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Desfraldamos, já que não tinha outro jeito

Eu fiquei orgulhosa de mim mesma quando liguei para a escola para dizer: “da próxima segunda não passa! o que tenho que fazer até lá?”. Tá calor, estão mocinhos, eu precisava perder a vergonha na cara e não tinha mais desculpas para fugir do desfralde. Respirei fundo, tirei o tapete da sala e lá fui eu fazer do rodo e do pano de chão meus melhores amigos.

Passamos pela fase do xixi na roupa, no chão e nos brinquedos. Passamos pela fase do choro desesperado porque não-quero-sentar-no-vasoooooooooooooooooo. Passamos pela fase de perguntar a cada três minutos se quer fazer xixi ou cocô (mentira, ainda estamos nela). Passamos pela fase de cocô na cueca e na calcinha. Pausa. Abre parênteses:

Eu tenho mania de sustentabilidade, consumo responsável, salvar a natureza. Reciclo o lixo, economizo água e nuncajamaisemhipótesealguma pego sacolinhas de supermercado. Quando os brigadeirinhos chegaram, pesquisei opções de fraldas de pano porque achava um absurdo esse coisa horrenda de usar fraldas descartáveis. Mas ser mãe de gêmeos toma tanto tempo que essa item está esquecido na lista de thudus há um ano e pouco. AINDA BEM! Depois de ter que lavar cueca e calcinha sujas de cocô, eu entendi a doidera que seria minha vida se eu tivesse que lavar fraldas sujas todosantodia. Porque roupa suja de cocô não é uma coisa que você joga na máquina e espalha cocô pra todo lado. Roupa suja de cocô tem que ser lavada no tanque, com nossas próprias mãos. Não é legal. Eu tava completamente louca, gente. Maternidade faz essas coisas com a gente. Fecha parênteses.

No último sábado eu saí de casa com a cara, a coragem, dois bebês sem fralda, um monte de trocas de roupas, tudo isso dentro do meu carro. E foi um sucesso. Eles foram, ficaram e voltaram da festinha sem NENHUM acidente.

Estão sem fraldas, comem sozinhos, vão se deitar sozinhos em suas caminhas, falam tudo. Dois mocinhos lindos. Só falta a mamãe conseguir parar de chamá-los de bebês.

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Brigas verbais

Primeiro vieram as brigas físicas. Tapas, arranhões, beliscões, mordidas, brinquedadas na cabeça um do outro. Eles vivem se pegando no tapa, em casa e na escola. Perdi as contas de quantos recadinhos na agenda vieram com um “mamãe, bebê x mordeu/ beliscou/ arranhou/ bateu no bebê y”. Então, a vida por aqui é assim: além de evitar o suicídio infantil e gerenciar criança que não pára quieta, nós temos que ficar de olho para um não machucar o outro.

Até aí, eu sempre achei normal. Posso estar louca, mas acho normal briga entre irmãos. Briguei com minha irmã do meio a vida inteira e só não brigo com a mais nova porque temos 21 anos de diferença (e me sinto um pouco mais adulta que ela para isso). Eu achava que era parte do desenvolvimento, sei lá. Apesar de brigarem muito, não era nada que me irritasse.

Até que eles começaram a falar. E a conversar entre si. Eles conversam, pedem favores um para o outro, chamam um ao outro para brincar, era tudo só fofura. Até que as brigas verbais apareceram e isso, sim, é irritante.

Começa com qualquer coisa. É um dizer “mamãe, quero tomar leite”, pro outro responder “não, você não vai tomar leite”. Assim, como se tivesse total autonomia para decidir se a(o) irmã(o) vai ou não tomar leite. E o primeiro responde “vou, sim”, e o outro responde “vai, não”, e depois um “vou, SIM” (bem alto), seguido de “vai, NÃÃÃÃÃOOOO” (mais alto ainda), e assim seguem gritando um com o outro cada vez mais alto até que eu tenha vontade de gritar muito mais alto pedindo SILÊNCIO. Mas não grito nunca, porque sou adulta e tenho que dar o exemplo. Mentira.

