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Cega

Toda semana, quando corto as 40 unhas minúsculas em dedos pequeninos que não param de se mexer, me dou conta que a idade chegou e que está na hora de usar óculos.

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Desfraldamos, já que não tinha outro jeito

Eu fiquei orgulhosa de mim mesma quando liguei para a escola para dizer: “da próxima segunda não passa! o que tenho que fazer até lá?”. Tá calor, estão mocinhos, eu precisava perder a vergonha na cara e não tinha mais desculpas para fugir do desfralde. Respirei fundo, tirei o tapete da sala e lá fui eu fazer do rodo e do pano de chão meus melhores amigos.

Passamos pela fase do xixi na roupa, no chão e nos brinquedos. Passamos pela fase do choro desesperado porque não-quero-sentar-no-vasoooooooooooooooooo. Passamos pela fase de perguntar a cada três minutos se quer fazer xixi ou cocô (mentira, ainda estamos nela). Passamos pela fase de cocô na cueca e na calcinha. Pausa. Abre parênteses:

Eu tenho mania de sustentabilidade, consumo responsável, salvar a natureza. Reciclo o lixo, economizo água e nuncajamaisemhipótesealguma pego sacolinhas de supermercado. Quando os brigadeirinhos chegaram, pesquisei opções de fraldas de pano porque achava um absurdo esse coisa horrenda de usar fraldas descartáveis. Mas ser mãe de gêmeos toma tanto tempo que essa item está esquecido na lista de thudus há um ano e pouco. AINDA BEM! Depois de ter que lavar cueca e calcinha sujas de cocô, eu entendi a doidera que seria minha vida se eu tivesse que lavar fraldas sujas todosantodia. Porque roupa suja de cocô não é uma coisa que você joga na máquina e espalha cocô pra todo lado. Roupa suja de cocô tem que ser lavada no tanque, com nossas próprias mãos. Não é legal. Eu tava completamente louca, gente. Maternidade faz essas coisas com a gente. Fecha parênteses.

No último sábado eu saí de casa com a cara, a coragem, dois bebês sem fralda, um monte de trocas de roupas, tudo isso dentro do meu carro. E foi um sucesso. Eles foram, ficaram e voltaram da festinha sem NENHUM acidente.

Estão sem fraldas, comem sozinhos, vão se deitar sozinhos em suas caminhas, falam tudo. Dois mocinhos lindos. Só falta a mamãe conseguir parar de chamá-los de bebês.

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O amor e a adoção

“Infelizmente a opinião em não aceitar a adoção consensual e seguir apenas o CNA esbarra em 2 problemas. Primeiro, diz que a mãe biológica arrependo-se, pode pedir a criança de volta. Sim é verdade, da mesma forma que acontece se seguir o CNA. Ou seja é a mesma coisa, se não fosse assim, não haveria o grupo “Fica Duda” onde uma criança estava em processo de adoção pelo CNA e está sendo devolvida aos pais biológicos.

O segundo problema e mais grave de todos. Quando se adota uma criança, ela não vem com um papel em branco. Ou sofreu maus tratos, ou abusos, ou sua mãe é usuária de drogas ou de álcool. Enfim, quando se faz uma adoção consensual tem-se a chance de saber mais dessa criança, o seu passado e o da mãe. Nada pior que do que depois de anos, saber que a criança adotada tem um problema psiquiátrico ou mental, ou ainda distúrbios que não sabemos como lidar, adquirido ainda na forma fetal. Isso costuma ser comum em crianças de mães viciadas em crack.

Enfim, prefiro a consensual ao CNA por esses motivos.”

Recebi esse comentário de um leitor no post sobre adoção consensual e quis comentar o segundo ponto, mas a resposta ficou tão grande que acabou virando outro post. Vamos lá, então.

