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Linguagem

No ano passado, uns dos neurologistas que consultei para conversar sobre o problema da minha filha comentou que um dos momentos mais importantes no desenvolvimento da linguagem da criança é quando ela começa a juntar uma palavra na outra (por exemplo: quero leite, tá dodói).

Na época, meus bebês de cerca de um ano e meio falavam apenas algumas palavrinhas soltas e se comunicavam basicamente com gestos, choros e risadas. Eu passei um tempão prestando muita atenção em tudo o que eles falavam para ver se ouvia as tais duas palavrinhas que deveriam vir juntas. Demorou, viu? O número de palavras que eles aprenderam a falar começou a aumentar bastante, mas nada de juntar uma na outra.

Óbvio que eu não me lembro qual foi a primeira mini-frase que ouvi, nem qual dos dois foi o primeiro a falar (eu chuto que foi meu filho). Mas olhando para os dois tagarelas de hoje, nem parece que isso aconteceu há menos de seis meses. Hoje as frases são longas, com perguntas e respostas, e vocabulário cresceu muito. Agora eles começaram a usar palavras sofisticadas para quem tem 2 anos e ganham milhões de apertões da mamãe babona por isso.

Outro dia meu filho não parava nunca mais de chorar e milha me perguntou:

– Mamãe, o Isaac está chorando ainda?

Meu filho me pedindo brinquedos:

– Mamãe, posso brincar com o tigre?

– Pode, filho.

– Posso brincar com o elefante também?

O mesmo mocinho, pulando um dia na cama:

– Isaac, não pode pular.

– Posso só cantar?

Morro de orgulho desses brigadeirinhos!

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Minhoca

Todo dia, minha filha chega em casa da escola e me pede:

– Mamãe, quero comer minhoca.

Nada como ter deixado o cunhado cuidando dos bebês em um dia que trabalhei até mais tarde, viu? 🙂

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Pequenas emoções e frustrações de uma mamãe

Dia desses saí um pouco mais cedo do trabalho e não peguei trânsito. Cheguei toda feliz na porta da escola, super adiantada, pensando que teria tempo para sentar no chão da sala e brincar um pouco com meus bebês em plena terça-feira. Super engano. Quando entrei, eles estavam com os amiguinhos no parque e ficaram muito bravos porque eu já estava lá. Assim que perceberam que era hora de ir embora, os dois choraram, espernearam, se jogaram no chão, cuspiram, gritaram, e foi aquele carnaval até chegar em casa. Um saco. E nem teve clima para brincar.

Aí hoje eu cheguei no horário certo e a tia veio logo me explicando:

– Mamãe, os dois fizeram cocôs gigantes depois do jantar. Sujaram as calças, as meias e até as camisetas. Você pode esperar só um pouquinho? O Isaac já tomou banho, e a Ruth já está saindo e…

– CUMEQUIÉ???? Vocês já deram banho NOS DOIS? Aeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!

Quase dei um beijo na boca em cada uma das tias, gente. Conseguem imaginar a emoção de receber seus DOIS bebês limpinhos e cheirosinhos na saída da escola? Conseguem imaginar como foi bom chegar em casa e pular essa parte do processo, ir direto para o pijama e poder passar mais tempo cantando e lendo historinhas?

Como faz pra programar super cocôs todo dia às 18h30, hein?

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1 ano de bebês

3 de agosto é o aniversário da nossa família. Foi o dia em que levamos nossos brigadeirinhos para casa, e eu virei mamãe e eles viraram filhos. Há um ano, vivo para eles. Há um ano, mudei minha vida toda, adaptei a rotina, a casa, os horários, os passeios de finais de semana e as minhas prioridades para cuidar dos meus bebês. Há um ano, aprendi um jeito diferente de amar e um jeito diferente de ser feliz.

Para comemorar o primeiro ano juntos, recebemos a família e alguns amigos para uma pizza em casa, para que os bebês pudessem abraçar todas as pessoas especiais na vida deles. Mamãe gosta de festa! 🙂

Pequenos, eu prometo que vou estar por aqui para vocês para sempre. Amo vocês dois demais. Vamos viver juntos para sempre.

 

 

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Pequenos sexismos no dia a dia

Coloquei os pequenos na escolinha no início do ano e foi difícil convencer a diretoras que elas tinham que ligar para o papai quando a mamãe não atendesse o telefone. Eu ficava muito aflita quando saía de uma reunião e via 17 ligações da escola não atendidas. Aí eu ligava correndo para o papai para saber o que tinha acontecido com os bebês e ele não tinha recebido um único telefonema sequer. Era como se só a mamãe conseguisse resolver o problema de um bebê doentinho.

