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Palpites

Eu ia escrever que queremos educar nossos filhos com base no que acreditamos, que queremos fazer sempre o melhor, que queremos ensinar para eles todas as nossas preocupações com educação, respeito às outras pessoas, preconceitos, importância da família e dos amigos, sustentabilidade, cuidados com alimentação e outros blá-blá-blá, mas é mais sincero dizer que simplesmente queremos fazer as coisas do nosso jeito. Definir o “nosso jeito” não é fácil. Já tivemos e ainda vamos ter infinitas discussões, porque muitas vezes papai e mamãe têm opiniões diferentes. Também já mudamos de opinião, mesmo depois de termos decidido juntos fazer alguma coisa de um jeito.

E vou confessar (desculpa, pessoas queridas!) que me surpreendi e me incomodei com a quantidade de palpites que passei a receber depois que virei mamãe. Acho que não estava acostumada com tantos palpites, porque não me lembro, por exemplo, de ter recebido tantos conselhos e recomendações diversas quando estávamos organizando nosso casamento, comprando nosso apartamento ou decorando nossa casa.

Já me disseram para colocar nossos filhos para dormir mais tarde porque assim eles acordarão mais tarde, mas eu gosto que eles durmam às 20h para eu jantar tranquilamente com meu marido, mesmo que isso signifique acordar às 7h no dia seguinte – além de achar saudável dormir cedo e acordar cedo. Também prefiro curti-los no domingo de manhã, quando podemos tomar café na padaria, ir ao parque, visitar minha vó, ir no parquinho do prédio, do que ficar com eles no sábado à noite comendo pizza e vendo televisão.

Já me disseram que devo acostumá-los a dormir com barulho, o que para mim significa dormir com os barulhos que existem na minha casa (pessoas conversando na sala, televisão ligada, alguém tomando um banho) e não dormir em um show de rock. Não levo nossos filhos para a balada e, se um dia resolvesse levar, não tentaria fazê-los dormir na barulheira.

Já me disseram para acostumá-los a dormir no claro, mas eu passei a vida inteira (de novo, desculpa, amigos queridos!) odiando viajar com pessoas que precisam deixar uma luz acesa para dormir. Gosto de breu para dormir e acostumo nossos filhos assim também.

Já me disseram que é desnecessário escovar os dentes três vezes ao dia nessa idade porque os dentes vão cair, mas eu faço questão de escovar os dentes três vezes ao dia E passar fio dental neles uma vez ao dia também – mesmo que não fosse necessário (mas acho que é), acho que estou criando o hábito neles desde cedo.

Já me disseram para dar umas gotinhas de remédio quando nosso filho chora, mesmo antes de eu ter certeza se era um choro por dor ou doença ou se era outro tipo de incômodo. Já me disseram para nunca dar água depois de dar banana (?). Já me disseram que nunca é bom deixar andar descalço e também já me disseram para deixar só de fralda no calor – eu os deixo descalços em casa quase todos os dias e simplesmente não gosto de deixá-los só de fraldas. Já me disseram que o cabelo do nosso filho estava muito comprido (já cortei!), que não posso deixar de dar muita água no calor (juro que dou!), que eles estão pouco agasalhados (sou calorenta, demoro para perceber o frio!) e que nossa filha precisa usar brincos (concordo, mas prefiro esperar ter certeza que ela não precisará de mais nenhum exame no crânio).

Mas então, há pouco tempo, eu fiz uma coisas dessas. Uma mamãe me disse que dava suco de caixinha para seu filho e eu falei que ela não deveria dar suco industrializado por causa da quantidade de açúcar. Só percebi depois o que eu tinha acabado de fazer: eu dei palpite no “jeito dela” sem ela me perguntar o que eu achava. Tenho certeza que ela quer o bem do seu bebê e sabe o que está fazendo. Só depois que falei percebi que não fui legal e que ela também deve receber um monte de palpites sem pedir.

