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Mãe não é tudo igual

Quem inventou esse negócio de “mãe é tudo igual, só muda de endereço” só pode estar doido. Depois que virei mamãe, e passei a acompanhar blogs, posts e conversas de outras mamães, percebi que as mães são, sim, muito diferentes uma das outras. Mães são uma combinação de opiniões fortes a respeito de temas polêmicos, e é impossível dizer que são todas iguais.

Não tô dizendo que tem certo ou errado. São opiniões, pontos de vista. Não se ofendam, não, tá? Mas aí vão alguns assuntos que tornam as mães muito únicas:

  • Tipo de parto: tem mães que defendem o parto normal, humanizado, na água, em casa, de cócoras, sem médico, sem hospital, e depois comem a placenta. Tem mães que acham prático agendar dia e horário e aplicar uma boa anestesia, para não ter sofrimento nenhum. Essa polêmica não fez parte da minha vida, então não tenho nenhuma opinião. Tenho uma opinião muito forte sobre visitas aos recém-nascidos. Bem forte, quase mal educada. Imagina que você é um serzinho pequenino, que viveu nove meses dentro da barriga da sua mãe, quentinho, embrulhadinho, com poucos barulhos, pouca luz, bastante conforto e comida em livre demanda. Imaginou? Agora imagina que você teve que sair desse mundo confortável (por parto normal ou por cesárea, não importa!) e veio para o mundo exterior de uma hora para outra, sem período de adaptação nem nada. Imaginou? Aqui fora tem barulho, tem sujeira, tem gente falando alto, tem gente ouvindo axé, tem luzes, tem o Faustão falando na TV, e você precisa chorar para perceberem que está com fome. Eu não consigo imaginar nada mais traumático do que nascer, sério mesmo. Deve ser o pior momento de nossas vidas. Mas não tem jeito, tem que nascer. Cara, mas aí eu me pergunto: por que as pessoas vão visitar um serzinho que acaba de passar por essa experiência traumática nos primeiros dias de vida, e querem pegá-lo no colo, apalpar seu corpinho, dar beijinhos, fazer comentários em voz alta, em vez de deixá-lo se adaptar a essa triste realidade no colo de sua mãe? Por que, minha gente? Se eu tivesse parido, ia proibir as visitas. Desculpem a falta de educação, mas eu ia.
  • Amamentação: aí tem as mães que fazem questão de amamentar exclusivamente até os seis meses de vida, sem admitir um leitinho artificial, e depois continuam oferecendo o peito em livre demanda até que seus filhos desmamem naturalmente aos 2 ou 3 anos. Tem outras que – por motivos diversos – abrem mão da amamentação quando o bebê tem poucos meses de vida. Esse é outro assunto que não fez parte da minha vida de mãe. Se, por um lado, eu odeio coisas artificiais na alimentação dos meus filhos, por outro lado acho que eu ficaria um pouco louca se tivesse que ficar totalmente à disposição da(s) cria(s) para alimentá-la(s) durante seis meses ininterruptos. Difícil, hein?
  • Cama compartilhada: gente, é tanta coisa. Tá, eu não passei pelo período “recém-nascido mamando a cada 2 horas”, porque tendo a concordar que facilita a vida de todos se o bebê estiver no quarto da mãe. Também tendo a concordar que, depois de ter passado pela experiência traumática citada no primeiro bullet, é muita judiação deixar o coitadinho sozinho em um quarto desconhecido durante a madrugada. Difícil. O que eu não consigo entender é a falta do que vou chamar de “tempo de adulto” na vida das mães que fazem cama compartilhada. Explico: eu estou aqui na sala da minha casa enquanto meus filhos dormem tranquilamente no quarto deles há umas duas horas. Estou curtindo meu “tempo de adulto”, quando janto, tomo banho, leio, escrevo, fico em silêncio, trabalho, assisto um filme de adulto ou durmo. Se a mãe faz cama compartilhada, imagino que ela vá dormir junto com o filho, ou estou enganada? E não tem nem um tempinho só de adulto na vida? Aí hoje li esse post aqui, que cita a vida sexual das mães que fazem cama compartilhada: Você tem sofá/futon/chuveiro/ outros cômodos na casa?, a autora pergunta. Sim, todo mundo tem. Só não quer dizer que o sofá/futon/chuveiro (gente, please, e o tanto de água que isso deve gastar?)/ outros cômodos na casa sejam os mais legais para isso, né? Quer dizer que pós-nascimento dos filhos a cama de casal deixa de ser palco da vida sexual e os pais passam a utilizar outros locais na casa não originalmente concebidos para tal?
  • Trabalhar fora ou ser mãe em tempo integral: ser mãe e ter um emprego full-time é f. Você está sempre com a sensação que não faz nada direito e vive se sentindo culpada. Frequentemente, uma coisa invade o espaço dedicado a outra coisa e a culpa cresce ainda mais: é criança que fica doente e te obriga a faltar no trabalho ou é o trabalho que não termina na hora certa e te faz atrasar para chegar em casa. Aí você está no trabalho pensando nas coisas do filho e está em casa pensando que não respondeu aquele último e-mail antes de sair. É f. Mas f mesmo deve ser a vida de mãe em tempo integral. Vida de mãe em tempo integral não tem final de semana ou horário de almoço ou pausa para o café. A mãe em tempo integral é responsável por todas as refeições, todos os xixis e cocôs (na fralda ou no vaso, até que aprendam a se limpar sozinhos), por todas as brincadeiras, por todas as birras, por todos os banhos, todas as broncas. A mãe em tempo integral não pode simplesmente marcar um almoço com uma amiga, porque não pode deixar o filho sozinho em casa. Eu sei bem como essa vida é difícil porque tirei quase seis meses de licença maternidade. Admiro as mães em tempo integral, porque acho que a vida delas é bem mais difícil que a minha, que sou mãe que trabalha.
  • Escola ou babá: o que vou discutir não é nem a questão de deixar o filho aos cuidados de uma pessoa contratada para tal função, que não é da família, que pode pedir demissão a qualquer momento, com quem a criança criará laços profundos. Eu fico me perguntando como é que os pais garantem que a babá está entretendo seu filho de uma forma bacana, variando as brincadeiras, não os deixando morrer de tédio ou mofar na frente da televisão. Durante os finais de semana, eu frequentemente não tenho imaginação para ocupar e estimular meus filhos como eles precisam durante as 48 horas, e sofro com birras e momentos de tédio, quando eles resolvem fazer tudo o que sabem que não podem fazer. Haja criatividade no job description das babás, hein?