Mas até aí, tudo bem. Afinal, eu fiz a maioria das visitas para escolher a escolinha sozinha, escrevo os e-mails quando preciso falar alguma coisa com as diretoras, escrevo recadinhos para as tias todos os dias na agenda, participo das reuniões de pais e estou lá quase todos os dias para levá-los e buscá-los. Eu achava normal que elas achassem que o principal ponto de contato da escola com a família fosse através de mim.

Até que elas trocaram os boletos da mensalidade, que antes eram entregues em papel, para boletos eletrônicos enviados por e-mail (o planeta agradece, escolinha!). Aí, minha gente, adivinhem só QUEM COMEÇOU A RECEBER OS BOLETOS POR E-MAIL? Vocês acham que elas mandam o boleto para mim? Não, não mandam, não. Claro que mandam para o papai.

Óbvio, né? Mamãe resolve problemas de bebês, papai paga as contas da casa e assim caminha a humanidade. Pô, escola.

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Palavrão

6h30 da manhã no quartinho dos bebês. Eu estava trocando meu filho e minha filha ainda estava na caminha. Estávamos em silêncio, pois os dois ainda estavam bocejando e se espreguiçando. De repente, meu filho dá o maior berro do mundo:

– RUTH PUTAAAAAAAAAAAAA!

Meu coração parou. Mano, como assim ele aprendeu essa palavra? Primeiro eu xinguei mentalmente todas as pessoas que sei que falam palavrão perto dos dois. Depois fiquei na dúvida se dava uma bronca ou se só dizia para ele nunca repetir aquilo. No fim, fiquei com pena da carinha de que-foi-que-eu-fiz e pedi para ele me explicar.

– Que você disse, filho?

– Que a Ruth vai pular, mamãe.

Ah, ufa.

Pô, filho. Confundir letras é bonitinho, tá? Mamãe Luli, bobó Elena, “quelo” leite, tudo isso é fofinho. Mas confundir “pular” com “putar” não pode, não, meu. Pô, não mata a mamãe do coração?

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A bebezinha de dois amigos meus

Eu estava no trabalho e no meio da tarde recebi uma mensagem de um amigão, que também ficou na fila pouquíssimo tempo, para contar que eles receberam a ligação do fórum os chamando para conhecer uma criança. Pulei da cadeira, e saí correndo para uma salinha para poder falar por telefone com ele. As perguntas para papais adotantes são totalmente diferentes. “Qual o sexo?”, “qual a idade?” e “já sabe o nome ” foi o que eu perguntei. Uma menina de 1 ano e 6 meses. Quase chorei.

No dia seguinte, eles foram ao fórum e fizeram a primeira visita para a bebezinha no abrigo e eu fiquei grudada no celular, esperando as mensagens dos dois. Fiz uma lista imensa de coisas que eles precisavam providenciar para a bebê e fiquei pulando de alegria com cada fotinho que eles mandavam. Hoje foi o dia de compras e eu também fui atrás de vários presentinhos para a sobrinha. Vem logo, bebezinha!

Receber a ligação do fórum foi uma das coisas mais emocionantes da minha vida e eu sabia bem como os dois estavam se sentindo. No dia que me ligaram, eu também estava trabalhando e não consegui mais me concentrar. Receber a ligação é uma alegria tão grande, misturada com um pânico tão grande quanto, pelo susto e por não ter enxoval. É indescritível. E foi uma delícia acompanhar de perto tudo o que eles estão sentindo, e ficar lembrando que há exatamente um ano nós estávamos passando pela mesma emoção.

É claro que eu fico muito feliz quando alguém me conta que está grávido(a). Mas o amor que eu senti pelos dois e por essa mocinha quando recebi a notícia foi muito intenso. Adotar é bom demais. É a coisa mais linda que já fiz na minha vida. Hoje não tenho dúvida nenhuma que foi o melhor jeito do mundo para virar mamãe.

Bem vinda, bebezinha! Você já tem os melhores papais do mundo!

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Conversa sobre as princesas

Aí eu percebi que não adiantava nada publicar um post sobre princesas se eu não contasse minha opinião sobre o assunto diretamente para minha filha. E quanto antes melhor, né? Então resolvi ter uma conversa de mamãe para filha com uma bebezinha de dois anos:

– Filha, mamãe precisa te explicar por que quero te ver longe de princesas. Príncipe encantado não existe. Mesmo que existisse, nós não iríamos passar nossa vida só esperando ele aparecer para nos salvar, tá? Você não precisa ser salva. Também não precisa se casar com um príncipe se não quiser. Tanto faz. Quero que você seja feliz com ou sem príncipe. Que estude, trabalhe, tenha sua própria vida, vá morar sozinha, vá viajar sozinha. Quero que você seja muito independente, bem resolvida, que não seja nunca piriguete peloamordedeus e blá blá blá…

Depois de me olhar com cara de tédio por uns 5 minutos, ela me interrompeu:

– Mamãe?