Brigas físicas eram mais fáceis de evitar. Era só manter um meio longe do outro nos momentos de confusão por causa de um brinquedo ou algo parecido. As brigas verbais vão rolando ao longo do dia todo. Qualquer coisa vira motivo de provocação e eu ainda não descobri como fazer pra parar. Criança devia vir com manual de instrução, viu?

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É. Difícil.

Gente, tô de mau humor hoje, juntando uma TPM, um carro sem combustível na chuva, uma agenda de reuniões no trabalho difícil de coordenar e um calor que dá vontade de andar pelada por aí. Então vou ser um pouco amarga, ok?

Eu lembro bem quando saí da casa da minha mãe para morar sozinha e achei a vida de adulto muito difícil. De repente, além de trabalhar e estudar (eu fazia mestrado na época), eu tinha que cuidar de um apartamento (incluindo problemas no encanamento e chuveiros que quebram no meio de uma semana caótica), de contas para pagar (incluindo lembrar de pagá-las, além de ter o dinheiro), de coisas para resolver (incluindo agendar e levar o carro na revisão, já que minha mãe não estava mais por perto para pedir favores aleatórios do dia a dia), tudo sozinha. Aí eu resolvi virar mamãe e somei a tudo isso o piémôu do projeto “conduzir dois bebês da infância até a vida adulta”.

Mano, não é mole, tá? Eu não tinha noção do quanto é difícil ser mamãe até virar uma mamãe. Hoje eu tenho admiração e compaixão por todas as mamães do mundo. Sério mesmo. Hoje sei que nenhuma escolha relacionada à maternidade é simples e admiro todas elas.

Eu escolhi conciliar trabalho e maternidade. Fazem parte dessa escolha argumentos como: 1) eu gosto de trabalhar, 2) eu não suporto ficar muito tempo em casa, 3) eu não nasci rica, 4) eu não me casei com um papai rico, 5) eu não ganhei na loteria até agora. Mas esses argumentos não vêm ao caso. O caso é que estou aqui tentando conciliar dois papéis e até agora não encontrei a fórmula mágica para estar totalmente feliz, satisfeita e realizada com a minha escolha.

Nesses doze anos desde que comecei a fazer meu primeiro estágio, nunca tive um ano tão confuso no trabalho. Trabalhar sempre foi o cargo principal exercido durante a semana e, apesar de nunca ter sido apaixonada por trabalhar aos finais de semana, virar madrugadas ou ter que viajar, eu nunca tinha tido tremedeiras ao pensar nessas coisas. Sempre trabalhei com coisas que eu gostava, sempre fui do tipo que abraçava mais coisas que cabiam nas 8 horas diárias, sempre fui dedicada, comprometida, disponível e feliz com tudo isso. Só que de uma hora para hora, eu não tinha mais que 8 horas por dia para ficar no escritório, não conseguia mais abraçar tudo o que eu queria, mas continuo gostando do que faço, continuo tentando ser feliz com tudo isso e passei a sofrer por não me achar mais tão dedicada, comprometida e disponível como eu era antes.

Quem fica escrevendo por aí que as mamães ficam mais produtivas depois da maternidade só deve ter conhecido mamães de sorte cujas rotinas nunca saem do previsto. Eu tento, tá? Juro. Mas a escola me liga no meio do dia para falar sobre os mais variados assuntos, fazendo meu coração pular cada vez que acho que aconteceu alguma coisa grave com eles. Eles ficam doentes e me fazem agendar consultas, exames, passar na farmácia, trabalhar de casa, tudo no horário que eu queria estar bem produtiva no escritório. A empregada pede demissão e me faz agendar entrevistas e mais entrevistas para encontrar uma nova pessoa para me ajudar com os dois no final do dia. E por aí vai.

Tá. Tô exagerando. Essas coisas não acontecem toda semana, mas acontecem de vez em quando e, quando acontecem, deixam a mamãe louca. É óbvio que meus filhos são prioridade, então é óbvio que paro o que estiver fazendo para resolver qualquer problema deles. Quando estou com eles, estou só para eles. Não atendo o celular, não checo e-mails, não respondo mensagens e só volto a ficar conectada para o mundo depois que eles vão para a cama. Chegar tarde para vê-los dói, como contei aqui. E, por serem prioridade e as coisinhas mais importantes da minha vida, eu tive que colocar alguns limites no trabalho por causa dos dois.