A adoção é justamente uma alternativa para as crianças que, infelizmente, não puderam ser acolhidas pela família biológica. E, sim, em geral os genitores tinham problemas com álcool, drogas, violência, negligência, maus tratos e uma série de coisas muito tristes, que os impediram de exercer plenamente o papel de papai ou mamãe. Então, sim, quando se adota uma criança, ela não vem com um papel em branco. Ela vem com uma história de vida que se iniciou antes de conhecer a família adotante. E isto faz parte da adoção.

Geralmente, nos processos de destituição de poder familiar, estão anexadas todas as informações sobre o passado dos genitores e da família biológica, as condições da gravidez e documentos médicos. É direito do adotante conhecer o passado de seu(sua) filho(a). Eu mesma pedi ao fórum que solicitasse ao hospital onde meus bebês nasceram todos os documentos referentes ao pré-natal, parto e cuidados dos dois após o nascimento, incluindo exames e medicamentos tomados, e fui atendida em poucos dias.

A adoção consensual não garante que a gravidez tenha sido livre de drogas, álcool ou mesmo maus tratos. A genitora que abre mão de seu filho e deseja o entregar a outra família também pode mentir. E o simples fato de ter sido entregue a outra família, independente das condições da gravidez, também pode gerar traumas futuros para a criança adotada. Não dá para prever. Também faz parte da adoção.

Eu ia dizer que, para estar totalmente livre desse tipo de “problema grave”, o melhor caminho seria uma gravidez, onde papai e mamãe podem acompanhar de perto todo o desenvolvimento da criança ainda na barriga e cuidar de tudo de pertinho. Mas conheço um mocinho de sete anos, filho biológico de seus pais, recentemente diagnosticado com um problema mental. Também conheço um rapaz que levou a esposa para um parto de emergência e o filho do casal nasceu com apenas seis meses de gestação, e é difícil prever o impacto disso no desenvolvimento da criança. Só estou trazendo esses exemplos para mostrar que nós nunca vamos conseguir garantir 100% que nossos filhos não terão problemas com os quais não sabemos lidar. Acontece. Faz parte do papel de mamãe e papai ser forte, erguer a cabeça, amar muito e enfrentar.

Pra falar a verdade, o que mais aprendi com a maternidade é que, independente da adoção ou gravidez, a gente passa a viver enfrentando situações com as quais não sabemos lidar. Todo dia, o tempo todo. Eu não sei lidar com birras, com desfralde, com filho que morde os amiguinhos, com criança doente, com a sensação de fracasso que tive quando assumi para mim mesma que precisava de ajuda com os bebês. Eu não sei se meus filhos terão alguma dificuldade de aprendizado no futuro, algum trauma ou algum tipo de problema que necessite de cuidados especiais. Eu não sei e minha melhor amiga, que tem uma filha biológica, também não tem como saber. E esperar esse futuro desconhecido faz parte do papel de mamãe e papai.

Adoção é amor, porque ter filhos é amor. A gente só tem certeza do amor. Nenhuma mamãe e nenhum papai consegue ter certeza de que os filhos não terão problemas, traumas ou distúrbios e todos torcem para que isto não aconteça. Mas ter filhos significa aprender, enfrentar, aceitar, criar e fazer de tudo para que eles tenham a melhor vida que podemos oferecer para eles. Não. Importa. O. Que. Aconteça. Com. Eles.

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Delícia

– Filho, você é um gostoso!

– Não. Não sou gostoso. Eu sou feliz!

… e um gostosinho! Bebê fofo!

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Noel

– Oooooiiiii, Papai Noel!

Meu filho cumprimentando um senhor de barba branca no elevador aqui do prédio. Bem naquela época que eu tento explicar que Papai Noel não existe. 🙂

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Trancados

Eu sei que existem vários cursos para mamães por aí, que ensinam coisas importantes para os cuidados de um recém-nascido: trocar fraldas, dar banho, amamentar e tal. Eu adotei meus bebês com mais de um ano, pulei essa parte toda e mergulhei na maternidade sem nenhuma graduação.