– Oi, diga.

– Faz uma “chuquinha” no meu cabelo?

Não, ela ainda não entendeu nada. Morri de rir. Fofa.

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Nossa filha não é uma princesa

É comum as pessoas perguntarem qual o nome da boneca preferida da nossa filha e ela não entender nada. Deixa eu explicar. Nós temos bonecas em casa. Temos bonecas, jogos de chá e panelinhas, mas também temos carrinhos, caminhõezinhos e uma porção de brinquedos de encaixar, montar, empilhar. Enfim, nossos filhos têm brinquedos que toda criança na idade deles tem. Só que aqui em casa brinquedo não tem dono, por dois motivos que são importantes para nós. O primeiro deles é que eles precisam aprender a compartilhar, e nós definimos que brinquedos são coisas totalmente compartilhadas. Eles têm suas próprias coisinhas para preservar a identidade de cada um, como roupas, objetos de higiene pessoal, copinhos e por aí vai, mas dividem os brinquedos, esperam o irmão terminar de brincar, emprestam, brincam juntos. O segundo motivo – e muito mais importante – é que nós não queremos classificar brinquedos como brinquedo-de-menina e brinquedo-de-menino. Não existe isso em casa.

Por aqui, mamãe e papai trabalham, o papai cozinha bem melhor que a mamãe, e os dois são capazes de fazer qualquer coisa relacionada a cuidados com bebê e com a casa. Nós dois dividimos absolutamente todos os cuidados com os bebês e os bebês brincam exatamente das mesmas coisas e têm as mesmas responsabilidades. Quando a brincadeira é casinha, comidinha, panelinha, bebezinho e por aí vai, nosso filho brinca junto e faz as mesmas coisas: dá comidinha pra boneca, vê se tem cocô na fralda, coloca pra dormir e canta música de ninar. Quando vamos brincar de carrinhos ou de bola, eles brincam juntos de novo. Simples assim. Conceitualmente, acho irritante esse negócio de menina-tem-que-brincar-de-boneca-e-de panelinha. Sabe por quê? Porque no futuro as meninas terão que participar de eventos como esse aqui, onde fica claro que a maioria das pessoas acha normal que só as mulheres cuidem das crianças. Ah, não, gente.

Outra pergunta que me deixa de cabelo em pé: “ela já tem uma princesa preferida?”, se referindo provavelmente às 55 princesas criadas pela Disney. Não, gente, claro que não. Claro que eu não coloco desenhos e fantasias de princesa na minha filha de 2 anos de idade. Claro que eu sei que já já as coleguinhas da escola vão apresentar esse mundo cor-de-rosa assustador para ela e vou ter que pensar em como lidar com isso. Mas eu prometo que eu não vou tomar a iniciativa de fazer isso com ela. Aí deixa eu explicar porque eu odeio as princesas antes que todo mundo fique me achando uma chata. Porque princesas são aquelas criaturas indefesas que precisam ser salvas por um príncipe encantado para só então serem felizes para sempre. Porque no mundo das princesas, alguém que não se casa é infeliz. Porque no mundo das princesas, a mulher nunca vai morar sozinha em seu próprio apartamento e trabalhar para pagar suas próprias contas. Porque no mundo das princesas, o príncipe é mais rico e mais importante que a princesa (não é, Cinderela, sua coitada?). Porque no mundo das princesas, o príncipe é encantado, um ser salvador que tem em suas mãos a felicidade da mulher. Ah, meu, não dá.

E se você achou que estou exagerando, dá uma olhada nisso aqui e me diz se não dá vontade de pular da janela? Se ainda acha que estou exagerando, dá uma lida nesse estudo aqui, de onde saiu a pérola: “tia, para ser princesa precisa casar, né? Senão não vai ser princesa, vai ser solteira!”.

Estou tentando manter minha filha longe do mundo das princesas só porque realmente acredito que nós, mulheres, não precisamos disso. Nós não precisamos de príncipes encantados para nos salvar. A gente sabe se virar, né, filha?

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Fofa

Conversa com minha filha agora pouco:

– Mamãe, consegui! (encaixar um brinquedo em outro)

– Que bom, filha, parabéns!

– … pra você, nesta data querida, muitas felicidades…

Esmaguei.

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