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Bebês da mamãe

Eu fiz uma perguntinha boba para os dois:

– Quem são os bebês da mamãe?

– A gente! – meu filho respondeu.

Aí minha filha manda a frase assustadora:

– A moça não quis a gente, né, mamãe?

Meu coração parou. Como assim a moça não quis vocês, gata? Que moça? Do que você está falando, meu?

Eu nunca diria uma coisas dessas para nenhuma criança, principalmente porque, em geral, isso não é verdade. A genitora dos meus filhos nunca declarou durante o processo que não queria ficar com as crianças, pelo contrário. Ela vivia nas ruas, doente e não tinha condições materiais e emocionais para cuidar dos dois. Tenho certeza que ela sofreu com a situação e que deseja o melhor para eles, de onde estiver.

Fiquei morrendo de medo de terem ouvido isso de alguém e perdi uns 15 minutos tentando entender de onde veio essa afirmação. Ela tem três anos e ainda é difícil contar as histórias inteiras exatamente como aconteceram, mas com muita paciência consegui decifrar.

Nós fomos ao supermercado um dia e coloquei os dois dentro do carrinho, porque senão era um bebê para cada lado e uma mãe louca correndo atrás. Aí eu disse para eles que eles eram meus bebês ainda e que tinham que ficar lá dentro. Quando a gente estava quase chegando no elevador que nos levaria do estacionamento até a loja, a porta se fechou porque a moça que já estava lá dentro não conseguiu esperar. E essa é a tal da moça que não quis a gente, justamente quando disse que eles eram meus bebês.

Filha, pliz, não assusta a mamãe desse jeito, não, poxa.

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Na saúde e na doença

Vou dividir nosso Carnaval 2014 em dois momentos bem distintos: o sucesso e a tragédia. Para contextualizar: Carnaval é o maior recesso da escolinha dos bebês depois das férias de final de ano, quando eles ficam QUATRO DIAS E MEIO sem aulas. Quatro. Dias. E. Meio.

A primeira metade do nosso feriado foi um Sucesso. S maiúsculo. Nós fomos brincar, fomos no parque, fizemos trilha, fomos ao teatro, almoçamos fora, fomos a uma exposição de arte (porque mamãe também tem suas vontades), foi tudo muito legal. Muito divertido. Crianças felizes, mamãe feliz, dias de sol, nenhuma birra, quase nenhum choro, tudo indo muito bem para ser verdade.

Aí o tempo fechou, literalmente. Choveu. Ficou mais frio. Minha filha acordou com uma febrinha, depois meu filho teve febre no almoço, depois eu fui pega pela gripe no começo da tarde e no final da tarde nós éramos três incubadores de vírus, que tossiam, espirravam, soltavam catarros pelo nariz e tinham febre. Montes de dores de garganta, dores pelo corpo, mau humor, vontade de não fazer nada, crianças chorando por causa de qualquer coisa, mãe com vontade de chorar junto. Gente, que pesadelo.

Cuidar de uma criança doente é difícil. Cuidar de duas crianças doentes ao mesmo tempo é mais difícil ainda. Cuidar de crianças – doentes ou não – quando se está doente é insuportável. Sabe quando você acorda mal, com dores, sem forças, e liga pro chefe avisando que não vai dar para trabalhar? Foi o que eu tive vontade de fazer naquele dia. Passei horas me perguntando para quem eu tinha que ligar para avisar que não ia poder ser mãe naquele dia. Fiquei horas encarando o celular, esperando a ligação de alguma alma caridosa com uma voz animada do outro lado da linha: “alô, Ruri? Quer que eu fique com as crianças hoje para você poder tomar chá de gengibre à vontade espalhada na cama?”. Fiquei mentalizando um ser qualquer entrando pela porta da sala trazendo uma panela de sopa quente para nós três. Fiquei olhando para meus filhos esperando que eles me dissessem: “mamãe, é pegadinha. Nós não estamos doentes. Fica aí deitada no sofá descansando que a gente promete que vai ficar brincando em silêncio até o fim do dia”. Mas nada disso aconteceu, né? E lá fomos nós para a parte Tragédia do nosso feriado. Tragédia inclui inaladores, termômetros, analgésicos, antitérmicos, ligações para a pediatra no feriado e muita indisposição.

Ser mãe é isso aí, gente: um compromisso válido na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossas vidas. E não pode pedir para sair. Não aguenta? Toma um leite, joga própolis na garganta e continua.