Aí eu me pergunto se deveria ter procurado algum curso de orientação para mamães desavisadas. Porque, viu, é uma coisa atrás da outra nessa casa e ninguém me previne que essas coisas podem acontecer. Alô, amigas e amigos com filhos, cadê as dicas, gente? Se alguém tivesse me ensinado o básico, eu não teria ficado molhada de xixi na balada, por exemplo. Nem teria deixado os dois se trancarem no banheiro.

Ah, tá bom, todo mundo sabia que isso poderia acontecer e ninguém me avisou? Meus banheiros podem ser trancados por dentro, porque em geral ninguém gosta de ser visto fazendo xixi ou cocô, né? Tem coisa mais normal que essa? E meus filhos não vieram com um manual de instruções avisando que com dois anos e sete meses a criança adquire a habilidade de trancar portas. Só de trancar, porque obviamente não aprenderam a destrancar e ficaram berrando que nem dois doidinhos lá dentro.

Então eu quis ser legal e avisar aos amigos e amigas que estão planejando filhos: se vocês não tomarem cuidado, eles vão se trancar em algum cômodo um dia. Tomem cuidado.

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Brigas verbais

Primeiro vieram as brigas físicas. Tapas, arranhões, beliscões, mordidas, brinquedadas na cabeça um do outro. Eles vivem se pegando no tapa, em casa e na escola. Perdi as contas de quantos recadinhos na agenda vieram com um “mamãe, bebê x mordeu/ beliscou/ arranhou/ bateu no bebê y”. Então, a vida por aqui é assim: além de evitar o suicídio infantil e gerenciar criança que não pára quieta, nós temos que ficar de olho para um não machucar o outro.

Até aí, eu sempre achei normal. Posso estar louca, mas acho normal briga entre irmãos. Briguei com minha irmã do meio a vida inteira e só não brigo com a mais nova porque temos 21 anos de diferença (e me sinto um pouco mais adulta que ela para isso). Eu achava que era parte do desenvolvimento, sei lá. Apesar de brigarem muito, não era nada que me irritasse.

Até que eles começaram a falar. E a conversar entre si. Eles conversam, pedem favores um para o outro, chamam um ao outro para brincar, era tudo só fofura. Até que as brigas verbais apareceram e isso, sim, é irritante.

Começa com qualquer coisa. É um dizer “mamãe, quero tomar leite”, pro outro responder “não, você não vai tomar leite”. Assim, como se tivesse total autonomia para decidir se a(o) irmã(o) vai ou não tomar leite. E o primeiro responde “vou, sim”, e o outro responde “vai, não”, e depois um “vou, SIM” (bem alto), seguido de “vai, NÃÃÃÃÃOOOO” (mais alto ainda), e assim seguem gritando um com o outro cada vez mais alto até que eu tenha vontade de gritar muito mais alto pedindo SILÊNCIO. Mas não grito nunca, porque sou adulta e tenho que dar o exemplo. Mentira.

Brigas físicas eram mais fáceis de evitar. Era só manter um meio longe do outro nos momentos de confusão por causa de um brinquedo ou algo parecido. As brigas verbais vão rolando ao longo do dia todo. Qualquer coisa vira motivo de provocação e eu ainda não descobri como fazer pra parar. Criança devia vir com manual de instrução, viu?

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Acuma?

Eu tava lá em paz, sentada no chão do banheiro, segurando minha filha nua no vaso sanitário, aguardando pacientemente o xixizinho antes do banho. Aí vem o monstrinho e aponta:

– Mamãe, essa é a teta da Ruth?

Acuma? (olhos arregalados) Xinguei todos os antepassados da pessoa que ensinou essa palavra para meu bebê. Sorry, tá, sem ofensas, mas não gostei. Nada contra, mas existem palavras mais bonitinhas para um bebê falar, vai? Respirei fundo e respondi bem calmamente.

– Não, filho. Esse é o peito da Ruth.

Cinco segundos de silêncio.

– Mamãe? Eu posso mexer no peito da Ruth?

Dois. Anos.

Socorro?

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É. Difícil.

