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9h15

São 9h15 de domingo e todos os bebês ainda dormem nessa casa. já fui checar, eles respiram ainda.

Obrigada, Santo Expedito, pela graça alcançada!

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Mãe não é tudo igual

Quem inventou esse negócio de “mãe é tudo igual, só muda de endereço” só pode estar doido. Depois que virei mamãe, e passei a acompanhar blogs, posts e conversas de outras mamães, percebi que as mães são, sim, muito diferentes uma das outras. Mães são uma combinação de opiniões fortes a respeito de temas polêmicos, e é impossível dizer que são todas iguais.

Não tô dizendo que tem certo ou errado. São opiniões, pontos de vista. Não se ofendam, não, tá? Mas aí vão alguns assuntos que tornam as mães muito únicas:

  • Tipo de parto: tem mães que defendem o parto normal, humanizado, na água, em casa, de cócoras, sem médico, sem hospital, e depois comem a placenta. Tem mães que acham prático agendar dia e horário e aplicar uma boa anestesia, para não ter sofrimento nenhum. Essa polêmica não fez parte da minha vida, então não tenho nenhuma opinião. Tenho uma opinião muito forte sobre visitas aos recém-nascidos. Bem forte, quase mal educada. Imagina que você é um serzinho pequenino, que viveu nove meses dentro da barriga da sua mãe, quentinho, embrulhadinho, com poucos barulhos, pouca luz, bastante conforto e comida em livre demanda. Imaginou? Agora imagina que você teve que sair desse mundo confortável (por parto normal ou por cesárea, não importa!) e veio para o mundo exterior de uma hora para outra, sem período de adaptação nem nada. Imaginou? Aqui fora tem barulho, tem sujeira, tem gente falando alto, tem gente ouvindo axé, tem luzes, tem o Faustão falando na TV, e você precisa chorar para perceberem que está com fome. Eu não consigo imaginar nada mais traumático do que nascer, sério mesmo. Deve ser o pior momento de nossas vidas. Mas não tem jeito, tem que nascer. Cara, mas aí eu me pergunto: por que as pessoas vão visitar um serzinho que acaba de passar por essa experiência traumática nos primeiros dias de vida, e querem pegá-lo no colo, apalpar seu corpinho, dar beijinhos, fazer comentários em voz alta, em vez de deixá-lo se adaptar a essa triste realidade no colo de sua mãe? Por que, minha gente? Se eu tivesse parido, ia proibir as visitas. Desculpem a falta de educação, mas eu ia.
  • Amamentação: aí tem as mães que fazem questão de amamentar exclusivamente até os seis meses de vida, sem admitir um leitinho artificial, e depois continuam oferecendo o peito em livre demanda até que seus filhos desmamem naturalmente aos 2 ou 3 anos. Tem outras que – por motivos diversos – abrem mão da amamentação quando o bebê tem poucos meses de vida. Esse é outro assunto que não fez parte da minha vida de mãe. Se, por um lado, eu odeio coisas artificiais na alimentação dos meus filhos, por outro lado acho que eu ficaria um pouco louca se tivesse que ficar totalmente à disposição da(s) cria(s) para alimentá-la(s) durante seis meses ininterruptos. Difícil, hein?