Já é quinta-feira à noite, já voltamos para a escola e para o trabalho, mas ainda não estamos 100%. Alguém indica uma benzedeira?

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Vontade de me jogar

Ontem eu trombei com esse texto aqui e morri de rir. Obrigada, de coração, pela sinceridade, Fernanda Nunes.

Eu nunca pensei em jogar meus filhos pela janela, isso não. Mas eu já olhei milhares de vezes para a janela e fiquei pensando que a verdadeira função das redes de proteção é evitar que a mamãe se jogue da janela. Eu já vivi milhares de situações irritantes e fiquei repetindo para mim mesma: “respira, Ruri, não pula da janela”. Vamos ser práticos: jogar um filho da janela é burrada. Você fica sem o filho, com a dor e vai pra cadeia. Agora, se jogar da janela deve ser libertador. Imagina só aquele ventinho na cara, braços abertos sentindo a força da gravidade e o choro das crianças ficando lá loooooooooonge. Delícia.

Funciona assim, gente: criança é linda, é fofa, é engraçadinha, é companheira, é um amor, mas só quando ela está de bom humor. Só quando ela está sorrindo. Só que criança chora. E não estou falando sobre o choro com motivos. Eu entendo que existem motivos para chorar: um machucado, uma frustração, um irmão que beliscou. O problema é que criança chora e 95% dos choros são birras ou acontecimentos irritantes do dia a dia.

Funciona assim:

– Mamãe, eu quero bolo de cenoura. (minha filha durante um café da manhã no meio da semana)

– Filha, não tem bolo de cenoura em casa. (eu respondo a verdade, porque nem cenoura em casa eu tinha naquele dia e quase nunca tem algum bolo na nossa casa anyways)

– Mas eu querooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo. Buááááááááááááááááááááááááááá! Me dáááááááááááá! Eu não vou pra escola hojeeeeeeeeeee! Buááááááááááááááááááááááááááá!

Mano, é sério.

E não é só choro ou gritaria. Minha filha gosta de se jogar no chão durante a birra. Vem diminuindo porque ela já percebeu que eu não sou o super-homem e não atravesso os 10 metros que nos separam em 3 segundos para evitar que a cabeça dela bata no chão quando ela se joga loucamente para trás. Desculpa, filha, mas não tenho super poderes. Aí me aconselharam ignorar e sair do ambiente. Eu faço isso. Eles correm atrás de mim. Não para pedir desculpas, né? Eles correm atrás de mim para continuar gritando do meu lado, para deixar bem claro que eu tenho que ouvir o choro. Aí eu continuo ignorando. Mas o objetivo é me irritar, então eles fazem coisas que me fazem ter vontade de me trancar numa caixa negra com isolamento acústico: tiram sapatos e meias e atiram longe, cospem no chão, assoam o nariz com a mão e limpam na parede, derrubam o que estiver na frente deles no chão. Eu não grito, porque quero dar o exemplo. Eu não bato, porque quero dar o exemplo. Então toda a raiva e irritação vão se armazenando dentro de mim e é daí que aparecem pensamentos suicidas.

Aí você passa a viver em estado de atenção, tomando cuidado com tudo o que fala ou faz para nenhuma criança chorar. Se eles estão quietos e brincando, evito me mexer. Tenho preguiça de situações que podem envolver choros, birras e escândalos, e eu sei que é ridículo. Mas veja só: eu estava outro dia, um sábado preguiçoso, em casa com os dois e pensei em descer para o parquinho do prédio. Mas aí eu pensei que uma hora eu ia querer subir, e eles iriam (dois, tá?) chorar e gritar e espernear, e eu desisti de ir. Simples assim, ficamos trancados em casa para não ter choro. Às vezes, tenho preguiça de deixar brincar com alguma coisa mais elaborada, como massinhas ou tintas, porque sei que na hora de parar de brincar eles vão chorar. Às vezes, desconverso para não dar respostas que vão levar a choros desnecessários, como “mamãe, posso ir para a escola de pijama?”. Eu simplesmente mando um “nossa, acho que vai chover no final de semana” e fica tudo bem. Esses dias, me vi respondendo para meu filho:

– Não, não pode brincar de Lego. Toda vez você chora quando falo que está na hora de dormir e precisa guardar. Toda vez você promete que não vai dar escândalo, mas dá escândalo do mesmo jeito. Não pode brincar de Lego hoje que eu não quero ouvir choro.

Tadinho. Chorou muito, óbvio. Mas pelo menos foi um choro com motivos. Eu não fiquei irritada.