Recentemente estava conversando com uma das madrinhas dos bebês sobre a festa de dois anos. Ela tem uma filha de 4 anos e é adepta aos buffets infantis. Eu, por uma série de motivos pessoais, quero fazer a festa no salão de festas do prédio, escolher o cardápio e participar da decoração, mesmo que isso dê mais trabalho ou saia um pouco mais caro. E ela me escreveu que (conversa por whatsapp e e-mails): “Eu acho que você tem que sempre fazer o que o seu coração mandar quando o assunto é ser mãe! Pessoas diferentes têm valores diferentes, e obviamente criam seus filhos de maneira diferentes (…) Tenho certeza também que você vai continuar fazendo o que acha que é mais importante para eles, não importa o trabalho que isso for dar, ou o quanto for gastar. Acho que a festinha é um exemplo, entre tantos. (…) E acho que é nisso que a gente tem que se concentrar. Não importa o que os outros fazem. Importa o que a gente faz, e se a gente está com o coração tranquilo, sabendo que está tentando fazer o nosso melhor, então nada mais vai nos incomodar.”

Eu prometi para mim mesma nunca mais dar palpites, a não ser que a pessoa me pergunte alguma coisa. Também percebi os palpites são para ajudar, pois geralmente vêm de pessoas queridas que também querem o bem dos nossos filhos. Não consigo prometer que vou parar de achar chato (desculpa, pessoas queridas!), mas prometi que vou tentar não fazer cara feia para os palpites. Mas vamos continuar a fazer do nosso jeito, tá?

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Mamãe, precisamos falar com você

Outro dia cheguei na escolinha no final do dia e uma das tias falou que precisava conversar comigo. “Mamãe, seu filho mordeu uma amiguinha e machucou. Ela chorou muito. Nós explicamos que não pode morder, mas ele não parou de rir”.

Q.u.e.v.e.r.g.o.n.h.a.

Eu sempre achei que seria horrível chegar na escola e descobrir que um dos meus filhos apanhou ou foi mordido. Achei que ver um filho machucado seria a pior coisa do mundo e que mamães de crianças que mordem ou batem não sabem educar seus filhos. Até o dia em que eu virei a mamãe que não sabe onde errou e que continua sem saber o que fazer para que meu filho não continue a morder os amiguinhos.

Aí hoje eu li esse post aqui e dei muitas risadas sozinhas. É muito difícil ser a mamãe do mordedor, gente. O lado de lá deve ser muito mais fácil!

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Querida escolinha

Nossos filhos começaram a ir para a escolinha nos primeiros dias de janeiro, para fazermos a adaptação com calma. No primeiro dia, fiquei com eles na sala de aula durante uma hora e pouco, acompanhei o almoço e voltamos para casa. No segundo dia, eles ficaram o mesmo tempo na escola, mas sozinhos. E depois fui aumentando uma hora por dia, até que eles começaram a passar o dia inteiro por lá.

Eles entram às 8h30 mais ou menos, quando saímos para trabalhar, e ficam até às 19h. Fazem quatro refeições por lá (café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar) e em casa só tomam leite e comem fruta, tanto de manhã quanto à noite. De manhã ficam na recreação e à tarde participam das atividades pedagógicas. Tiram um soninho de uma hora e pouco depois do almoço todos os dias e fazem aulas de música uma vez por semana.

Acostumar a ficar na escolinha foi muito fácil; eles brincam o dia todo e nunca choraram na escola ou fizeram birra (isso, aparentemente, é um privilégio só da mamãe e do papai). O mais difícil foi acostumar a ficar longe de casa. Nos primeiros dias, chegavam em casa e pareciam querer recuperar o tempo perdido: corriam, davam gritinhos de alegria, tiravam todos os brinquedos do lugar, agarravam o Fidel e não queriam dormir de jeito nenhum, apesar do cansaço. Acostumar com o cansaço também foi difícil; como na escolinha eles gastam mais energia e dormem menos à tarde, eles ficaram bem mais irritados e chorões quando chegavam em casa (na verdade, estão assim até hoje). Nos primeiros dias, eles choraram um pouco quando os deixávamos na escola. Ultimamente eles saem correndo e nem falam mais “tchau”.

A única parte chata foram as tais doenças que as crianças pegam quando entram na escola. Nós chegamos a achar que eles não passariam por isso, pois conviveram intensamente com outras crianças no abrigo até virem morar conosco, mas nos enganamos. Os dois ficaram gripados, tiveram febrinhas, tosse, dorzinha de barriga e tal. A professora não me animou muito, pois me disse que os primeiros SEIS MESES serão assim.

Mas estamos adorando a escola. Todos os dias precisamos levá-los até a sala de aula de manhã e precisamos entrar na escola para buscá-los, e é legal saber que as portas da escola estão sempre abertas para os papais. Todos os dias nos comunicamos com as tias pela agenda ou pessoalmente e sabemos que elas seguem todas as nossas recomendações com os cuidados e alimentação dos dois. Todos os dias os encontramos no final do dia com sorrisos lindos e imensos no rosto, de bebês que se divertiram. E isso nos deixa seguros para ficar longe deles todos os dias.

primeiro dia de aula

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E a gravidez?