  • Cama compartilhada: gente, é tanta coisa. Tá, eu não passei pelo período “recém-nascido mamando a cada 2 horas”, porque tendo a concordar que facilita a vida de todos se o bebê estiver no quarto da mãe. Também tendo a concordar que, depois de ter passado pela experiência traumática citada no primeiro bullet, é muita judiação deixar o coitadinho sozinho em um quarto desconhecido durante a madrugada. Difícil. O que eu não consigo entender é a falta do que vou chamar de “tempo de adulto” na vida das mães que fazem cama compartilhada. Explico: eu estou aqui na sala da minha casa enquanto meus filhos dormem tranquilamente no quarto deles há umas duas horas. Estou curtindo meu “tempo de adulto”, quando janto, tomo banho, leio, escrevo, fico em silêncio, trabalho, assisto um filme de adulto ou durmo. Se a mãe faz cama compartilhada, imagino que ela vá dormir junto com o filho, ou estou enganada? E não tem nem um tempinho só de adulto na vida? Aí hoje li esse post aqui, que cita a vida sexual das mães que fazem cama compartilhada: Você tem sofá/futon/chuveiro/ outros cômodos na casa?, a autora pergunta. Sim, todo mundo tem. Só não quer dizer que o sofá/futon/chuveiro (gente, please, e o tanto de água que isso deve gastar?)/ outros cômodos na casa sejam os mais legais para isso, né? Quer dizer que pós-nascimento dos filhos a cama de casal deixa de ser palco da vida sexual e os pais passam a utilizar outros locais na casa não originalmente concebidos para tal?
  • Trabalhar fora ou ser mãe em tempo integral: ser mãe e ter um emprego full-time é f. Você está sempre com a sensação que não faz nada direito e vive se sentindo culpada. Frequentemente, uma coisa invade o espaço dedicado a outra coisa e a culpa cresce ainda mais: é criança que fica doente e te obriga a faltar no trabalho ou é o trabalho que não termina na hora certa e te faz atrasar para chegar em casa. Aí você está no trabalho pensando nas coisas do filho e está em casa pensando que não respondeu aquele último e-mail antes de sair. É f. Mas f mesmo deve ser a vida de mãe em tempo integral. Vida de mãe em tempo integral não tem final de semana ou horário de almoço ou pausa para o café. A mãe em tempo integral é responsável por todas as refeições, todos os xixis e cocôs (na fralda ou no vaso, até que aprendam a se limpar sozinhos), por todas as brincadeiras, por todas as birras, por todos os banhos, todas as broncas. A mãe em tempo integral não pode simplesmente marcar um almoço com uma amiga, porque não pode deixar o filho sozinho em casa. Eu sei bem como essa vida é difícil porque tirei quase seis meses de licença maternidade. Admiro as mães em tempo integral, porque acho que a vida delas é bem mais difícil que a minha, que sou mãe que trabalha.
  • Escola ou babá: o que vou discutir não é nem a questão de deixar o filho aos cuidados de uma pessoa contratada para tal função, que não é da família, que pode pedir demissão a qualquer momento, com quem a criança criará laços profundos. Eu fico me perguntando como é que os pais garantem que a babá está entretendo seu filho de uma forma bacana, variando as brincadeiras, não os deixando morrer de tédio ou mofar na frente da televisão. Durante os finais de semana, eu frequentemente não tenho imaginação para ocupar e estimular meus filhos como eles precisam durante as 48 horas, e sofro com birras e momentos de tédio, quando eles resolvem fazer tudo o que sabem que não podem fazer. Haja criatividade no job description das babás, hein?