Só com esses cinco itens, a gente poderia criar pelo menos uns trinta tipos de mães diferentes. Não é só o endereço que muda, não, gente.

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Cozinheira

Aí eu me dei conta que não adiantava nada eu ser uma pessoa louca, que não dá açúcar nem gordura trans para os filhos, que tem um blog sobre alimentação, que só compra orgânicos, que foge dos brigadeirinhos em festinhas infantis, que fala “não” para médicos e cabeleireiros que oferecem pirulitos para os bebês, sem saber cozinhar. Porque se eu resolvi ser neurótica com alimentação, o mínimo que se espera é que eu saiba preparar a tal da comida saudável que eu quero que meus filhos comam, certo?

Então eu fui pra cozinha. Lutei alguns dias contra o medo e a preguiça de picar cebola e desvendei os mistérios secretos de fazer arroz, feijão e legumes. Foi difícil. Nos primeiros dias, eu precisei comprar uma caixa de curativos e deixar na gaveta da cozinha, ao lado das facas. Mas comecei a gostar. Resolvi aprender a fazer alguns molhos para macarrão e sopa. Fritei um ovo (para mim, óbvio, não faço fritura para bebê). Fiz um bolo de banana sem açúcar e sem farinha branca (esse eles comeram). Comecei a gostar mais ainda. Arrisquei um risoto de alho poró e um pimentão recheado com quinoa e cogumelos. E, quando percebi, estava me divertindo na cozinha todos os dias, cada dia com uma invenção diferente.

Hoje sou uma mamãe que cozinha para os filhos no final de semana. Amo ver os dois comendo a comida que eu cozinhei. Eu não sabia que existia esse prazer na vida: esse prazer de ver alguém que você ama gostando da comida que você preparou com tanto carinho. Amo ver os dois raspando o prato. Morro. De. Orgulho.

Tô quase confessando um desejo: ouvir, quando eles forem um pouco maiores, que eles adoram a comida da mamãe!

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Minhoca

Todo dia, minha filha chega em casa da escola e me pede:

– Mamãe, quero comer minhoca.

