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Relato da melhor viagem de todos os tempos

Eu achava que hotéis-fazenda e resorts eram o maior mico paulistano para férias e que jamais entraria em um desses, mas paguei a língua. Em julho do ano passado, quando as crianças tinham 3 anos, não consegui pensar em nada mais divertido e que não fosse me deixar muito estressada. Fomos para um hotel-fazenda em Socorro – SP porque achei que era fácil.

Foi uma delícia, porque tinha muita coisa para eles fazerem mesmo com a pouca idade: passeios a cavalo (acompanhados por tios que iam a pé ao lado deles), passeios de charrete, passeios de triciclo (com a mamãe pedalando), passeios de trator, bichinhos para alimentar com ração, mini-tiroleza, pedalinho, parquinho. Só a piscina ficou de fora, porque fomos no inverno. Eles não podiam ficar com os recreadores porque era muito novinhos, então passamos os dias juntos. Gostei. Foi legal.

No Réveillon, eu queria tudo fácil de novo, então escolhi um ecoresort em Mairiporã, a uma hora de São Paulo. Neste hotel, a recreação recebia crianças a partir de três anos. Das 10h às 18h eles tinham atividades junto com os tios: brincadeiras, piscina, pedalinho, oficinas, filminho. Às 18h eles devolviam as crianças e pegavam de volta às 19h30 para jantar e para mais uma atividade noturna. Durante os cinco dias, me esbaldei. Tirei férias. Joguei tênis, andei de bike pela estrada de terra em volta do hotel, fiz stand-up paddle na represa, corri, li, dormi na rede. Depois das 18h ficávamos juntos para jantar e nanar, porque achei que recreação até 22h para crianças de três anos era muita coisa e eles precisavam descansar. Fizemos algumas atividades juntos, mas eles gostavam mesmo era de ficar com as outras crianças e com os tios. Quando chegou o Carnaval, tive preguiça de novo de pensar e fomos para o mesmo hotel. Mesmo esquema, mesmos recreadores, eles adoraram de novo. Mas eu fiquei beeeeeem entediada. Esse esquema piscina de hotel, restaurante de hotel e atividades do hotel realmente não é para mim. Além do mais, eu tirava uns dias com meus filhos e quase não via meus filhos.

No último feriado, eu quis fazer alguma coisa que fosse realmente especial com eles. Resolvi parar de ter preguiça e levei os dois para acampar, que é uma das formas que mais gosto de viajar. Preparamos tudo antes: eles ganharam uma barraca, saco de dormir, tênis de caminhada, mochila, capa de chuva. Pesquisei bastante o lugar e acertei na mosca. Queria um parque nacional, com muito mato e trilhas, mas também um camping com alguma estrutura para o caso de algum pânico. Fomos para São José do Barreiro, na região da Serra da Bocaina, e acampamos num lugar fofo demais no meio das montanhas.

Montamos as duas barracas, uma para crianças e uma para adultos, embaixo de uma árvore e nossa mesinha ficou ao lado delas – nela fazíamos as refeições e as crianças a usavam para brincar também. Muita gente me perguntou se não tive medo de deixar os dois sozinhos em uma barraca. Gente, não. Minha barraca estava a 30 centímetros da barraca deles, eu conseguia ouvir eles se mexendo lá dentro. Para sair da barraca, eles precisariam abrir três zíperes e eu com certeza iria ouvir. Até porque eles dificilmente iriam ter a ideia de sair da barraca no meio da madrugada sem antes conversar um com o outro, dar risadinhas e planejar a fuga – e eu iria acordar com essa movimentação. E, por fim, se em casa, onde temos luz elétrica e eles conhecem bem o lugar, dificilmente eles saem do quarto no meio da noite, não tinha porque achar que eles iriam andar no barro e no breu no camping. Nem cogitaram. Na primeira noite, ficaram eufóricos com a novidade e demoraram para dormir; nos outros dias, mal eu fechava o zíper já ouvia os suspiros de sono e eles não falavam uma palavra um com o outro, tamanho era o cansaço dos dias cheios de novidades.

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Os mocinhos dormiram em sacos de dormir sobre os isolantes – sem travesseiros, edredons ou bichos de pelúcia – e tomaram banho em banheiros coletivos. Toda água que usamos para cozinhar e para beber vinha de uma bica de água mineral que havia no camping, e eles eram responsáveis por encher as próprias garrafas (obviamente, viviam molhando a roupa também). Levei comida para os quatro dias e fizemos todas as refeições (café da manhã, almoço e jantar) ao lado das barracas – o camping tinha um restaurante, que seria o back up para emergências, mas não comemos lá nenhuma vez.

No primeiro dia, fizemos uma trilha de cerca de 1,5k até uma cachoeira, a partir do camping. Preciso dizer que nossa vida sem carro os ajudou muito, porque estão acostumados a andar bastante e aguentaram bem as subidas. Eles quiseram entrar na água congelante da cachoeira e amaram.