Colocar limites parece fácil, né? Eu não consigo chegar cedo demais em uma reunião porque não consigo adiantar o horário que a escola abre e também não acho tão legal ficar acordando os dois de madrugada para sair cedo de casa. Eu não consigo trabalhar até mais tarde porque eu não quero ser a mamãe que chega em casa e as crianças já estão dormindo. Eu não consigo viajar a trabalho porque dormir longe dos dois me destrói. Eu não consigo trabalhar aos finais de semana porque é meu tempo com eles, só para eles e nós precisamos desse tempo juntos. Fácil falar, né? Mas se eu não consigo fazer nada que extrapole minhas 8 horas diárias mas também não consigo ser 100% produtiva durante as tais 8 horas, que catso estou fazendo para merecer o salário no final do mês?

Ah, o salário. Eu gosto do salário e não posso ficar sem o salário. Claro, eu acho que eu devia e precisaria ganhar um pouco mais, porque o salário nunca dá para tudo o que quero fazer no mês (e sei que esse não é um problema só meu no mundo). Eu também olho pro orçamento e não sei onde reduzir para fazer caber em um salário menor, então gostaria que meu salário ficasse no mínimo onde ele está hoje. Mas para merecer, eu preciso trabalhar direito. Aí alguém me explica cadê o jeito de conciliar direito esse negócio de trabalho e maternidade? Como eu me livro dessa sensação diária de que não sou boa nem em uma coisa nem em outra?

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Separação dos bebês

Acho que o grande problema em irmãos gêmeos é que eles acabam virando sombra um do outro. Por mais que sejam crianças diferentes, com gostos diferentes, personalidades diferentes, a gente acaba fazendo tudo exatamente igual com os dois. Eles dormem no mesmo horário, acordam no mesmo horário, vestem o mesmo tipo de roupa, comem a mesma coisa no café da manhã com o mesmo tipo de utensílios, vão para a escola juntos, estudam na mesma sala com a mesmíssima rotina e os mesmos amigos e terminam o dia com banho no mesmo horário e cama no mesmo horário. No final de semana, mesma coisa: mesmos passeios, mesmos horários, sempre a mesma pessoinha colada no outro o dia todo, pra todo canto. Com exceção dos compromissos médicos, a vida dos dois é muito igual.

É claro que para os papais este aspecto é um ganho de escala e facilita a vida. Deve ser muito mais difícil gerenciar duas crianças com logísticas diferentes. Mas esse grude todo acabou nos trazendo duas questões para pensar e resolver.

A primeira delas foi na escola. Meu filho é bagunceiro. Bagunceiro, levado, arteiro, é só olhar para a cara dele que dá pra perceber. Segundo as professoras, é ele que tem ideias mirabolantes de subir em cima da mesa do refeitório, levantar da roda quando a tia está contando histórias, tirar os sapatos e ficar correndo descalço. Mas se ainda fosse um só… O problema é que quando ele pensa em uma travessura, imediatamente convoca a irmã, que imediatamente segue o mocinho, e todas as bagunças já começam com dois envolvidos. Antes dessa conversa com a coordenação da escola, nós já vínhamos pensando que seria interessante para os dois ter os próprios amigos, a própria professora, uma vidinha independente durante o dia e reencontrar o irmão no final da tarde para matar as saudades. Só não sabíamos o momento ideal. Mas com toda essa questão da bagunça, decidimos: no ano que vem eles estudarão em classes diferentes.

A segunda questão foi o quarto dos dois. Eu sempre achei que dividir quarto com o irmão, independente de sexo e idade diferentes, trouxesse um monte de coisas positivas para as crianças, por causa da convivência, divisão do espaço comum e coisas assim. Até meu filho trazer para casa a mesma forma de tocar-o-terror quando estão sozinhos dentro do quarto. Na hora de dormir, ele desenvolveu uma mania extremamente irritante de bater a cabeça na cama antes de dormir, enquanto canta alto. Ele bate a cabeça na grade que o protege para não cair no chão, que é molinha, então não machuca. O problema é a cama balança, anda, faz barulho, encosta no armário ou na parede e faz os vizinhos acharem que estamos martelando alguma coisa em horário proibido. Difícil deixar a irmã dormir nessa confusão toda, principalmente porque a mamãe precisava entrar no quarto 357 vezes para pedir para ele parar com aquilo. Geralmente ele caía no sono em uns 20 minutos de tortura materna, então se fosse só isso estava bom.

