites no escritório perdeu o sentido, claro. Eu trabalhei na empresa por três meses depois de voltar de licença maternidade, sempre saindo por volta das 18h para ficar com meus pequenos, o que me obrigava a mergulhar no trânsitodosinfernosdesãopaulotodosantodia, além de sempre ter que parar alguma coisa para sair correndo. Mudei de emprego, continuo consultora, parei de jantar no escritório ou levar tanto trabalho pra casa e por um tempo consegui estar às 19h todo dia na porta da escola para pegar meus bebês e levá-los para casa. Não sem antes enfrentar o trânsitodosinfernosdesãopaulo e chegar lá estressada demais.

Complicação

Eu juro que tenho um sentimento muito feio: eu morro de saudades do tempo em que eu podia ficar no escritório até tarde e que não fazia a menor ideia do que é o trânsito de São Paulo às 18h. Eu nunca queria ter conhecido a Bandeirantes nesse horário. Eu nunca queria ter descoberto que nenhum caminho alternativo às 18h funciona, nem nenhum aplicativo inteligente no IPhone. E eu realmente espero que apenas as pessoas que precisam buscar seus filhos na escola se joguem na rua nesse horário. Caso contrário, gente, não façam isso, não! Faz mal pra saúde!

O problema foi que, mesmo tendo aprendido que na maioria esmagadora das vezes eu consigo chegar na escola no horário certo, eu já começo a semana tensa. Toda segunda é dia de ficar olhando a agenda e me estressando com os horários das reuniões. A partir das 17h, todo dia, eu inicio o momento será-que-vou-conseguir-sair-às-18h e perco toda e qualquer atenção no que estou fazendo. Todo dia às 18h eu saio de onde estiver em São Paulo rumo à escolinha, chorando, mentalizando um calmaquevaidarprachegarnohorário. Todo dia pego meus filhos com cara de cansada e tensa e isso não é nem um pouco legal com crianças.

Eu odeio horários. Odeio horários porque sou uma pessoa maníaca que sempre chega adiantada, com medo de perder o horário ou com medo de deixar alguém me esperando. Eu chego 3 horas antes de vôos nacionais e sempre chego antes do paciente anterior quando tenho consulta médica. Odeio atrasar. Eu devia fazer terapia para isso, eu sei. Mas eu teria que marcar horário com uma terapeuta e isso iria me estressar mais ainda. Eu, por exemplo, pratico musculação e corrida não porque são coisas que eu ame fazer, mas porque são coisas que posso fazer em qualquer horário. Posso entrar na academia a hora que eu quiser e sair a hora que eu quiser e pronto. Spinning às 7h? Me dá calafrios. Aula de jump às 20h? Me enlouquece só de pensar.

Enfim.

Aí, saber que meus filhos estão me esperando na escola, cansados, depois de passar o dia todo lá, é a pior sensação do mundo. Ficar pensando que eu vou ser uma das últimas mamães ou papais a chegar lá e que as tias vão começar a apagar as luzes das salas que forem ficando vazias é agoniante. Ter consciência que eu passo um tempo com eles de péssima qualidade, porque eu demoro para me recuperar de todo o stress com horário e trânsito, me mata um pouquinho todo dia.

Para piorar, a escola começou a cobrar multa a cada 10 minutos de atraso.

Solução

Aí algumas pessoas me deram sugestões que parecem lindas, mas não se encaixam em mim.

1. “Por que você não abre um negócio?”: porque eu precisaria de uma ideia brilhante ou um talento muito grande (fazer cupcakes, fotografar, cortar o cabelo dos outros), mas eu não tenho nem um nem outro.

2. “Por que você não presta concurso público para ter uma vida mais tranquila?”: porque a maioria dos concursos com bons salários também exigem que você faça trabalhos burocráticos e repetitivos, tipo ficar checando se as pessoas pagaram direito seus impostos. Tem coisas bacanas e bem remuneradas, tipo ser juíza ou promotora, mas eu estudei engenharia. E também não consigo imaginar uma juíza dizendo: “vamos interromper esse julgamento agora, que tenho que buscar meu filho na escola”.

3. “Por que você não muda de casa?”: porque hoje os bebês amam a escolinha, meu filho faz fono do lado de casa com uma terapeuta que ele adora e estou relativamente perto de um vovô e de uma vovó. Mudar faria muito mais confusão em nossas vidas.

4. “Por que você não os coloca em uma escola perto do escritório?”: 1) porque nem sempre termino o dia no escritório – visito muitos clientes, 2) porque os bebês amam a escolinha atual, 3) porque se o trânsito já me estressa sozinha no carro ouvindo a música que quero, imagina o nível de stress de uma mamãe parada no trânsito durante 1 hora com dois bebês impacientes ouvindo Galinha Pintadinha? Socorro? Resposta séria: porque não acho justo que eles conheçam nosso trânsito infernal tão novinhos. Só por isso. Prefiro sofrer sozinha.

