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Cabecinha de ateu

Isaac no elevador bombardeando uma vizinha com 80 perguntas:

– Qual seu nome? Quantos anos você tem? Onde você mora? Onde você foi? Pra onde você vai? O que você vai comer? Você mora com seu marido?

Ela foi respondendo tudo pacientemente, mas ficou um pouco constrangida com essa última pergunta. Acho que não sabia como contar para uma criança de quatro anos. E seguiu pelo “meu marido agora mora com o papai do céu”. E Isaac seguiu, na lata:

– Ah, ele morreu. – e continuou a conversa com outras perguntas.

Ser ateia não significa para mim ser antiteísta. Não tenho nada contra acreditar em Deus ou ter religião e não odeio a figura de Deus. Só acho que Deus é como Papai Noel: inventado. E se Deus não existe, eu simplesmente não fico falando sobre Deus com meus filhos. Quando, por algum motivo, estamos falando sobre a morte, eu falo sobre morte. Ninguém vira estrela, vai morar no céu, vira anjinho ou coisa do tipo. Só morre. Morrer é triste, é definitivo, mas ninguém fica nos esperando do lado de lá.

Aí eu acho fofinho quando vejo que eles estão começando a entender as coisas usando o jeito com que tratamos os assuntos em casa.

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Princeso

Fomos correr uma prova e deixamos as crianças com a madrinha. Como era um revezamento, até pensamos em levá-los, mas foi mais divertido ir numa festa em um buffet com a tia e a amiguinha. 

Quando terminei a corrida, mandei mensagem pra saber se estava tudo bem. E recebi de volta uma foto dos dois jantando, vestidos de princesa. 

Aí fiquei feliz demais porque estou acertando. Isaac não tem vergonha ou restrição alguma em vestir uma fantasia de princesa em uma festinha, porque entende que isso é totalmente natural. E estava sendo cuidado por uma pessoa que é muito amor, que não mandou tirar, nem deu bronca. Simplesmente deixou ele brincar como quisesse. 

Pra fechar: fizemos uma meia maratona em menos de duas horas. 

Só amor nessa família no sábado à noite. 

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Como rir pelo leite derramado

Eu estava fazendo alguma coisa na pia da cozinha e Isaac estava jantando atrás de mim. Daí ele grita:

– AI, JESUS, CAIU TUDO!

Eu virei rápido, pra ver o que tinha acontecido. Se tinha caído tudo no chão, na mesa, na roupa dele. Quando me virei, dei de cara com uma carinha de gato de botas.

– Que foi, mamãe? “Jesus” é palavrão? Desculpa?

Morri de rir. Nem sabia que esse negócio de criar filhos ateus tava indo tão bem!

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Veggie

Chorei lendo as notícias sobre os porquinhos no Rodoanel.

Fiquei feliz por ser vegetariana. Feliz porque eu não iria consumir a carne desses porquinhos no almoço de domingo.

Fiquei bem triste por causa dos porquinhos.

Quando virei vegetariana, eu já era mãe há uns 8 ou 9 meses, mais ou menos, e meus filhos consumiam carne, frango e peixe em casa e na escola. Foi um desejo meu, por diversas razões que eram só minhas, e só eu parei de consumir carne na família.

Eu não quis insistir em uma alimentação vegetariana na escola por dois motivos. Primeiro, eles já tinham dois anos e já sabiam o que era a “carninha” e o “franguinho”, então achei que eles estranhariam muito se a escola tirasse esses alimentos dos pratos deles enquanto os amiguinhos continuariam comendo as mesmas coisas todos os dias. Não quis que eles achassem que a mamãe e a professora resolveram proibir algo que era normal de uma hora para a outra. Em segundo lugar, porque acho – ainda acho – que se tornar vegetariano é uma decisão pessoal, e fiquei esperando os dois crescerem um pouco mais para falar sobre isso.

Em casa, só tem carne de soja, mas nunca conversamos sobre a diferença entre a carne que vem dos animais e a carne que comemos. Quando visitamos alguém e tem carne animal na refeição, eles comem se quiserem, eu não como, e eles nunca questionaram. Eu achava que devia deixá-los à vontade para perceber que não como carne, que não compramos carne em casa, para perguntar, para formar a opinião deles e, só então, decidir. Sem pressa.

Até hoje.