Mas não. Ele resolveu começar a acordar às 5h da manhã. CINCO. DA. MANHÃ. E o que você faz quando acorda às 5h da manhã? Pula na cama da irmã, claro. Pula na cama da irmã, garante que ela acorde bem acordadinha, aí você decide se brincam, se cantam alto, se pulam descontroladamente em cima da cama ou se brigam, gerando choros, mordidas, tapas e puxões de cabelo. Em qualquer uma das alternativas, você obriga sua mãe a sair da cama dela e colocar ordem no ambiente, e faz com que a família toda inicie o dia nesse horário cruel, porque ninguém volta a dormir depois de tanta agitação. Podem me achar malvada, sem paciência, mas não dá para viver assim não.

Eles tiveram que ganhar quartos separados, para garantir a sanidade mental da mamãe. Toda minha teoria sobre deixá-los dividindo quarto até uns 10 anos foi por água abaixo quando eu percebi que estava pirando com tanta bagunça na minha vida. Numguentei, levantei a bandeira branca, desisti, e mudei a cama do meu filho para o quarto do lado.

Nos primeiros dias, minha filha achou que o irmão não merecia o privilégio de ganhar um quarto novo por ser tão bagunceiro e resolveu bater fortemente a cabeça na cama antes de dormir, numa tentativa desesperada de ganhar um quarto novo também. Ah, filha, desculpa, mas só temos esses três quartos aí e não posso te dar um quarto novo. O único motivo para eu ter mudado meu filho e não a minha filha é que não temos armário no novo quarto dele. Eu queria evitar de deixá-lo sozinho em um quarto com armário, porque sei que mais cedo ou mais tarde ele iria resolver tirar todas as roupas das gavetas e jogar no chão, na falta de uma irmã para atormentar. Eu sei que ele é capaz disso. Eu já o vi fazer isso em um dia que – não lembro por que – a irmã não estava com ele no quarto quando acordou. Acho que ela me entendeu e parou de bater a cabeça na cama. Ele continua chacoalhando a cama antes de dormir, mas pelo menos não incomoda mais a irmã.

A coisa linda mesmo aconteceu na parte da manhã. Quando ele acorda e se vê sozinho no quarto, ele resolve simplesmente VOLTAR A DORMIR. Sério. Nenhum drama, nenhum choro, nenhuma reclamação. Ele simplesmente dorme melhor. Desde o primeiro dia que meu filho foi dormir sozinho no quarto, ele dorme até eu acordá-lo para ir para a escola. No primeiro final de semana após a mudança de quartos, nós dormimos até às 9h no sábado E no domingo. Juro. Desde que eles chegaram em casa eu não dormia tanto assim em dois dias no mesmo final de semana. Lembro de ter acordado às 7h e pensado “oba, posso dormir mais”. Depois às 8h: “uau, que silêncio gostoso”. Depois às 9h me veio um “gente, não aguento mais ficar deitada, mas é bom demais para ser verdade e não quero estragar”. Adorei.

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Mamãe estressada

Epílogo

Chegar a uma conclusão assim não foi um processo fácil e muitas vezes foi bastante doloroso. Eu achei que tinha falhado e que não era uma boa mãe inúmeras vezes. Eu achava tudo o que vou contar um absurdo. Mas hoje estou tranqüila e feliz com a decisão que tomei: contratei alguém para me ajudar com os bebês.