5. “Por que você não arruma um emprego que permita que você saia às 17h todo dia, para fazer alguma coisa bem legal, com o mesmo salário e benefícios que você tem hoje?”: que emprego é esse, gente? Alguém encaminha meu CV?

7. “Por que você não pára de trabalhar?”: só se eu puder parar de pagar minhas contas também. Tem como?

Todo dia eu invejo as pessoas que moram em cidades fofas, onde o transporte público funciona bem e chega em todos os lugares e onde as pessoas andam pra lá e pra cá de bicicleta sem medo de morrerem atropeladas por um motorista maluco. Sério. Seria lindo. Mas como eu moro, trabalho e crio duas crianças em São Paulo, precisei pensar em soluções realistas: contratei a perua da escola para que eles voltem para casa e uma pessoa que esteja em casa todos os dias quando eles chegarem aqui. Não tenho um super orgulho disso. Nunca quis ter uma babá. Mas é a forma como acho que nossa vida vai funcionar melhor.

Na prática, a rotina não deve mudar muito. Eles vão chegar em casa por volta das 19h, horário em que eu os buscava na escola. Eu vou continuar saindo cedo para ficar com os dois à noite, mas sem aquela preocupação horripilante com atrasos, pois eles estarão tranquila e confortavelmente me esperando dentro de casa. Vamos tomar banho juntos, tomar leite juntos e ir para cama juntos todos os dias. A única diferença é que mamãe não vai ter passado 1 hora xingando o trânsito, a chuva, a cidade, e vai estar muito mais calma e emocionalmente disponível para eles.

Hoje eles vieram de perua para casa pela primeira vez e eu estava esperando-os aqui junto com a Cleide. O tio da perua me disse que a professora contou que eles falaram na tal da perua o dia inteirinho. Chegaram felizes com a novidade e o coração da mamãe ficou bem mais tranquilo.

PS: uma amiga comentou que esse post está caótico demais. Gostei do feedback. Acho então que eu consegui transmitir exatamente o que buscar-na-escola-todo-dia-às-19h me causa: caos! 🙂

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E a gravidez?

Um é pouco, dois é bom e três é demais.

=)

No meio da minha licença maternidade, eu desejei ter o terceiro filho. Achei que estávamos nos me saindo tão bem com dois bebês que poderíamos facilmente ter mais um. Achei que o trabalho de cuidar de mais um filho seria marginalmente menor que o trabalho de cuidar de dois filhos. Eu estava louca.

Três coisas principais nos fizeram mudar de ideia e desistir de tentar um filho biológico (além de questões menores, como falta de espaço para a terceira cadeirinha no banco de trás do carro). A primeira delas – e seremos bem sinceros – é que tem coisas pelas quais não sabemos se queremos passar. Nossos filhos sempre dormiram a noite toda, por exemplo. Deitam às 20h e acordam às 7h todos os dias. Não precisamos “ninar”, porque eles deitam e dormem sozinhos. Somente quatro (juro!) vezes acordaram chorando, mas  logo dormiram. Temos preguiça de noites em claro. Não sabemos se queremos passar pelo processo amamentar-trocar-arrotar-ninar a cada três horas. Não fazemos a menor ideia como ensinar um bebê a dormir a noite inteira. Não fazemos a menor ideia como as pessoas conseguem ser produtivas durante o dia depois de acordar duas, três, quatro vezes na madrugada. Nós já ficamos bastante cansados depois que viramos papais mesmo dormindo todas as noites inteiras.

A segunda delas é que não quero tirar outra licença maternidade tão cedo. Licença maternidade foi o período em que me dediquei integralmente para nossos filhos e achei ótimo. Mas li poucos livros, vi poucos filmes, ouvi poucos meus amigos (eles até me visitaram bastante, mas era impossível ouvi-los com dois bebês exigentes ao lado), convivi pouco com adultos. Agora estou integralmente dedicada a aprender a conciliar a minha própria vida com o papel de mamãe e não quero interromper essa fase.

E por último, não queremos saber o quão difícil deve ser decidir onde deixar um bebê de cerca de seis meses para a mamãe voltar a trabalhar. Todas as opções que conhecemos não parecem ser 100% perfeitas para nós (parar de trabalhar, deixar com babá, deixar com vovó ou deixar em um berçário). Com 1 ano e 9 meses, temos certeza que a melhor escolha para nossa família foi a escolinha. Com um bebê de seis meses, acho que optaríamos pela berçário, mas não tenho certeza que estaríamos tão seguros como estamos hoje.