Só com esses cinco itens, a gente poderia criar pelo menos uns trinta tipos de mães diferentes. Não é só o endereço que muda, não, gente.

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Ah, tá

– Ah, que bom, o horário de verão acaba neste final de semana e poderemos dormir uma hora a mais!

Claramente ela não tem filhos pequenos, que não estão nem um pouco preocupados em ter uma hora a mais para dormir.

🙂

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Re-adaptação

Dessa vez, o erro foi meu. Eu sempre fui muito cuidadosa com a adaptação dos bebês a coisas diversas. Quando chegaram em casa, tomei cuidado com o número de visitas nos primeiros dias para não assustá-los. Tomei cuidado em manter a rotina deles bem parecida com a que tinham no abrigo, para que não sentissem tanto a mudança de casa. Só os deixei dormir na casa da vovó pela primeira vez uns quatro meses depois da chegada dos dois. Fiz a adaptação na escolinha em quase duas semanas, para que não sentissem muito a separação da mamãe, depois de cinco meses muito juntos comigo.

Mas, dessa vez, esqueci que eles são crianças. Acho que eu tava tão deprimida com o fim das férias e preocupada com o tanto de coisas que eu tinha que fazer no trabalho já na primeira semana, que simplesmente virei a chavinha de uma hora para outra: fomos dormir no ritmo de férias no domingo e eu acordei os dois às 6h na segunda no maior ritmo de trabalho e de vida normal do mundo, naquela super empolgação de começar um ano novo e tal.

Não façam isso.

Há três dias, meu filho chora do momento em que abre os olhos até entrar na escola. E ele chora, mesmo. De verdade. Alto. Não pára. Chora porque acorda e quer brinquedos, porque não quer fazer xixi, porque não quer tomar o leite, porque quer levar todos os brinquedos para a escola e não pode. Chora, treme os lábios, soluça. Um drama.

Há três dias, minha filha não quer sair da cama por nada. “Nanar é gostoso, só mais um pouquinho?” – diz ela, e não levanta. Quando finalmente desgruda dos lençóis, ela choraminga durante o processo todo um “aaaaaiii, mamãe”, como se tirar o pijama, colocar roupa, escovar os dentes, tudo doesse. Fica com um beicinho de dar pena, com cara de “não faça essa tortura comigo”.

Um filho fazendo birra é ruim, dois é demais.

Ser mamãe é exercitar a paciência e compreensão, com muito carinho, eu sei. Tô tentando consertar e resolver com muita calma. Mas se não melhorar em uma semana, vou levantar chorando também e vou chorar até chegar no trabalho.

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Soninho da tarde

Sei que vão me chamar de malvada, mas se tem um hábito de bebê que eu gostaria de manter por anos ainda é o soninho da tarde. Gente, como é legal pra caramba o soninho da tarde.

Eu não sei como é ter um filho só. Mas cuidar de gêmeos aos sábados e domingos é muito mais difícil que passar horas no escritório durante a semana. Depois do almoço, ou seja, depois de preparar café da manhã para dois, brincar de um monte de coisas – porque eles perdem o interesse por qualquer coisa em dez minutos, levar ao banheiro 300 vezes, chamar atenção outras 300 vezes, separar brigas, aguentar choros, birras e afins, dar dois almoços e limpar dois sujismundos, ouvir duas coisinhas fofas que não param de falar um minuto sequer, eu simplesmente preciso do soninho da tarde. E eles precisam dormir para eu conseguir aguentar a segunda parte do dia. Raramente durmo, mas acho soninho da tarde uma das maiores maravilhas do mundo (depois de noites bem dormidas, claro). Principalmente porque, por estarem muito acostumados a dormir todo dia após o almoço, é muito difícil de aguentar os dois quando por algum motivo pulamos esse momento.

Será que consigo manter o hábito até eles terem pelo menos uns 12 anos?

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Cansar e dormir

Meus filhos não param quietos um minuto. Minha filha até seria uma criança mais quietinha, princesinha, calminha, se não tivesse um irmão-catalisador da bagunça. Meu filho é um furacão. Eu ainda tenho dúvidas se ele tá melhor ou pior que o Luke, nosso labrador, que há uns anos me fez achar que o dono do Marley estava exagerando e que o Marley nem era tão mal assim. Isaac simplesmente não pára de mexer o corpo, não fica no mesmo ambiente mais que 3 minutos, não anda – só corre e pula. Acho meio exagero ficar rotulando de coisas tipo hiperativo, mas haja energia para acompanhar.

Eles foram visitar o vovô nesse final de semana e, assim que entrei no apartamento para buscá-los, presenciei meu filho caindo no chão junto com a cadeira, a mesa da cozinha e a cesta de frutas (acho que ele estava atrás de uma banana). Depois daqueles cinco minutos de gestão de caos – criança berrando, coisas espalhadas pelo chão – meu pai se senta com cara de quem correu uma meia maratona e me fala:

– Minha nossa senhora, cada vez que ele vem aqui ele está mais levado. Sobe em tudo, mexe em tudo, dá vontade de colocar um GPS nele para saber em que ambiente da casa ele está. Ele não pára nunca?

