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Minha briga com o penico

Nós ganhamos um penico que tem um simpático botão para tocar musiquinha. Musiquinha irritante de brinquedo, sabem? De uns tempos para cá, o penico resolveu disparar a irritante musiquinha no meio da madrugada, sem parar (ele devia fazer isso durante o dia também, mas nunca estamos em casa para notar). O banheiro dos bebês não fica longe do meu quarto e aquela música começou a entrar nos meus sonhos, e eu precisava levantar, pegar o penico e levar para a área de serviço, bem longe da minha cama.

Só que eu sempre esqueço de avisar a faxineira por que o penico foi parar lá longe, e ele volta pro banheiro no dia seguinte. E volta a invadir meu sono durante a madrugada. Essa madrugada tive que levantar de novo e levar o penico pra bem longe. Quando entrei na cozinha de manhã com os bebês para o café da manhã, a porcaria do penico ainda estava por lá cantarolando. Aí eu resolvi resolver aquilo de uma vez por todas e abri a caixa de ferramentas atrás de uma chave de fenda para desmontar o dito-cujo (não, não tem botão “desligar” no penico).

Enquanto os dois tomavam leite com carinha de interrogação, eu sentei no chão na frente deles e desmontei um monte de peças plásticas até ficar frente a frente com uma pecinha de metal cantarolando para mim. E. Não. Parava. De. Jeito. Nenhum. Poxa! Aí olhei de novo pra caixa de ferramentas e vi um lindo martelo. Foi mais forte que eu. Dei uma martelada com gosto na pobre pecinha, com muito mais força do que precisava para estraçalhar a coitada. Yeah, venci o penico!

Quando olhei para os bebês, eles estavam me olhando com um jeito muito engraçado. Com cara de quem descobriu que a mamãe não bate bem. Vinte segundos depois, minha filha – claramente frustada – perguntou:

– Cabô música, mamãe?

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Fujões

Durante a semana, papai e mamãe acordam bem cedo. Cada um tem a sua vez de ir para a academia às 6h, enquanto o outro fica vigiando a casa e dorme mais um pouco. Costumamos acordar os bebês só depois de estarmos prontos para ir trabalhar, de banho tomado, penteados, maquiados e vestidos, umas 7h e pouco.

Aos sábados e domingos, nós não colocamos despertador e esperamos ouvir um gritinho ou uma risadinha para levantar da cama. Hoje acordei às 8h40 e achei a casa silenciosa demais. Quando abri a porta do nosso quarto, os dois monstrinhos vieram da sala correndo na minha direção. Eles acordaram, desceram da caminha, abriram a porta do quarto e foram tranquilamente até a sala. Sem fazer nenhum barulho.

Não sei como lidar com tanta independência.

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Palpites

Eu ia escrever que queremos educar nossos filhos com base no que acreditamos, que queremos fazer sempre o melhor, que queremos ensinar para eles todas as nossas preocupações com educação, respeito às outras pessoas, preconceitos, importância da família e dos amigos, sustentabilidade, cuidados com alimentação e outros blá-blá-blá, mas é mais sincero dizer que simplesmente queremos fazer as coisas do nosso jeito. Definir o “nosso jeito” não é fácil. Já tivemos e ainda vamos ter infinitas discussões, porque muitas vezes papai e mamãe têm opiniões diferentes. Também já mudamos de opinião, mesmo depois de termos decidido juntos fazer alguma coisa de um jeito.

E vou confessar (desculpa, pessoas queridas!) que me surpreendi e me incomodei com a quantidade de palpites que passei a receber depois que virei mamãe. Acho que não estava acostumada com tantos palpites, porque não me lembro, por exemplo, de ter recebido tantos conselhos e recomendações diversas quando estávamos organizando nosso casamento, comprando nosso apartamento ou decorando nossa casa.

Já me disseram para colocar nossos filhos para dormir mais tarde porque assim eles acordarão mais tarde, mas eu gosto que eles durmam às 20h para eu jantar tranquilamente com meu marido, mesmo que isso signifique acordar às 7h no dia seguinte – além de achar saudável dormir cedo e acordar cedo. Também prefiro curti-los no domingo de manhã, quando podemos tomar café na padaria, ir ao parque, visitar minha vó, ir no parquinho do prédio, do que ficar com eles no sábado à noite comendo pizza e vendo televisão.

