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Palavrão

6h30 da manhã no quartinho dos bebês. Eu estava trocando meu filho e minha filha ainda estava na caminha. Estávamos em silêncio, pois os dois ainda estavam bocejando e se espreguiçando. De repente, meu filho dá o maior berro do mundo:

– RUTH PUTAAAAAAAAAAAAA!

Meu coração parou. Mano, como assim ele aprendeu essa palavra? Primeiro eu xinguei mentalmente todas as pessoas que sei que falam palavrão perto dos dois. Depois fiquei na dúvida se dava uma bronca ou se só dizia para ele nunca repetir aquilo. No fim, fiquei com pena da carinha de que-foi-que-eu-fiz e pedi para ele me explicar.

– Que você disse, filho?

– Que a Ruth vai pular, mamãe.

Ah, ufa.

Pô, filho. Confundir letras é bonitinho, tá? Mamãe Luli, bobó Elena, “quelo” leite, tudo isso é fofinho. Mas confundir “pular” com “putar” não pode, não, meu. Pô, não mata a mamãe do coração?

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Conversa sobre as princesas

Aí eu percebi que não adiantava nada publicar um post sobre princesas se eu não contasse minha opinião sobre o assunto diretamente para minha filha. E quanto antes melhor, né? Então resolvi ter uma conversa de mamãe para filha com uma bebezinha de dois anos:

– Filha, mamãe precisa te explicar por que quero te ver longe de princesas. Príncipe encantado não existe. Mesmo que existisse, nós não iríamos passar nossa vida só esperando ele aparecer para nos salvar, tá? Você não precisa ser salva. Também não precisa se casar com um príncipe se não quiser. Tanto faz. Quero que você seja feliz com ou sem príncipe. Que estude, trabalhe, tenha sua própria vida, vá morar sozinha, vá viajar sozinha. Quero que você seja muito independente, bem resolvida, que não seja nunca piriguete peloamordedeus e blá blá blá…

Depois de me olhar com cara de tédio por uns 5 minutos, ela me interrompeu:

– Mamãe?

– Oi, diga.

– Faz uma “chuquinha” no meu cabelo?

Não, ela ainda não entendeu nada. Morri de rir. Fofa.

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Fofa

Conversa com minha filha agora pouco:

– Mamãe, consegui! (encaixar um brinquedo em outro)

– Que bom, filha, parabéns!

– … pra você, nesta data querida, muitas felicidades…

Esmaguei.

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Leitura para mamães

Eu não tive muito tempo para ler livros e mais livros sobre maternidade porque meus filhos chegaram em tempo recorde. Cheguei a comprar esse aqui, mas não passei da página 5. Esses livros me lembram auto-ajuda e me dão um certo pânico. Coisas do tipo “como ser uma boa mãe” ou “como educar bem seus filhos” me dão medo. E eu também tive sorte de nunca precisar ler livros como esse aqui, porque meus bebês sempre dormiram lindamente a noite toda.

Mas eu trombei com um livro na África do Sul sobre maternidade em um dia em que todos os livros que eu tinha levado para lá já tinham acabado, chamado “French children don’t throw food, e comprei. Escrito por uma norte-americana casada com um inglês que vive na França com seus filhos, ela começa o livro comparando as mães francesas – elegantes, bem-vestidas e calmas – com as mães norte-americanas – descabeladas, fora de forma, usando roupas de moletom e gritando e correndo atrás de crianças mal-educadas. E ser uma mamãe-descabelada-gritando é algo que ninguém se planeja para ser, né?

A autora descreve no livro as principais coisas que aprendeu com suas amigas e colegas francesas. Algumas dessas coisas, como não se permitir comer o que quiser e engordar horrores na gravidez (porque depois o trabalho de voltar ao manequim original é maior) e esperar um pequeno tempo antes de sair desesperada para acudir um bebê chorando, não serviram para meu caso porque eu não engravidei e não cuidei de um recém-nascido. Mas eu gostei de uma porção de coisas que ela escreveu e tento fazer parecido.

Uma das primeiras coisas que ela conta é que sempre se sentia envergonhada quando levava o filho em restaurantes na França, pois eles eram a única família que não conseguia jantar tranquilamente. Cena clássica que apavora muitos amigos: crianças correndo e gritando porque não querem ficar sentadas à mesa e mães correndo e gritando atrás das crianças tentando contê-las. Quando saímos para comer fora com os bebês, eles participam o tempo todo do programa. Ficam sentadinhos no cadeirão, interagindo conosco (conversando, cantando ou brincando – nunca coloco Galinha Pintadinha no Ipad só para poder comer em paz, gente). Comem ao mesmo tempo que comemos, o mesmo tipo de comida, comem sobremesa, esperam a conta chegar e só então se levantam conosco para ir embora.

