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Calça de balada

Um pouco antes do dia das mães, me dei de presente uma calça nova, que caiu super bem, que me deixa super magra, que foi super cara e que só poderia ser usada à noite. Foi um momento de ilusão, quando eu achei que minha vida precisava de um pouco de glamour, e que eu precisava de uma calça nova para as várias noitadas divertidas que eu iria ter depois que os bebês fossem para cama.

Aí passou maio, passou junho, entramos em julho e nada da calça sair do armário, lógico. E aí a gente recebe um convite para um barzinho às 18h – o máximo de glamour que acontece na vida em meses – e resolve ir com tudo: com dois bebês e com a calça nova. Porque às 18h já está escuro, então já é noite, então já era horário para usar a calça nova de balada.

Eu cheguei, sentei, coloquei minha filha no meu colo, mal comecei a prestar atenção na primeira música e senti um quentinho na minha perna. Xixi, gente. Xixi que vazou da fralda e foi parar na minha calça nova de balada. Aí eu te pergunto: naquela mochila lotada de roupinhas, fraldas, lenços umedecidos e brinquedos, alguém coloca troca de roupa para a mamãe também? Não, né? Por que ninguém nunca me deu essa dica? Minha filha ficou limpinha e com roupa seca em questão de minutos, claro. E eu? Virei a mamãe-desastre, com dois bebês e uma calçanovadebalada molhada de xixi.

Mas eu não desanimei. Não saí comprando conjuntos horrorosos de calça e blusa de moletom só porque tenho dois filhos. A calça já voltou inteirinha da lavanderia e está esperando de novo para sair do armário. Mas ela vai sair de casa sem bebês da próxima vez. Porque, vamos lá, xixi não dá, né?

PS: criei uma tag chamada “balada” no blog, mas é uma piadinha, tá? Juro que sou uma mamãe responsável.

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Falando no telefone

Papai foi buscar os bebês na escola hoje, e eu liguei para saber se estava tudo bem. Eles ainda estavam no carro e ele me colocou no viva-voz. Aí eu ouço:

– Mamãe, vou na casa da vovó Cida!

– Mamãe, vou ouvir a barata! (uma das músicas da Galinha Pintadinha que eles adoram)

– Mamãe, tô com dor de orelha! (tadinho do meu filho, que ganhou uma dorzinha de ouvido hoje)

Meus bebês já aprenderam a falar no telefone, gente. Vontade de ir até lá dar uma amassadinha em cada um deles.

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Mamãe agora tem nome

– Mamãe! Mamãe! Mamãe Luliiiiiiiii!

Num-guento esses bebês que agora me chamam pelo nome, meu! 🙂

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Minha briga com o penico

Nós ganhamos um penico que tem um simpático botão para tocar musiquinha. Musiquinha irritante de brinquedo, sabem? De uns tempos para cá, o penico resolveu disparar a irritante musiquinha no meio da madrugada, sem parar (ele devia fazer isso durante o dia também, mas nunca estamos em casa para notar). O banheiro dos bebês não fica longe do meu quarto e aquela música começou a entrar nos meus sonhos, e eu precisava levantar, pegar o penico e levar para a área de serviço, bem longe da minha cama.

Só que eu sempre esqueço de avisar a faxineira por que o penico foi parar lá longe, e ele volta pro banheiro no dia seguinte. E volta a invadir meu sono durante a madrugada. Essa madrugada tive que levantar de novo e levar o penico pra bem longe. Quando entrei na cozinha de manhã com os bebês para o café da manhã, a porcaria do penico ainda estava por lá cantarolando. Aí eu resolvi resolver aquilo de uma vez por todas e abri a caixa de ferramentas atrás de uma chave de fenda para desmontar o dito-cujo (não, não tem botão “desligar” no penico).

Enquanto os dois tomavam leite com carinha de interrogação, eu sentei no chão na frente deles e desmontei um monte de peças plásticas até ficar frente a frente com uma pecinha de metal cantarolando para mim. E. Não. Parava. De. Jeito. Nenhum. Poxa! Aí olhei de novo pra caixa de ferramentas e vi um lindo martelo. Foi mais forte que eu. Dei uma martelada com gosto na pobre pecinha, com muito mais força do que precisava para estraçalhar a coitada. Yeah, venci o penico!