Hoje fiquei pensando que eles já são capazes de entender que os animais sofrem. Que a carne que comemos muitas vezes vem de um bichinho que não viveu e/ ou não morreu com diginidade e que, portanto, sofreu. Hoje fiquei pensando que já está na hora de, aos pouquinhos, começar a conversar com meus dois mocinhos sobre o assunto e incentivá-los a pensar.

Alguém aí é mamãe vegetariana ou papai vegetariano e quer me dar umas dicas?

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Padrasto

Padrasto é um cara que começou a sair com uma mãe solteira. Ele provavelmente soube que ela era mãe solteira logo nos primeiros encontros, porque mãe solteira é assim: já abre logo o jogo para espantar os possíveis pregos que existem por aí. Esses pregos existem, tá? Já ouvi de amigos meus que é sempre melhor sair com moça sem “pacote”. Direito deles. Então, para uma mãe solteira, é sempre melhor eliminar os pregos logo no início, com todo respeito.

Padrasto é um cara que começou a sair com uma mãe solteira e penou para lidar com os dias em que ela poderia sair. Porque não é sempre que a criança está com pai, avó ou babá, então nem sempre a mãe solteira consegue pôr os pés pra fora de casa. O padrasto é um cara que quis sair com a moça e esperou chegar um dos dias em que ela podia sair.

Teve dias em que ele foi buscar a moça em casa e ela estava toda linda e maquiada pro date. Mas teve dias em que ele chegou e a criança estava por lá e o programa miou. Coisas acontecem: babá furou, o pai mudou o dia, a avó não pôde cuidar. E teve também o dia em que o padrasto chegou para buscar a moça, que estava arrumada e com babá em casa, mas a criança estava com uma dor de ouvido tão grande que os três passaram a noite no pronto-socorro.

Padrasto é um cara que passou a fazer mais dates dentro de casa que fora de casa. É um cara que passou a fazer jantares para a namorada enquanto os pequenos dormiam. E que aprendeu a fazer sexo sem fazer nenhum barulho. E também a ser interrompido sem reclamar caso a criança chamasse, porque filho está sempre em primeiro lugar.

Padrasto é um cara que foi apresentado para a criança e recebeu de volta uma cara feia de “qualéquié”. E aí teve que fazer vários malabarismos para conquistá-la. E depois começou a incluir a criança nos dates: restaurantes com cadeirão, tarde de domingo na praia, parquinho no sábado de manhã, tudo para deixar a namorada feliz e poder passar mais tempo com ela.

Padrasto é um cara que, mesmo sem nenhuma criança por perto na família, se viu um dia discutindo desfralde noturno ou melhores produtos para higiene infantil com os culegas da firma – e ele nem sabia que tinha tanto conhecimento nesses assuntos. E, sem perceber, se viu tão envolvido com a criança quanto com a mãe dela.

Padrasto é um cara que pediu uma mãe solteira em casamento, ou seja, pediu para morar junto com a namorada e com a criança. Ele adotou uma família. Padrasto também é um tipo de papai adotante.

Nós não somos princesas, que precisam necessariamente se casar com um príncipe encantado para serem felizes para sempre. Mas é muito legal quando aparece alguém bacana na nossa vida.

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“Vamos fazer alguma coisa?”

Recebi uma mensagem no uótizapi assim: “você vai estar com as crianças amanhã à noite? vamos fazer alguma coisa?”.

Contexto: essa amiga também é mãe solteira e também fica sem a filha alguns dias, quando ela vai para casa do pai.

Peguei o celular para responder, pensando assim: será que as crianças aguentam um passeio à noite no meio da semana? Será que não vão ficar muito cansadas para acordar cedo no dia seguinte? Será que não é melhor fazer alguma coisa no final de semana ou no meio da tarde? O que será que tem para fazer com crianças numa quarta-feira à noite?

Aí eu ri sozinha, porque reli a mensagem antes de responder e me liguei que ela queria saber se eu estaria livre para fazer alguma coisa de ADULTO no meio da semana. E eu, totalmente envolvida no meu mundo de mãe, pensei imediatamente em parquinhos e cinema dublado. “Vamos fazer alguma coisa?” só poderia ser um playdate. Nem me passou pela cabeça nos primeiros cinco minutos que alguém estaria me chamando para drinks na quarta-feira.

O namorado ficou com tanta pena de mim que cuidou dos pequenos para eu poder me embebedar jantar fora, que eu claramente tava precisando.