Nada como ter deixado o cunhado cuidando dos bebês em um dia que trabalhei até mais tarde, viu? 🙂

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Dois bebês com dois anos

Abril é o mês do aniversário dos nossos brigadeirinhos, que acabaram de completar dois anos, o primeiro aniversário desde que chegaram em nossa família. Eu adoro aniversários e gosto de fazer festas em casa, então passei mais de um mês me divertindo com a definição do cardápio, a escolha do tema e a decoração.

Definir o cardápio foi o primeiro passo e levei quase três semanas para fechar, porque sou chata com o que nossos filhos podem e não podem comer. Como o aniversário era deles, eu não queria ficar atrás dos dois dizendo não-pode-comer-coxinha ou vamos-trocar-a-bolinha-de-queijo-por-algo-assado e resolvi montar um cardápio sem nada que me estressasse. Encontrei uma banqueteria que conseguiu o desafio de montar um cardápio gostoso, com cara de festa de criança, sem fritura, sem embutidos, sem gordura, sem açúcar no suco, com opções para os amigos vegetarianos.

Depois começamos a discutir o tema da festa. Eu queria um tema do qual eles gostassem, mas não queria nada com personagens de televisão. Como eles gostam de bichos e como eu guardo super boas lembranças do período na África do Sul, escolhemos o tema safari. E também por guardar boas lembranças das festinhas que minha mãe fazia para mim e para minha irmã em casa, eu quis cuidar de toda a decoração. Fomos várias vezes até a rua 25 de março e investi algumas madrugadas recortando e colando as tags para os docinhos, montando as lembrancinhas e enchendo bexigas.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

Em vez de fazer uma retrospectiva com fotos e vídeo, escolhemos as fotos mais especiais e penduramos em varais no teto. Assim todos os convidados tiveram tempo para olhar todas elas.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

E eu deixei os dois comerem alguns docinhos. Só não fiquei olhando muito para não chorar de pânico. E morri de orgulho quando eles pediram água e foram brincar, e fiquei com mais orgulho ainda quando chegaram em casa e pediram fruta.

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

Aniversário de dois aninhos da Ruth e do Isaac. Dia 14.04.2013

A festa foi uma delícia, cheia de pessoas queridas da família e de amigos e, apesar de não entenderem ainda o conceito de “aniversário”, os bebês entenderam que a festa era para os dois.

No fim, fiquei com dó de jogar as coisas fora ou de deixar mofando no fundo do armário e anunciei que queria doá-las em um grupo que participo no Facebook. E encontrei duas mamães que também escolheram o tema safari e que vão aproveitar minhas coisas em outras festinhas!

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A Páscoa, o coelho e os chocolates

Veio na agenda da escolinha essa semana: “favor pagar a taxa de x reais até segunda-feira para a nossa comemoração da Páscoa”. É tanta coisa que começamos a ter que pensar depois que viramos papais, viu?

Eu não queria entrar na questão do dinheiro, porque não era um valor abusivo que não poderíamos pagar. Mas fui até a escolinha no dia seguinte perguntar se era uma taxa obrigatória e o que eles fariam com os filhos dos papais que não quisessem ou não pudessem pagar. “Os alunos que não participam ficam na sala de aula com uma professora, enquanto o evento acontece no pátio”, me respondeu uma das diretoras, com uma clara expressão de quem odeia essa situação – e eu concordo com ela.

Depois eu quis entender como eles lidam com diversidade nessas datas, porque a Páscoa é uma comemoração que não existe em todas as religiões. Tive uma dúvida parecida há duas semanas, quando recebi uma tarefa endereçada às mamães para a comemoração do dia internacional da mulher: o que acontece com os alunos que não têm mamãe? Entendo o lado da escola, que provavelmente seria criticada por não comemorar as datas mais tradicionais. Mas também achei um pouco difícil para as duas famílias judias que optaram por não levar os filhos à escola na quinta-feira anterior à sexta-feira santa, porque não querem que eles participem da comemoração da Páscoa e nem querem que as crianças fiquem trancadas sozinhas na sala de aula.