Pode ser que isso mude com o passar dos anos, depois que nossos filhos tirarem as fraldas, aprenderem a falar (e, consequentemente, aprenderem a parar de se comunicar exclusivamente através do choro) e pararem com as tentativas de suicídio infantil (isto é, escalar móveis, se jogar para trás, mergulhar na privada e tal). Mas hoje achamos que nossa família está completa. Mamãe, papai, dois filhos e um cachorro era o que queríamos e estamos completamente felizes assim.

É verdade que tenho curiosidade sobre a gravidez, porque deve ser o máximo sentir um bebê crescendo dentro da barriga. Mas concluímos que só a vontade de viver a gravidez não é motivo para ter um filho. Afinal, toda a felicidade que vem depois da gravidez nós já temos.

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Papai

Não tenho babá para me ajudar a cuidar dos brigadeirinhos, como contei aqui, e nossa faxineira vem somente duas vezes por semana. E quando comentam como deve ser difícil e trabalhoso cuidar de dois bebês sozinha, respondo que não estou sozinha: nossos filhos têm o papai.

Papai é o cozinheiro dos bebês (e da mamãe). A cada dez ou quinze dias, ele passa horas na cozinha preparando uma infinidade de potinhos de feijão, lentinha, carne, frango, sopa e legumes, que são congelados em porções pequenas para que todos os dias nossos filhos tenham comida fresquinha. Se dependesse só de mim, não sei o que eu teria feito. Como não dou comida industrializada de jeito nenhum para eles e já fracassei em diversas tentativas de aprender a cozinhar, acho que eu teria que contratar uma cozinheira.

Além disso, meu marido também “dá conta” de dois bebês sozinho. Conheço mamães que não podem deixar o bebê sozinho com os papais por muito tempo, porque eles não saberiam o que fazer. Em casa, o papai também troca fralda, dá comida, dá banho, troca de roupa, escova os dentes, brinca e põe para dormir. Já precisei sair cedinho de casa enquanto os três ainda estavam dormindo, já saí para jantar e deixei o papai sozinho para arrumá-los para dormir, já passei a tarde no shopping enquanto os três estavam sozinhos em casa e tudo sempre correu bem. E se tanto a mamãe quanto o papai conseguem cuidar de tudo sozinhos, é muito, muito fácil quando estamos os quatro juntos.

No final de janeiro volto a trabalhar e não vou estar mais disponível em tempo integral para nossos filhos. Vou precisar conciliar os compromissos do trabalho com a agenda dos bebês, que inclui consultas médicas, a escolinha que fecha às 19h todos os dias e probleminhas de última hora (como ficar doente), e sei que o papai vai assumir metade dessas coisas. Também sei que eles estarão bem cuidados quando eu precisar trabalhar até mais tarde e não conseguir chegar a tempo de colocá-los para dormir. E, mais que bem cuidados, sei que estarão felizes com o papai quando eu não estiver. Porque sei que eles sentem o carinho e o amor que o papai tem por eles e porque tenho certeza que eles ganharam o melhor papai do mundo.

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Babá

Nós decidimos não ter babá, e foi uma decisão pouco racional e muito intuitiva. Nós não fizemos contas para ver se o salário de uma babá caberia no orçamento nem ficamos discutindo as vantagens e desvantagens desse serviço. Eu simplesmente não quis uma babá comigo o dia todo, já que iria tirar licença maternidade e teria tempo para cuidar dos nossos filhos sozinha. Fiquei com medo de perder minha privacidade, de ficar cansada por ter que conversar 8 horas por dia com uma pessoa até então desconhecida, de não concordar com alguma coisa que ela ensinasse para os bebês. E também nunca me fez falta.

Claro que algumas vezes eu não pude ir a alguns compromissos porque as vovós não puderam ficar com eles. Também aprendi que é muito difícil levar os dois sozinha nas consultas médicas e, ao mesmo tempo, não deixá-los destruir o consultório e prestar atenção no que o médico estava falando. Mas na grande maioria das vezes nós conseguimos nos virar bem. Não dá para fazer as compras do mês, mas sempre que preciso de meia dúzia de coisas levo os dois comigo ao supermercado. Eles me acompanham quando preciso levar o Fidel ao pet shop e já arriscamos alguns almoços fora com os amigos da mamãe durante a semana, enquanto papai trabalha.

