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Formigas

Isaac de chinelo na grama.

– Isaac, isso aqui é um formigueiro. Não pode pisar. As formigas picam. Ok?

Maieujuro que não deu 5 segundos.

– Manhêêêêêê!!! Buááááááá!!!!! Meu pééééééé!!!

– Mano, eu não falei que não podia pisar? Por que você pisou?

– Porque você falou para não pisar.

Pelo menos foi sincero.

Duas descobertas no episódio. Isaac aprendeu – ou pelo menos espero que tenha aprendido – que mãe não é *apenas* chata por prazer. Eu aprendi que ele não é alérgico a formigas, ufa.

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Tô contigo, Bela Gil

– Filho, tem sanduíche de frango, queijo e berinjela. Qual você quer?

– Berinjela.

Até umas duas semanas atrás, eu não sabia nada sobre Bela Gil, até que a foto da lancheira de sua filha pipocou na minha taimelaine, junto com mensagem de pessoas inconformadas com a crueldade da mãe, morrendo de dó da coitadinha da filha.

Coitadinha? Coitadinhas das crianças que vejo comendo salgadinho Fofura no metrô, isso, sim. Coitadinhas das crianças que não têm ninguém que se preocupe com a alimentação delas. Coitadinhas das crianças que tomam refrigerante, das que consomem balas, das que não comem verduras. Aí, sim, tenho dó.

“Me deprime adulto que acha esquisito criança que come verdura. Alguém lembra da propaganda com o menininho e a mãe no supermercado, pedindo para ela comprar brócolis e chicória? “Essa criança provavelmente não existe” dizia a propaganda e todo mundo achou graça, e ainda achou que bom mesmo era dar achocolatado com açúcar e vitaminas artificiais para as crianças.”, eu escrevi há uns dois anos lá no Rotulices. De lá pra cá, esses adultos continuam me deprimindo. No dia em que meu filho escolheu o sanduíche de berinjela, a moça do café me perguntou “mas ele vai conseguir comer sanduíche de berinjela?”. Por que, moça, tá muito estragado?

Garantir a educação alimentar dos filhos é papel da mãe. Você está certa, Bela Gil. Tô com você nessa briga diária para educar o paladar deles e ensiná-los a fazer as melhores escolhas. Tenho super orgulho do paladar dos meus filhos e aprendi a ignorar os olhares espantados das pessoas quando eles estão comendo salada, fruta ou qualquer outra coisa absolutamente NORMAL na alimentação de um ser humano.

Há pouco tempo comprei um leite com baixo teor de lactose sem nenhuma razão específica: só tinha esta opção da marca que costumo comprar quando fui ao supermercado e trouxe para experimentar. Minha filha amou e vive dizendo que quer o leite docinho. Na embalagem está escrito “para produzirmos leite integral de baixa lactose nada é retirado do nosso leite. A lactose é dividida em glicose e galactose, mediante a adição de lactase”. Essa glicose que aparece aí deixa o leite levemente, quase nada, mais doce e ela adora. Se sua criança está acostumada a tomar leite com achocolatado, nem adianta tentar. Minha filha só consegue ter esta sensibilidade porque toma leite puro desde bebê, sem nenhum açúcar.

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Presente de dia das mães

– O que você quer ganhar de dia das mães?

Ah, não vou mentir: apesar dessa vida simples e desapegada que tô perseguindo, eu ainda quero um monte de coisas. Não eletrodomésticos, please. Quero roupas novas, lingerie, um tênis, acessórios. Te faço uma lista com umas dez coisas bacanas que vão me arrancar um sorriso.

Mas um presente bacana mesmo seria não ter mais que me desculpar por ser mãe. Porque tenho percebido que, ao longo desses anos, eu me desculpo muito por ser mãe.

“Desculpa, mas ele(a) está doente na escola e vou ter que ir buscar”. “Desculpa, mas o médico só tinha consulta nesse horário e preciso levar”. “Desculpa, mas ele(a) fez uma birra hoje cedo pra acordar e atrasei”. “Desculpa, mas a reunião de pais/ apresentação de dia das mães é nesse dia e horário e vou ter que ir”. “Desculpa, mas hoje ele(a) teve uma excursão, perdeu o horário da perua e ficou lá na escola, preciso ir buscar”. “Desculpa, mas a babá faltou/ pediu demissão e não tenho com quem deixar”. “Desculpa, mas estou indo pra casa ficar com meus filhos”.