Mas o meu principal incômodo com a comemoração da Páscoa não é a taxa, não é a tradição católica e nem a visita do coelho na escola. Eu simplesmente não quero que eles ofereçam infinitos ovinhos de chocolate para meus pequenos, mas também não quero que eles sejam os únicos que não podem comer chocolate durante a comemoração. Mamãe e papai optaram por não comprar ovos de Páscoa para eles porque eles ainda não comem chocolate, e também pedimos que os familiares e amigos fizessem o mesmo. E aí eu vou ter que pagar uma taxa para que a escola ofereça chocolates sem limites para eles? Ou eu vou ter que dizer para meu chefe que sou uma mãe louca que não deixa os filhos comerem doces e que, por isso, não vou poder trabalhar na quinta-feira à tarde para ficar com eles (calma, trancá-los na sala de aula enquanto o evento acontece no pátio não passou pela minha cabeça, eu juro)? E quando contei meu drama para a diretora, ela me olhou com uma expressão de não-tô-acreditando-que-você-não-vai-dar-ovo-de-páscoa-para-seus-filhos.

Toda vez que tenho alguma conversa na escolinha, saio de lá pensando como deve ser difícil administrar uma escola. Ter que cuidar de crianças pequenas, bagunceiras, dependentes, que não falam, que usam fraldas e que choram e, ainda por cima, ter que lidar com mamães e papais que fazem exigências malucas deve ser desesperador (e eu sei que sou uma delas).

Nós decidimos que eles vão participar da comemoração da Páscoa na escola. Vamos pagar a taxa e eles vão ver o tal do coelho que entrega ovos e vão comer chocolate. E eu vou tentar não ficar pensando nisso até lá, para que eu não desista de deixar!

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Palpites

Eu ia escrever que queremos educar nossos filhos com base no que acreditamos, que queremos fazer sempre o melhor, que queremos ensinar para eles todas as nossas preocupações com educação, respeito às outras pessoas, preconceitos, importância da família e dos amigos, sustentabilidade, cuidados com alimentação e outros blá-blá-blá, mas é mais sincero dizer que simplesmente queremos fazer as coisas do nosso jeito. Definir o “nosso jeito” não é fácil. Já tivemos e ainda vamos ter infinitas discussões, porque muitas vezes papai e mamãe têm opiniões diferentes. Também já mudamos de opinião, mesmo depois de termos decidido juntos fazer alguma coisa de um jeito.

E vou confessar (desculpa, pessoas queridas!) que me surpreendi e me incomodei com a quantidade de palpites que passei a receber depois que virei mamãe. Acho que não estava acostumada com tantos palpites, porque não me lembro, por exemplo, de ter recebido tantos conselhos e recomendações diversas quando estávamos organizando nosso casamento, comprando nosso apartamento ou decorando nossa casa.

Já me disseram para colocar nossos filhos para dormir mais tarde porque assim eles acordarão mais tarde, mas eu gosto que eles durmam às 20h para eu jantar tranquilamente com meu marido, mesmo que isso signifique acordar às 7h no dia seguinte – além de achar saudável dormir cedo e acordar cedo. Também prefiro curti-los no domingo de manhã, quando podemos tomar café na padaria, ir ao parque, visitar minha vó, ir no parquinho do prédio, do que ficar com eles no sábado à noite comendo pizza e vendo televisão.

Já me disseram que devo acostumá-los a dormir com barulho, o que para mim significa dormir com os barulhos que existem na minha casa (pessoas conversando na sala, televisão ligada, alguém tomando um banho) e não dormir em um show de rock. Não levo nossos filhos para a balada e, se um dia resolvesse levar, não tentaria fazê-los dormir na barulheira.

Já me disseram para acostumá-los a dormir no claro, mas eu passei a vida inteira (de novo, desculpa, amigos queridos!) odiando viajar com pessoas que precisam deixar uma luz acesa para dormir. Gosto de breu para dormir e acostumo nossos filhos assim também.

Já me disseram que é desnecessário escovar os dentes três vezes ao dia nessa idade porque os dentes vão cair, mas eu faço questão de escovar os dentes três vezes ao dia E passar fio dental neles uma vez ao dia também – mesmo que não fosse necessário (mas acho que é), acho que estou criando o hábito neles desde cedo.