A segunda coisa é saber preservar a vida e rotina de adulto. É claro que nossas vidas mudam muito quando os bebês chegam e eles se tornam prioridade. Mas não dá para deixá-los tomar conta de todo o tempo do mundo. Gosto que meus filhos durmam cedo porque gosto de jantar com calma, gosto de ler, gosto de escrever, gosto de ouvir música de adulto e assistir filmes de adulto, gosto de receber amigos para conversar, e não dá para fazer essas coisas com dois brigadeirinhos falantes e bagunceiros acordados. Depois das 20h é o tempo que mamãe e papai têm vida de adulto em casa. Não gosto de brinquedos espalhados pela casa toda pelo mesmo motivo. É claro que é uma casa onde moram crianças, e temos cadeirões na cozinha e uma mesinha onde ficam os brinquedos na sala de estar, mas os brinquedos e coisas de crianças não dominam a decoração fora do quartinho deles.

Outro ponto é sobre o relacionamento deles com outras pessoas. Além de já terem aprendido a falar “por favor”, “obrigado” e “desculpas”, faço questão que eles digam “oi” e “tchau” para todos as pessoas que encontram. Eles cumprimentam todas as visitas que vêm em casa, a moça que trabalha aqui, os vizinhos no elevador, as outras pessoas no supermercado. Estamos ensinando os dois a esperarem a vez para falar e a não interromperem uma conversa. E estou struggling para ensinar a pedir as coisas sem chorar, sem exigir ou sem espernear, mas não vou desistir. 🙂

Nós também estamos ensinando – ou tentando ensinar – o conceito de autonomia. Toda semana eles ganham alguma nova responsabilidade ou passam a fazer alguma coisa sozinhos. Comem sozinhos na maioria das vezes, estão aprendendo a pegar os sapatos no armário e calça-los sozinhos, guardam os brinquedos e recolhem coisas do chão sozinhos se fazem alguma bagunça. Mais que isso, ultimamente estou dando autonomia para resolverem sozinhos seus próprios problemas. Todo mundo que tem irmão sabe que é normal brigar, e eu passei um bom tempo fazendo o papel de conciliadora, o que, além de tudo, me estressava demais. Não é fácil ficar abaixada para olhar nos olhos de dois bebês de dois anos chorando, apontando pro irmão, e reclamando algo como “pegou meu brinquedo buááááááá´”. Agora deixo que eles resolvam sozinhos quem vai pegar tal brinquedo ou quem vai fazer alguma coisa primeiro, e só fico de olho para que não se machuquem – porque não pode resolver conflito com mordidas e arranhões, bebês!

E, por fim, eles estão aprendendo que quem decide as coisas em casa é a mamãe ou o papai. Eu não negocio coisas como hora de dormir, hora do banho ou hora de comer. Não tem chantagenzinha do tipo só-um-desenho-e-depois-vai-pra-cama. Hora de ir dormir é hora de deitar, ficar quietinho e apagar a luz. Não tenho medo de traumas por ouvir um “não pode” ou “precisa esperar um pouco”, porque acho que eles precisam aprender a lidar com frustrações. Claro que não vivemos em um quartel general: eles escolhem o que querem fazer nas horas de brincar e participam de um monte de tarefas em casa só se quiserem – como regar plantinhas, por exemplo.

O livro é genial, gente. E vocês, mamães, têm alguma outra leitura para indicar?

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Tagarelas

Cada coisinha que nossos filhos aprendem é uma conquista e é uma delícia. Os bebês estão super falantes, formando frases, e são duas gracinhas na maioria do tempo.

Na maioria do tempo. Eu confesso que eles estão me enlouquecendo um pouco. Eles agora começaram a verbalizar tudo o que vêem ou que acontecem. Tudo, tá? Eles falam em voz alta qualquer coisa que passa pela cabecinha deles. É enlouquecedor. Pra vocês me entenderem, imagina uma mamãe dando banho em um bebê que narra continuamente o que está acontecendo, repetindo pelo menos três vezes cada uma das coisas:

– To tomando banho to tomando banho to tomando banho to lavando cabelo to lavando cabelo to lavando cabelo limpar orelha limpar orelha limpar orelha assoar nariz assoar nariz assoar nariz lavar costas lavar costas lavar costas to lavando barriga to lavando barriga to lavando barriga tem que lavar bumbum tem que lavar bumbum tem que lavar bumbum vamos lavar pé vamos lavar pé vamos lavar pé passar creme no cabelo passar creme no cabelo passar creme no cabelo enxaguar enxaguar enxaguar cabou o banho cabou o banho cabou o banho…

Acharam enlouquecedor? Multiplica por dois agora. Mentalizem dois bebês tagarelando frases repetidas ao mesmo tempo. Porque o bebê que está do lado de fora do box assistindo o irmão tomar banho gosta de narrar as mesmas coisas, ao mesmo tempo, com a mesma repetição enlouquecedora de frases.

É tão enlouquecedor que eu já cheguei a demorar 30 segundos para responder para a moça que me perguntou “débito ou crédito” em uma loja porque eles não paravam de narrar tudo o que acontecia e tudo o que viam por lá. Às vezes eu não consigo pensar direito, de tanta palavra que entra pelos meus ouvidos o dia inteiro. E eu sei que eu falo muito, então, quando acho que uma outra pessoa está falando muito, é porque ela realmente está falando muito. E meus filhos falam muito, meldels.