Fato

Eu escolhi uma carreira há mais de três anos da qual gosto muito: sou consultora. Nos quase três anos em que trabalhei em uma consultoria de estratégia, eu ficava no escritório umas 12 ou 13 horas por dia em média. Nunca conseguia jantar em casa. Mas, se por um lado parece desumano, por outro lado eu me divertia. Depois que virei mãe, passar as noites no escritório perdeu o sentido, claro. Eu trabalhei na empresa por três meses depois de voltar de licença maternidade, sempre saindo por volta das 18h para ficar com meus pequenos, o que me obrigava a mergulhar no trânsitodosinfernosdesãopaulotodosantodia, além de sempre ter que parar alguma coisa para sair correndo. Mudei de emprego, continuo consultora, parei de jantar no escritório ou levar tanto trabalho pra casa e por um tempo consegui estar às 19h todo dia na porta da escola para pegar meus bebês e levá-los para casa. Não sem antes enfrentar o trânsitodosinfernosdesãopaulo e chegar lá estressada demais.

Complicação

Eu juro que tenho um sentimento muito feio: eu morro de saudades do tempo em que eu podia ficar no escritório até tarde e que não fazia a menor ideia do que é o trânsito de São Paulo às 18h. Eu nunca queria ter conhecido a Bandeirantes nesse horário. Eu nunca queria ter descoberto que nenhum caminho alternativo às 18h funciona, nem nenhum aplicativo inteligente no IPhone. E eu realmente espero que apenas as pessoas que precisam buscar seus filhos na escola se joguem na rua nesse horário. Caso contrário, gente, não façam isso, não! Faz mal pra saúde!

O problema foi que, mesmo tendo aprendido que na maioria esmagadora das vezes eu consigo chegar na escola no horário certo, eu já começo a semana tensa. Toda segunda é dia de ficar olhando a agenda e me estressando com os horários das reuniões. A partir das 17h, todo dia, eu inicio o momento será-que-vou-conseguir-sair-às-18h e perco toda e qualquer atenção no que estou fazendo. Todo dia às 18h eu saio de onde estiver em São Paulo rumo à escolinha, chorando, mentalizando um calmaquevaidarprachegarnohorário. Todo dia pego meus filhos com cara de cansada e tensa e isso não é nem um pouco legal com crianças.

Eu odeio horários. Odeio horários porque sou uma pessoa maníaca que sempre chega adiantada, com medo de perder o horário ou com medo de deixar alguém me esperando. Eu chego 3 horas antes de vôos nacionais e sempre chego antes do paciente anterior quando tenho consulta médica. Odeio atrasar. Eu devia fazer terapia para isso, eu sei. Mas eu teria que marcar horário com uma terapeuta e isso iria me estressar mais ainda. Eu, por exemplo, pratico musculação e corrida não porque são coisas que eu ame fazer, mas porque são coisas que posso fazer em qualquer horário. Posso entrar na academia a hora que eu quiser e sair a hora que eu quiser e pronto. Spinning às 7h? Me dá calafrios. Aula de jump às 20h? Me enlouquece só de pensar.

Enfim.

Aí, saber que meus filhos estão me esperando na escola, cansados, depois de passar o dia todo lá, é a pior sensação do mundo. Ficar pensando que eu vou ser uma das últimas mamães ou papais a chegar lá e que as tias vão começar a apagar as luzes das salas que forem ficando vazias é agoniante. Ter consciência que eu passo um tempo com eles de péssima qualidade, porque eu demoro para me recuperar de todo o stress com horário e trânsito, me mata um pouquinho todo dia.

Para piorar, a escola começou a cobrar multa a cada 10 minutos de atraso.

Solução

Aí algumas pessoas me deram sugestões que parecem lindas, mas não se encaixam em mim.

1. “Por que você não abre um negócio?”: porque eu precisaria de uma ideia brilhante ou um talento muito grande (fazer cupcakes, fotografar, cortar o cabelo dos outros), mas eu não tenho nem um nem outro.

2. “Por que você não presta concurso público para ter uma vida mais tranquila?”: porque a maioria dos concursos com bons salários também exigem que você faça trabalhos burocráticos e repetitivos, tipo ficar checando se as pessoas pagaram direito seus impostos. Tem coisas bacanas e bem remuneradas, tipo ser juíza ou promotora, mas eu estudei engenharia. E também não consigo imaginar uma juíza dizendo: “vamos interromper esse julgamento agora, que tenho que buscar meu filho na escola”.

3. “Por que você não muda de casa?”: porque hoje os bebês amam a escolinha, meu filho faz fono do lado de casa com uma terapeuta que ele adora e estou relativamente perto de um vovô e de uma vovó. Mudar faria muito mais confusão em nossas vidas.