Toda vez que vou fazer alguma coisa diferente com eles, eu preparo um roteiro mental de tudo o que vai acontecer para alinhar tudo com eles. É cansativo demais para uma pessoa P (sou ENTP, gente). Mas eu tento explicar em detalhes onde vamos, como vamos, com quem vamos e quais são as regras (não pode chorar – óbvio, não pode gritar, não pode mexer em nada, precisa ficar sentado). Mas é sempre batata: ou eu esqueço de um detalhe ou eles esquecem alguma regra ou alguma coisa não sai como planejada, eles se estressam, eu me estresso, e tenho pensamentos suicidas.

O problema que acontece comigo (e espero que eu seja normal) é que minha irritação e falta de paciência com choros sem motivo vai de 0 a 100% em questão de segundos. É muito difícil controlar. Porque você já sabe que é birra, que depois a criança vai prometer que não vai fazer mais, mas vai fazer, que vai demorar para parar de chorar e que você vai ter pensamentos suicidas. Eu não fico irritada desse jeito que fico com meus filhos com mais ninguém. Nem no trânsito, nem com meu chefe, nem com nenhum amigo, nem com o vizinho, com ninguém. Mas eles me irritam muito e isso me deixa culpada. Mas não dá para evitar: eles fazem birra de novo, eu me irrito de novo.

É tão difícil que eu já dei bronca nas amigas próximas que são mamães porque elas nunca me alertaram que seria tão difícil. Ninguém nunca me disse que todo o amor que você ganha com a maternidade vem acompanhado de crises constantes de irritação. Então eu sou sincera com as minhas amigas que não têm filhos ainda: vocês não vão se reconhecer na primeira crise de fúria ao ver uma criança fazendo birra. É f. Vale a pena, mas é f.

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Branca de neve

“A madrasta da Branca de Neve se achava muito bonita e ficou brava quando o espelho disse que a Branca de Neve era muito mais bonita que ela. Aí a madrasta mandou um homem matar a Branca de Neve. A Branca de Neve fugiu e foi morar com os sete anões. Quando descobriu que a Branca de Neve estava viva, a madrasta tentou matá-la de novo com uma maça envenenada. Durante o velório, um príncipe apareceu e resolveu dar um beijinho na Branca de Neve morta. A Branca de Neve ressuscitou e eles se casaram. Fim.”

Censura: 16 anos.

Ou alguém consegue ler essa história para criancinhas?

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Adolescência precoce

Quase todo dia é mais ou menos assim: na hora de entrar na escolinha, eles choram, pedem beijos, abraços, mais beijos, mais abraços, dizem que querem ficar mais com a mamãe, que não querem ficar lá e por aí vai. Aí a mamãe sai da escola se sentindo a pior criatura desse mundo. No final do dia, a mamãe chega feliz e contente na escola para buscá-los, achando que é hora de matar as saudades de um dia inteiro separados, mas aí eu sou chata. Eu interrompo a brincadeira ou a contação de histórias e eles sempre precisam brincar só mais um pouquinho antes de entrar no carro. Aí não querem beijo nem abraço e precisam desesperadamente escorregar mais uma vez no escorregador e correr pro fundo da escola para fazer mais alguma coisa importante.

Dureza.

Nesse dia, não foi diferente. Mas assim que liguei o carro, minha filha me falou bem séria:

– Não quero mamãe. Não gosto da mamãe. Você não é minha amiga. Não quero ir pra casa da mamãe. Quando chegar lá, não vou sair do carro.

Dois anos e dez meses. Há pouco tempo, eu tinha tido uma conversa com uma amiga que tem um filho de dez anos, que costuma gritar para ela um sonoro: “você arruinou a minha vida”. Falamos sobre adolescentes e eu fiquei feliz por ter ainda uns bons anos pela frente sem esse tipo de problema. Mas não. Onde foi que eu errei?

Eu respondi para minha filha que a amava muito, que sempre seria amiga dela, mas que achava tudo bem ela ficar dentro do carro se quisesse. Avisei que eu tinha que subir para o apartamento com o irmão dela e que poderia voltar mais tarde para buscá-la. Ela resolveu vir conosco. Com cara de brava, emburrada, como se sair da escola e voltar para casa fosse o maior absurdo de todos os tempos.

Um pouco mais tarde, quando eles já estavam de pijamas, eu perguntei se queriam ler um livro comigo. Meu filho disse que sim e minha filha disse que não. Que queria ir para o quarto dela. E foi. Fechou a porta e ficou lá dentro sozinha. Dois anos e dez meses e ela já precisa de espaço e privacidade.