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Paris, je t’aime: dicas para férias em Paris com crianças 

Na verdade, eu não escolhi Paris pensando que meus filhos iriam gostar de lá ou que seria um lugar bacana para crianças. Eu não sabia disso. Eu queria muito passar uns dias em Paris, estava com saudade. Paris é a cidade que mais amo nesse mundo, mais linda, mais fofa e eu não ia para lá desde 2008.

A viagem de avião foi bem mais fácil que eu imaginava. Já tínhamos feito um vôo curtinho em janeiro (uns 50 minutos até Curitiba) e eu estava preparada para o caos dessa vez. Mas, tanto na ida quanto na volta, eles foram dois mocinhos: assistiram filmes até o jantar chegar, comeram super bem (e nem pedi comida especial para crianças) e dormiram direto até o café da manhã. Todos os procedimentos de aeroporto são bem chatos, mas eles se saíram bem. Nós nos sentamos nas quatro cadeiras do meio com uma criança em cada ponta, assim dividi com meu marido os cuidados (ajudar com a comida, ir ao banheiro, apoiar a cabeça no colo para dormir etc.).

Nós não ficamos exatamente em Paris, alugamos um apartamento em Levallois-Perret, e tínhamos uma estação de metrô a poucas quadras de casa e estávamos a 2 km do Arc de Triomphe. Ter escolhido alugar um apartamento e não ficar em hotel foi perfeito para viajar com crianças pequenas e ainda saiu bem mais barato. Quando pesquisei hotéis, as opções seriam reservar dois quartos (super caro) ou colocar duas camas extras no quarto de casal, o que me fez imaginar a cama de casal no meio do quarto, duas camas encaixadas uma de cada lado e nenhum espaço para circulação. Alugamos um apartamento com dois quartos, e assim eles iam dormir mais cedo que a gente, como sempre fazemos em São Paulo. Como tínhamos uma cozinha, tomávamos café da manhã com calma, ainda de pijama, sem ter que nos preocupar em não perder o café da manhã do hotel. Depois do café, eu ia tomar banho e me arrumar para sair (porque, sim, demoro muito de manhã para ficar pronta), e os pequenos podiam ficar brincando na sala longe do barulho do secador. Ter um apartamento também facilitou o processo de lavar roupas e nos deixou com um espaço legal para receber amigos para jantar enquanto os pequenos dormiam. Dá um pouco mais de trabalho porque não tem ninguém para arrumar as camas e tirar o lixo, mas nos dividimos bem para manter a casa em ordem nos 15 dias.

Algumas amigas tinham me contado que tiveram dificuldade para colocar as crianças cedo na cama durante o verão na Europa porque escurece muito tarde, mas Isaac e Ruth se acertaram com o fuso e horários em dois dias. Eu expliquei para eles que em Paris seria diferente de São Paulo e que no horário de dormir ainda teria sol e eles se deitaram quase todos os dias entre 20h ou 21h sem nenhuma reclamação, e dormiam até umas 8h no dia seguinte. Passando o dia fora de casa e sem soninho da tarde, chegavam no apartamento acabados.

Tirando o dia em que chegamos e o dia em que saímos, passamos 13 dias inteirinhos em Paris. Eu deixei bem claro para mim mesma que precisava respeitar os limites dos pequenos o tempo para a viagem ser bacana para todos. Então não saía de casa muito cedo e também não voltava muito tarde – a maior parte dos nossos jantares foi uma comidinha caseira no nosso apartamento. Fazíamos paradas para brincar e descansar sempre que percebia que eles estavam começando a reclamar muito e aproveitava todos os banheiros possíveis para não passar apuros com vontades de xixi ou cocô no meio do nada. Na maioria dos dias, programei apenas uma “atração” e deixava o resto do dia livre para almoçar bem devagar e brincar muito. Foi um sucesso.

Sempre amei Paris e passei a amar ainda mais agora que descobri que há um parquinho fofo, limpo e organizado em cada esquina. Assim, conseguimos balancear bem o “turistar” e o “brincar”. Eu não tinha pretensão de entrar em todas as igrejas e museus, mas queria que eles vissem de perto alguns dos monumentos de Paris. Uma coisa que funcionou super bem com eles foi mostrar fotos e contar algumas histórias do que iríamos ver antes de sair de casa. Meu filho tem uma memória visual incrível e conseguia reconhecer na rua tudo o que eu tinha mostrado para ele no iPad. E, não, nada de caminhadas muito puxadas com crianças, melhor sempre pegar um metrô ou ônibus. Mesmo que o tempo caminhando fosse exatamente o mesmo, dividir o percurso em caminhada-metrô-caminhada os deixava menos ansiosos e menos reclamões.