Não, nunca.

Minha mãe costuma me dizer.

– Você está só pagando seus pecados. Você era igualzinha. Na verdade, você era pior. Agradece que pelo menos esse menino dorme, porque nem isso você fazia para me dar um pouco de paz!

Ah, tem isso. Não posso reclamar. Se durante o dia meu filho contribui para que eu queime calorias e compense os dias que não consigo ir malhar, pelo menos ele apaga como uma pedra a noite todinha. Não acorda nem quando eu o reviro na cama para trocar fralda.

Na quarta-feira passada tivemos feriado e ficamos em casa. Acordamos 8h30 e eles quase me levaram a um esgotamento físico até o almoço. Depois dormiram das 13h00 às 17h00. QUATRO horas de sono, de paz, de silêncio. Acham que isso atrapalha o sono da noite? Nada. Depois de seguirem destruindo tudo o que viam pela frente, deitaram às 20h30 e dormiram até 7h30 no dia seguinte. Lindo, vai?

Tem gente que me fala que criança que come bem é uma benção. Tem quem acha que criança com saúde é uma benção. Outros vão dizer que criança inteligente é tudo de bom. Não, gente: benção é criança que dorme.

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Hora de nanar

Véspera de feriado no meio da semana e uma ideia brilhante: colocar os dois para dormir um pouco mais tarde para tentar dormir até um pouco mais tarde no dia seguinte. Espalhamos panelinhas, trenzinhos, motocas, bichinhos e coisinhas no chão e meu plano era deixá-los bagunçar uma hora a mais que os outros dias.

Só que quando chegou no horário habitual de ir pra cama, eles decidiram brincar de NANAR. Juro. Foram para o quarto buscar travesseiros, cobertores e bichinhos de pelúcia, deitaram no sofá e brincaram de nanar. Não dormiram, claro, mas foi no mínimo a brincadeira mais esquisita que já vi por aqui.

Ok. Já entendi que estou exagerando no regime militar aqui nessa casa.

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Outro olhar para as coisas

Eu sempre odiei o início do horário de verão. Não só porque eu não gosto de calor, sol e praia. Pra mim, início do horário de verão era aquela semana em que todos os esforços de um ano inteiro para acordar às 5h45 e ir para a academia às 6h iam por água abaixo quando alguém me obrigava a sair da cama na escuridão da madrugada. Acordar no escuro e andar na rua no escuro para malhar é muito chato, meu. E a vantagem de escurecer mais tarde e aproveitar mais o dia não vale nada para quem estava acostumada a trabalhar até depois das 21h todos os dias. Não, eu não gostava mesmo de horário de verão.

Aí virei mamãe. Virei mamãe de dois bebês que acordam assim que o sol aparece no céu. Ou seja, eu vinha acordando entre 5h30 e 6h com risadinhas e pulinhos todos os dias, incluindo sábados e domingos, há um bom tempo. Mas não adianta nada sair da cama às 5h30 se eu não posso ir para academia, né? Pô. Aí eu queria dormir um pouco mais. E sábado e domingo, que são os dias universais de enrolar até mais tarde na cama, como é que fica?

Aí chegou o tal do horário de verão para me salvar. Achei lindo ver meus bebês nanando no escurinho até às 7h. Coisa mais legal, gente. Também achei ótimo saber que eles vão sair da escola com o dia ainda claro e ver a noite chegar dentro de casa. É mais aconchegante.

Na primeira segunda-feira após início do horário de verão, fui acordar meu filho para ir para escola, e ele me disse assim:

– Não, mamãe. Vou nanar. Tá escuro, tá de noite.

Gostei demais de você esse ano, horário de verão.