Perceber que eu estava me desculpando simplesmente porque sou mãe foi frustrante. Porque não é que eu quero ficar fazendo essas coisas todas só para meu próprio prazer. É um direito das crianças ter alguém que cuide delas e que faça as coisas que precisam ser feitas para elas. É um direito das crianças que elas tenham pelo menos um adulto que as tenha como prioridade e que não as deixe na mão. E, por trás dessas minhas desculpas todas, existem duas crianças que precisam de médico, de cuidados, de tempo e de mãe.

Hoje passei por essa imagem do MILC e vi que é isso que eu quero. Não quero flores nem presentes, quero poder dar prioridade para meus filhos sem pedir desculpas. E como isto não vem em uma caixa de presente e só depende de mim, nesse dia das mães eu mesma vou me dar o meu presente.

Isaac e Ruth, a mamãe nunca mais vai pedir desculpas por ser mãe.

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Desfralde noturno

Confesso: enrolei muito. Minha filha já estava madura para o desfralde noturno há um tempo (eu acho, não dá pra ter certeza), mas eu esperei o inverno acabar, esperei o verão chegar de vez, esperei as férias, esperei mais umas semanas, respirei fundo e tiramos a fralda da noite.

Foi simples e ela se saiu bem. Alguns escapes, nada de outro mundo. Mas essa história de levar criança pra ir ao banheiro meio dormindo é dose. Desfralde noturno acaba com a paz. A criança tá lá bem linda dormindo a noite toda e você inventa um intervalo, um “levanta da cama e vamos ao banheiro” e fica rezando pra ela não inventar de acordar de vez no meio da madrugada (nunca aconteceu). Nas primeiras semanas, eu colocava despertador no meio da madrugada pra checar se ela estava seca, uma crueldade pra quem acorda religiosamente todo dia às 6h. Não gosto nem de lembrar.

Agora estamos bem acertadas. Ela dorme cedo e eu a levo no colo para um xixi antes de eu deitar. Ainda não estou 100% confiante que ela aguenta 10-12 horas seguidas e prefiro fazer a voltinha ao banheiro enquanto ainda não dormi, para não interromper meu sono. Ela dificilmente me chama depois disso e tá tudo lindo.

Mas eu tenho gêmeos. Falta o outro. Meu filho não tá tão pronto, porque ainda deixa escapar xixis na calça com frequência durante o dia. Então eu pretendia esperar o tempo dele, com calma, talvez no verão que vem. Mas ele cresceu e não há fralda que aguente a noite toda. Molha pijama, molha cama, mesmo com fralda. Não temos água em São Paulo, não dá pra ficar lavando lençol todo dia. Eu poderia trocar a fralda dele no meio da noite, mas já basta a hora extra de fraldas noturnas para impactar o meio ambiente. Então, lá fui de novo, mas desta vez fiz diferente: nós combinamos que a fralda tem que acordar seca. Que não pode molhar a fralda. Que tem que me chamar pra fazer xixi. E ele topou o desafio. E cá estou eu sendo chamada de madrugada para xixis, saindo do quarto feito zumbi.

Não gosto de acordar no meio da noite. Ninguém gosta, né? Eu não consigo esconder meu mau humor. Só não vou reclamar porque estou sofrendo com isto só depois de quase três anos de maternidade. Para todas as mamães cujos bebês demoraram para começar a dormir a noite toda, meu abraço apertado e carinhoso. Vocês merecem.

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Só tinha que ser com vocês

Eu nunca fui desesperada para ter filhos, mas sempre soube que teria. Não sou uma pessoa apaixonada por crianças, mas não via minha vida terminar sem filhos. Achava que teria filhos mais tarde, pra lá dos 40, para poder curtir a vida adoidado, e me surpreendi comigo mesma quando resolvi ser mãe 10 anos antes do plano original.

Aí tive filhos e me divorciei depois. Ouvi muitas vezes “poxa, que difícil, seria mais fácil se vocês não tivessem tido filhos”. Eu mesma cheguei a falar isso, confesso. Mas hoje acho que não. Apesar de “mãe solteira” nunca ter feito parte do meu planejamento estratégico, prefiro mil vezes ser uma divorciada com filhos que divorciada sem filhos.