Comer fora com crianças em Paris foi um sucesso, mas vou confessar que nesta viagem fiz uma coisa que nunca tinha deixado fazer antes: liberei meu celular. Instalei uns joguinhos no meu celular e no do meu marido e eles podiam jogar sempre que entrávamos em um restaurante. Não me orgulho, mas os joguinhos nos proporcionaram momentos de paz enquanto olhávamos o cardápio, escolhíamos o vinho e esperávamos a comida chegar.

O que mais gostamos de fazer por lá:

La Tour Eiffel: quis começar pela torre porque era a principal referência que eles tinham da cidade. Assistimos Ratatouille várias vezes juntos e eles sabiam que viriam para Paris para ver e para subir na torre. Fomos de metrô até a estação Iéna para fazer o resto a pé, porque eu queria que eles dobrassem uma esquina e dessem de cara com ela! Foi super fofinho, acho que eles não imaginavam que era tão alta. Isaac falou que estava com muito medo que a torre caísse em cima dele! Subimos até o sommet. Eles curtiram, colaboraram com o passeio, mas foi um pouco cansativo para eles. Tinha muita fila, muita gente e ver Paris do alto não foi tão interessante para os dois. Eles acharam muito legal ter subido até o topo da Torre Eiffel, mas lá em cima não quiseram ficar reconhecendo outros monumentos ou ficar apreciando a cidade. Mas valeu a pena. Todas vezes que viram a torre de novo, lembravam que tinham subido até a pontinha!

Centre Pompidou: visitamos uma das exposições temporárias e os dois andares de coleções permanentes do lugar, no ritmo deles. Combinamos três regras que devem ser seguidas em todos os museus (não falar alto, não mexer em nada e ficar sempre perto de mim) e deixei que eles olhassem à vontade, parassem para ver as coisas que achavam mais legais e passassem mais rápido pelas coisas que achassem menos interessantes. Foi gostoso. Sentamos na frente de algumas obras para olhar com mais calma, conversamos sobre as esculturas, tomamos um lanche no restaurante do museu e no final eles foram olhar a Galerie des Enfants, onde havia uma instalação que poderia ser observada e experimentada pelas crianças.

Cité des Enfants: na cité de la science et de l’industrie há um espaço onde as crianças podem interagir livremente com os experimentos. Foi bem legal, porque eles podiam mexer em tudo. Não aproveitaram tanto a parte “ciência” da coisa, mas passaram um tempão brincando em um espaço que reproduzia um canteiro de obras.

Muséum National d’Histoire Naturelle: quando saímos do Pompidou, Isaac me disse que achava que sempre tinha esqueletos de dinossauros em museus e me perguntou se não tinha nenhum museu com dinossauros em Paris. Visitamos las galeries d’anatomie comparée et de paléontologie e eles adoraram! Depois passamos um bom tempo no Jardin des Plantes, que tem parquinho e um mini zoo.

Musée Picasso, musée Rodin, musée du quai Branly e l’Orangerie: esses museus não são tão grandes (Picasso foi um pouco mais puxadinho para eles), e deu certinho no “tempo de concentração” dos dois, antes de começarem a ficar ansiosos pela próxima atividade. No Rodin, como a maioria das obras estavam no jardim, não ter que ficar no pé deles para não correr, não gritar ou não mexer em nada também deixou o passeio mais agradável.

Chateau de Versailles: tentei contar um pouco sobre a história de Versailles para eles, mas o que eles registraram foi: “estamos indo visitar o castelo da princesa Maria Antonieta, que ganhou um castelo pequeno do rei, e que depois fez uma coisa feia de adulto e cortaram a cabeça dela fora”. Chegamos lá umas 10h30 e a fila estava assustadora. Tínhamos comprados os ingressos pela internet uns dias ontem, mas mesmo assim precisaríamos ficar em uma fila por cerca de 2 horas para entrar, no sol. Fila + sol + crianças = corre dali. E foi o que fizemos. Fizemos o passeio ao contrário. Começamos pelos jardins, almoçamos em um restaurante italiano super fofo e visitamos o Petit Trianon (o tal do castelo pequeno que Maria Antonieta ganhou do rei) e o Grand Trianon. Só bem no finalzinho da tarde voltamos para o castelo e não pegamos fila para a visita. Mesmo assim, ainda tinha muita gente lá dentro e não olhamos tudo. Eles queriam ver os quartos e o salão de baile, e logo depois fomos embora.