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Separação dos bebês

Acho que o grande problema em irmãos gêmeos é que eles acabam virando sombra um do outro. Por mais que sejam crianças diferentes, com gostos diferentes, personalidades diferentes, a gente acaba fazendo tudo exatamente igual com os dois. Eles dormem no mesmo horário, acordam no mesmo horário, vestem o mesmo tipo de roupa, comem a mesma coisa no café da manhã com o mesmo tipo de utensílios, vão para a escola juntos, estudam na mesma sala com a mesmíssima rotina e os mesmos amigos e terminam o dia com banho no mesmo horário e cama no mesmo horário. No final de semana, mesma coisa: mesmos passeios, mesmos horários, sempre a mesma pessoinha colada no outro o dia todo, pra todo canto. Com exceção dos compromissos médicos, a vida dos dois é muito igual.

É claro que para os papais este aspecto é um ganho de escala e facilita a vida. Deve ser muito mais difícil gerenciar duas crianças com logísticas diferentes. Mas esse grude todo acabou nos trazendo duas questões para pensar e resolver.

A primeira delas foi na escola. Meu filho é bagunceiro. Bagunceiro, levado, arteiro, é só olhar para a cara dele que dá pra perceber. Segundo as professoras, é ele que tem ideias mirabolantes de subir em cima da mesa do refeitório, levantar da roda quando a tia está contando histórias, tirar os sapatos e ficar correndo descalço. Mas se ainda fosse um só… O problema é que quando ele pensa em uma travessura, imediatamente convoca a irmã, que imediatamente segue o mocinho, e todas as bagunças já começam com dois envolvidos. Antes dessa conversa com a coordenação da escola, nós já vínhamos pensando que seria interessante para os dois ter os próprios amigos, a própria professora, uma vidinha independente durante o dia e reencontrar o irmão no final da tarde para matar as saudades. Só não sabíamos o momento ideal. Mas com toda essa questão da bagunça, decidimos: no ano que vem eles estudarão em classes diferentes.

A segunda questão foi o quarto dos dois. Eu sempre achei que dividir quarto com o irmão, independente de sexo e idade diferentes, trouxesse um monte de coisas positivas para as crianças, por causa da convivência, divisão do espaço comum e coisas assim. Até meu filho trazer para casa a mesma forma de tocar-o-terror quando estão sozinhos dentro do quarto. Na hora de dormir, ele desenvolveu uma mania extremamente irritante de bater a cabeça na cama antes de dormir, enquanto canta alto. Ele bate a cabeça na grade que o protege para não cair no chão, que é molinha, então não machuca. O problema é a cama balança, anda, faz barulho, encosta no armário ou na parede e faz os vizinhos acharem que estamos martelando alguma coisa em horário proibido. Difícil deixar a irmã dormir nessa confusão toda, principalmente porque a mamãe precisava entrar no quarto 357 vezes para pedir para ele parar com aquilo. Geralmente ele caía no sono em uns 20 minutos de tortura materna, então se fosse só isso estava bom.

Mas não. Ele resolveu começar a acordar às 5h da manhã. CINCO. DA. MANHÃ. E o que você faz quando acorda às 5h da manhã? Pula na cama da irmã, claro. Pula na cama da irmã, garante que ela acorde bem acordadinha, aí você decide se brincam, se cantam alto, se pulam descontroladamente em cima da cama ou se brigam, gerando choros, mordidas, tapas e puxões de cabelo. Em qualquer uma das alternativas, você obriga sua mãe a sair da cama dela e colocar ordem no ambiente, e faz com que a família toda inicie o dia nesse horário cruel, porque ninguém volta a dormir depois de tanta agitação. Podem me achar malvada, sem paciência, mas não dá para viver assim não.