Gente, tô de mau humor hoje, juntando uma TPM, um carro sem combustível na chuva, uma agenda de reuniões no trabalho difícil de coordenar e um calor que dá vontade de andar pelada por aí. Então vou ser um pouco amarga, ok?

Eu lembro bem quando saí da casa da minha mãe para morar sozinha e achei a vida de adulto muito difícil. De repente, além de trabalhar e estudar (eu fazia mestrado na época), eu tinha que cuidar de um apartamento (incluindo problemas no encanamento e chuveiros que quebram no meio de uma semana caótica), de contas para pagar (incluindo lembrar de pagá-las, além de ter o dinheiro), de coisas para resolver (incluindo agendar e levar o carro na revisão, já que minha mãe não estava mais por perto para pedir favores aleatórios do dia a dia), tudo sozinha. Aí eu resolvi virar mamãe e somei a tudo isso o piémôu do projeto “conduzir dois bebês da infância até a vida adulta”.

Mano, não é mole, tá? Eu não tinha noção do quanto é difícil ser mamãe até virar uma mamãe. Hoje eu tenho admiração e compaixão por todas as mamães do mundo. Sério mesmo. Hoje sei que nenhuma escolha relacionada à maternidade é simples e admiro todas elas.

Eu escolhi conciliar trabalho e maternidade. Fazem parte dessa escolha argumentos como: 1) eu gosto de trabalhar, 2) eu não suporto ficar muito tempo em casa, 3) eu não nasci rica, 4) eu não me casei com um papai rico, 5) eu não ganhei na loteria até agora. Mas esses argumentos não vêm ao caso. O caso é que estou aqui tentando conciliar dois papéis e até agora não encontrei a fórmula mágica para estar totalmente feliz, satisfeita e realizada com a minha escolha.

Nesses doze anos desde que comecei a fazer meu primeiro estágio, nunca tive um ano tão confuso no trabalho. Trabalhar sempre foi o cargo principal exercido durante a semana e, apesar de nunca ter sido apaixonada por trabalhar aos finais de semana, virar madrugadas ou ter que viajar, eu nunca tinha tido tremedeiras ao pensar nessas coisas. Sempre trabalhei com coisas que eu gostava, sempre fui do tipo que abraçava mais coisas que cabiam nas 8 horas diárias, sempre fui dedicada, comprometida, disponível e feliz com tudo isso. Só que de uma hora para hora, eu não tinha mais que 8 horas por dia para ficar no escritório, não conseguia mais abraçar tudo o que eu queria, mas continuo gostando do que faço, continuo tentando ser feliz com tudo isso e passei a sofrer por não me achar mais tão dedicada, comprometida e disponível como eu era antes.

Quem fica escrevendo por aí que as mamães ficam mais produtivas depois da maternidade só deve ter conhecido mamães de sorte cujas rotinas nunca saem do previsto. Eu tento, tá? Juro. Mas a escola me liga no meio do dia para falar sobre os mais variados assuntos, fazendo meu coração pular cada vez que acho que aconteceu alguma coisa grave com eles. Eles ficam doentes e me fazem agendar consultas, exames, passar na farmácia, trabalhar de casa, tudo no horário que eu queria estar bem produtiva no escritório. A empregada pede demissão e me faz agendar entrevistas e mais entrevistas para encontrar uma nova pessoa para me ajudar com os dois no final do dia. E por aí vai.

Tá. Tô exagerando. Essas coisas não acontecem toda semana, mas acontecem de vez em quando e, quando acontecem, deixam a mamãe louca. É óbvio que meus filhos são prioridade, então é óbvio que paro o que estiver fazendo para resolver qualquer problema deles. Quando estou com eles, estou só para eles. Não atendo o celular, não checo e-mails, não respondo mensagens e só volto a ficar conectada para o mundo depois que eles vão para a cama. Chegar tarde para vê-los dói, como contei aqui. E, por serem prioridade e as coisinhas mais importantes da minha vida, eu tive que colocar alguns limites no trabalho por causa dos dois.