Sacre Coeur: minha lembrança da Sacre Coeur eram escadas e mais escadas pelo bairro até chegar na frente da igreja e subir mais escadas ainda. Acho que desta vez acertei a estação de metrô mais próxima (Anvers, anotem). Achei que ia precisar do funiculaire para chegar até lá em cima, mas eles aguentaram a subida. Na verdade (e de novo ponto para Paris), vimos um parquinho logo que chegamos na praça e combinamos que eles poderiam brincar lá depois que voltássemos da visita. Acho que isso deu um gás nos dois: eles subiram animados, visitamos o interior da igreja e descemos correndo para mais uma meia horinha de parquinho no dia.

Jardin du Luxembourg: tem um parquinho imeeeeeenso e acho que ficamos lá umas 2 ou 3 horas, eles se acabaram. Foi o único parquinho que pagamos para entrar (acho que 2,50 por adulto e 1,20 por criança).

Jardin d’Acclimatation: Fica no Bois de Bologne e fomos lá um dia para um picnic e parquinho. A entrada é paga e o lugar é lindo, cheio de famílias com crianças pequenas.

O que não foi tão legal ou não recomendo:

Musée en Herbe: o museu tem exposições adaptadas para crianças e visitamos uma exposição do Tintin. Eles aproveitaram pouco porque não conheciam o personagem, e achei o espaço de exposição muito pequeno, sem nenhum charme. As oficinas eram muito caras e ficamos pouco tempo lá.

Jardin du Palais Royal: não tem parquinho. Além de correr, a única coisa que eles poderiam ter feito lá era brincar em um tanque de areia, que fica num canto sem árvores. Estava fazendo uns 35 graus esse dia e eu não deixei os dois ficarem embaixo daquele sol todo.

Louvre: resolvi não visitar o Louvre com os dois nesta viagem. A verdade é que nas últimas duas vezes em que estive em Paris reservei um dia inteirinho para o Louvre e não estava com vontade de ver nada por lá desta vez. É grande demais e tem muita coisa diferente uma da outra lá dentro (e muita coisa chata também) e achei que eles não iriam aproveitar a visita direito. Deixei para uma próxima vez e só passeamos por fora para ver as pirâmides, o Arc de Triomphe du Carrousel e o jardin des Tuileries.

Notre Dame: tinha uma fila imensa cortando a praça para visitar o interior da Notre Dame e passei reto. Sem filas embaixo de sol com crianças, peloamor. Sentamos um pouco na frente da igreja para olhar a arquitetura e depois ficamos um pouco em um parquinho que tem exatamente ao lado (Paris, já te disse quanto te amo?).

Disneyland Paris e Walt Disney Studios Park: Deixa eu falar sobre Disney. Uma viagem para Orlando nunca esteve nos planos nesta encarnação, e eu nunca considerei levá-los para Disney. Mas já que a gente ia para Paris e já que tem dois parques da Disney por lá, achei que poderia ser legal e comprei ingressos para três dias no parque. Eles já assistiram algumas animações da Disney, conhecem bem alguns personagens e as princesas e toda criança gosta de parque de diversões. Mano. De tudo que fizemos em Paris, Disney foi a parte mais difícil e acabamos usando apenas dois dos três ingressos, sem nenhum arrependimento da minha parte. Era muita fila. Vinte minutos de fila com os dois esperando ansiosamente para girar 45 segundos em um brinquedo era tortura. Só que “20 minutos” era uma fila curta e quase sem ninguém, em geral a gente tinha que esperar muito mais. Depois da primeira tortura fila, eu conversei com os dois sobre o tempo de espera e sobre o quanto é chato mesmo esperar. Eles sempre prometiam que seriam pacientes, mas terminavam me fazendo resmungar coisas do tipo “parem de reclamar peloamordedeus antes que eu resolva sair dessa fila e não voltar nunca mais aqui”. Nem todas as atrações, principalmente as atrações para crianças pequenas, têm o Fast Pass, então tínhamos que encarar as filas. Fizemos coisas legais, claro. Eles amaram o show da Frozen e a parada no final da tarde e chegamos em atrações bem divertidas sempre que vencíamos uma fila. No primeiro dia, saímos do parque às 19h e, no segundo, pus a galerinha do trem às 17h. Eu estava morta. Sério, gente, não sei como vocês aguentam ficar de 7 a 10 dias seguidos indo em parques de diversões. Vocês são loucos.