Quando as crianças aprendem a pensar, hein, gente?

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Falando no telefone

Papai foi buscar os bebês na escola hoje, e eu liguei para saber se estava tudo bem. Eles ainda estavam no carro e ele me colocou no viva-voz. Aí eu ouço:

– Mamãe, vou na casa da vovó Cida!

– Mamãe, vou ouvir a barata! (uma das músicas da Galinha Pintadinha que eles adoram)

– Mamãe, tô com dor de orelha! (tadinho do meu filho, que ganhou uma dorzinha de ouvido hoje)

Meus bebês já aprenderam a falar no telefone, gente. Vontade de ir até lá dar uma amassadinha em cada um deles.

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Mamãe agora tem nome

– Mamãe! Mamãe! Mamãe Luliiiiiiiii!

Num-guento esses bebês que agora me chamam pelo nome, meu! 🙂

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Minha briga com o penico

Nós ganhamos um penico que tem um simpático botão para tocar musiquinha. Musiquinha irritante de brinquedo, sabem? De uns tempos para cá, o penico resolveu disparar a irritante musiquinha no meio da madrugada, sem parar (ele devia fazer isso durante o dia também, mas nunca estamos em casa para notar). O banheiro dos bebês não fica longe do meu quarto e aquela música começou a entrar nos meus sonhos, e eu precisava levantar, pegar o penico e levar para a área de serviço, bem longe da minha cama.

Só que eu sempre esqueço de avisar a faxineira por que o penico foi parar lá longe, e ele volta pro banheiro no dia seguinte. E volta a invadir meu sono durante a madrugada. Essa madrugada tive que levantar de novo e levar o penico pra bem longe. Quando entrei na cozinha de manhã com os bebês para o café da manhã, a porcaria do penico ainda estava por lá cantarolando. Aí eu resolvi resolver aquilo de uma vez por todas e abri a caixa de ferramentas atrás de uma chave de fenda para desmontar o dito-cujo (não, não tem botão “desligar” no penico).

Enquanto os dois tomavam leite com carinha de interrogação, eu sentei no chão na frente deles e desmontei um monte de peças plásticas até ficar frente a frente com uma pecinha de metal cantarolando para mim. E. Não. Parava. De. Jeito. Nenhum. Poxa! Aí olhei de novo pra caixa de ferramentas e vi um lindo martelo. Foi mais forte que eu. Dei uma martelada com gosto na pobre pecinha, com muito mais força do que precisava para estraçalhar a coitada. Yeah, venci o penico!

Quando olhei para os bebês, eles estavam me olhando com um jeito muito engraçado. Com cara de quem descobriu que a mamãe não bate bem. Vinte segundos depois, minha filha – claramente frustada – perguntou:

– Cabô música, mamãe?

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Dedo-duro

Primeiro vieram as palavras com duas sílabas (mamãe, papai, bola, leite). Depois, palavras compridas e complicadas ganharam vez (cachorro, escola, elefante, borboleta). E, por fim, uma palavra começou a vir junto com outra, e mamãe e papai vibraram com as frases que eles começaram a falar (mamãe chegou, boneca caiu, quero leite)!

Eles ainda não contam coisas que aconteceram no passado, como o que fizeram na escolinha durante o dia. Não vejo a hora de começar a ouvir as histórias sobre o que aprenderam no dia ou do que brincaram. Por enquanto eles só expressam desejos (mamãe, quero água) ou descrevem situações (papai, brinquedo caiu no chão). É muita fofura!

Descrever situações significa, na maioria das vezes, narrar o que o irmão está fazendo. Então, se não estou olhando para os dois, começo a ouvir um monte de:

– Mamãe, a Ruth tá cuspindo!

– Mamãe, o Isaac pegou o celular!

– Mamãe, a Ruth mexeu na planta!

O problema é que essas coisas fazem o irmão tomar uma bronca. E fazer o irmão tomar bronca diverte demais o narrador. Mas não dá pra virar, ver sua filha propositalmente toda babada e não ir lá explicar pela milésima vez que não pode cuspir na roupa. Só que quanto mais eles percebem que narrar o que o irmão está aprontando é divertido, mais fazem isso. Estou incentivando dois bebês dedos-duros, gente!

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Chororô na porta da escola

Não é sempre que eles fazem birra de manhã antes de ir para a escola, mas às vezes acontece. Um dia desses deixei os dois na porta da sala de aula e meu filho começou um super escândalo.

– Aaaaaaaaaaaah, não qué!

– Filho, vai lá dar um abraço na tia.

– Aaaaaaaaaaaah, não qué!

– Filho, olha lá seu amiguinho com um brinquedo, vai até lá.

– Aaaaaaaaaaaah, não qué!

– Filho, mamãe já volta para buscar, tá?

– Aaaaaaaaaaaah, não qué!

– Filho, já já tem o lanche, vai ter pãozinho!

O choro parou na hora:

– Tchau, mamãe!

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