Um é pouco, dois é bom e três é demais.

=)

No meio da minha licença maternidade, eu desejei ter o terceiro filho. Achei que estávamos nos me saindo tão bem com dois bebês que poderíamos facilmente ter mais um. Achei que o trabalho de cuidar de mais um filho seria marginalmente menor que o trabalho de cuidar de dois filhos. Eu estava louca.

Três coisas principais nos fizeram mudar de ideia e desistir de tentar um filho biológico (além de questões menores, como falta de espaço para a terceira cadeirinha no banco de trás do carro). A primeira delas – e seremos bem sinceros – é que tem coisas pelas quais não sabemos se queremos passar. Nossos filhos sempre dormiram a noite toda, por exemplo. Deitam às 20h e acordam às 7h todos os dias. Não precisamos “ninar”, porque eles deitam e dormem sozinhos. Somente quatro (juro!) vezes acordaram chorando, mas  logo dormiram. Temos preguiça de noites em claro. Não sabemos se queremos passar pelo processo amamentar-trocar-arrotar-ninar a cada três horas. Não fazemos a menor ideia como ensinar um bebê a dormir a noite inteira. Não fazemos a menor ideia como as pessoas conseguem ser produtivas durante o dia depois de acordar duas, três, quatro vezes na madrugada. Nós já ficamos bastante cansados depois que viramos papais mesmo dormindo todas as noites inteiras.

A segunda delas é que não quero tirar outra licença maternidade tão cedo. Licença maternidade foi o período em que me dediquei integralmente para nossos filhos e achei ótimo. Mas li poucos livros, vi poucos filmes, ouvi poucos meus amigos (eles até me visitaram bastante, mas era impossível ouvi-los com dois bebês exigentes ao lado), convivi pouco com adultos. Agora estou integralmente dedicada a aprender a conciliar a minha própria vida com o papel de mamãe e não quero interromper essa fase.

E por último, não queremos saber o quão difícil deve ser decidir onde deixar um bebê de cerca de seis meses para a mamãe voltar a trabalhar. Todas as opções que conhecemos não parecem ser 100% perfeitas para nós (parar de trabalhar, deixar com babá, deixar com vovó ou deixar em um berçário). Com 1 ano e 9 meses, temos certeza que a melhor escolha para nossa família foi a escolinha. Com um bebê de seis meses, acho que optaríamos pela berçário, mas não tenho certeza que estaríamos tão seguros como estamos hoje.

Pode ser que isso mude com o passar dos anos, depois que nossos filhos tirarem as fraldas, aprenderem a falar (e, consequentemente, aprenderem a parar de se comunicar exclusivamente através do choro) e pararem com as tentativas de suicídio infantil (isto é, escalar móveis, se jogar para trás, mergulhar na privada e tal). Mas hoje achamos que nossa família está completa. Mamãe, papai, dois filhos e um cachorro era o que queríamos e estamos completamente felizes assim.

É verdade que tenho curiosidade sobre a gravidez, porque deve ser o máximo sentir um bebê crescendo dentro da barriga. Mas concluímos que só a vontade de viver a gravidez não é motivo para ter um filho. Afinal, toda a felicidade que vem depois da gravidez nós já temos.

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Bebês mocinhos

Nossos brigadeirinhos chegaram em casa engatinhando e em um mês estavam correndo de um lado para o outro. Correndo rápido, aliás. Voltei a usar saltos todos os dias para ir trabalhar e vocês não imaginam o trabalho que dá não deixá-los fugir no curto percurso entre apartamento até o carro na garagem e entre carro na calçada até a sala de aula.

Nos primeiros meses, eles usaram copos de transição (aqueles com tampa plástico e três furinhos) para todas as bebidas. Hoje esses copos são só para o leite da manhã e da noite; durante o dia eles usam canudinhos. Significa que não precisamos mais carregar copos na bolsa quando saímos; podemos pedir uma água ou suco natural no restaurante e servir em qualquer copo com canudo – muito mais fácil.