Saldo

Eu achava que uma viagem assim só ia rolar quando eles tivessem uns 10 anos e que até lá eu teria que me conformar com praias e hotéis fazendas. Mas não. Foi demais. No fundo eu acho que crianças sempre vão curtir férias com a família, não importa onde estejam. Foi tão tão tão bom, que já estou super animada para nossa próxima aventura e já decidi que nunca mais vou perder uma exposição por medo de eles não se comportarem.

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Os parquinhos de Paris

Os parisienses gostam demais de suas crianças e também ajudam bastante os turistas que viajam com crianças: tem um parquinho fofo, limpo e bem sinalizado em toda quadra e ao lado de todo monumento histórico.
Parquinhos duas ou três vezes ao dia ajudaram meus filhos a descansar de longas caminhadas e de visitas cheias de regras (não pode mexer, não pode gritar, tem que dar mão). Também dava um descanso para nós dois, os adultos, pois podíamos sentar na sombra e conversar sem os “por quê? por quê? por quê?” de crianças de quatro anos.

Além da limpeza e quantidade, uma coisa me chamou atenção nos parquinhos de Paris: nenhum deles tem balanço. Em São Paulo, todo parquinho que conheço – incluindo meu próprio prédio – tem balanço. E eu detesto balanço.

Não só porque é perigoso, com criança voando e caindo de cara no chão e criança passando perto de outra criança balançando e perdendo a cabeça. Detesto balanço porque eles demandam adultos na brincadeira. Sabem? “Manhê, vem aqui me balançar?”. Aí você tem que levantar e ficar em pé no sol olhando aquele vai-e-vem entediante. Ou você sugere que outra criança balance, e aí sai briga na certa, além de ser perigoso. Inferno de balanços. Citei balanços, mas em São Paulo tem também as gangorras, outra coisa que detesto. Aquela coisa que prende o pé de um na hora que abaixa, que pode quebrar os dentes do outro na hora que levanta rápido, e é sempre difícil de entrar e sair para brincar sem ajuda de um adulto. 

Aqui não tem balanços. Claro que eles sempre podem cair de algum lugar em que subiram, faz parte. Mas sempre podem brincar sozinhos. Autônomos. Sem adultos por perto. Não precisam ficar chamando a mãe o tempo todo e nem preciso ficar preocupada se alguma coisa vai acertar a cabeça deles. Adultos podem ou não participar da brincadeira, mas não tem nada nos parquinhos que as crianças não consigam fazer sozinhas (desde que sigam as recomendações de idade que estão em todos os brinquedos). Nada é perigoso, tudo é pensado e adaptado para crianças e até o chão é emborrachado para amortecer as quedas. Em todos os parquinhos.

Uma vez levei os dois para passear no Horto Florestal em SP e fiquei mega frustrada com o parquinho porque eles não conseguiam subir em nada sem minha ajuda. Haddad, a gente precisa de mais parquinhos e de mais autonomia, ok?

E só para fechar: ninguém vem de branco no parquinho. Não sei se os adultos que estão aqui acompanhando crianças são parentes ou babás, porque ninguém está discriminado. Porque, né, não preciso saber se a moça que está olhando a menininha com quem a Ruth está brincando é a mãe dela ou babá dela. Alguém que vive na mesma cidade que eu já foi em um parquinho no meio da semana para ver a quantidade de moças de branco que estão por lá? Ou num clube? Ai, São Paulo, você e suas bizarrices. 

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Cult

Último dia de viagem com vôo no final do dia e resolvemos ficar por perto. Acabando o almoço, Isaac me fala.

– Mamãe, hoje a gente não vai fazer nada? Só vai no parquinho e no restaurante almoçar?

– Como assim, Isaac? O que você queria fazer?

– Passear. Numa igreja, num teatro, num museu.

Meeeeeeuuuuu. Você passou três vezes na fila da fofura, né, menino?

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Esquadrão da moda

– Mamãe, você vai passear de pijama? – eu estava usando uma camiseta cinza com listras brancas.

– Mamãe, pode sair assim só de soutien? – eu voltei pro quarto e troquei a regata com renda que pretendia usar.

Maiquiqui eu fiz pra merecer esse menino censurando minhas roupas?

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