Já me disseram para dar umas gotinhas de remédio quando nosso filho chora, mesmo antes de eu ter certeza se era um choro por dor ou doença ou se era outro tipo de incômodo. Já me disseram para nunca dar água depois de dar banana (?). Já me disseram que nunca é bom deixar andar descalço e também já me disseram para deixar só de fralda no calor – eu os deixo descalços em casa quase todos os dias e simplesmente não gosto de deixá-los só de fraldas. Já me disseram que o cabelo do nosso filho estava muito comprido (já cortei!), que não posso deixar de dar muita água no calor (juro que dou!), que eles estão pouco agasalhados (sou calorenta, demoro para perceber o frio!) e que nossa filha precisa usar brincos (concordo, mas prefiro esperar ter certeza que ela não precisará de mais nenhum exame no crânio).

Mas então, há pouco tempo, eu fiz uma coisas dessas. Uma mamãe me disse que dava suco de caixinha para seu filho e eu falei que ela não deveria dar suco industrializado por causa da quantidade de açúcar. Só percebi depois o que eu tinha acabado de fazer: eu dei palpite no “jeito dela” sem ela me perguntar o que eu achava. Tenho certeza que ela quer o bem do seu bebê e sabe o que está fazendo. Só depois que falei percebi que não fui legal e que ela também deve receber um monte de palpites sem pedir.

Recentemente estava conversando com uma das madrinhas dos bebês sobre a festa de dois anos. Ela tem uma filha de 4 anos e é adepta aos buffets infantis. Eu, por uma série de motivos pessoais, quero fazer a festa no salão de festas do prédio, escolher o cardápio e participar da decoração, mesmo que isso dê mais trabalho ou saia um pouco mais caro. E ela me escreveu que (conversa por whatsapp e e-mails): “Eu acho que você tem que sempre fazer o que o seu coração mandar quando o assunto é ser mãe! Pessoas diferentes têm valores diferentes, e obviamente criam seus filhos de maneira diferentes (…) Tenho certeza também que você vai continuar fazendo o que acha que é mais importante para eles, não importa o trabalho que isso for dar, ou o quanto for gastar. Acho que a festinha é um exemplo, entre tantos. (…) E acho que é nisso que a gente tem que se concentrar. Não importa o que os outros fazem. Importa o que a gente faz, e se a gente está com o coração tranquilo, sabendo que está tentando fazer o nosso melhor, então nada mais vai nos incomodar.”

Eu prometi para mim mesma nunca mais dar palpites, a não ser que a pessoa me pergunte alguma coisa. Também percebi os palpites são para ajudar, pois geralmente vêm de pessoas queridas que também querem o bem dos nossos filhos. Não consigo prometer que vou parar de achar chato (desculpa, pessoas queridas!), mas prometi que vou tentar não fazer cara feia para os palpites. Mas vamos continuar a fazer do nosso jeito, tá?

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Querida escolinha

Nossos filhos começaram a ir para a escolinha nos primeiros dias de janeiro, para fazermos a adaptação com calma. No primeiro dia, fiquei com eles na sala de aula durante uma hora e pouco, acompanhei o almoço e voltamos para casa. No segundo dia, eles ficaram o mesmo tempo na escola, mas sozinhos. E depois fui aumentando uma hora por dia, até que eles começaram a passar o dia inteiro por lá.

Eles entram às 8h30 mais ou menos, quando saímos para trabalhar, e ficam até às 19h. Fazem quatro refeições por lá (café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar) e em casa só tomam leite e comem fruta, tanto de manhã quanto à noite. De manhã ficam na recreação e à tarde participam das atividades pedagógicas. Tiram um soninho de uma hora e pouco depois do almoço todos os dias e fazem aulas de música uma vez por semana.

Acostumar a ficar na escolinha foi muito fácil; eles brincam o dia todo e nunca choraram na escola ou fizeram birra (isso, aparentemente, é um privilégio só da mamãe e do papai). O mais difícil foi acostumar a ficar longe de casa. Nos primeiros dias, chegavam em casa e pareciam querer recuperar o tempo perdido: corriam, davam gritinhos de alegria, tiravam todos os brinquedos do lugar, agarravam o Fidel e não queriam dormir de jeito nenhum, apesar do cansaço. Acostumar com o cansaço também foi difícil; como na escolinha eles gastam mais energia e dormem menos à tarde, eles ficaram bem mais irritados e chorões quando chegavam em casa (na verdade, estão assim até hoje). Nos primeiros dias, eles choraram um pouco quando os deixávamos na escola. Ultimamente eles saem correndo e nem falam mais “tchau”.