Quando olhei para os bebês, eles estavam me olhando com um jeito muito engraçado. Com cara de quem descobriu que a mamãe não bate bem. Vinte segundos depois, minha filha – claramente frustada – perguntou:

– Cabô música, mamãe?

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Dedo-duro

Primeiro vieram as palavras com duas sílabas (mamãe, papai, bola, leite). Depois, palavras compridas e complicadas ganharam vez (cachorro, escola, elefante, borboleta). E, por fim, uma palavra começou a vir junto com outra, e mamãe e papai vibraram com as frases que eles começaram a falar (mamãe chegou, boneca caiu, quero leite)!

Eles ainda não contam coisas que aconteceram no passado, como o que fizeram na escolinha durante o dia. Não vejo a hora de começar a ouvir as histórias sobre o que aprenderam no dia ou do que brincaram. Por enquanto eles só expressam desejos (mamãe, quero água) ou descrevem situações (papai, brinquedo caiu no chão). É muita fofura!

Descrever situações significa, na maioria das vezes, narrar o que o irmão está fazendo. Então, se não estou olhando para os dois, começo a ouvir um monte de:

– Mamãe, a Ruth tá cuspindo!

– Mamãe, o Isaac pegou o celular!

– Mamãe, a Ruth mexeu na planta!

O problema é que essas coisas fazem o irmão tomar uma bronca. E fazer o irmão tomar bronca diverte demais o narrador. Mas não dá pra virar, ver sua filha propositalmente toda babada e não ir lá explicar pela milésima vez que não pode cuspir na roupa. Só que quanto mais eles percebem que narrar o que o irmão está aprontando é divertido, mais fazem isso. Estou incentivando dois bebês dedos-duros, gente!

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Essa tal de genética

Fui almoçar esses dias com um colega de trabalho que está planejando adotar. Fomos conversar sobre as dúvidas e preocupações que ele tem – sei bem que aparecem uma porção delas nessa fase. E uma das coisas sobre a qual falamos foi influência genética.

Genética pode influenciar duas coisas: o desenvolvimento físico e o comportamento. Chamei de “desenvolvimento físico” aquelas coisas que aprendemos na escola: o bebê recebe metade da carga genética do papai e a outra metade da mamãe e desenvolve características físicas semelhantes aos dois. Ter filhos parecidos fisicamente comigo e com meu marido nunca foi uma prioridade, senão não teríamos escolhido a adoção. Tenho super orgulho dos cachinhos lindos dos meus bebês e da pele mulata do meu filho e nunca fiquei pensando no que as pessoas pensam quando olham para nossa família. Simplesmente não importa. Eu não os amaria mais se eles tivessem olhinhos puxados.

Predisposição para algumas doenças é outro assunto que nunca nos preocupou. Deve haver casos de doenças graves na família biológica deles, assim como houve em nossas duas famílias também. Eu prefiro pensar que, se quisesse garantir nenhuma chance de doenças nos meus filhos, era melhor não ser mamãe. Uma vez alguém me perguntou, antes de adotar, o que eu ia fazer se meu filho precisasse de um transplante de medula óssea e não tivesse doadores compatíveis na família. Ai, gente, cada hipótese macabra, né? Estar perto da família biológica não garante doadores compatíveis também. Por que alguém fica pensando nessas coisas?

E, por fim, a gente sabe que genética influencia comportamento também. Eu até cheguei a ir no Google e digitar “influência genética no comportamento”. Encontrei milhões de estudos que pareciam ser bem confiáveis para colocar um pouco de teoria nesse post, mas desisti de estudar esse assunto. Sabe por quê? Porque também não importa. Comportamento é moldado por um milhão de fatores, e genética pode ser um deles. Mas tem também a história de vida, a relação com a família, a relação com os amigos, a personalidade, os acontecimentos da vida e por aí vai. Eu nunca conseguiria isolar o que é genético no comportamento dos meus filhos e também não sei o que faria com essa informação.

Sim, já ouvi perguntas esdrúxulas sobre esse assunto, como “e se o genitor for um criminoso e passar essa carga genética para seus filhos?”. Sempre fico um pouco brava com essas perguntas, porque parece que as pessoas acham que filho adotivo vai necessariamente dar problema e que filho biológico vem com certificado de garantia. Aí, gente, desculpa se for muito chocante, mas fiquei com vontade de contar a história mais bizarra que já vi acontecer perto da minha família.