4. “Por que você não os coloca em uma escola perto do escritório?”: 1) porque nem sempre termino o dia no escritório – visito muitos clientes, 2) porque os bebês amam a escolinha atual, 3) porque se o trânsito já me estressa sozinha no carro ouvindo a música que quero, imagina o nível de stress de uma mamãe parada no trânsito durante 1 hora com dois bebês impacientes ouvindo Galinha Pintadinha? Socorro? Resposta séria: porque não acho justo que eles conheçam nosso trânsito infernal tão novinhos. Só por isso. Prefiro sofrer sozinha.

5. “Por que você não arruma um emprego que permita que você saia às 17h todo dia, para fazer alguma coisa bem legal, com o mesmo salário e benefícios que você tem hoje?”: que emprego é esse, gente? Alguém encaminha meu CV?

7. “Por que você não pára de trabalhar?”: só se eu puder parar de pagar minhas contas também. Tem como?

Todo dia eu invejo as pessoas que moram em cidades fofas, onde o transporte público funciona bem e chega em todos os lugares e onde as pessoas andam pra lá e pra cá de bicicleta sem medo de morrerem atropeladas por um motorista maluco. Sério. Seria lindo. Mas como eu moro, trabalho e crio duas crianças em São Paulo, precisei pensar em soluções realistas: contratei a perua da escola para que eles voltem para casa e uma pessoa que esteja em casa todos os dias quando eles chegarem aqui. Não tenho um super orgulho disso. Nunca quis ter uma babá. Mas é a forma como acho que nossa vida vai funcionar melhor.

Na prática, a rotina não deve mudar muito. Eles vão chegar em casa por volta das 19h, horário em que eu os buscava na escola. Eu vou continuar saindo cedo para ficar com os dois à noite, mas sem aquela preocupação horripilante com atrasos, pois eles estarão tranquila e confortavelmente me esperando dentro de casa. Vamos tomar banho juntos, tomar leite juntos e ir para cama juntos todos os dias. A única diferença é que mamãe não vai ter passado 1 hora xingando o trânsito, a chuva, a cidade, e vai estar muito mais calma e emocionalmente disponível para eles.

Hoje eles vieram de perua para casa pela primeira vez e eu estava esperando-os aqui junto com a Cleide. O tio da perua me disse que a professora contou que eles falaram na tal da perua o dia inteirinho. Chegaram felizes com a novidade e o coração da mamãe ficou bem mais tranquilo.

PS: uma amiga comentou que esse post está caótico demais. Gostei do feedback. Acho então que eu consegui transmitir exatamente o que buscar-na-escola-todo-dia-às-19h me causa: caos! 🙂

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Preguiça de desfralde

Eu já fui uma pessoa adulta sem filhos que criticava as mamães e papais que demoravam muito para desfraldar seus filhos. Eu achava que, se os indianos e chineses são capazes de criar seus filhos sem usar fralda, não havia motivo nenhum para deixar as crianças ocidentais completarem dois anos com fraldas. Eu achava um absurdo crianças que já sabem falar e que não pedem ainda para usar o banheiro. Eu achava que meus filhos iriam para a festinha de aniversário de dois anos sem fraldas.

Mas meus bebês têm dois anos e meio e continuam firmes e fortes com suas fraldas diariamente. E a verdade é que a mamãe entrou num processo chamado preguiça. Preguiça de xixi no chão. Preguiça de xixi na roupa. Preguiça de quilos de roupas sujas voltando da escola todos os dias (multiplicados por dois, né?). Preguiça de ficar perguntando se quer fazer xixi toda hora. Preguiça de ficar no banheiro esperando bebê fazer cocô. Preguiça de levar criança para usar banheiro público. Preguiça de levar para ir ao banheiro 200 vezes por dia – essa apareceu depois que a professora me falou que elas levam as crianças ao banheiro de vinte em vinte minutos. Oi? Dá para fazer alguma outra coisa nesse ritmo?