Eles tiveram que ganhar quartos separados, para garantir a sanidade mental da mamãe. Toda minha teoria sobre deixá-los dividindo quarto até uns 10 anos foi por água abaixo quando eu percebi que estava pirando com tanta bagunça na minha vida. Numguentei, levantei a bandeira branca, desisti, e mudei a cama do meu filho para o quarto do lado.

Nos primeiros dias, minha filha achou que o irmão não merecia o privilégio de ganhar um quarto novo por ser tão bagunceiro e resolveu bater fortemente a cabeça na cama antes de dormir, numa tentativa desesperada de ganhar um quarto novo também. Ah, filha, desculpa, mas só temos esses três quartos aí e não posso te dar um quarto novo. O único motivo para eu ter mudado meu filho e não a minha filha é que não temos armário no novo quarto dele. Eu queria evitar de deixá-lo sozinho em um quarto com armário, porque sei que mais cedo ou mais tarde ele iria resolver tirar todas as roupas das gavetas e jogar no chão, na falta de uma irmã para atormentar. Eu sei que ele é capaz disso. Eu já o vi fazer isso em um dia que – não lembro por que – a irmã não estava com ele no quarto quando acordou. Acho que ela me entendeu e parou de bater a cabeça na cama. Ele continua chacoalhando a cama antes de dormir, mas pelo menos não incomoda mais a irmã.

A coisa linda mesmo aconteceu na parte da manhã. Quando ele acorda e se vê sozinho no quarto, ele resolve simplesmente VOLTAR A DORMIR. Sério. Nenhum drama, nenhum choro, nenhuma reclamação. Ele simplesmente dorme melhor. Desde o primeiro dia que meu filho foi dormir sozinho no quarto, ele dorme até eu acordá-lo para ir para a escola. No primeiro final de semana após a mudança de quartos, nós dormimos até às 9h no sábado E no domingo. Juro. Desde que eles chegaram em casa eu não dormia tanto assim em dois dias no mesmo final de semana. Lembro de ter acordado às 7h e pensado “oba, posso dormir mais”. Depois às 8h: “uau, que silêncio gostoso”. Depois às 9h me veio um “gente, não aguento mais ficar deitada, mas é bom demais para ser verdade e não quero estragar”. Adorei.

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Leitura para mamães

Eu não tive muito tempo para ler livros e mais livros sobre maternidade porque meus filhos chegaram em tempo recorde. Cheguei a comprar esse aqui, mas não passei da página 5. Esses livros me lembram auto-ajuda e me dão um certo pânico. Coisas do tipo “como ser uma boa mãe” ou “como educar bem seus filhos” me dão medo. E eu também tive sorte de nunca precisar ler livros como esse aqui, porque meus bebês sempre dormiram lindamente a noite toda.

Mas eu trombei com um livro na África do Sul sobre maternidade em um dia em que todos os livros que eu tinha levado para lá já tinham acabado, chamado “French children don’t throw food, e comprei. Escrito por uma norte-americana casada com um inglês que vive na França com seus filhos, ela começa o livro comparando as mães francesas – elegantes, bem-vestidas e calmas – com as mães norte-americanas – descabeladas, fora de forma, usando roupas de moletom e gritando e correndo atrás de crianças mal-educadas. E ser uma mamãe-descabelada-gritando é algo que ninguém se planeja para ser, né?

A autora descreve no livro as principais coisas que aprendeu com suas amigas e colegas francesas. Algumas dessas coisas, como não se permitir comer o que quiser e engordar horrores na gravidez (porque depois o trabalho de voltar ao manequim original é maior) e esperar um pequeno tempo antes de sair desesperada para acudir um bebê chorando, não serviram para meu caso porque eu não engravidei e não cuidei de um recém-nascido. Mas eu gostei de uma porção de coisas que ela escreveu e tento fazer parecido.