Sabe por quê? Porque meu relógio biológico estaria apitando loucamente agora. Tenho certeza. E como convencer alguém a ir lá num fórum, passar por entrevistas e fazer psicóloga e assistente social acreditarem que está motivado para adotar é muito mais difícil, eu não estaria pensando em adotar: eu estaria pensando em reproduzir.

Se eu não tivesse filhos ainda, eu estaria aqui no sofá de casa com o Tinder aberto, jogando os “pregos” para a esquerda e os “bons reprodutores” para a direita. Eu ia ser uma doida com foco em procriar, não em dates. Eu ia ser insuportável e nunca mais na vida ia arranjar um namorado.

Obrigada, Ruth e Isaac. Vocês me fazem bem em tantas coisas, que nem podem imaginar.

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Simplifica

Há mais de um ano eu só penso em trabalhar menos. Eu gosto de trabalhar, não nasci pra ficar em casa e cuidar dos filhos em tempo integral, mas justamente por causa deles eu quero trabalhar menos. Não sei quão menos, mas certamente bem longe do modelo CLT de 40 horas semanais. Oito horas por dia de segunda a sexta é tempo demais. Isaac e Ruth merecem mais de mim.

E o primeiro passo desse plano foi reconhecer que trabalhar menos significa ganhar menos. Pra ser justo, né? A não ser que eu ganhe na loteria, mas para isso eu precisaria jogar na loteria, e nunca jogo. Então a alternativa é ganhar menos. E, para ganhar menos e continuar a nos divertir, eu fiz um plano de simplificação da vida. Um plano de desapego.

Primeiro foi o carro. Eu tinha carro da empresa, mas os custos de combustível, estacionamento, multas e algumas manutenções eram meus. O stress do trânsito também era meu. Quando mudei para uma empresa que não tinha esse benefício, desapeguei. Deleite da minha planilha de controle de despesas as linhas: combustível, estacionamento, lavagem, multas, IPVA, seguro, manutenção.

Falta de carro me levou a desapegar dos sapatos de salto. Sapatilha custa um pouco menos que scarpin, mas o ponto aqui não é o custo. É a agilidade e a não preguiça. Quando a distância é curta, eu ando.

Depois foi a TV a cabo. Aquela que estava instalada na sala e no quarto e que nunca era acessada. Foi embora, coitada. Fiquei só com a Internet, o iTunes e a Netflix. TV em casa é só on demand, e o custo é menor.

Aí veio a mudança de casa, onde desapeguei de duas coisas em uma única tacada: a casa própria e o espaço extra. Vendemos nosso apartamento e fui morar com as crianças em um apartamento alugado que é 30% menor. Tem o espaço que precisamos e nada mais. Perdendo espaço, deixamos para trás as tralhas. Vendi e doei muita coisa. Não temos mais jogos imensos de pratos, talheres e taças, não tem eletrodoméstico encostado, não tem roupa que não usamos mais, não tenho mais 80 pares de sapatos, vendi grande parte dos livros, porque não cabe. Para comprar mais coisas, penso no que vou doar para caber. Tô mais leve.

O aluguel também me livrou de uma parcela do financiamento lotada de juros, de despesas extraordinárias do condomínio (sabem aquela reforma na academia que aprovam na reunião e que custa XXX reais por mês a mais no condomínio? eu não tenho nada a ver com isso), de alguns custos de manutenção que são responsabilidade do proprietário (infiltrações, por exemplo). Também nos deixou mais flexíveis para mudar de casa se precisarmos. Demorei um ano para vender o apartamento e fiquei um pouco traumatizada. Se para simplificar ainda mais eu quiser morar mais perto do trabalho um dia, é só agendar a mudança.

O desapego mais recente foi da empregada doméstica mensalista que vinha todos os dias. Trabalhando fora e com duas crianças, eu achei que não dava para viver sem. Achava ele iria me matar sem uma dessas. Mas não. Hoje temos só a babá e ajuda esporádica: sem nenhuma frequência definida (às vezes 7 dias, às vezes 10) eu chamo uma empresa de limpeza e pago por hora a limpeza pesada e passar roupas. O resto eu faço: arrumo as camas, mantenho a cozinha limpa, coloco as roupas para lavar, rego plantas. Eu, não, nós. Nessa história, as crianças ganharam responsabilidades de habitantes da casa: esticam o edredon de manhã e arrumam os bichinhos de pelúcia, levam a roupa suja no cesto, recolhem comida que cair no chão, ajudam com a roupa na máquina, guardam suas roupas e sapatos no lugar. Agora eles mesmos me falam: “a gente não tem mais ajuda e temos que deixar nossa casa limpa, né, mamãe?”. Isso. Eu também estou reaprendendo que, se deixar o tênis da academia na sala, ele vai estar lá quando eu voltar do trabalho. E também estou feliz por estar ensinando dois pimpolhos a serem bons roommates no futuro.