Essa semana fui à clínica onde os brigadeirinhos farão fonoaudiologia e terapia ocupacional para uma conversa inicial. O objetivo era contar a história deles e principais etapas do desenvolvimento para as terapeutas, para que elas pudessem preparar as sessões dos dois. À noite o papai quis saber tudo sobre a conversa – sorte nossa que temos um papai super participativo que quer se envolver em tudo! E contei para ele que, além de tudo o que sabemos sobre a vida deles antes de chegar à nossa família, falei tudo o que aconteceu com nossos filhos depois que vieram para casa: como cada um deu os primeiros passinhos, as palavras que cada um já fala e quais fonemas são mais fáceis para eles, que tipo de alimento é mais difícil mastigar, o que gostam de comer, como se comunicam, os gestos que já aprenderam, que tipo de brincadeira gostam mais, como reagem às broncas e frustrações, como dormem, como acordam, o que já tentam fazer sozinhos, quando acho que estarão prontos para o desfralde etc. Meu marido me interrompeu com um “como você lembrou de tantos detalhes?”. E aí eu parei e fiquei muito feliz. Porque eu tirei licença maternidade para me dedicar em tempo integral a eles e fiquei satisfeita por ter realmente prestado atenção neles. Fiquei satisfeita por ter trocado fraldas, escovado os dentes, cortado as unhas, colocado para dormir, dado comida, dado banho, acompanhado as febrinhas e por ter ficado brincando e cantando com eles no chão da sala quase todos os dias. Não dá para saber o quanto disso tudo eu teria dividido com uma babá e talvez eu não tivesse perdido nenhum detalhe mesmo assim. Mas não ter ajuda constante me deixou muito próxima deles e tenho certeza que isso foi importante para nossa família.

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Primeira visita da assistente social

Hoje à tarde recebemos a visita da assistente social em casa. Ela ligou para agendar há uns 3 dias e pediu para todos estarem aqui no horário combinado. Durou uns 20 minutos. Perguntou sobre a rotina deles aqui em casa, o que estão comendo e como está a saúde dos dois. Pediu para ver o quartinho dos dois, o banheiro e notou as pequenas alterações que fizemos em casa (colocamos telas de proteção nas janelas e um portão para que eles não entrem na cozinha sozinhos). Perguntou também se estamos de licença maternidade/ paternidade, se tenho ajuda durante o dia para cuidar dos dois e como estamos organizando a nova vida.

Eu tirei a licença maternidade para cuidar da adaptação dos dois e infelizmente meu marido não pôde fazer o mesmo. Mas como optamos por fazer tudo sozinhos e olhar de perto tudo o que está acontecendo em nossa casa, não temos babá e não está nos nossos planos contratar uma. Nossa faxineira vem duas vezes por semana e pedimos para ela tentar vir um dia a mais. Além disso, combinamos com uma das vovós que os bebês passarão um dia por semana na casa dela, para mamãe poder fazer coisas sozinha. Tirando essas 5 horas que ficam sozinhos com a vovó, estou com eles o tempo todo, muitas vezes sozinha até o papai chegar do trabalho.

Virar papais de uma hora para outra não nos deu tempo para pensar em um monte de detalhes que fazem a casa “funcionar”. Nós não tínhamos ideia que bebês sujavam tanta roupa – são duas ou três roupinhas por dia, porque além de engatinharem para-lá-e-para-cá, às vezes derramam comida ou deixam escapar um xixi ou cocô. Se antes lavávamos roupas uma vez por semana, agora usamos a máquina umas três ou quatro vezes na semana, e geralmente temos mais roupa para lavar do que a capacidade dos nossos varais. Também ainda não acertamos a quantidade de compras de supermercado, porque temos que ter comida todos os dias, para nós quatro. Sempre falta alguma coisa e temos que sair correndo para buscar. No primeiro final de semana, meu marido cozinhou um monte de papinha e sopinha e não tínhamos potinhos suficientes para congelar tudo. E como não deu tempo de providenciar toda a “lista completa de enxoval para bebês”, todos os dias percebemos que eles precisam de algo, tipo termômetro para crianças (o convencional é uma tortura), alicate para cortar unhas e meias anti-derrapantes.

Apesar de estarmos achando tudo muito confuso, eles estão super bem. Estão sorridentes e brincando muito. Já conhecem bem os papais e a casa e entendem muitas coisas que falamos para eles: por exemplo, vêm sozinhos até a porta da cozinha quando chamamos para comer e sabem quando tomaram bronca por mexer em alguma coisa que não é de criança. Os dois estão dormindo super bem – das 20h às 7h e das 12h às 15h – e acordam de bom humor (sim, é quase ganhar na megasena). E, fora umas duas ou três birras para comer que nossa filha fez, estão se alimentando bem, comendo tudo que oferecemos e muito!

Além da visita da assistente social, teremos entrevista com a psicóloga em setembro e a avaliação final do estágio de convivência será feita em janeiro, para então recebermos a guarda definitiva dos nossos filhos!

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