Já me disseram que devo acostumá-los a dormir com barulho, o que para mim significa dormir com os barulhos que existem na minha casa (pessoas conversando na sala, televisão ligada, alguém tomando um banho) e não dormir em um show de rock. Não levo nossos filhos para a balada e, se um dia resolvesse levar, não tentaria fazê-los dormir na barulheira.

Já me disseram para acostumá-los a dormir no claro, mas eu passei a vida inteira (de novo, desculpa, amigos queridos!) odiando viajar com pessoas que precisam deixar uma luz acesa para dormir. Gosto de breu para dormir e acostumo nossos filhos assim também.

Já me disseram que é desnecessário escovar os dentes três vezes ao dia nessa idade porque os dentes vão cair, mas eu faço questão de escovar os dentes três vezes ao dia E passar fio dental neles uma vez ao dia também – mesmo que não fosse necessário (mas acho que é), acho que estou criando o hábito neles desde cedo.

Já me disseram para dar umas gotinhas de remédio quando nosso filho chora, mesmo antes de eu ter certeza se era um choro por dor ou doença ou se era outro tipo de incômodo. Já me disseram para nunca dar água depois de dar banana (?). Já me disseram que nunca é bom deixar andar descalço e também já me disseram para deixar só de fralda no calor – eu os deixo descalços em casa quase todos os dias e simplesmente não gosto de deixá-los só de fraldas. Já me disseram que o cabelo do nosso filho estava muito comprido (já cortei!), que não posso deixar de dar muita água no calor (juro que dou!), que eles estão pouco agasalhados (sou calorenta, demoro para perceber o frio!) e que nossa filha precisa usar brincos (concordo, mas prefiro esperar ter certeza que ela não precisará de mais nenhum exame no crânio).

Mas então, há pouco tempo, eu fiz uma coisas dessas. Uma mamãe me disse que dava suco de caixinha para seu filho e eu falei que ela não deveria dar suco industrializado por causa da quantidade de açúcar. Só percebi depois o que eu tinha acabado de fazer: eu dei palpite no “jeito dela” sem ela me perguntar o que eu achava. Tenho certeza que ela quer o bem do seu bebê e sabe o que está fazendo. Só depois que falei percebi que não fui legal e que ela também deve receber um monte de palpites sem pedir.

Recentemente estava conversando com uma das madrinhas dos bebês sobre a festa de dois anos. Ela tem uma filha de 4 anos e é adepta aos buffets infantis. Eu, por uma série de motivos pessoais, quero fazer a festa no salão de festas do prédio, escolher o cardápio e participar da decoração, mesmo que isso dê mais trabalho ou saia um pouco mais caro. E ela me escreveu que (conversa por whatsapp e e-mails): “Eu acho que você tem que sempre fazer o que o seu coração mandar quando o assunto é ser mãe! Pessoas diferentes têm valores diferentes, e obviamente criam seus filhos de maneira diferentes (…) Tenho certeza também que você vai continuar fazendo o que acha que é mais importante para eles, não importa o trabalho que isso for dar, ou o quanto for gastar. Acho que a festinha é um exemplo, entre tantos. (…) E acho que é nisso que a gente tem que se concentrar. Não importa o que os outros fazem. Importa o que a gente faz, e se a gente está com o coração tranquilo, sabendo que está tentando fazer o nosso melhor, então nada mais vai nos incomodar.”

Eu prometi para mim mesma nunca mais dar palpites, a não ser que a pessoa me pergunte alguma coisa. Também percebi os palpites são para ajudar, pois geralmente vêm de pessoas queridas que também querem o bem dos nossos filhos. Não consigo prometer que vou parar de achar chato (desculpa, pessoas queridas!), mas prometi que vou tentar não fazer cara feia para os palpites. Mas vamos continuar a fazer do nosso jeito, tá?

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E a gravidez?

Um é pouco, dois é bom e três é demais.

=)

No meio da minha licença maternidade, eu desejei ter o terceiro filho. Achei que estávamos nos me saindo tão bem com dois bebês que poderíamos facilmente ter mais um. Achei que o trabalho de cuidar de mais um filho seria marginalmente menor que o trabalho de cuidar de dois filhos. Eu estava louca.