Durou uns dois minutos. Até que voltou de mansinho para onde estávamos, me abraçou, disse que gostava de mim e que queria ouvir a história. Ficou abraçada comigo e depois foi dormir tranquilamente, toda carinhosa.

Cada uma. Não quero nem imaginar o que vai acontecer na adolescência de verdade.

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Re-adaptação

Dessa vez, o erro foi meu. Eu sempre fui muito cuidadosa com a adaptação dos bebês a coisas diversas. Quando chegaram em casa, tomei cuidado com o número de visitas nos primeiros dias para não assustá-los. Tomei cuidado em manter a rotina deles bem parecida com a que tinham no abrigo, para que não sentissem tanto a mudança de casa. Só os deixei dormir na casa da vovó pela primeira vez uns quatro meses depois da chegada dos dois. Fiz a adaptação na escolinha em quase duas semanas, para que não sentissem muito a separação da mamãe, depois de cinco meses muito juntos comigo.

Mas, dessa vez, esqueci que eles são crianças. Acho que eu tava tão deprimida com o fim das férias e preocupada com o tanto de coisas que eu tinha que fazer no trabalho já na primeira semana, que simplesmente virei a chavinha de uma hora para outra: fomos dormir no ritmo de férias no domingo e eu acordei os dois às 6h na segunda no maior ritmo de trabalho e de vida normal do mundo, naquela super empolgação de começar um ano novo e tal.

Não façam isso.

Há três dias, meu filho chora do momento em que abre os olhos até entrar na escola. E ele chora, mesmo. De verdade. Alto. Não pára. Chora porque acorda e quer brinquedos, porque não quer fazer xixi, porque não quer tomar o leite, porque quer levar todos os brinquedos para a escola e não pode. Chora, treme os lábios, soluça. Um drama.

Há três dias, minha filha não quer sair da cama por nada. “Nanar é gostoso, só mais um pouquinho?” – diz ela, e não levanta. Quando finalmente desgruda dos lençóis, ela choraminga durante o processo todo um “aaaaaiii, mamãe”, como se tirar o pijama, colocar roupa, escovar os dentes, tudo doesse. Fica com um beicinho de dar pena, com cara de “não faça essa tortura comigo”.

Um filho fazendo birra é ruim, dois é demais.

Ser mamãe é exercitar a paciência e compreensão, com muito carinho, eu sei. Tô tentando consertar e resolver com muita calma. Mas se não melhorar em uma semana, vou levantar chorando também e vou chorar até chegar no trabalho.

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Soninho da tarde

Sei que vão me chamar de malvada, mas se tem um hábito de bebê que eu gostaria de manter por anos ainda é o soninho da tarde. Gente, como é legal pra caramba o soninho da tarde.

Eu não sei como é ter um filho só. Mas cuidar de gêmeos aos sábados e domingos é muito mais difícil que passar horas no escritório durante a semana. Depois do almoço, ou seja, depois de preparar café da manhã para dois, brincar de um monte de coisas – porque eles perdem o interesse por qualquer coisa em dez minutos, levar ao banheiro 300 vezes, chamar atenção outras 300 vezes, separar brigas, aguentar choros, birras e afins, dar dois almoços e limpar dois sujismundos, ouvir duas coisinhas fofas que não param de falar um minuto sequer, eu simplesmente preciso do soninho da tarde. E eles precisam dormir para eu conseguir aguentar a segunda parte do dia. Raramente durmo, mas acho soninho da tarde uma das maiores maravilhas do mundo (depois de noites bem dormidas, claro). Principalmente porque, por estarem muito acostumados a dormir todo dia após o almoço, é muito difícil de aguentar os dois quando por algum motivo pulamos esse momento.

Será que consigo manter o hábito até eles terem pelo menos uns 12 anos?

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Eu não saio do banheiro

Desfraldar não foi tão traumático assim e é melhor levar criança no banheiro que trocar fraldas. Tô feliz por estar há semanas sem ver um cocô na fralda, daqueles amassados e espalhados por todo lado, que nos fazem ter vontade de embrulhar a criança junto com a fralda suja e jogar fora.

Logo que soube que eu seria mamãe de menina, uma amiga que também ocupa esse posto me disse assim: “toma muito cuidado para não deixar nenhum cocô encostar na periquita, porque pode virar uma infecção”. Como se eu tivesse opção de não deixar o cocô encostar lá e como se a própria fralda não se encarregasse disso.

Enfim.