Colocar limites parece fácil, né? Eu não consigo chegar cedo demais em uma reunião porque não consigo adiantar o horário que a escola abre e também não acho tão legal ficar acordando os dois de madrugada para sair cedo de casa. Eu não consigo trabalhar até mais tarde porque eu não quero ser a mamãe que chega em casa e as crianças já estão dormindo. Eu não consigo viajar a trabalho porque dormir longe dos dois me destrói. Eu não consigo trabalhar aos finais de semana porque é meu tempo com eles, só para eles e nós precisamos desse tempo juntos. Fácil falar, né? Mas se eu não consigo fazer nada que extrapole minhas 8 horas diárias mas também não consigo ser 100% produtiva durante as tais 8 horas, que catso estou fazendo para merecer o salário no final do mês?

Ah, o salário. Eu gosto do salário e não posso ficar sem o salário. Claro, eu acho que eu devia e precisaria ganhar um pouco mais, porque o salário nunca dá para tudo o que quero fazer no mês (e sei que esse não é um problema só meu no mundo). Eu também olho pro orçamento e não sei onde reduzir para fazer caber em um salário menor, então gostaria que meu salário ficasse no mínimo onde ele está hoje. Mas para merecer, eu preciso trabalhar direito. Aí alguém me explica cadê o jeito de conciliar direito esse negócio de trabalho e maternidade? Como eu me livro dessa sensação diária de que não sou boa nem em uma coisa nem em outra?

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Cansar e dormir

Meus filhos não param quietos um minuto. Minha filha até seria uma criança mais quietinha, princesinha, calminha, se não tivesse um irmão-catalisador da bagunça. Meu filho é um furacão. Eu ainda tenho dúvidas se ele tá melhor ou pior que o Luke, nosso labrador, que há uns anos me fez achar que o dono do Marley estava exagerando e que o Marley nem era tão mal assim. Isaac simplesmente não pára de mexer o corpo, não fica no mesmo ambiente mais que 3 minutos, não anda – só corre e pula. Acho meio exagero ficar rotulando de coisas tipo hiperativo, mas haja energia para acompanhar.

Eles foram visitar o vovô nesse final de semana e, assim que entrei no apartamento para buscá-los, presenciei meu filho caindo no chão junto com a cadeira, a mesa da cozinha e a cesta de frutas (acho que ele estava atrás de uma banana). Depois daqueles cinco minutos de gestão de caos – criança berrando, coisas espalhadas pelo chão – meu pai se senta com cara de quem correu uma meia maratona e me fala:

– Minha nossa senhora, cada vez que ele vem aqui ele está mais levado. Sobe em tudo, mexe em tudo, dá vontade de colocar um GPS nele para saber em que ambiente da casa ele está. Ele não pára nunca?

Não, nunca.

Minha mãe costuma me dizer.

– Você está só pagando seus pecados. Você era igualzinha. Na verdade, você era pior. Agradece que pelo menos esse menino dorme, porque nem isso você fazia para me dar um pouco de paz!

Ah, tem isso. Não posso reclamar. Se durante o dia meu filho contribui para que eu queime calorias e compense os dias que não consigo ir malhar, pelo menos ele apaga como uma pedra a noite todinha. Não acorda nem quando eu o reviro na cama para trocar fralda.

Na quarta-feira passada tivemos feriado e ficamos em casa. Acordamos 8h30 e eles quase me levaram a um esgotamento físico até o almoço. Depois dormiram das 13h00 às 17h00. QUATRO horas de sono, de paz, de silêncio. Acham que isso atrapalha o sono da noite? Nada. Depois de seguirem destruindo tudo o que viam pela frente, deitaram às 20h30 e dormiram até 7h30 no dia seguinte. Lindo, vai?

Tem gente que me fala que criança que come bem é uma benção. Tem quem acha que criança com saúde é uma benção. Outros vão dizer que criança inteligente é tudo de bom. Não, gente: benção é criança que dorme.

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