Três coisas principais nos fizeram mudar de ideia e desistir de tentar um filho biológico (além de questões menores, como falta de espaço para a terceira cadeirinha no banco de trás do carro). A primeira delas – e seremos bem sinceros – é que tem coisas pelas quais não sabemos se queremos passar. Nossos filhos sempre dormiram a noite toda, por exemplo. Deitam às 20h e acordam às 7h todos os dias. Não precisamos “ninar”, porque eles deitam e dormem sozinhos. Somente quatro (juro!) vezes acordaram chorando, mas  logo dormiram. Temos preguiça de noites em claro. Não sabemos se queremos passar pelo processo amamentar-trocar-arrotar-ninar a cada três horas. Não fazemos a menor ideia como ensinar um bebê a dormir a noite inteira. Não fazemos a menor ideia como as pessoas conseguem ser produtivas durante o dia depois de acordar duas, três, quatro vezes na madrugada. Nós já ficamos bastante cansados depois que viramos papais mesmo dormindo todas as noites inteiras.

A segunda delas é que não quero tirar outra licença maternidade tão cedo. Licença maternidade foi o período em que me dediquei integralmente para nossos filhos e achei ótimo. Mas li poucos livros, vi poucos filmes, ouvi poucos meus amigos (eles até me visitaram bastante, mas era impossível ouvi-los com dois bebês exigentes ao lado), convivi pouco com adultos. Agora estou integralmente dedicada a aprender a conciliar a minha própria vida com o papel de mamãe e não quero interromper essa fase.

E por último, não queremos saber o quão difícil deve ser decidir onde deixar um bebê de cerca de seis meses para a mamãe voltar a trabalhar. Todas as opções que conhecemos não parecem ser 100% perfeitas para nós (parar de trabalhar, deixar com babá, deixar com vovó ou deixar em um berçário). Com 1 ano e 9 meses, temos certeza que a melhor escolha para nossa família foi a escolinha. Com um bebê de seis meses, acho que optaríamos pela berçário, mas não tenho certeza que estaríamos tão seguros como estamos hoje.

Pode ser que isso mude com o passar dos anos, depois que nossos filhos tirarem as fraldas, aprenderem a falar (e, consequentemente, aprenderem a parar de se comunicar exclusivamente através do choro) e pararem com as tentativas de suicídio infantil (isto é, escalar móveis, se jogar para trás, mergulhar na privada e tal). Mas hoje achamos que nossa família está completa. Mamãe, papai, dois filhos e um cachorro era o que queríamos e estamos completamente felizes assim.

É verdade que tenho curiosidade sobre a gravidez, porque deve ser o máximo sentir um bebê crescendo dentro da barriga. Mas concluímos que só a vontade de viver a gravidez não é motivo para ter um filho. Afinal, toda a felicidade que vem depois da gravidez nós já temos.

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Chupeta

Nossos brigadeirinhos chupavam chupeta no abrigo, principalmente antes de dormir, quando estavam doentes ou manhosos. Nós dois não gostamos de chupeta, pois sempre concordamos que é um acessório que incentiva a preguiça que os adultos têm de fazer a criança parar de chorar. Também não entendíamos para que oferecer uma coisa que vicia e que depois é uma drama para tirar. Mas também concordamos que, como já estavam acostumados, não ficaríamos estressados com as chupetas e que eles poderiam trazê-las para casa.

Só que quando fomos buscá-los, saímos do abrigo com presentes, pasta de documentos, recomendações, dois bebês e muita alegria e euforia para chegar logo em casa e começar nossa vida como papais. Foram tantas coisas, que esquecemos completamente de pedir para levar as chupetas dos bebês e lembramos delas depois de uns três dias. Eles dormiram bem desde o primeiro dia e nunca pareceram precisar da chupeta para pegar no sono. Choravam bastante no começo por motivos diversos – fome, sono, birra etc. – mas nunca precisamos de chupeta para acalmá-los. Então decidimos não comprar chupetas novas.

No início evitávamos falar “chupeta” em voz alta, com medo que eles se lembrassem e começassem a chorar. Mas logo eles começaram a ver outras crianças com chupeta na boca quando iam brincar e nunca tentaram tirar delas. Simplesmente se esqueceram da chupeta. Achamos que papai e mamãe são suficientes quando estão com sono, doentes ou manhosos.