Uma das primeiras coisas que ela conta é que sempre se sentia envergonhada quando levava o filho em restaurantes na França, pois eles eram a única família que não conseguia jantar tranquilamente. Cena clássica que apavora muitos amigos: crianças correndo e gritando porque não querem ficar sentadas à mesa e mães correndo e gritando atrás das crianças tentando contê-las. Quando saímos para comer fora com os bebês, eles participam o tempo todo do programa. Ficam sentadinhos no cadeirão, interagindo conosco (conversando, cantando ou brincando – nunca coloco Galinha Pintadinha no Ipad só para poder comer em paz, gente). Comem ao mesmo tempo que comemos, o mesmo tipo de comida, comem sobremesa, esperam a conta chegar e só então se levantam conosco para ir embora.

A segunda coisa é saber preservar a vida e rotina de adulto. É claro que nossas vidas mudam muito quando os bebês chegam e eles se tornam prioridade. Mas não dá para deixá-los tomar conta de todo o tempo do mundo. Gosto que meus filhos durmam cedo porque gosto de jantar com calma, gosto de ler, gosto de escrever, gosto de ouvir música de adulto e assistir filmes de adulto, gosto de receber amigos para conversar, e não dá para fazer essas coisas com dois brigadeirinhos falantes e bagunceiros acordados. Depois das 20h é o tempo que mamãe e papai têm vida de adulto em casa. Não gosto de brinquedos espalhados pela casa toda pelo mesmo motivo. É claro que é uma casa onde moram crianças, e temos cadeirões na cozinha e uma mesinha onde ficam os brinquedos na sala de estar, mas os brinquedos e coisas de crianças não dominam a decoração fora do quartinho deles.

Outro ponto é sobre o relacionamento deles com outras pessoas. Além de já terem aprendido a falar “por favor”, “obrigado” e “desculpas”, faço questão que eles digam “oi” e “tchau” para todos as pessoas que encontram. Eles cumprimentam todas as visitas que vêm em casa, a moça que trabalha aqui, os vizinhos no elevador, as outras pessoas no supermercado. Estamos ensinando os dois a esperarem a vez para falar e a não interromperem uma conversa. E estou struggling para ensinar a pedir as coisas sem chorar, sem exigir ou sem espernear, mas não vou desistir. 🙂

Nós também estamos ensinando – ou tentando ensinar – o conceito de autonomia. Toda semana eles ganham alguma nova responsabilidade ou passam a fazer alguma coisa sozinhos. Comem sozinhos na maioria das vezes, estão aprendendo a pegar os sapatos no armário e calça-los sozinhos, guardam os brinquedos e recolhem coisas do chão sozinhos se fazem alguma bagunça. Mais que isso, ultimamente estou dando autonomia para resolverem sozinhos seus próprios problemas. Todo mundo que tem irmão sabe que é normal brigar, e eu passei um bom tempo fazendo o papel de conciliadora, o que, além de tudo, me estressava demais. Não é fácil ficar abaixada para olhar nos olhos de dois bebês de dois anos chorando, apontando pro irmão, e reclamando algo como “pegou meu brinquedo buááááááá´”. Agora deixo que eles resolvam sozinhos quem vai pegar tal brinquedo ou quem vai fazer alguma coisa primeiro, e só fico de olho para que não se machuquem – porque não pode resolver conflito com mordidas e arranhões, bebês!

E, por fim, eles estão aprendendo que quem decide as coisas em casa é a mamãe ou o papai. Eu não negocio coisas como hora de dormir, hora do banho ou hora de comer. Não tem chantagenzinha do tipo só-um-desenho-e-depois-vai-pra-cama. Hora de ir dormir é hora de deitar, ficar quietinho e apagar a luz. Não tenho medo de traumas por ouvir um “não pode” ou “precisa esperar um pouco”, porque acho que eles precisam aprender a lidar com frustrações. Claro que não vivemos em um quartel general: eles escolhem o que querem fazer nas horas de brincar e participam de um monte de tarefas em casa só se quiserem – como regar plantinhas, por exemplo.

O livro é genial, gente. E vocês, mamães, têm alguma outra leitura para indicar?

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