Quando chegaram, eles tinham dois dentinhos em cima e dois dentinhos embaixo e mastigar era difícil. Carne, frango e frutas com casca às vezes os faziam engasgar e cuspir. Hoje, com doze dentes cada um, estão comendo pedacinhos maiores sem nenhuma dificuldade. Há poucos dias eles começaram a comer as frutas da manhã e da noite sozinhos, usando um garfinho infantil. Além de ser uma fofura imensa, podemos fazer outras coisas na cozinha enquanto eles comem. Estamos sempre atrasados de manhã para ir para escola e para o trabalho e ganhei o tempo de tomar o meu próprio café da manhã.

Nos primeiros meses, usamos uma banheira no chão do box para o banho. Em pouco tempo, eles começaram a confundi-la com uma piscina e deram mergulhos perigosos. Resolvemos que estavam prontos para tomar banho em pé, em cima do tapetinho que não deixa escorregar.

Há poucos dias ficamos super felizes porque eles cresceram seis ou sete centímetros desde que chegaram. Durou pouco. Hoje estamos nos perguntando se podemos instalar maçanetas e interruptores mais altos no apartamento. Os pés também cresceram e muitos sapatinhos já foram doados para outros bebês.

Eles aprenderam a guardar os brinquedos depois de brincar. Aprenderam a colocar a roupa suja dentro do cesto. Assim que saem do cadeirão, vão sozinhos até o banheiro e pegam as escovas e pasta de dente. Estão falando várias palavras em português (as preferidas são mamãe, bola, água, carro e “cabô”) e frases inteiras em uma língua própria.

Tudo isso em seis meses conosco. É muito orgulho!

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Pequeno prazer

Há dois dias escrevi no Facebook que tenho um pequeno prazer diário: entrar no quartinho dos meus filhos para cobri-los e sentir cheirinho de bebê que tomou banho antes de dormir. Assim que abro a porta, sinto o cheiro de sabonete e creme e é uma delícia!

Foi só falar, que ontem abri a porta e senti um cheiro de… cocô. Que preguiça. Mas não dá para não tomar providências quando o assunto é cocô. Cocô na fralda vira rapidamente cocô no pijama, cocô no lençol, cocô no cobertor e por aí vai. Providência 1: cheirar os dois bebês para descobrir qual deles tinha feito cocô – torcendo para ser apenas um. Providência 2: virar cuidadosamente o bebê na cama para conseguir trocá-lo ali mesmo, pois as chances de acordá-lo seriam menores. Providência 3: pegar todos os apetrechos necessários para troca de fralda sem fazer barulho. Providência 4: acender o mínimo de luz para conseguir enxergar o que eu ia fazer. O desafio: fazer tudo isso com uma super delicadeza para não acordar nenhum dos dois.

Falhei. Os dois acordaram e choraram um pouco.

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Coisas que aprendi durante a licença maternidade

Cinco meses e meio foi o maior período da minha vida que fiquei sem trabalhar ou estudar desde que entrei na escolinha com um ano e nove meses de idade (por coincidência, a mesma idade com que nossos filhos entraram na escolinha). Fiquei entendiada e cansada de ficar em casa alguns dias, confesso. Mas estou feliz por ter ficado esse tempo com meus pequenos. Estou feliz por não ter pensado que minha carreira era mais importante e por não ter voltado antes a trabalhar. E, principalmente, estou preparada para saber como é conciliar a vida de funcionária e mamãe.

Nesses meses eu percebi o quanto gosto da minha casa. Gosto do nosso apartamento, gosto da decoração semi-acabada que estamos fazendo, gosto de ter muitas janelas e muitas plantas, gosto de ficar sentada na sala olhando para as coisas que temos aqui.

Também percebi que gosto de estar em casa quando meu marido chega do trabalho. Desde que nos casamos, isso não tinha acontecido muitas vezes porque eu sempre trabalhei até tarde. Também gosto de jantar em casa, mesmo que seja um qualquer-coisa inventado de última hora.