A única parte chata foram as tais doenças que as crianças pegam quando entram na escola. Nós chegamos a achar que eles não passariam por isso, pois conviveram intensamente com outras crianças no abrigo até virem morar conosco, mas nos enganamos. Os dois ficaram gripados, tiveram febrinhas, tosse, dorzinha de barriga e tal. A professora não me animou muito, pois me disse que os primeiros SEIS MESES serão assim.

Mas estamos adorando a escola. Todos os dias precisamos levá-los até a sala de aula de manhã e precisamos entrar na escola para buscá-los, e é legal saber que as portas da escola estão sempre abertas para os papais. Todos os dias nos comunicamos com as tias pela agenda ou pessoalmente e sabemos que elas seguem todas as nossas recomendações com os cuidados e alimentação dos dois. Todos os dias os encontramos no final do dia com sorrisos lindos e imensos no rosto, de bebês que se divertiram. E isso nos deixa seguros para ficar longe deles todos os dias.

primeiro dia de aula

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Bebês mocinhos

Nossos brigadeirinhos chegaram em casa engatinhando e em um mês estavam correndo de um lado para o outro. Correndo rápido, aliás. Voltei a usar saltos todos os dias para ir trabalhar e vocês não imaginam o trabalho que dá não deixá-los fugir no curto percurso entre apartamento até o carro na garagem e entre carro na calçada até a sala de aula.

Nos primeiros meses, eles usaram copos de transição (aqueles com tampa plástico e três furinhos) para todas as bebidas. Hoje esses copos são só para o leite da manhã e da noite; durante o dia eles usam canudinhos. Significa que não precisamos mais carregar copos na bolsa quando saímos; podemos pedir uma água ou suco natural no restaurante e servir em qualquer copo com canudo – muito mais fácil.

Quando chegaram, eles tinham dois dentinhos em cima e dois dentinhos embaixo e mastigar era difícil. Carne, frango e frutas com casca às vezes os faziam engasgar e cuspir. Hoje, com doze dentes cada um, estão comendo pedacinhos maiores sem nenhuma dificuldade. Há poucos dias eles começaram a comer as frutas da manhã e da noite sozinhos, usando um garfinho infantil. Além de ser uma fofura imensa, podemos fazer outras coisas na cozinha enquanto eles comem. Estamos sempre atrasados de manhã para ir para escola e para o trabalho e ganhei o tempo de tomar o meu próprio café da manhã.

Nos primeiros meses, usamos uma banheira no chão do box para o banho. Em pouco tempo, eles começaram a confundi-la com uma piscina e deram mergulhos perigosos. Resolvemos que estavam prontos para tomar banho em pé, em cima do tapetinho que não deixa escorregar.

Há poucos dias ficamos super felizes porque eles cresceram seis ou sete centímetros desde que chegaram. Durou pouco. Hoje estamos nos perguntando se podemos instalar maçanetas e interruptores mais altos no apartamento. Os pés também cresceram e muitos sapatinhos já foram doados para outros bebês.

Eles aprenderam a guardar os brinquedos depois de brincar. Aprenderam a colocar a roupa suja dentro do cesto. Assim que saem do cadeirão, vão sozinhos até o banheiro e pegam as escovas e pasta de dente. Estão falando várias palavras em português (as preferidas são mamãe, bola, água, carro e “cabô”) e frases inteiras em uma língua própria.

Tudo isso em seis meses conosco. É muito orgulho!

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Coisas que aprendi durante a licença maternidade

Cinco meses e meio foi o maior período da minha vida que fiquei sem trabalhar ou estudar desde que entrei na escolinha com um ano e nove meses de idade (por coincidência, a mesma idade com que nossos filhos entraram na escolinha). Fiquei entendiada e cansada de ficar em casa alguns dias, confesso. Mas estou feliz por ter ficado esse tempo com meus pequenos. Estou feliz por não ter pensado que minha carreira era mais importante e por não ter voltado antes a trabalhar. E, principalmente, estou preparada para saber como é conciliar a vida de funcionária e mamãe.

Nesses meses eu percebi o quanto gosto da minha casa. Gosto do nosso apartamento, gosto da decoração semi-acabada que estamos fazendo, gosto de ter muitas janelas e muitas plantas, gosto de ficar sentada na sala olhando para as coisas que temos aqui.