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Guerra das caminhas

Se tivéssemos tido mais tempo para pensar na chegada de nossos brigadeirinhos, eles ainda estariam dormindo em berços. Até agora, essa é a única coisa que teríamos feito diferente. Decidimos colocá-los em caminhas porque ouvimos de outros papais e mamães que as crianças costumam estranhar a transição do berço para a cama. Como eles já iriam passar por uma mudança grande ao vir morar conosco, achamos que poderíamos evitar outra mudança dali a alguns meses. O único “porém” que conhecíamos é que as crianças podem descer e andar sozinhas pela casa, o que é perigoso. Mas nossos bebês dormem com a porta do quarto fechada e esse problema nós não tivemos.

Nas primeiras noites, apesar das grades laterais (que não cobrem todo comprimento da cama), os dois caíram no chão. Não se machucaram e não sabemos se caíram dormindo ou tentando descer. Depois de uma semana, eles aprenderam a descer das caminhas, antes mesmo de aprender a andar. E nós aprendemos que eles são muito novinhos para ficarem andando pelo quarto. Primeiro porque eles fazem uma mega bagunça, abrem armários e gavetas e jogam tudo no chão. Segundo porque eles não dormem, ou decidem dormir no chão mesmo. E, por último, porque nós não conseguimos ficar tranquilos na sala enquanto ouvimos a bagunça, gritinhos e coisas sendo jogadas de um lado para o outro.

Nós mudamos o layout do quarto várias vezes para dificultar a descida da cama. Na última mudança, encostamos uma caminha na outra e usamos o trocador para fechar a passagem para o chão. Com as camas encostadas, eles passaram um tempo sem tentar descer porque aprenderam a se jogar de uma cama para a outra. E assim, mesmo que um bebê quisesse dormir, o outro pulava em cima dele e os dois ficavam acordados pulando de uma cama para a outra até serem vencidos pela exaustão.

Essa semana, entrei no quarto para ver como estavam e encontrei minha filha deitada em cima do trocador. Eu quase morri do coração de medo de ela cair e dei um grito muito alto. Nós três demoramos um tempão para nos recuperar: meu coração ficou acelerado por uma meia hora e eles choraram de susto durante uns vinte minutos. Nesse dia, meu marido comprou um monte de fitas hellerman e nós fizemos uma super-gambiarra-gigante nas camas. Praticamente fizemos berços de fitas hellerman. Não está nada bonito, mas há três dias eles dormem rapidamente e nós não ficamos preocupados porque sabemos que estão seguros no quarto. Quanto tempo será que eles levam para descobrir outro jeito de descer?

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Adaptação dos bebês

Essa semana vamos comemorar dois meses com nossos bebês e estamos pensando muito sobre a adaptação deles na nossa família. Nós não temos dúvidas que eles se adaptaram rapidamente a viver conosco. É fácil se sentir bem e gostar de quem cuida com carinho, brinca, dá comidinha e deixa quentinho.

A parte mais difícil da adaptação foi uma coisa comum em qualquer outra família: sair da rotina. Institucionalizados desde o nascimento, eles saíam do abrigo apenas a cada um ou dois meses para ir ao pediatra. Os demais dias eram muito parecidos, sempre no abrigo, seguindo a rotina que contamos aqui. Quando viraram nossos filhos, nós começamos a fazer coisas que todos os papais fazem com seus bebês – andar de carro, passear, visitar pessoas, ir ao parque, ir ao shopping, comer em restaurantes – e eles ficavam bastante estressados cada vez que uma refeição ou horário de soninho atrasava ou acontecia fora de casa.