Com relação aos nossos filhos, aprendi que algumas coisas precisam ser feitas ou pensadas pelos papais:

  • Mamãe ou papai precisam ir junto com eles nas consultas médicas. Somos nós que os conhecemos e os acompanhamos no dia-a-dia e que podemos dar informações importantes para avaliação do médico. Somos nós que ficaremos responsáveis por medicações ou cuidados e precisamos ouvir o que o médico tem a dizer.
  • Alimentação saudável é responsabilidade dos papais. Sabemos que nossos filhos vão experimentar guloseimas oferecidas por outras pessoas em festinhas, então fazemos questão de preparar somente comida caseira, fresquinha, variada, com pouca gordura, pouquíssimo sal e nada de açúcar em casa. Também escolhemos uma escolinha que toma esse mesmo cuidado com alimentação e vamos acompanhar o cardápio semanal das refeições dos bebês para saber o que estão comendo.
  • Hora do banho também é hora de ficar junto com mamãe ou papai. É hora de relaxar, de ficar quentinho, de brincar com a água, de fazer carinho, mas é a hora que os observamos peladinhos e podemos reparar se tem alguma errada na pele ou no corpinho.

Também aprendi que me sinto presa se ficar muito tempo em casa. Que sinto falta de conviver com adultos sem crianças por perto. E que nunca vou me arrepender por nunca deixar meu emprego para cuidar exclusivamente dos meus filhos, porque acho que sempre serei uma mamãe bem melhor trabalhando.

Voltei a trabalhar há duas semanas. Sinto falta deles, mas estamos nos saindo muito bem. Buscar na escola é a melhor parte do dia. Nada mais gostoso que chegar na porta da sala de aula e vê-los correndo na nossa direção, dando gritinhos de alegria, também morrendo de saudades.

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Papai Noel

Passamos o primeiro Natal depois que viramos papais e foi muito gostoso! Jantamos no dia 24 com a família do meu marido e visitamos minhas duas avós no dia 25. Além disso, fizemos um jantar com minha mãe e com meu padastro uns dias antes do Natal e um almoço com amigos-mais-que-queridos uns dias depois do Natal. Os bebês nos acompanharam nas cinco comemorações e se divertiram muito: ganharam presentinhos, atenção e brincaram bastante, mas também ficaram bem cansados com tanta bagunça e horários diferentes de soninho. E teve decoração de Natal em casa, luzinhas na varanda, ceia, troca de presentes, amigo-secreto.

Só não teve Papai Noel. A história do Papai Noel é uma coisa que começamos a discutir esse ano, junto com alguns outros temas sobre “ser mamãe e papai”. Papai Noel não existe. Então fiquei me perguntando por que os adultos contam uma mentira para as crianças, para que a verdade seja revelada quando elas estiverem maiores. Fiquei me perguntando se as crianças realmente precisam dessa fantasia para serem felizes ou se dá para viver feliz sem acreditar em Papai Noel.

Então encontrei esse texto aqui, que me falou o que eu queria escutar. Em linhas gerais, ele diz que a imaginação – super importante no desenvolvimento das crianças – deve ter como base a realidade e deve ser criada pela própria criança, como as brincadeiras de faz-de-conta, por exemplo. O Papai Noel que visita todas as crianças em uma única noite, usando uma roupa inapropriada para o clima no hemisfério Sul em dezembro, e que entrega os presentes escolhidos por elas mesmas é uma fantasia criada pelos adultos e inserida na vida das crianças.

O Papai Noel não visita todas as crianças, infelizmente. Ele provavelmente não visita todas as crianças que moram nas ruas, que têm papais muito pobres, que têm papais negligentes ou que estão abrigadas. Nós não sabemos como foi o primeiro Natal dos brigadeirinhos no abrigo, mas não queremos contar para eles que Papai Noel só começou a visitá-los depois que vieram morar conosco. Também não queremos explicar no futuro por que o Papai Noel entrega presentes mais caros para alguns amiguinhos.

Então em casa Papai Noel é um personagem e faz parte da decoração. Temos Papai Noel de pelúcia, Papai Noel pendurado na árvore de Natal e só. Não enfrentamos filas para que eles possam tirar foto com o Papai Noel no shopping e eles não escreverão cartinhas pedindo presentes para o Papai Noel. No Natal, vamos sempre entregar os presentes do papai e da mamãe.

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Papai

Não tenho babá para me ajudar a cuidar dos brigadeirinhos, como contei aqui, e nossa faxineira vem somente duas vezes por semana. E quando comentam como deve ser difícil e trabalhoso cuidar de dois bebês sozinha, respondo que não estou sozinha: nossos filhos têm o papai.

Papai é o cozinheiro dos bebês (e da mamãe). A cada dez ou quinze dias, ele passa horas na cozinha preparando uma infinidade de potinhos de feijão, lentinha, carne, frango, sopa e legumes, que são congelados em porções pequenas para que todos os dias nossos filhos tenham comida fresquinha. Se dependesse só de mim, não sei o que eu teria feito. Como não dou comida industrializada de jeito nenhum para eles e já fracassei em diversas tentativas de aprender a cozinhar, acho que eu teria que contratar uma cozinheira.