Sim, também tenho vergonha da minha preguiça. Mas, como: 1) está frio ainda, 2) a escola ainda não acha que eles estejam preparados e 3) não é taaaaaaaaaaaanta vergonha assim, eu não estou contando os dias para o desfralde e não estou pressionando a escola a começar a fazer isso tão rápido.

Eu sei que o processo é indolor. Todas as mamães experientes já me disseram que as crianças se ajustam em poucos dias e que não vai ser tão sofrido assim. Eu sei. Mas continuo com preguiça. Sou muito mãe desnaturada?

PS: Juro que tenho mais de cinquenta vasos de plantas no nosso apartamento para tentar compensar o uso prolongado de fraldas descartáveis.

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Mamãe, hoje eu comi cocô

Não, eu não consegui prestar atenção direito na história macabra que a tia me contou na saída da escola hoje, depois que meu filho veio todo sorridente me contar que tinha comido cocô. Não quis detalhes. Meu filho superou minha filha no quesito se-lambuzar-com-cocô.

Desde que essas coisas só aconteçam na escola, tá tudo lindo. Filhinhos lindos, por favor, nunca façam isso na minha frente?

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Minhoca

Todo dia, minha filha chega em casa da escola e me pede:

– Mamãe, quero comer minhoca.

Nada como ter deixado o cunhado cuidando dos bebês em um dia que trabalhei até mais tarde, viu? 🙂

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Pequenas emoções e frustrações de uma mamãe

Dia desses saí um pouco mais cedo do trabalho e não peguei trânsito. Cheguei toda feliz na porta da escola, super adiantada, pensando que teria tempo para sentar no chão da sala e brincar um pouco com meus bebês em plena terça-feira. Super engano. Quando entrei, eles estavam com os amiguinhos no parque e ficaram muito bravos porque eu já estava lá. Assim que perceberam que era hora de ir embora, os dois choraram, espernearam, se jogaram no chão, cuspiram, gritaram, e foi aquele carnaval até chegar em casa. Um saco. E nem teve clima para brincar.

Aí hoje eu cheguei no horário certo e a tia veio logo me explicando:

– Mamãe, os dois fizeram cocôs gigantes depois do jantar. Sujaram as calças, as meias e até as camisetas. Você pode esperar só um pouquinho? O Isaac já tomou banho, e a Ruth já está saindo e…

– CUMEQUIÉ???? Vocês já deram banho NOS DOIS? Aeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!

Quase dei um beijo na boca em cada uma das tias, gente. Conseguem imaginar a emoção de receber seus DOIS bebês limpinhos e cheirosinhos na saída da escola? Conseguem imaginar como foi bom chegar em casa e pular essa parte do processo, ir direto para o pijama e poder passar mais tempo cantando e lendo historinhas?

Como faz pra programar super cocôs todo dia às 18h30, hein?

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Pequenos sexismos no dia a dia

Coloquei os pequenos na escolinha no início do ano e foi difícil convencer a diretoras que elas tinham que ligar para o papai quando a mamãe não atendesse o telefone. Eu ficava muito aflita quando saía de uma reunião e via 17 ligações da escola não atendidas. Aí eu ligava correndo para o papai para saber o que tinha acontecido com os bebês e ele não tinha recebido um único telefonema sequer. Era como se só a mamãe conseguisse resolver o problema de um bebê doentinho.

Mas até aí, tudo bem. Afinal, eu fiz a maioria das visitas para escolher a escolinha sozinha, escrevo os e-mails quando preciso falar alguma coisa com as diretoras, escrevo recadinhos para as tias todos os dias na agenda, participo das reuniões de pais e estou lá quase todos os dias para levá-los e buscá-los. Eu achava normal que elas achassem que o principal ponto de contato da escola com a família fosse através de mim.

Até que elas trocaram os boletos da mensalidade, que antes eram entregues em papel, para boletos eletrônicos enviados por e-mail (o planeta agradece, escolinha!). Aí, minha gente, adivinhem só QUEM COMEÇOU A RECEBER OS BOLETOS POR E-MAIL? Vocês acham que elas mandam o boleto para mim? Não, não mandam, não. Claro que mandam para o papai.

Óbvio, né? Mamãe resolve problemas de bebês, papai paga as contas da casa e assim caminha a humanidade. Pô, escola.

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