Também percebi que gosto de estar em casa quando meu marido chega do trabalho. Desde que nos casamos, isso não tinha acontecido muitas vezes porque eu sempre trabalhei até tarde. Também gosto de jantar em casa, mesmo que seja um qualquer-coisa inventado de última hora.

Com relação aos nossos filhos, aprendi que algumas coisas precisam ser feitas ou pensadas pelos papais:

  • Mamãe ou papai precisam ir junto com eles nas consultas médicas. Somos nós que os conhecemos e os acompanhamos no dia-a-dia e que podemos dar informações importantes para avaliação do médico. Somos nós que ficaremos responsáveis por medicações ou cuidados e precisamos ouvir o que o médico tem a dizer.
  • Alimentação saudável é responsabilidade dos papais. Sabemos que nossos filhos vão experimentar guloseimas oferecidas por outras pessoas em festinhas, então fazemos questão de preparar somente comida caseira, fresquinha, variada, com pouca gordura, pouquíssimo sal e nada de açúcar em casa. Também escolhemos uma escolinha que toma esse mesmo cuidado com alimentação e vamos acompanhar o cardápio semanal das refeições dos bebês para saber o que estão comendo.
  • Hora do banho também é hora de ficar junto com mamãe ou papai. É hora de relaxar, de ficar quentinho, de brincar com a água, de fazer carinho, mas é a hora que os observamos peladinhos e podemos reparar se tem alguma errada na pele ou no corpinho.

Também aprendi que me sinto presa se ficar muito tempo em casa. Que sinto falta de conviver com adultos sem crianças por perto. E que nunca vou me arrepender por nunca deixar meu emprego para cuidar exclusivamente dos meus filhos, porque acho que sempre serei uma mamãe bem melhor trabalhando.

Voltei a trabalhar há duas semanas. Sinto falta deles, mas estamos nos saindo muito bem. Buscar na escola é a melhor parte do dia. Nada mais gostoso que chegar na porta da sala de aula e vê-los correndo na nossa direção, dando gritinhos de alegria, também morrendo de saudades.

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Papai

Não tenho babá para me ajudar a cuidar dos brigadeirinhos, como contei aqui, e nossa faxineira vem somente duas vezes por semana. E quando comentam como deve ser difícil e trabalhoso cuidar de dois bebês sozinha, respondo que não estou sozinha: nossos filhos têm o papai.

Papai é o cozinheiro dos bebês (e da mamãe). A cada dez ou quinze dias, ele passa horas na cozinha preparando uma infinidade de potinhos de feijão, lentinha, carne, frango, sopa e legumes, que são congelados em porções pequenas para que todos os dias nossos filhos tenham comida fresquinha. Se dependesse só de mim, não sei o que eu teria feito. Como não dou comida industrializada de jeito nenhum para eles e já fracassei em diversas tentativas de aprender a cozinhar, acho que eu teria que contratar uma cozinheira.

Além disso, meu marido também “dá conta” de dois bebês sozinho. Conheço mamães que não podem deixar o bebê sozinho com os papais por muito tempo, porque eles não saberiam o que fazer. Em casa, o papai também troca fralda, dá comida, dá banho, troca de roupa, escova os dentes, brinca e põe para dormir. Já precisei sair cedinho de casa enquanto os três ainda estavam dormindo, já saí para jantar e deixei o papai sozinho para arrumá-los para dormir, já passei a tarde no shopping enquanto os três estavam sozinhos em casa e tudo sempre correu bem. E se tanto a mamãe quanto o papai conseguem cuidar de tudo sozinhos, é muito, muito fácil quando estamos os quatro juntos.

No final de janeiro volto a trabalhar e não vou estar mais disponível em tempo integral para nossos filhos. Vou precisar conciliar os compromissos do trabalho com a agenda dos bebês, que inclui consultas médicas, a escolinha que fecha às 19h todos os dias e probleminhas de última hora (como ficar doente), e sei que o papai vai assumir metade dessas coisas. Também sei que eles estarão bem cuidados quando eu precisar trabalhar até mais tarde e não conseguir chegar a tempo de colocá-los para dormir. E, mais que bem cuidados, sei que estarão felizes com o papai quando eu não estiver. Porque sei que eles sentem o carinho e o amor que o papai tem por eles e porque tenho certeza que eles ganharam o melhor papai do mundo.

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