Meus pais estudaram engenharia juntos e tinham um grande amigo super inteligente, que se casou com uma moça que estudava medicina, e tiveram dois filhos fofos. Era uma família linda. Temos fotos juntos cantando parabéns nas minhas festinhas de aniversário e brincando na piscina do sítio em domingos de sol. Um belo dia, a filha mais velha, já na faculdade, chamou o namorado e o irmão do namorado para assassinarem os pais a pauladas enquanto os dois dormiam tranquilamente em casa. Garanto que todo mundo conhece essa história. História de uma filha biológica.

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Os planos de adotar

Quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, queria ser decoradora ou arquiteta. Na época, minha mãe me deu régua, transferidor e compasso e eu passei meses projetando o quartinho da minha filha adotiva. Eu já pensava em adotar desde muito nova. E, apesar de nunca ter dito isso em voz alta até outro dia, nunca tive vontade de engravidar. O que eu mais queria era ser mamãe, mas não necessariamente ter um bebezinho dentro da minha barriga.

Em algum momento nós já falamos em ter um ou dois filhos biológicos antes de conversar sobre adoção. Mas essa é uma ideia que me incomoda até hoje: isso para mim se parece mais com um ato de caridade do que com a vontade de ter um filho. Parece que só iríamos pensar em adotar uma criança se tivéssemos condições para ter mais um filho, como se fosse uma decisão baseada em dinheiro.

Eu queria que a adoção fizesse parte do planejamento da família, até porque sempre falava sobre adoção quando o assunto “filhos” entrava em pauta desde o tempo de namoro. Se para mim a adoção era um dos meios para se ter um filho assim como a gravidez, não havia motivos para deixar para falar sobre isso só se tivéssemos as tais “condições”.

Eu virei mamãe do jeito que eu realmente queria virar: através da adoção. Tenho um super orgulho dos meus bebês e nunca me passou pela cabeça que vamos ser menos felizes porque eles não são meus filhos biológicos. Por ter adotado duas crianças, atingi minha capacidade máxima de ser mamãe, e tenho certeza que nunca vou ser menos feliz por nunca ter engravidado. A verdade é que quando eu penso nos meus filhos e em tudo o que sinto por eles, tenho vontade de adotar de novo. Acho que se eu um dia enlouquecer completamente, ficar totalmente pirada e resolver ter o terceiro filho, vou considerar de novo a adoção.

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Dois bebês com dois anos

Abril é o mês do aniversário dos nossos brigadeirinhos, que acabaram de completar dois anos, o primeiro aniversário desde que chegaram em nossa família. Eu adoro aniversários e gosto de fazer festas em casa, então passei mais de um mês me divertindo com a definição do cardápio, a escolha do tema e a decoração.

Definir o cardápio foi o primeiro passo e levei quase três semanas para fechar, porque sou chata com o que nossos filhos podem e não podem comer. Como o aniversário era deles, eu não queria ficar atrás dos dois dizendo não-pode-comer-coxinha ou vamos-trocar-a-bolinha-de-queijo-por-algo-assado e resolvi montar um cardápio sem nada que me estressasse. Encontrei uma banqueteria que conseguiu o desafio de montar um cardápio gostoso, com cara de festa de criança, sem fritura, sem embutidos, sem gordura, sem açúcar no suco, com opções para os amigos vegetarianos.

Depois começamos a discutir o tema da festa. Eu queria um tema do qual eles gostassem, mas não queria nada com personagens de televisão. Como eles gostam de bichos e como eu guardo super boas lembranças do período na África do Sul, escolhemos o tema safari. E também por guardar boas lembranças das festinhas que minha mãe fazia para mim e para minha irmã em casa, eu quis cuidar de toda a decoração. Fomos várias vezes até a rua 25 de março e investi algumas madrugadas recortando e colando as tags para os docinhos, montando as lembrancinhas e enchendo bexigas.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

Em vez de fazer uma retrospectiva com fotos e vídeo, escolhemos as fotos mais especiais e penduramos em varais no teto. Assim todos os convidados tiveram tempo para olhar todas elas.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

E eu deixei os dois comerem alguns docinhos. Só não fiquei olhando muito para não chorar de pânico. E morri de orgulho quando eles pediram água e foram brincar, e fiquei com mais orgulho ainda quando chegaram em casa e pediram fruta.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

A festa foi uma delícia, cheia de pessoas queridas da família e de amigos e, apesar de não entenderem ainda o conceito de “aniversário”, os bebês entenderam que a festa era para os dois.