Eles não choraram no carro quando viemos do abrigo para casa, mas choraram muito no carro todas as vezes que saímos nas três primeiras semanas. Passamos a maior vergonha na primeira vez que os levamos ao supermercado, um dia que decidimos comprar meia dúzia de coisas pouco antes do horário de almoço deles. Logo que chegamos, nossa filha fez cocô e eu precisei trocá-la no banco do carro, o que a deixou super brava (não, não tem um lugar decente para trocar fralda no Pão de Açúcar). E, sim, o cocô sujou a calça dela e, não, eu não tinha levado outra calça, então ela teve que ficar só de fraldas no supermercado (e nesse dia aprendemos a sempre ter uma roupa limpa na bolsa para eles). Depois disso, como estava com fome, nosso filho abriu o maior berreiro do mundo. Não era simplesmente um choro alto. Dias antes eu tinha o levado para fazer exame de sangue e ele chorou bem alto enquanto as enfermeiras faziam a coleta. No supermercado, ele esgoelou como se não comesse há 60 dias e chegou a ficar roxo. Todo mundo ouviu, muitas pessoas vieram ver o que estava acontecendo e nós tivemos que sair correndo de lá, morrendo de vergonha, e ele só parou de berrar quando começou a comer em casa. Ficamos imaginando as pessoas pensando porque pais de crianças de mais de um ano ainda não tinham aprendido a levar troca de roupa ou a fazer o filho se acalmar.

Aos poucos eles foram ficando mais flexíveis e perceberam que, mesmo que demore, eles vão comer, dormir e voltar para casa. Parece que começaram a entender os dias de semana, quando papai vai trabalhar e eles seguem uma rotina com a mamãe, e os finais de semana, quando saímos todos juntos, fazemos coisas diferentes e os horários mudam um pouco. No último final de semana fizemos várias coisas com eles e ficamos super felizes que eles choramingaram pouco, não ficaram muito impacientes e se divertiram bastante: fomos comprar algumas roupinhas, passeamos no shopping, almoçamos e jantamos em restaurante no sábado, visitamos uma das vovós e jantamos na casa de uma das madrinhas no domingo. E há poucos dias conseguimos fazer uma outra coisa que qualquer outro papai faz facilmente: carregar nossos filhos dormindo do carro até em casa e colocá-los na cama. Agora eles já se acostumaram com o cheiro e com o toque e confiam em nós até dormindo!

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Primeira visita da assistente social

Hoje à tarde recebemos a visita da assistente social em casa. Ela ligou para agendar há uns 3 dias e pediu para todos estarem aqui no horário combinado. Durou uns 20 minutos. Perguntou sobre a rotina deles aqui em casa, o que estão comendo e como está a saúde dos dois. Pediu para ver o quartinho dos dois, o banheiro e notou as pequenas alterações que fizemos em casa (colocamos telas de proteção nas janelas e um portão para que eles não entrem na cozinha sozinhos). Perguntou também se estamos de licença maternidade/ paternidade, se tenho ajuda durante o dia para cuidar dos dois e como estamos organizando a nova vida.

Eu tirei a licença maternidade para cuidar da adaptação dos dois e infelizmente meu marido não pôde fazer o mesmo. Mas como optamos por fazer tudo sozinhos e olhar de perto tudo o que está acontecendo em nossa casa, não temos babá e não está nos nossos planos contratar uma. Nossa faxineira vem duas vezes por semana e pedimos para ela tentar vir um dia a mais. Além disso, combinamos com uma das vovós que os bebês passarão um dia por semana na casa dela, para mamãe poder fazer coisas sozinha. Tirando essas 5 horas que ficam sozinhos com a vovó, estou com eles o tempo todo, muitas vezes sozinha até o papai chegar do trabalho.

Virar papais de uma hora para outra não nos deu tempo para pensar em um monte de detalhes que fazem a casa “funcionar”. Nós não tínhamos ideia que bebês sujavam tanta roupa – são duas ou três roupinhas por dia, porque além de engatinharem para-lá-e-para-cá, às vezes derramam comida ou deixam escapar um xixi ou cocô. Se antes lavávamos roupas uma vez por semana, agora usamos a máquina umas três ou quatro vezes na semana, e geralmente temos mais roupa para lavar do que a capacidade dos nossos varais. Também ainda não acertamos a quantidade de compras de supermercado, porque temos que ter comida todos os dias, para nós quatro. Sempre falta alguma coisa e temos que sair correndo para buscar. No primeiro final de semana, meu marido cozinhou um monte de papinha e sopinha e não tínhamos potinhos suficientes para congelar tudo. E como não deu tempo de providenciar toda a “lista completa de enxoval para bebês”, todos os dias percebemos que eles precisam de algo, tipo termômetro para crianças (o convencional é uma tortura), alicate para cortar unhas e meias anti-derrapantes.