Trilha

Cachoeira da Usina

No dia seguinte, fomos até o parque nacional, que fica a uns 30k do camping. O carro ficou na portaria e andamos 1,5k até a primeira cachoeira. Foi muita fofura numa manhã só. Cada um deles tinha sua mochila com sua garrafinha de água e caminhamos sem pressa nenhuma, conversando sobre os cogumelos, sobre as árvores, sobre o céu azul lindo demais, sobre os brotinhos de plantas, sobre os passarinhos. A volta foi um pouco puxada porque já estava na hora do almoço, e a Ruth sofreu um pouco com o cansaço. Tínhamos levado o fogareiro e almoçamos macarrão sentados na grama. Depois eles colheram pinhões, que cozinhamos no camping para o lanche da tarde.

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Parque nacional da Serra da Bocaina

No terceiro dia, fizemos a mesma trilha que saía do camping, mas passamos a cachoeira e fomos até o alto da montanha. Aí eu morri de orgulho dos meus aventureiros, que encararam subidas que muito adulto não encara, não. Na volta, paramos para um merecido banho de água fria para refrescar.

Subida

Trilha

Nesse mesmo dia, subimos de volta até o parque nacional para ver o pôr-do-sol. E, no dia seguinte, acordamos cedo para ver o sol nascer atrás das montanhas e desmontamos tudo para voltar para casa.

Por do sol

Por do sol

Foi a viagem mais incrível que fiz nos últimos tempos. Ficamos muito juntos e eu fiz com eles algo que realmente gosto de fazer. Os dois foram companheiros, aventureiros, curiosos e curtiram demais. Na segunda, quando fui buscar na escola, a diretora veio me dizer que nunca tinha visto os dois tão felizes, que tinham falado da viagem o dia inteirinho, e eu fiquei mais feliz ainda.

Só para fechar: a conta do camping saiu R$ 290 para quatro pessoas e quatro dias, já inclusas todas as cervejas que comprei no bar. Cada um dos hotéis que ficamos antes custaram alguns milhares de reais. Com budget menor, multipliquei por 10 meus planos de viagens com eles esse ano agora que sei que gostaram tanto de dormir no meio do mato!

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Na saúde e na doença

Vou dividir nosso Carnaval 2014 em dois momentos bem distintos: o sucesso e a tragédia. Para contextualizar: Carnaval é o maior recesso da escolinha dos bebês depois das férias de final de ano, quando eles ficam QUATRO DIAS E MEIO sem aulas. Quatro. Dias. E. Meio.

A primeira metade do nosso feriado foi um Sucesso. S maiúsculo. Nós fomos brincar, fomos no parque, fizemos trilha, fomos ao teatro, almoçamos fora, fomos a uma exposição de arte (porque mamãe também tem suas vontades), foi tudo muito legal. Muito divertido. Crianças felizes, mamãe feliz, dias de sol, nenhuma birra, quase nenhum choro, tudo indo muito bem para ser verdade.

Aí o tempo fechou, literalmente. Choveu. Ficou mais frio. Minha filha acordou com uma febrinha, depois meu filho teve febre no almoço, depois eu fui pega pela gripe no começo da tarde e no final da tarde nós éramos três incubadores de vírus, que tossiam, espirravam, soltavam catarros pelo nariz e tinham febre. Montes de dores de garganta, dores pelo corpo, mau humor, vontade de não fazer nada, crianças chorando por causa de qualquer coisa, mãe com vontade de chorar junto. Gente, que pesadelo.

Cuidar de uma criança doente é difícil. Cuidar de duas crianças doentes ao mesmo tempo é mais difícil ainda. Cuidar de crianças – doentes ou não – quando se está doente é insuportável. Sabe quando você acorda mal, com dores, sem forças, e liga pro chefe avisando que não vai dar para trabalhar? Foi o que eu tive vontade de fazer naquele dia. Passei horas me perguntando para quem eu tinha que ligar para avisar que não ia poder ser mãe naquele dia. Fiquei horas encarando o celular, esperando a ligação de alguma alma caridosa com uma voz animada do outro lado da linha: “alô, Ruri? Quer que eu fique com as crianças hoje para você poder tomar chá de gengibre à vontade espalhada na cama?”. Fiquei mentalizando um ser qualquer entrando pela porta da sala trazendo uma panela de sopa quente para nós três. Fiquei olhando para meus filhos esperando que eles me dissessem: “mamãe, é pegadinha. Nós não estamos doentes. Fica aí deitada no sofá descansando que a gente promete que vai ficar brincando em silêncio até o fim do dia”. Mas nada disso aconteceu, né? E lá fomos nós para a parte Tragédia do nosso feriado. Tragédia inclui inaladores, termômetros, analgésicos, antitérmicos, ligações para a pediatra no feriado e muita indisposição.

Ser mãe é isso aí, gente: um compromisso válido na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossas vidas. E não pode pedir para sair. Não aguenta? Toma um leite, joga própolis na garganta e continua.

Já é quinta-feira à noite, já voltamos para a escola e para o trabalho, mas ainda não estamos 100%. Alguém indica uma benzedeira?

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