No fim, fiquei com dó de jogar as coisas fora ou de deixar mofando no fundo do armário e anunciei que queria doá-las em um grupo que participo no Facebook. E encontrei duas mamães que também escolheram o tema safari e que vão aproveitar minhas coisas em outras festinhas!

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Igualdade entre papais e mamães

Ontem eu estava na reunião de pais na escolinha, bem quieta, torcendo para ninguém mais fazer perguntas difíceis para as tias, porque eu estava atrasada para jantar com um amigo e queria ficar um pouco com os bebês antes de sair de casa. O último recado que a diretora passou foi o seguinte: os pais não poderão participar da comemoração do dia das mães, porque o local do evento não comporta tanta gente, ficará muita bagunça e tal. Por mim, tudo bem. Mas rolou uma comoção entre os papais presentes na reunião, e lá se foram uns 15 minutos.

A pérola veio logo depois: mas no dia dos pais, as mães PRECISAM ir junto. Nós sabemos que os pais não conseguem dar conta de crianças nessa idade. Então nós vamos organizar um futebol ou algo assim para os pais, e as mães participam do evento para cuidar dos filhos.

CUMÉQUIÉMINHAGENTE? Retomando: no dia das mães, eu vou sozinha para a escola com nossos dois filhos e passo o dia com eles comemorando meu dia e cuidando deles e, no dia dos pais, o papai vai curtir um futebol enquanto eu olho os bebês. Foi isso mesmo que eu entendi? E sabe o que é pior? As outras mamães concordaram que não dá mesmo para deixar as crianças sozinhas com os papais.

Causei na reunião, gente. Não consegui segurar. Eu entendo, de verdade, eu entendo que existam papais incompetentes no mundo. Mas apoiar, incentivar e assumir a incompetência dos papais em geral não dá, não. Eu também não sabia trocar fraldas, fazer comida, dar banho, cuidar de criança doente, também não gosto de cocô, de sujeira na roupa e de chororôs, e instinto materno nunca foi uma característica muito forte em mim. Mas amo meus filhos e aprendi a cuidar deles – só para lembrar, são dois, tá? – sozinha. Por que um cidadão do sexo masculino não pode fazer o mesmo, hein? Alguém explica?

Na comemoração do dia dos pais, o papai dos meus filhos vai sozinho com os dois, para mostrar para todo mundo que os homens são capazes de tomar conta de seus próprios filhos sozinhos. É o mínimo, ou estou exagerando?

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Foto da gravidez e do nascimento

O e-mail que a escola mandou tinha como assunto a palavra “IMPORTANTE”, em letras maiúsculas. Abri imediatamente e li que eu precisava enviar três fotos para a comemoração do dia das mães: uma foto da mamãe grávida, uma foto com o filho logo após o nascimento e uma foto recente com o filho.

Fiquei muito brava, briguei com o computador e fiquei reclamando sobre esse e-mail para meu time durante uns 30 minutos (ou mais?). A minha frustração não foi não ter fotos grávida ou não ter fotos tiradas logo após o nascimento dos nossos filhos, mas foi ter recebido um pedido assim por e-mail, porque a escola sabe que nossos bebês foram adotados. Eu redigi várias versões de respostas raivosas, mas apaguei tudo e enviei somente “Qual a sugestão de vocês para as mamães adotantes?”, já que não sou a única mamãe adotante na escolinha.

A diretora me ligou em cinco minutos com um pedido de desculpas. E me explicou que a homenagem do dia das mães falará sobre a espera e a chegada do filho, por isso pediram fotos da gravidez e do nascimento, mas que eu poderia enviar fotos que representassem  a espera e a chegada dos bebês em nossa família. A explicação fez muito mais sentido, e foi uma pena que elas não tenham escrito o primeiro e-mail dessa forma.

Para representar a chegada, escolhi fotos do Chá com Bebês que fizemos para eles logo que chegaram. Para a espera, enviei uma foto do quartinho pronto, pois era a única foto que eu tinha. E depois fiquei pensando que talvez tivesse sido legal ter tirado mais fotos que “simbolizassem” a espera, como os dias que saímos para comemorar as etapas do processo de habilitação ou toda a bagunça que fizemos em casa para organizar dois enxovais em uma semana. Então esse é uma das dicas que eu daria para papais que estão esperando seus pequenos chegarem: tirem fotos da espera, gente!

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