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Nossa história

Minha irmã teve bebê. Os meus bebês acompanharam todo o processo de bebê na barriga, nascimento, a chegada da prima, a amamentação. Esses dias minha irmã questionou:

– Se um dia eles me perguntarem sobre gravidez ou amamentação, digo o quê?

– A verdade. Nossa história, como sempre conto para eles.

Eles conhecem nossa história, mas não sei ainda o quanto entenderam. Não sei se já perceberam que existem dois processos para “virar filhos”: a barriga e a adoção. Não insistem muito nesse assunto ainda, então também não forço. Não tem nada escondido, nenhuma mentira, mas também não sinto necessidade de falar sobre a chegada deles todos os dias. É natural, falamos quando o assunto surge, quando perguntam, quando olhamos fotos.

Eu adoro ter adotado. Hoje em dia, tenho curiosidade sobre engravidar apenas para confirmar que o amor é exatamente igual. Porque eu duvido que seja possível amar mais uma outra criança do que amo esses dois monstrinhos. Eu não consigo imaginar mais amor do que já tenho em casa.

Quando vocês nasceram, vocês vieram da barriga de uma moça, que não tinha uma casa e não podia cuidar de vocês. Ela queria, mas não podia. Vocês foram então morar em um abrigo junto com outras crianças e com tias que cuidavam das crianças. Um dia a mamãe foi visitar vocês lá e perguntou se vocês queriam ser meus filhos, e vocês olharam com olhinhos de “sim”. Nós adotamos vocês. E vocês viraram os bebês da mamãe e passamos a viver juntos e a ser uma família.

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Carta para minha filha

Querida filha,

Eu sei que você também sofre com todas as birras e descontrole, que não terminaram nos terrible two e já estão quase chegando aos four. Eu sei que é difícil ficar brava com o mundo, berrar até a garganta doer e se jogar no chão e bater a cabeça. Eu sei que eu sou a pessoa adulta nesse relacionamento e que é meu papel ter calma e paciência. Eu sei também que não sou um ser imaculado que tem calma e paciência 100% do tempo.

Mas você está me ensinando a ser paciente e tolerante. Você é a primeira pessoa neste mundo que nunca irá sair da minha vida mesmo que me irrite, que me teste ou que não faça as coisas que quero. Nós vamos ficar juntas e vamos tentar nos entender, para sempre.

Eu sei que você sofre de saudades. Eu sei que é difícil para você sair da escola com a perua e ser recebida em casa pela babá. Eu sei que você queria me ver antes. Sei também que no final do dia estou cansada, porque eu enfrento clientes atuais que precisam de atenção, novos clientes que entregam minhas metas de receita, chefe, equipe e colegas de trabalho que precisam de reuniões, materiais, definições e entregas. Você não tem nada a ver com isso e eu me esforço todos os dias para abstrair tudo isso enquanto estou no metrô para chegar bem humorada em casa.

Eu sei que todos os dias, sem exceção, você faz alguma bagunça feia na escola ou com a babá. O que você não sabe é que eu pedi para a escola e para a babá tentarem não me contar todas essas coisas em detalhes e hoje elas resumem, contam menos vezes, filtram um pouco mais. Fiz isso porque eu não quero chegar em casa todos os dias e ter conversas sérias e pesadas com você. Quero chegar em casa e te abraçar, ouvir suas histórias, contar sobre o meu dia. Quero te dar banho, brincar e te colocar para dormir. Quero te deixar feliz, quero te mostrar que não vou ficar brava e te dar broncas todos os dias.