Acontece agora que passo boa parte do meu tempo no banheiro. Acho que entro no banheiro, em média, a cada três minutos. Porque funciona assim: eles me pedem várias vezes para ir ao banheiro, mas quando sentam no vaso, desistem. Quando um pede, o outro pede também. Eles fazem cocô a prestações; cada vontade de fazer cocô significa umas três idas ao banheiro, porque ninguém tem paciência de esperar fazer tudo de uma vez. Vezes dois, né? E ninguém aprendeu a deixar a bexiga encher antes de esvaziar, então por aqui tem uma infinidade imensa de mini-xixis durante o dia.

E o mais bizarro é que, com gêmeos de dois anos e tralalá ocupando toda minha atenção, eu mesma não tenho tempo de fazer tanto xixi ou cocô como eu gostaria. Dureza, viu?

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Desfraldamos, já que não tinha outro jeito

Eu fiquei orgulhosa de mim mesma quando liguei para a escola para dizer: “da próxima segunda não passa! o que tenho que fazer até lá?”. Tá calor, estão mocinhos, eu precisava perder a vergonha na cara e não tinha mais desculpas para fugir do desfralde. Respirei fundo, tirei o tapete da sala e lá fui eu fazer do rodo e do pano de chão meus melhores amigos.

Passamos pela fase do xixi na roupa, no chão e nos brinquedos. Passamos pela fase do choro desesperado porque não-quero-sentar-no-vasoooooooooooooooooo. Passamos pela fase de perguntar a cada três minutos se quer fazer xixi ou cocô (mentira, ainda estamos nela). Passamos pela fase de cocô na cueca e na calcinha. Pausa. Abre parênteses:

Eu tenho mania de sustentabilidade, consumo responsável, salvar a natureza. Reciclo o lixo, economizo água e nuncajamaisemhipótesealguma pego sacolinhas de supermercado. Quando os brigadeirinhos chegaram, pesquisei opções de fraldas de pano porque achava um absurdo esse coisa horrenda de usar fraldas descartáveis. Mas ser mãe de gêmeos toma tanto tempo que essa item está esquecido na lista de thudus há um ano e pouco. AINDA BEM! Depois de ter que lavar cueca e calcinha sujas de cocô, eu entendi a doidera que seria minha vida se eu tivesse que lavar fraldas sujas todosantodia. Porque roupa suja de cocô não é uma coisa que você joga na máquina e espalha cocô pra todo lado. Roupa suja de cocô tem que ser lavada no tanque, com nossas próprias mãos. Não é legal. Eu tava completamente louca, gente. Maternidade faz essas coisas com a gente. Fecha parênteses.

No último sábado eu saí de casa com a cara, a coragem, dois bebês sem fralda, um monte de trocas de roupas, tudo isso dentro do meu carro. E foi um sucesso. Eles foram, ficaram e voltaram da festinha sem NENHUM acidente.

Estão sem fraldas, comem sozinhos, vão se deitar sozinhos em suas caminhas, falam tudo. Dois mocinhos lindos. Só falta a mamãe conseguir parar de chamá-los de bebês.

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Trancados

Eu sei que existem vários cursos para mamães por aí, que ensinam coisas importantes para os cuidados de um recém-nascido: trocar fraldas, dar banho, amamentar e tal. Eu adotei meus bebês com mais de um ano, pulei essa parte toda e mergulhei na maternidade sem nenhuma graduação.

Aí eu me pergunto se deveria ter procurado algum curso de orientação para mamães desavisadas. Porque, viu, é uma coisa atrás da outra nessa casa e ninguém me previne que essas coisas podem acontecer. Alô, amigas e amigos com filhos, cadê as dicas, gente? Se alguém tivesse me ensinado o básico, eu não teria ficado molhada de xixi na balada, por exemplo. Nem teria deixado os dois se trancarem no banheiro.

Ah, tá bom, todo mundo sabia que isso poderia acontecer e ninguém me avisou? Meus banheiros podem ser trancados por dentro, porque em geral ninguém gosta de ser visto fazendo xixi ou cocô, né? Tem coisa mais normal que essa? E meus filhos não vieram com um manual de instruções avisando que com dois anos e sete meses a criança adquire a habilidade de trancar portas. Só de trancar, porque obviamente não aprenderam a destrancar e ficaram berrando que nem dois doidinhos lá dentro.

Então eu quis ser legal e avisar aos amigos e amigas que estão planejando filhos: se vocês não tomarem cuidado, eles vão se trancar em algum cômodo um dia. Tomem cuidado.

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