Apesar de estarmos achando tudo muito confuso, eles estão super bem. Estão sorridentes e brincando muito. Já conhecem bem os papais e a casa e entendem muitas coisas que falamos para eles: por exemplo, vêm sozinhos até a porta da cozinha quando chamamos para comer e sabem quando tomaram bronca por mexer em alguma coisa que não é de criança. Os dois estão dormindo super bem – das 20h às 7h e das 12h às 15h – e acordam de bom humor (sim, é quase ganhar na megasena). E, fora umas duas ou três birras para comer que nossa filha fez, estão se alimentando bem, comendo tudo que oferecemos e muito!

Além da visita da assistente social, teremos entrevista com a psicóloga em setembro e a avaliação final do estágio de convivência será feita em janeiro, para então recebermos a guarda definitiva dos nossos filhos!

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Nova rotina

Para que eles se sentissem seguros (e também porque gostamos dos horários deles), mantivemos a mesma rotina que eles tinham enquanto moraram no abrigo: antes das 7h, os papais tomam banho e ficam prontos para acordar os bebês (alguns dias eles resolveram acordar antes das 7h e ficou um pouquinho atrapalhado). Quando acordam, trocamos as fraldas, tiramos o pijama e eles vão tomar café da manhã. Papai então sai para trabalhar e mamãe vai brincar na sala (vida boa!). Às 9h30 eles comem fruta, depois brincam mais um pouco. Às 11h30 almoçam e vão para o quarto para o soninho, que dura até umas 14h30. Depois acordam e tomam lanche da tarde. O jantar é às 17h30, depois banho, pijama, última mamadeira, escovar dentes e cama às 20h. Acontecem algumas trocas de fraldas durante todo esse processo.

Alguns costumes do abrigo vamos manter em casa, porque achamos ótimo. Eles não são “ninados” antes de dormir. Nós os colocamos nas caminhas, fazemos um pouco de carinho, deixamos a luz bem fraquinha, damos beijinho de boa noite e fechamos a porta. Às vezes eles ficam resmungando no quarto uns 5 minutos, mas logo dormem. Os horários de dormir também são muito bons: às 20h vamos jantar juntos, conversar e temos um “tempo de adulto”; depois temos uma noite inteira de sono até o dia seguinte. Também comem super bem e de tudo: muita fruta, muitos legumes, chá, suco, leite. E já chegaram treinados em várias coisinhas: deixam escovar os dentes e limpar o nariz e ajudam a vestir as roupinhas.

Em outras coisas, ainda estamos apanhando: nosso filho não gosta muito de banho. Está melhorando, mas nos primeiros dias berrou durante o banho todo e só parou quando tiramos de lá. Nossa filha faz o contrário: se diverte no banho e começa a berrar quando tem que sair. Ela deixa pingar as vitaminas na boquinha, com ele é uma pequena batalha para dar certo. Também têm ciúmes um do outro e brigam bastante, com direito a alguns tapas e mordidas.

E algumas coisas queremos mudar, aos pouquinhos. Eles estavam acostumados a comer muito rápido, porque muitas crianças almoçam e jantam ao mesmo tempo no abrigo e são poucas educadoras, então mal terminam de engolir e já gritam pela próxima colherada. Estamos ensinando a comer mais devagar. Também estavam acostumados a descer do cadeirão assim que terminavam, pois outras crianças seriam alimentadas logo em seguida. Em casa, eles ficam sentados um pouquinho mais antes de voltar para a sala. Estamos fazendo assim porque queremos começar a sair para almoçar fora com eles e eles terão que ter paciência para ficar sentadinhos no cadeirão enquanto os papais comem. Além disso, eles brincavam todos os dias em um lugar onde só ficavam coisas de crianças e podiam mexer em tudo. Aqui em casa, temos plantas, vasos, livros que ficam na mesa de centro, quatro luminárias de piso e outras coisas que não são de criança, e não queríamos mexer na decoração da casa toda. E estamos pacientes tentando ensiná-los tudo isso.

Como eles dormem bem, nós também conseguimos descansar e não estamos parecendo zumbis. Mas todo o tempo pensamos neles: fizeram cocô? o que vão vestir? o que vão comer na próxima refeição? estão felizes?

… Sim, acho que estão felizes!

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