Outra coisa que você não sabe é que eu entro no seu quarto todos os dias depois que você dorme para te cobrir e te abraçar. Você dorme pesado e nunca acorda. Você também não sabe que eu queria não ter perua e babá e te buscar na escola todos os dias, junto com seu irmão. Que eu questiono esse “esquema” todos os dias, mas que não sei qual outra alternativa funcionaria bem pra gente. Eu sei que você gosta de dormir cedo, porque isso te faz bem, então sei que não adianta chegar tarde e te deixar dormir uma hora mais tarde, porque você vai estar cansada demais para curtir esse tempo com a mamãe. Eu só não sei o que tenho que fazer para chegar em casa mais cedo todos os dias, sem que isso afete nossa renda e o meu equilíbrio.

Eu quero te ver feliz. Quero ver você tranquila, quero que se sinta linda, que seja querida pelo outros e que pare de roer suas unhas. Por favor, me ajuda a entender o que tenho que fazer para você parar de roer unha. Quero curtir você. Quero ficar mais tempo com você, sem essa de “tempo de qualidade”. Quero mais tempo mesmo. Queria levar você para trabalhar comigo amanhã.

Eu te amo muito, pequenina. Dorme bem, tá?

um beijo e um quentinho

Mamãe Ruri

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Ser (só) mãe

Hoje eu fiz tudo diferente: dispensei a perua de manhã e levei as crianças até a escola a pé, porque o dia estava bonito e eu queria ficar um pouco mais com eles antes da corrida matinal. No final da tarde saí cedo de uma reunião, dispensei a perua de novo e pedi para o taxi me deixar na porta da escola, um pouco antes das 18h. Meu filho quase morreu do coração quando me viu na porta da sala – eu amo essas manifestações intensas e energizantes de carinho.

Voltamos andando, conversando e cantando e paramos na padaria para um leite gelado com pão de queijo. Dispensei a babá e chegamos em casa super cedo, antes do horário que eles costumam chegar com a perua. Eles foram brincar no quarto, ainda era dia, tinha sol entrando pela varanda e a brincadeira rolou um bom tempo enquanto eu arrumava algumas coisas em casa, até chegar a hora do banho. Depois do banho dos três, brincamos juntos de jogo da memória e eles foram deitar. Deitei junto com minha filha e ficamos abraçadinhas um tempão até ela ficar bem sonolenta. Às 20h10 eles estavam desmaiados e eu percebi que fazia tempo que não me sentia tão feliz.

Ser mamãe e ser diretora de empresa juntos ao mesmo tempo é desafio demais. Tem que ter estrutura de apoio (a perua, a babá, a escola) e tem que gerenciar esta estrutura toda. Tem a culpa, tem a saudade, tem o cansaço. Tem cabeça em um lugar e coração no outro. Eu não nasci para ser mãe em tempo integral, mas hoje fiquei me perguntando seriamente se não estou errando totalmente neste modelo que escolhi.

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Não tem que trabalhar

Chegou sexta final de tarde e eu estava com a apresentação de segunda pela metade. Era o momento de decidir: faço uma força para terminar tudo no escritório e deixo os dois esperando em casa com a babá ou saio no horário e termino durante o fim de semana? O clima na firrrrma já era de distração e resolvi sair. Tinha pela frente 48 horas para trabalhar umas 2 horinhas e eu também já não estava rendendo mais.

Sexta à noite, após bebês na cama, eu tentei uns slides, mas não rolou. Muito cansaço. No sábado, entrei de cabeça no esquema duascrianças + casanova + festainfantil e só parei meia noite. No domingo, não tinha mais jeito: eu tinha que trabalhar.

Acordei os dois, dei o café e expliquei (bem mal explicado):

– Hoje não vamos sair. Vamos ficar em casa. Vocês vão ficar brincando e a mamãe vai ter que trabalhar um pouco.

Meu filho começou um choro sentido de cortar o coração. Com lágrimas, com dor. Demorou para ele conseguir explicar. Mas tinha lógica.

– Hoje é dia de ficar com a mamãe. A escola tá fechada, a gente não vai pra escola hoje. A gente não quer ficar sozinho. Você não precisa trabalhar hoje. Você não tem que trabalhar hoje, trabalha quando a gente for pra escola.

Meu, não me mata de remorso. Fiquei repensando os almoços longos, os cafés mais demorados, aquele tempo perdido na internet. Eu trabalhei, não teve jeito, sentada no sofá com os dois ao meu lado assistindo Frozen. Mas não vou fazer mais isso. Mães precisam ser mais produtivas no escritório. Ou trabalhar de madrugada. Eu preciso organizar isso melhor.

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