Além disso, meu marido também “dá conta” de dois bebês sozinho. Conheço mamães que não podem deixar o bebê sozinho com os papais por muito tempo, porque eles não saberiam o que fazer. Em casa, o papai também troca fralda, dá comida, dá banho, troca de roupa, escova os dentes, brinca e põe para dormir. Já precisei sair cedinho de casa enquanto os três ainda estavam dormindo, já saí para jantar e deixei o papai sozinho para arrumá-los para dormir, já passei a tarde no shopping enquanto os três estavam sozinhos em casa e tudo sempre correu bem. E se tanto a mamãe quanto o papai conseguem cuidar de tudo sozinhos, é muito, muito fácil quando estamos os quatro juntos.

No final de janeiro volto a trabalhar e não vou estar mais disponível em tempo integral para nossos filhos. Vou precisar conciliar os compromissos do trabalho com a agenda dos bebês, que inclui consultas médicas, a escolinha que fecha às 19h todos os dias e probleminhas de última hora (como ficar doente), e sei que o papai vai assumir metade dessas coisas. Também sei que eles estarão bem cuidados quando eu precisar trabalhar até mais tarde e não conseguir chegar a tempo de colocá-los para dormir. E, mais que bem cuidados, sei que estarão felizes com o papai quando eu não estiver. Porque sei que eles sentem o carinho e o amor que o papai tem por eles e porque tenho certeza que eles ganharam o melhor papai do mundo.

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Doenças tratáveis e não tratáveis

Na época que estávamos conversando sobre o perfil do nosso filho, pesquisamos muito sobre o que seriam doenças não tratáveis, doenças tratáveis leves e doenças tratáveis graves. Queríamos uma lista de doenças e a sua classificação. Ou queríamos encontrar depoimentos de adotantes que têm filhos com doenças tratáveis graves, por exemplo, para entender o que era uma doença desse tipo. Nós passamos por uma fase que é comum durante o processo, que é querer saber se estávamos preparados e se tínhamos estrutura para cuidar de uma criança doente. Não achamos as respostas. Sem dados e fatos, nós simplesmente decidimos dizer “sim”. Decidimos que nosso filho não seria escolhido por seus possíveis problemas de saúde.

Além de não haver clareza nesses critérios, também é bom saber que as crianças disponíveis para adoção não passam por um check-up médico completo para que toda e qualquer doença que tenham seja diagnosticada. Isso significa que um pretendente pode escolher não adotar uma criança com problema de saúde tratável grave e se deparar com uma doença grave logo depois. Claro que o fórum irá passar para os papais adotantes todas as informações disponíveis sobre a saúde da criança. Mas após a adoção, vale o sentimento incondicional: a saúde do filho não é condição para que ele seja mais ou menos querido pela família.

Nossos filhos são super saudáveis. São crianças lindas e curiosas, que comem bem, dormem bem, olham nos olhos, se comunicam, brincam muito, imitam, aprendem, dão risadas e gargalhadas, fazem birra, ficam bravos, ficam felizes e sabem amar. E cada um deles tem alguns probleminhas de saúde. Desde que chegaram, passamos por duas cirurgias no crânio, uma pneumonia grave (tratada com remédios, inalações e 20 sessões de fisioterapia respiratória), algumas febrinhas, resfriados, uma virose e sessões de fonoaudiologia para estimular a deglutição de saliva (e evitar que o bebê fique babando o dia todo).

Quando eles ficam doentes, ficamos preocupados e tentamos fazer o melhor, porque queremos que eles fiquem sempre bem. Dá trabalho levar ao médico, acompanhar sessões de terapia, medicar, fazer inalação, dormir no hospital, trocar curativo etc., mas são coisas que mamãe e papai fazem com muito carinho. Problemas de saúde são “detalhes”. Na maior parte do tempo, estamos mais preocupados em escolher as brincadeiras e passeios mais legais para fazer com eles, adaptar a casa para que eles possam circular em segurança, organizar os brinquedos e as coisinhas deles, preparar refeições gostosas e saudáveis, escolher a melhor escolinha. Se tivéssemos colocado restrições com relação à saúde da criança, hoje não seríamos papais super felizes pensando em como deixar nossos filhos mais felizes.

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